Falando Grego <Árabe < Hindi

falandogrego

Alguns (ou muitos) posts do 100nexos devem soar como grego. Não necessariamente porque sejam sofisticados. E seguramente não porque estejam escritos em grego: a expressão é, desnecessário explicar, sinônimo de algo incompreensível.

Mas e os gregos, qual língua lhes soa distante a ponto de ser sinônimo do incompreendido? Se você leu o título, deve ter adivinhado que seja o arábico árabe. E que aos árabes, é o hindi que soa alienígena.

StrangeMaps apresenta um cartograma representando como diferentes línguas se referem a outras como sinônimo do incompreensível, e é curioso observá-lo por todas as influências históricas e culturais que o construíram.

Não é preciso muito esforço para presumir que a posição do grego como língua inacessível na civilização ocidental se deve à enorme influência cultural da Grécia Antiga. Dos monges copistas da Idade Média que ao se deparar com a língua anotavam nas margens “Graecum est, non legitur” (“Isso é grego para mim, não consigo ler), a Shakespeare que cunhou a expressão “era Grego para mim”, em inglês, um longo e importantíssimo fio de história se revela em uma expressão tão corriqueira. Deve ser o máximo aos que gosta de etimologia.

Sem surpresa quanto mais antigas as línguas, mais tendem a ser referidas por outras línguas como incompreensíveis, e o grande vencedor é o idioma chinês. Curiosamente, em chinês a língua incompreensível seria uma tal de “escrita divina”.

E não, pelo visto não existe nenhuma língua à qual “português” seja sinônimo de blablabla. Mais, em inglês, em Greek To Me: Mapping Mutual Incomprehension

We are Children of Evolution

“Evolution ist überall!”, brada um grupo alemão que quer instituir neste Ano de Darwin uma data comemorativa oficial celebrando o fato de sermos todos “filhos da evolução”. Seria o “Evolutionstag”, que substituiria a Ascenção de Cristo como um feriado nacional secular.

E para promover a petição online, criaram um vídeo com Charles Darwin cantando “We are Children of Evolution”, na clássica melodia original da Revolution do grupo T-Rex. Destaque para Darwin com as plaquinhas de Bob Dylan e toda a série de outras referências pop. [via Fogonazos, Pharyngula]

O Efeito McThatcher

O que acontece quando você combina duas das mais interessantes ilusões de percepção? Acima você confere uma fabulosa demonstração em vídeo do efeito Thatcher, que já abordamos por aqui.

E abaixo, um novo vídeo apresentando o efeito McGurk – escute o que o sujeito diz, e depois escute o que ele diz, mas com os olhos fechados. Você descobrirá que escuta também com os olhos (mais detalhes em português aqui):

Agora, combine as duas ilusões e você terá… o efeito McThatcher:

mcthatcher 

Combinando a dissonância entre som e imagem do efeito McGurk com os rostos e bocas invertidos do efeito Thatcher, o efeito McThatcher mostra que é possível anular o efeito McGurk combinando um rosto normal com uma boca invertida. Aqui está o inusitado: a boca invertida, isoladamente, continua estimulando um efeito McGurk.

[via o extraordinário cgr v2.0, que chupinhamos com frequência]

Referências:
– Thompson P (1980) Margaret Thatcher: a new illusion (PDF). Perception 9:483–484
– McGurk, H., & MacDonald, J. (1976). Hearing lips and seeing voices. Nature, 264, 746-748.
Inverted Lips and Face McGurk Effects Rosenblum (PDF), L.D., Yakel, D.A., & Greene, K.G. (2000). Face and mouth inversion affects on visual and audiovisual speech perception. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance. 26(3), 806-819.

20th Century Boys: vol 1

Um vírus hemorrágico que mata quase instantaneamente pipoca pelo mundo. Cientistas e autoridades morrem e desaparecem sem explicação. Um culto bizarro em torno do “Amigo”, uma figura que nunca mostra o rosto e é representado por um símbolo enigmático, angaria milhões de seguidores.

São prenúncios do fim do mundo na virada do milênio, e Kenji Endo descobre para seu horror que tudo está acontecendo exatamente como ele e seus amigos inventaram em seu “Livro de Profecias” quando ainda eram crianças.

É “20th Century Boys” (2008), primeira parte de uma trilogia cinematográfica adaptando o manga homônimo de enorme sucesso de Naoki Urasawa, autor também de Monster. Comparado a histórias e temas de Stephen King – amizades de infância e histórias cheias de suspense –, o filme pelo menos a mim lembrou uma versão tão boa, ou ruim, quanto Heroes. A primeira temporada. E eu gostei de Heroes. A primeira temporada.

Ao invés de “Save the Cheerleader, save the world”, somos apresentados ao mistério de “Kenji-kun, asobimashyou”, ou “Kenji, vamos brincar”, repetido pelo “Amigo” em uma voz bizarra. De onde ele conhece Kenji e por que estaria concretizando suas terríveis visões apocalípticas infantis? Ele conseguirá torná-las todas realidade, e poderá Kenji encaixar todas as peças para salvar o mundo?

As duas horas passam rápido enquanto mergulhamos na história, mas ainda que o final seja climático, de alguma forma não satisfaz. Meio como Lost, não há muitas respostas ao suspense, só um gancho para a segunda parte, que acaba de ser lançada no Japão. Você é automaticamente tentado a conferir a história toda já publicada no manga. E são mais de 4.000 páginas.

E se o fizer, descobrirá que o manga é sem surpresa muito superior à adaptação, que não chega a ser um desastre, mas poderia ter sido sublime se não se valesse de tanto clichês e lugares comuns na hora de traduzir tudo para a telona. A trilha sonora, como já comentaram em outras resenhas, poderia ser genial – o próprio título da série vem de “20th century boy” do T.Rex, que é a abertura –  mas além da abertura promissora com colagens de imagens do século 20 somos lançados ao que parece a estética de um filme feito para a TV. Talvez porque a produção também tenha sido obra do canal NipponTV.

A indústria cinematográfica japonesa é a segunda maior do mundo em sua movimentação de grana, mas os orçamentos são apenas uma fração dos de Hollywood. Isso não impede o surgimento de algumas obras geniais e visualmente hipnotizantes, mas aqui parece ser explicação para as diferenças entre a adaptação de Watchmen e 20th Century Boys – porque ainda que a adaptação de Watchmen fracasse no final, é visualmente impecável.

Enfim, assista 20th Century Boys como um bom entretenimento, vale a pena. Podia ter sido muito mais, e a segunda parte talvez seja mais satisfatória, mas para quem curte ficção científica, mangas, Stephen King, suspense, Heroes e tudo mais, a diversão deve ser garantida. E alguns podem até se apaixonar.

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O DVD de 20th Century Boys com legendas em inglês ainda deve ser lançado oficialmente no mês que vem, não me perguntem como eu assisti (com as legendas). A segunda parte da trilogia tem seu site oficial aqui. Até onde pude ver, o manga também ainda não foi lançado em português. Em inglês, toda a saga está disponível online (!) em One Manga.

É o ano de Darwin: pegue a folhinha

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“Um calendário não religioso baseado na ciência e na razão”. É o calendário da Era Darwin, disponível em bom português gratuitamente para baixar, imprimir e comemorar.

“Use este calendário para expressar que você acredita em um movimento humanístico e livre-pensador, onde a razão e a investigação científica devem substituir a superstição e a crendice. Ajude a espalhar essa concepção da Era Darwin se você pensa que é hora de cessar os milênios de doutrinação, depressão e violência religiosa”.

Como não concordar? Pegue o seu calendário da Era Darwin.

Magenta… e todas as outras cores da massa cinzenta

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Acima você confere o espectro de luz visível, que pode ser entendido como ondas eletromagnéticas simplesmente variando em freqüência, da mais baixa à direita à mais alta na esquerda. Vá mais baixo e você adentra o infravermelho, o microondas e o rádio, vá mais acima e você avança sobre o ultravioleta, raios-X e raios gama.

Vemos o espectro de luz visível em todo lugar, e de forma especialmente bela nas cores do arco-íris. É comum pensar que deve conter todas as cores, tanto que a expressão “todas as cores do arco-íris” tem 12.300 resultados no Google, quase sempre referindo-se a todas as cores existentes.

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Agora ache a cor magenta no espectro. Ela não está lá. Todas as cores no arco-íris não incluem o magenta. Como podemos enxergá-la? Seria uma freqüência mágica que não existe realmente? Flicts?

Segundo Liz Elliot, sim. Em uma nota onde diz que magenta não é uma cor, Elliot explica que o magenta é uma mistura dos dois extremos do espectro, violeta e vermelho. E o cérebro ao invés de somar as duas frequências e enxergar algo em seu meio – que seria o verde – faz um malabarismo e inventa uma cor completamente nova entre o vermelho e o violeta. Magenta seria uma grande mentira, uma ilusão.

Soa inacreditável. Provavelmente porque não é realmente verdade. E a verdade pode ser ainda mais impressionante.

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Boxxy for President

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“Boxxy era uma garota feliz e normal de 16 anos, que gostava de animes e jogava Gaia Online. Nada de errado ou ilegal ela fez. Porém ela recebeu um imenso castigo, imerecido até por muitos outros retardados da internet”.

Um mês depois do fenômeno: a história de Boxxy, a ciência de Boxxy, do Youtube a presidentes americanos, na continuação.

Continue lendo: Boxxy for President

Almost there…

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Nossa evolução de Lablogatórios para ScienceBlogs Brasil devia ter acontecido no último dia 17, mas novidades de última hora – que valem bem a pena – adiaram um pouco nossa estréia, que ainda deve ocorrer nos próximos dias.

Pedimos desculpas pela confusão, e neste meio-tempo vamos preparando mais conteúdo para uma nova fase. Quando a mudança for completada, você que acessa o 100nexos pela web será redirecionado automaticamente, bem como vocês que assinam nosso feed não precisarão alterar endereços.

Mas caso o impensável ocorra, nos vemos em breve em:

http://scienceblogs.com.br/100nexos

Até lá!

Vídeo ilustra a colisão de satélites no espaço

Como você deve ter ouvido, na semana passada dois grandes satélites, um americano e um russo, colidiram a 800km sobre a Sibéria. O Iridium americano pesava 560 kg, enquanto os Cosmos 2251 russo, mais de uma tonelada. É a maior colisão desta natureza já registrada – colisões descontroladas com objetos menores já ocorreram, bem como testes controlados como o efetuado pelos chineses há dois anos, que todavia também envolveu objetos menores.

Enquanto as consequências, leia-se, o destino e configuração da nuvem de destroços ainda deve levar algum tempo para ser melhor avaliada, o vídeo acima simula o impacto. Vemos de início o Iridium, e a nuvem vermelha de destroços logo é colocada em contexto quando a massa enorme de lixo espacial já existente é exibida.

Estamos literalmente rodeados de dezenas de milhares de objetos a milhares de quilômetros por hora. Os pontos não estão em escala – se estivessem, não poderíamos mais enxergar as estrelas muito bem, mas colisões assim devem se tornar cada vez mais comuns.

Em tempo: a bola de fogo vista sobre o Texas, EUA, há pouco não teria relação com a colisão dos satélites, apesar de algumas opiniões neste sentido terem circulado na mídia. O bólido texano seria um meteoro comum, vindo do espaço exterior, com velocidade muito grande e incompatível com os destroços dos satélites, que devem levar algum tempo para queimar na atmosfera.

Mais sobre o caso texano em breve. [vídeo via Glúon]

100nexos em mudança: ScienceBlogs.com.BR!

Nos próximos dias estaremos de mudança para uma das maiores redes de blogs sobre ciência no mundo: o Lablogatórios deve se transformar no ScienceBlogs.com.br!

O pessoal de apoio estará trabalhando para que todas as mudanças sejam automáticas – de redirecionamentos aos feeds – mas não deixem de já incluir o novo endereço do condomínio em seus favoritos:

http://scienceblogs.com.br/

Ainda não está online, e novos posts e comentários aqui no Lablog estarão bloqueados até o lançamento do Sb.com.br no próximo dia 17, terça-feira.

Nos vemos de novo por lá!

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