Darwin Deez – Constellations

Amanh√£, 28 de setembro, ser√° o 30 anivers√°rio do primeiro epis√≥dio da s√©rie ‚ÄúCosmos‚ÄĚ, de Carl Sagan. No aquecimento, um clipe de Darwin Deez repleto de refer√™ncias bem-humoradas √† obra.

Condicionamento Pavloviano

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N√£o entendeu? Saiba mais sobre o condicionamento reflexo. [via haha.nu]

Noite estrelada

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Criada por Dominic Kamp, a imagem infelizmente não é uma fotografia. O rastro pode lembrar nossa Via Láctea cortando o céu noturno, mas as estrelas são em verdade da galáxia NGC 346 capturadas pelo telescópio espacial Hubble.

A bela imagem da praia da Mold√°via, na Europa Oriental, como moldura por outro lado d√° uma beleza maior √†s imagens da Pequena Nuvem de Magalh√£es, a 210.000 anos-luz de dist√Ęncia.

Gagasaurus rex

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Lembro de ter lido quando crian√ßa como nunca saber√≠amos quais seriam as verdadeiras cores dos dinossauros. Como outras declara√ß√Ķes sobre os limites da ci√™ncia, esta n√£o durou muito: cada tipo das principais formas de pigmenta√ß√£o por melanina √© contida em organelas de forma diferente. E elas se fossilizam! Analisando assim estruturas celulares fossilizadas, uma boa indica√ß√£o das cores de pelo menos alguns dinossauros de at√© 125 milh√Ķes de anos j√° foram realizadas. Por sua vez, elas tamb√©m d√£o maior suporte √† tese de que dinossauros possu√≠am penas. Penas coloridas.

Esta √© a ci√™ncia, √© bem verdade, e os m√©todos para estimar as cores e mesmo as penas de dinossauros n√£o s√£o ainda universalmente aceitas, embora j√° sejam hoje amplamente consideradas. √Č uma revolu√ß√£o paleontol√≥gica em pleno andamento. T√£o recentemente quanto em Jurassic Park (1994), os velociraptors eram retratados como terr√≠veis r√©pteis, mas descobertas em anos recentes evidenciam como estes r√©pteis est√£o entre aqueles que tamb√©m deviam possuir penas.

Ainda deviam ser terríveis, mas com penas. Multicoloridas.

Foi brincando com isso que o artista Gerson Witte criou essa nova ilustra√ß√£o (clique para ampli√°-la), onde tamb√©m explora com humor a ideia de que dinossauros teriam p√™los. Que seriam ‚Äúproto-penas‚ÄĚ.

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Cores, penas, pêlos, tudo outra vez segundo novas teorias e evidências paleontológicas, que vêm revisando inclusive a ideia de que seriam criaturas de sangue frio, ou que várias espécies famosas de dinossauros seriam em verdade formas diferentes de uma mesma espécie.

Curiosamente, outras técnicas de microscopia e análise também indicam que esculturas gregas clássicas não eram formas totalmente brancas e sóbrias do mármore puro, como as obras da Renascença as imaginaram. Essa aparência seria em verdade o resultado de mais de um milênio de cores desbotando. Eram originalmente estátuas repletas de cores gritantes, e você confere abaixo, uma reconstrução da estátua de um arqueiro no Templo de Afaia na ilha grega de Aegina, 490 A.C.:

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Apesar do que filmes e livros em preto e branco nos fizeram pensar, a antiguidade, mesmo aquela de milh√Ķes de anos, era inundada de cores.

– – –

[Gerson Witte também havia ilustrada Manadas de Homo Sapiens. O Gagasaurus rex foi criado por estudantes do Instituto de Arte de Pittsburgh]

O Deus Relojoeiro

Cercados como estamos de tecnologia derivada da f√≠sica de semicondutores, onde tudo √© digital e vem embalado em chips e c√°psulas, j√° nos distanciamos de alguns √≠cones da sofistica√ß√£o da tecnologia no passado. Mas nada que c√Ęmeras digitais e as maravilhas da rede de computadores n√£o possam compensar:

Charlie Visnic capturou a beleza de um rel√≥gio mec√Ęnico e seus mecanismos bem de perto, complementada por uma trilha sonora tamb√©m pr√≥pria. Aprecie e compreenda melhor como religiosos compararam, e continuam comparando, um ‚ÄúCriador‚ÄĚ do Universo a um relojoeiro.

Se tiver mais dez minutos, assista também ao vídeo abaixo, um documentário de 1949 explicando melhor como cada uma das peças funciona.

Nenhum destes mecanismos √© divino, sobrenatural, inexplic√°vel. S√£o todas cria√ß√Ķes humanas, fruto de s√©culos de desenvolvimento, e em certos aspectos remontando mesmo √† Gr√©cia Antiga, espelhando o movimento dos planetas pelo c√©u.

Um rel√≥gio eletr√īnico digital baseado nas vibra√ß√Ķes de um cristal de quartzo pode ser mais preciso, e a ci√™ncia e tecnologia envolvida em sua cria√ß√£o √© mais sofisticada, mas eu sempre admirei essas maravilhas mec√Ęnicas. Lamento o dia em que martelamos com iPhones. [via MAKE]

Black Sabbath: ‚ÄúIron Man‚ÄĚ a meio milh√£o de Volts

Mais uma performance do grupo ArcAttack. Tudo real: todo o som que você escuta é produzido pelo zumbido modulado de centenas de milhares de volts cruzando o ar.

Entenda a Bobina de Tesla musical (alto-falante i√īnico), e confira o Tema de Doctor Who com Bobinas de Tesla.

Somos um epifen√īmeno

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Toda a humanidade foi infectada pelo v√≠rus zumbi, que mata em 24 horas. N√£o h√° cura, todos ir√£o morrer. Todos os mortos, depois de mais 24 horas, se tornam zumbis e podem vagar indefinidamente exigindo ‚Äúc√©√©√©rebros‚ÄĚ. Mas h√° esperan√ßa.

Nem todos foram infectados ao mesmo tempo, e se duas pessoas vivas conseguirem agarrar um zumbi, podem revivê-lo como uma pessoa normal em um dia. Infelizmente, o tratamento é um paliativo que só funciona temporariamente, mais precisamente por 24 horas, após as quais a pessoa morre outra vez. E mais um dia depois, volta a se tornar um zumbi.

Pode soar como um enredo elaborado de um p√©ssimo filme de zumbis, mas s√£o as regras do ‚ÄúJogo da Morte‚ÄĚ, um apelido para uma variante criada por Brian Silverman para o ‚ÄúJogo da Vida‚ÄĚ ‚Äď n√£o, n√£o o de roletas e tabuleiro ‚Äď, uma das mais populares aplica√ß√Ķes de aut√īmatos celulares (CAs). Voc√™ confere mais sobre CAs, o Jogo da Vida de John Conway e a possibilidade de que o Universo seja um programa em um grande computador em ‚ÄúO Universo √© Matrix?‚ÄĚ.

Por aqui, convido você a apreciar a animação abaixo:

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Ela ilustra a situação já vários dias após a infecção, onde cada pixel representa uma pessoa. O cenário começa já com uma vasta área de pixels pretos, os zumbis, destino que aguarda a todos. Contudo restam algumas pessoas vivas, os pixels brancos, e algumas mortas que ainda não se converteram em zumbis, em azul. Cada quadro da animação representa a passagem de um dia. Ao todo, são 201 dias.

Note como a mudan√ßa de estado das pessoas de vivas, para mortas, para zumbis, e eventualmente de volta √† vida se propaga pela √°rea com grande rapidez. As formas que parecem viajar pela anima√ß√£o n√£o s√£o zumbis correndo em busca de ‚Äúc√©√©√©rebros‚ÄĚ. Nesta representa√ß√£o, os pixels, as pessoas, permanecem im√≥veis e o que est√° se propagando √© o padr√£o de pessoas/cad√°veres/zumbis. O que se desloca na anima√ß√£o √© a infec√ß√£o, n√£o as pessoas.

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Se voc√™ ainda est√° lendo este texto, talvez por pura paix√£o por zumbis, ainda assim j√° pode estar se perguntando aonde se quer chegar. Bem, a forma como um padr√£o inicial (a semente) rapidamente se espalha por toda a √°rea e gera uma enorme variedade de padr√Ķes em verdade indica como esta representa√ß√£o, este aut√īmato celular, √© capaz de representar complexidade. Tanto √© assim que seu nome original n√£o era ‚ÄúJogo da Morte‚ÄĚ, envolvendo infec√ß√Ķes e mortos-vivos.

O aut√īmato celular foi inicialmente batizado como ‚ÄúC√©rebro de Brian‚ÄĚ, porque ao inv√©s de zumbis voc√™ pode imaginar neur√īnios prontos para disparar ‚Äď os pixels pretos. Os neur√īnios disparando, brancos, est√£o ‚Äúvivos‚ÄĚ. Os neur√īnios que acabaram de disparar precisam de um ciclo de descanso, est√£o ‚Äúmortos‚ÄĚ, s√£o azuis. E, finalmente, um neur√īnio dispara se dois neur√īnios adjacentes est√£o disparando. Exatamente as mesmas regras, exatamente a mesma ilustra√ß√£o, mas se este texto come√ßasse falando de neur√īnios voc√™ talvez n√£o tivesse chegado at√© aqui. Confesse.

Al√©m da brincadeira e da coincid√™ncia entre zumbis e c√©rebros, este texto fala de epifen√īmenos. Na anima√ß√£o acima, por exemplo, o fen√īmeno observado de um padr√£o de infec√ß√£o propagar-se de maneira est√°vel, cruzando a tela, √© um epifen√īmeno da infec√ß√£o zumbi. Isto √©, que a humanidade est√° sendo afligida por esta terr√≠vel doen√ßa que s√≥ um p√©ssimo roteirista ou matem√°tico imaginaria, este √© o fen√īmeno principal, todos podemos concordar. Que um padr√£o de pessoas vivas, mortas e zumbis se propague entre a popula√ß√£o √© um fen√īmeno secund√°rio, paralelo. √Č um epifen√īmeno.

Agora, relembremos que a anima√ß√£o tamb√©m √© uma analogia do ‚ÄúC√©rebro de Brian‚ÄĚ, ou o seu c√©rebro, ou o meu c√©rebro. Que neur√īnios andam disparando para l√° e para c√° segundo alguma regra, esse √© o fen√īmeno. Que padr√Ķes de neur√īnios disparando se propaguem por este modelo de c√©rebro, que aumentem em complexidade aparente e gerem uma pletora de imagens, esse ser√° um fen√īmeno secund√°rio, paralelo. Ser√° um epifen√īmeno.

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Ser√≠amos um epifen√īmeno? Consci√™ncia e intelig√™ncia em si mesmas s√£o epifen√īmenos de outras adapta√ß√Ķes evolutivas. Se fossem o fen√īmeno principal da vida, da evolu√ß√£o, esperaria-se que tudo fosse consciente e inteligente, quando em verdade poucas esp√©cies dedicam muitos recursos √† intelig√™ncia, e n√≥s permanecemos largamente isolados em nossa consci√™ncia, inclusive, da solid√£o. Sentimentos e pensamentos que partilhamos apenas parcialmente com alguns de nossos parentes s√≠mios e mam√≠feros mais pr√≥ximos.

A verdadeira inspira√ß√£o para este texto, contudo, √© notar como o pr√≥prio Universo pode ser um epifen√īmeno. Em ‚ÄúO Universo √© Matrix?‚ÄĚ, abordamos a quest√£o de que, se o Universo √© um programa em um computador, n√£o √© necess√°rio presumir que este programa tenha sido projetado para processar nossa exist√™ncia. Retorne √† anima√ß√£o da infec√ß√£o zumbi ou de um c√©rebro. Note como a complexidade que se v√™ √© um epifen√īmeno, algo secund√°rio que ocorre casual e paralelamente a um fen√īmeno prim√°rio.

Pois bem, aut√īmatos celulares como o ‚ÄúJogo da Morte‚ÄĚ, ou o ‚ÄúC√©rebro de Brian‚ÄĚ, j√° foram demonstrados como computadores universais. Pode-se criar um padr√£o inicial de pessoas vivas/mortas/zumbis em um grande cen√°rio que seja capaz de processar informa√ß√£o ‚Äď representada por mais padr√Ķes de pessoas ‚Äď exatamente como qualquer computador. Se o Universo √© um programa comput√°vel, ele poderia ser computado pelo ‚ÄúJogo da Morte‚ÄĚ. Ele poderia ser computado como padr√Ķes de infec√ß√£o zumbi.

J√ľrgen Schmidhuber, do Instituto Dalle Molle de Estudos em Intelig√™ncia Artificial na Su√≠√ßa, nota que uma x√≠cara de ch√°, simplesmente ao existir, estaria efetuando c√°lculos. Epifen√īmenos ocorrem na intera√ß√£o entre o ch√° e a x√≠cara, o ar e tanto mais. O que computam? Provavelmente nada muito interessante, mas se ela pode ser vista como um computador efetuando c√°lculos quaisquer, nosso pr√≥prio Universo poderia estar tendo lugar em Outro como algo t√£o desinteressante quanto uma x√≠cara de ch√° √© para n√≥s.

O padr√£o de infec√ß√£o zumbi √© algo bem mais interessante que uma x√≠cara de ch√°, por outro lado, e ilustra talvez de forma ainda mais poderosa como epifen√īmenos complexos podem emergir. Nosso Universo pode n√£o s√≥ ser Matrix, pode ser um padr√£o de infec√ß√£o zumbi em outro Universo. Alheio a todo o o drama, o pr

Baleias, ovelhas e cavalos no espaço

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‚ÄúTamb√©m n√£o se falou mais no fato de que, contra todas as probabilidades, uma cachalote havia de repente se materializado muitos quil√īmetros acima da superf√≠cie de um planeta estranho. E como n√£o √© este o ambiente natural das baleias em geral, a pobre e inocente criatura teve pouco tempo para se dar conta de sua identidade ‚Äėenquanto‚Äô cachalote, pois logo em seguida teve de se dar conta de sua identidade ‚Äėenquanto‚Äô cachalote morto‚ÄĚ. ‚Äď Douglas Adams, O Guia do Mochileiro das Gal√°xias

Se uma baleia cachalote em pleno espa√ßo √© um dos eventos mais improv√°veis que se pode imaginar, o que voc√™ diria da seguinte hist√≥ria: o √≥leo de baleia, especificamente o espermacete de cachalotes, seria prezado por suas propriedades √ļnicas como o baix√≠ssimo ponto de congelamento, e assim estaria sendo usado para lubrificar desde o telesc√≥pio espacial Hubble at√© a sonda interestelar Voyager? Algumas variantes chegam at√© a especular que estas sondas espaciais usariam √≥leo de baleia como combust√≠vel!

Ador√°vel e absurda como possa parecer, infelizmente a anedota deve ter pouco tempo para se dar conta de sua identidade enquanto anedota para logo em seguida se dar conta de sua identidade enquanto mito desmentido. Com mais rumores circulando a respeito nos √ļltimos meses, o perfil oficial da NASA para o Hubble no Twitter esclareceu que a hist√≥ria simplesmente:

‚ÄúN√£o √© verdade. Falei com o Gerente de Sistemas Astrof√≠sicos da NASA que trabalhou no Hubble. Ele diz que n√£o h√° √≥leo de baleia na nave‚ÄĚ.

A importa√ß√£o de √≥leo de baleias foi proibida nos EUA a partir de 1976, e fornecedores de lubrificantes vinham se adaptando √† regula√ß√£o bem antes disso. Segundo a √ļltima fornecedora de √≥leo de baleia lubrificante nos EUA, a Nye Lubricants, ‚Äúfoi f√°cil encontrar um substituto para √≥leo de espermacete‚ÄĚ. √ďleo de jojoba, uma planta americana, ‚Äúde onde pode ser expresso um √≥leo virtualmente id√™ntico em estrutura molecular‚ÄĚ.

O √≥leo de baleia sim era apreciado por suas propriedades, mas quaisquer que fossem pelo visto jojoba o substituiu. E √≥leos sint√©ticos podem ter substitu√≠do a jojoba. Afinal, as propriedades do √≥leo de baleia tamb√©m n√£o eram t√£o √ļnicas assim. Ao contr√°rio da lenda, o espermacete sim se congela, de fato muito facilmente, a ponto de que parte pode se solidificar e formar velas.

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Mas afinal, n√£o sabe ainda o que √© o espermacete de que falamos? Em espanhol, Felix Ares explica ‚ÄúDe velas y ballenas‚ÄĚ tudo sobre o √≥leo e algo de sua hist√≥ria, incluindo como a unidade de medida do padr√£o SI para a intensidade luminosa, a candela (cd), foi estabelecida derivada da intensidade de luz de uma vela de espermacete inglesa.

Enquanto os alemães definiam sua unidade de luminosidade a partir de uma lamparina queimando acetato de amila e os franceses queimavam azeite de colza, quando um comitê internacional decidiu em 1948 padronizar a unidade através de meios mais confiáveis, foi a vela de espermacete inglesa a referência escolhida.

Mesmo hoje, a intensidade luminosa do monitor que você deve estar observando neste exato momento é definida em candelas, e assim se o espermacete de cachalotes não viaja entre as estrelas, ele ao menos encontra seu caminho como padrão de medida que deve se estender ainda por um bom tempo.

Unidades de medida nos levam às ovelhas. Em outra anedota curiosa, Carl Pyrdum lembra que o tamanho dos sofisticados e-readers, do Kindle ao tablet iPad, deriva do tamanho padrão de livros, por sua vez derivados… do tamanho de ovelhas medievais!

Na Europa, livros eram feitos de pergaminhos, e os pergaminhos feitos de pele de ovelha dependiam do tamanho das criaturas. ‚ÄúDespele, corte as partes curvas das pernas, e voc√™ fica com um gigantesco pergaminho, muito grande para a maior parte dos usos em livro‚ÄĚ, conta Pyrdum.

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‚ÄúMas est√° tudo bem, porque voc√™ pode dobr√°-lo no meio, e ter√° um par de folhas (quatro p√°ginas contando a frente e verso) que voc√™ pode juntar com v√°rias outras folhas de mesmo tamanho para fazer um livro de tamanho ‚Äėfolio‚Äô. Dobre de novo e voc√™ obt√©m um livro de oito p√°ginas chamado ‚Äėquarto‚Äô, que √© o livro do tamanho de um dicion√°rio ou enciclop√©dia‚ÄĚ. E assim por diante.

O tamanho da tela do iPad deve algo ao tamanho da pele de ovelhas medievais dobradas duas vezes. Talvez três. A história, que ainda não pude confirmar ou refutar, lembra uma das já clássicas sobre a origem da bitola dos trilhos americanos. Diz a lenda que a medida foi herdada dos ingleses, que a herdaram de suas carroças, por sua vez herdadas da largura das estradas do império romano, finalmente determinadas pela largura ocupada por dois traseiros de cavalos. Como a bitola ferroviária determinou a largura máxima de foguetes transportados por trens, os traseiros de cavalos romanos teriam determinado a largura de foguetes lançadores.

Fabulosa como seja a lenda, aqui est√° mais uma oportunidade para que ela se d√™ conta de sua identidade enquanto mito parcialmente desmentido. Como Cecil Adams, um dos mais famosos destruidores de mitos, ‚Äúlutando contra a ignor√Ęncia desde 1973‚ÄĚ, j√° abordou o tema h√° dez anos, a linhagem de traseiros de cavalos romanos at√© foguetes lan√ßadores da NASA n√£o √© cont√≠nua como quer dizer a lenda. Ao final, por outro lado, traseiros de cavalos sim foram o padr√£o mais ou menos constante e informal que fez com que estradas romanas, inglesas, e ent√£o ferrovias no Velho e Novo Mundo tivessem a mesma bitola aproximada que t√™m. Dois traseiros de cavalos s√£o uma medida conveniente para a largura de uma estrada.

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Ao pesquisar os diversos nexos para este texto que j√° ficou mais longo do que esperava, encontrei ainda outra hist
ória de como óleo de baleia teria desempenhado um papel crucial na conquista espacial. E uma um tanto inacreditável.

Bem, na d√©cada de 1980, a NASA perdeu muitos de seus dados, incluindo as grava√ß√Ķes originais em alta qualidade do pouso na Lua. Por qu√™?

‚ÄúSuas primeiras esta√ß√Ķes registravam dados de sat√©lite em fitas mestre de alta resolu√ß√£o que usavam √≥leo de baleia para aglutinar part√≠culas de ferro no acetato. O √≥leo de baleia tornava as fitas muito mais dur√°veis, mas quando a pesca comercial de baleias foi proibida em meados dos anos 1980, a NASA n√£o p√īde mais adquirir essas fitas de longa durabilidade. Ent√£o ela reutilizou as antigas. Engenheiros da NASA gravaram em cima de 200.000 fitas mestre, incluindo registros em alta resolu√ß√£o de espa√ßonaves diversas como os primeiros sat√©lites Landsat e a Apollo 11, preservados apenas em c√≥pias de baixa resolu√ß√£o. ‚ÄėEnorme quantidade de dados foi perdida‚Äô‚ÄĚ.

Poderia ser apenas mais uma lenda sobre óleo de baleia e a NASA, não fosse o fato de que o parágrafo vem diretamente da Science. Será mesmo esta a explicação para a perda do que pode ter sido um dos mais importantes registros na história da humanidade? Falta de fitas de gravação com óleo de baleia?

‚ÄúChamem-me Ishmael‚ÄĚ.

Um gr√£o, muitas gal√°xias

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