Movimento de um feto humano de 24 semanas

Este v√≠deo mostra um feto de 24 semanas com uma quantidade relativamente grande de fluido amni√≥tico permitindo movimento de todos quatro membros. O registro tamb√©m demonstra os movimentos pequenos dos dedos e indica√ß√Ķes do movimento de deglutir. Este grau de movimenta√ß√£o √© t√≠pico para um beb√™ desta gesta√ß√£o e torna a captura de imagens de seu c√©rebro um desafio.

Do King’s College London, via Wired, Fogonazos

Vídeo: a língua de uma Diva e um MC

Imagens de resson√Ęncia magn√©tica das performances de uma soprano e um MC/beatboxer, do grupo SPAN da Universidade do Sul da Calif√≥rnia. [via BoingBoing]

O v√≠deo lembrou-me imediatamente do conto ‚ÄúEles s√£o feitos de carne‚ÄĚ, de Terry Bisson. Um trecho:

“- Sabe quando você bate na carne ou a cachoalha, e ela faz barulho? Eles falam chacoalhando pedaços de carne um contra o outro. Eles até cantam, espremendo ar pela carne.

– Aimeudeus. Carne que canta. Isso j√° √© demais.‚ÄĚ

Eles até cantam, espremendo ar pela carne. Isso é realmente inacreditável.

Jonathan, o Frankenstein

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Em meio a rel√Ęmpagos e trovoadas de uma tempestade, o cientista maluco, o doutor Frankenstein, comemora descontroladamente. ‚ÄúEst√° vivo! Est√° vivo!‚ÄĚ, grita enquanto a cria√ß√£o monstruosa que acabar√° por mat√°-lo adquire vida. √Č a imagem gravada fundo na consci√™ncia coletiva do complexo de Frankenstein, dos perigos da ci√™ncia descontrolada. O an√ļncio recente de mais um passo na dire√ß√£o de vida sint√©tica provocou medo, enquanto o principal respons√°vel foi imediatamente comparado ao doutor que gritava ‚Äúest√° vivo!‚ÄĚ. Uma busca por ‚ÄúCraig Venter Frankenstein‚ÄĚ retorna mais de 30.000 resultados, muitos dos quais de ve√≠culos importantes de m√≠dia.

A hist√≥ria de terror de Mary Shelley cumpre um bom papel ao chamar aten√ß√£o √† necessidade de que conquistas cient√≠ficas e tecnol√≥gicas sejam sempre cercadas de cautela e discuss√£o. Como seres emocionais, contudo, o monstro de Frankenstein talvez fale bem demais com nossos sentimentos e muito pouco com a raz√£o, elemento essencial para que a cautela n√£o se transforme simplesmente em um p√Ęnico t√£o insano quanto o do fict√≠cio doutor.

Para lidar com isso na mesma moeda e contrabalançar o jogo, apresentamos aqui um adorável vídeo muito real de Jonathan. Um bebê de oito meses com problemas auditivos, no momento da ativação do implante coclear que permite que finalmente escute sons.

Assista atentamente, na marca de cinco segundos o m√©dico diz ‚Äúit‚Äôs back on again‚ÄĚ, ou ‚Äúest√° ligado de novo‚ÄĚ, e como um interruptor de luz, ou mesmo como um raio, a express√£o do beb√™ muda instantaneamente enquanto nossos cora√ß√Ķes se derretem pouco a pouco. Mais de 150.000 pessoas j√° receberam implantes cocleares e passaram a escutar melhor o mundo de sons que nos cerca, em dispositivos eletr√īnicos que n√£o s√£o movidos a tempestades tenebrosas nem criados por cientistas malucos, mas sim por simples baterias e uma comunidade m√©dica e cient√≠fica trabalhando para melhorar nossa qualidade de vida. Se voc√™ ficou curioso, a amiga Giseli Ramos, ‚Äúuma ciborgue com ouvido bi√īnico‚ÄĚ, conta mais sobre sua experi√™ncia com implantes cocleares.

Ci√™ncia e tecnologia s√£o instrumentos poderos√≠ssimos que podem nos permitir concretizar praticamente tudo que imaginarmos, sejam estes sonhos ou pesadelos. Compreender melhor estas possibilidades e discuti-las com toda a sociedade √© o que diferencia um doutor Frankenstein isolado em seu castelo de centenas de milhares de Jonathans acessando um mundo de sensa√ß√Ķes com o ligar de um interruptor.

Morte por ouro derretido

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No filme Goldfinger de James Bond, h√° uma cena em que o vil√£o exc√™ntrico mata uma mocinha de uma maneira digna de vil√Ķes de James Bond. Ele pinta todo o corpo da pobre donzela com ouro, e ela morre por‚Ķ asfixia! Isso porque, oras, voc√™ devia saber, n√≥s tamb√©m respiramos pela pele. Dan√ßarinas profissionais que costumam pintar o corpo costumam deixar uma parte na base da espinha sem pintura justamente para evitar a asfixia.

√Č uma fabulosa lenda, mas √© apenas uma lenda, isto √©, √© falsa, n√£o √© verdade. Respirando normalmente pelo nariz, voc√™ n√£o deve morrer asfixiado, por mais que feche todos os poros de sua pele com ouro ou outras formas um tanto menos caras. O principal problema com que pode se deparar √© que a tinta sim impedir√° a transpira√ß√£o. Voc√™ n√£o ir√° suar e a regula√ß√£o de temperatura corporal n√£o funcionar√° corretamente. Se voc√™ poder√° morrer por causa disso √© outro assunto, os Mythbusters, ou Ca√ßadores de Mitos, dedicaram-se ao tema v√°rias vezes, sempre interrompendo os testes ap√≥s alguns minutos.

Se a morte pela pintura do corpo com ouro √© um tema incerto, a execu√ß√£o atrav√©s do derramamento de grandes quantidades de ouro derretido garganta abaixo √© muito certa. No fim do s√©culo 16, um governador espanhol no Equador colonial foi morto por membros da tribo J√≠varo ‚Äď mais conhecidos por criar miniaturas de cabe√ßas ‚Äď exatamente desta forma. Como os pesquisadores holandeses Goot, Berge e Vos notam, despejar metais derretidos goela abaixo das v√≠timas era em verdade uma pr√°tica levada a cabo nos dois lados do Atl√Ęntico, dos Romanos a, ironicamente, a Inquisi√ß√£o Espanhola.

‚ÄúV√°rias fontes mencionam a explos√£o de √≥rg√£os internos. A quest√£o permanece se este √© realmente o caso e qual seria a causa da morte‚ÄĚ, escrevem os pesquisadores. ‚ÄúPara investigar isto, obtivemos uma laringe bovina de um matadouro local. Depois de fixar a laringe em posi√ß√£o horizontal a um peda√ßo de madeira e fechar o fim distal com papel higi√™nico, 750 g de chumbo puro (ao redor de 450 graus) foi aquecido e despejado na laringe‚ÄĚ.

São métodos curiosamente similares aos praticados pelos Mythbusters (ou vice-versa). Afinal, as infelizes vítimas acabam mesmo explodindo? Fique conosco para que Adam e Jamie, digo, Goot, Berge e Vos contem os resultados na continuação. Não se preocupe, não há nenhuma imagem chocante.

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O Corpo como M√°quina

Ou mais do que uma √ļnica m√°quina: o corpo humano como uma ind√ļstria, completa com in√ļmeros sistemas de controle, produ√ß√£o e‚Ķ oper√°rios! Voc√™ com certeza j√° deve ter visto alguma ilustra√ß√£o gr√°fica utilizando a met√°fora de m√°quinas e linhas de produ√ß√£o para explicar como nosso corpo funciona, e a anima√ß√£o acima, obra do artista alem√£o Henning Lederer deve ser a primeira vers√£o animada em detalhes, com um toque especial.

No ‚Äúentrela√ßamento entre ci√™ncia, cultura, arte e tecnologia‚ÄĚ, Lederer rendeu uma homenagem animando o p√īster original de Fritz Kahn, ‚ÄúO Homem como um Pal√°cio Industrial‚ÄĚ, criado em 1927. H√° quase um s√©culo, Kahn √© a inspira√ß√£o, sen√£o a fonte direta, para todos os gr√°ficos de homens gigantes com maquin√°rio industrial que conhecemos. Voc√™ pode ver a ilustra√ß√£o original clicando na imagem abaixo.

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Kahn, m√©dico berlinense, foi o escritor e ilustrador que popularizou ci√™ncia e em particular, descobertas das ci√™ncias m√©dicas e biol√≥gicas atrav√©s de livros maravilhosamente ilustrados, indo muito al√©m de simplesmente reduzir a complexidade de sistemas biol√≥gicos ao que hoje podem parecer antiquados mecanismos. O caminho inverso tamb√©m se aplicava, em uma √©poca de extrema confian√ßa no progresso tecnol√≥gico Kahn mostrava como diversas estruturas org√Ęnicas incorporavam solu√ß√Ķes de engenharia das mais sofisticadas.

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Ao que ainda veja este tipo de ilustra√ß√£o como ‚Äúreducionista‚ÄĚ ou ‚Äúcartesiana‚ÄĚ, deve ser curioso notar que esta arte tenha sido produzida na Alemanha no per√≠odo entre-guerras. Ainda mais que Fritz Kahn fosse judeu. Seus livros foram banidos e queimados, e o m√©dico, autor e artista fugiu at√© se abrigar nos EUA, com ajuda de Albert Einstein, em 1941. Inevit√°vel que se associe a vis√£o do corpo humano como m√°quina aos terrores da m√°quina genocida do nazismo.

Ao que relembro que Kahn era judeu. E m√©dico. A met√°fora do corpo humano como ind√ļstria n√£o deve ser banida como um terror nazista. √Č valiosa justamente por seu entendimento simplificado e intuitivo, e os trabalhos originais de Kahn s√£o de uma beleza incr√≠vel. Podem ser adoravelmente antiquados, com r√°dios-galena e linhas de produ√ß√£o que hoje mesmo poucas ind√ļstrias ainda possuem, mas n√£o √© que com um pouco de anima√ß√£o por computador at√© o original de 1927 n√£o se torna divertido e novo para as crian√ßas de hoje?

Descartar os trabalhos de Kahn, isso sim é obra de Hitler. [via Nerdcore]

Acupuntura: palitos de dente servem

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Não se assuste, não é preciso fincar os palitos pele adentro. De fato os palitos nem são necessários, porque a acupuntura realmente não funciona. Mas antes de todos estes detalhes, vejamos como o mais recente estudo a respeito foi noticiado:

“Um estudo que avaliou a efic√°cia da acupuntura para tratamento de dor nas costas concluiu que ela n√£o consegue ser melhor do que uma forma falsa desse tratamento, na qual as pessoas s√£o submetidas apenas a picadas superficiais em pontos aleat√≥rios do corpo. O trabalho, por√©m, trouxe uma revela√ß√£o surpreendente: as duas formas de acupuntura, a verdadeira e a simulada, parecem ser mais eficazes do que o "atendimento usual" que pacientes de lombalgia costumam receber.

[Folha Online: Acupuntura "falsa" supera medicina comum em teste]

Epa. Acupuntura supera medicina comum? Como, se acabamos de dizer que ela n√£o funciona?

Mais tratamento, melhor resultado

Simples, a not√≠cia est√° errada, a acupuntura n√£o supera a medicina comum. Os pacientes que receberam tratamento com acupuntura tamb√©m receberam o “atendimento usual” da “medicina comum”, incluindo todos os anti-inflamat√≥rios receitados pelos m√©dicos. A acupuntura foi um tratamento complementar, uma aten√ß√£o adicional que parte dos pacientes recebeu. E como tal mostraram uma melhora mais r√°pida de sua dor.

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Gripe su√≠na: “Vamos todos morrer” (Li√ß√Ķes de 1976)

Atenção: foi confirmado que um recruta do exército americano de apenas 19 anos, David Lewis, faleceu menos de 24 horas depois de sentir-se cansado e fraco. Pior, ele não se sentia gravemente doente Рnão achou necessário procurar os médicos ou deixar de participar de um exercício. A rapidez com que padeceu é assustadora, e a causa da morte foi confirmada como a gripe suína. Outros membros da tropa também foram contaminados e adoeceram.

Detalhe: Isso ocorreu em fevereiro de 1976, h√° mais de trinta anos, quando irrompeu um surto de gripe su√≠na nos EUA. O epis√≥dio √© extremamente relevante nesta imin√™ncia da pandemia de gripe A(H1N1), e o tenebroso comercial que voc√™ confere acima √© bem real, parte de uma das primeiras incurs√Ķes de governos na televis√£o para a conscientiza√ß√£o de um problema urgente de sa√ļde p√ļblica. Hoje vemos claramente, um tanto question√°vel.

Mas propagandas de terror n√£o foram o pior que ocorreu ent√£o. Como √© o tema da pr√≥pria propaganda televisiva, em 1976 o ent√£o presidente americano Gerald Ford determinou a vacina√ß√£o em massa de toda a popula√ß√£o como forma de conter a doen√ßa, temendo que “o v√≠rus de 1918 houvesse retornado”.

√Č uma decis√£o discutida at√© hoje, porque ao final, a √ļnica morte devido √† gripe su√≠na no surto de 1976 foi a do recruta Lewis. Por outro lado, pelo menos 25 pessoas faleceram por complica√ß√Ķes causadas pela pr√≥pria vacina. Apenas 200 pessoas foram infectadas, sendo Lewis a √ļnica v√≠tima fatal, mas dos 40 milh√Ķes de americanos vacinados (o programa foi interrompido), 25 faleceram devido a uma s√≠ndrome provocada pela vacina. Dito simplesmente, a vacina matou mais do que a doen√ßa. Leia mais na Folha: EUA viveram surto de gripe su√≠na em 1976; vacina gerou mortes.

Antes de jurar nunca tomar uma vacina ou evitar todas as recomenda√ß√Ķes do governo, no entanto, tome alguns minutos para conhecer ou lembrar um pouco melhor o que ocorreu h√° trinta anos e como isso √© relevante hoje.

De volta ao futuro

Voltemos a 2009. Nos pr√≥ximos meses, h√° fortes indica√ß√Ķes que a pandemia de gripe su√≠na estar√° estabelecida, e vacinas devem ser disponibilizadas. A OMS far√° recomenda√ß√Ķes e governos discutir√£o quais, se e como aplic√°-las em grande escala em seus pa√≠ses, o que ainda deve depender de qu√£o grave realmente √© o v√≠rus com que nos deparamos. E, com certeza, ouviremos falar muito mais sobre o epis√≥dio de 1976.

Considerando como hoje mesmo vacinas de seguran√ßa e efic√°cia estabelecidas ainda s√£o evitadas por pessoas que acreditam que seriam apenas conspira√ß√Ķes malignas da ind√ļstria farmac√™utica, a pol√™mica atual de usar ou n√£o m√°scaras ou viajar ou n√£o √© apenas um an√ļncio do que est√° por vir. Ou melhor, se repetir. Mesmo em 1976 o programa de vacina√ß√£o americano, at√© ent√£o sem precedentes e at√© hoje um dos maiores j√° promovidos, foi assolado por muitos problemas e discuss√Ķes.

N√£o pretendo me antecipar muito √† discuss√£o que deve vir; ela deve ser muito positiva e contar√° com dados mais completos dos que dispomos agora, bem como ser√° promovida por figuras bem mais qualificadas que o autor que escreve aqui. Mas desde j√° dispomos de alguns dados, e este autor pode oferecer algum coment√°rio que talvez seja √ļtil.

Antes de mais nada, nesta que deve ser uma pandemia mais do que anunciada j√° houve mais de uma morte confirmada. No momento em que escrevo, 3 de maio, segundo a OMS j√° ter√≠amos 17 mortes entre +600 infectados confirmados em todo o mundo. Isto √©, h√° pouca d√ļvida de que a situa√ß√£o hoje √© comprovadamente mais grave e preocupante do que o surto de 1976 nos EUA.

E ent√£o, a quest√£o que pode valer milh√Ķes de vidas (ou n√£o): a decis√£o de vacinar toda a popula√ß√£o americana foi um erro? Em retrospecto, √© evidente que foi, mas aqui est√° o que penso ser a li√ß√£o mais importante de todas. No contexto da situa√ß√£o, pode-se argumentar que apesar de ultimamente errada, a decis√£o fora acertada. Confuso? Bem, acompanhe o pronunciamento feito pelo presidente Ford na √©poca:

“Fui aconselhado de que h√° uma possibilidade muito real de que, a menos que tomemos medidas contr√°rias efetivas, poder√° haver uma epidemia desta perigosa doen√ßa no pr√≥ximo outono e inverno aqui nos Estados Unidos. Deixe-me declarar claramente neste momento: Ningu√©m sabe exatamente qu√£o s√©ria esta amea√ßa pode ser. Ainda assim, n√£o podemos apostar com a sa√ļde de nossa na√ß√£o. Desta forma, anuncio hoje as seguintes a√ß√Ķes … a produ√ß√£o de vacina suficiente para inocular todo homem, mulher e crian√ßa nos Estados Unidos…”

Se o governo iria errar, erraria pelo excesso de precau√ß√£o. Como depois se constatou, de fato a vacina√ß√£o fora desnecess√°ria e a medida um erro, mas foi a “a√ß√£o errada pelos motivos certos“. Trinta anos depois √© f√°cil condenar a decis√£o de Gerald Ford e as ag√™ncias governamentais que o aconselharam, mas apenas porque tendemos a superestimar nossa capacidade de adivinhar algo depois que este algo j√° ocorreu.

Mesmo considerando 25 mortes, fato √© que 40 milh√Ķes de pessoas foram vacinadas na campanha de 1976. √Č mais prov√°vel morrer atingido por um raio, e muito mais prov√°vel morrer por uma gripe comum do que por causa de uma vacina, mesmo uma vacina como a aplicada ent√£o. As vacinas antigripais de hoje s√£o ainda mais seguras.

No momento, nos vemos na mesma situa√ß√£o onde “ningu√©m sabe qu√£o s√©ria esta [nova] amea√ßa pode ser”. E, como em 1976, poucos devem discordar que “n√£o podemos apostar com a sa√ļde de nossa na√ß√£o”. Embora isto n√£o seja motivo para abra√ßar qualquer medida dr√°stica, apenas para “fazer algo” (√†s vezes n√£o fazer algo √© fazer algo), e se decidir movido pelo p√Ęnico nunca deve ser positivo em nenhuma situa√ß√£o, tor√ßamos e tomemos a√ß√Ķes para que daqui a trinta anos possamos olhar para tr√°s e dizer que se erramos, erramos pelo excesso de precau√ß√£o, pela sorte de lidar com um v√≠rus menos perigoso do que o temido.

O outro cen√°rio de erro ao lidar com o surgimento de uma nova pandemia √© um que de certa forma j√° ocorreu. Como William Brandon da Universidade da Carolina do Norte nota (PDF), poucos anos depois do “fiasco” da vacina√ß√£o de 1976 uma nova quest√£o de sa√ļde p√ļblica foi descoberta. Em 1981 o Centro de Controle de Doen√ßas dos EUA publicava o primeiro estudo ligado ao que depois seria conhecido como AIDS. “Se o epis√≥dio da gripe su√≠na [de 1976] foi um caso de exagero face a uma doen√ßa infecciosa, a AIDS tem sido um registro lament√°vel de par√°lise ideol√≥gica e m√°-vontade federal em agir efetivamente”, conclui Brandon.

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Leia mais

O que você precisa saber sobre a gripe suína;

EUA viveram surto de gripe suína em 1976; vacina gerou mortes

Vírus, ciências e homens РResenha que inclui um breve comentário sobre o episódio de 1976;

1976: Fear of a great plague;

In the Age of Bioterrorism, an Affair to Remember: The Silver Anniversary of the Swine Flu Epidemic That Never Was (PDF).

Mantenha-se informado no portal do Minist√©rio da Sa√ļde e acompanhe a cobertura feita pelo ScienceBlogs Brasil.

Como cortar o cérebro de Einstein

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Você confere acima o que talvez seja uma das cenas mais inclassificáveis na história da ciência. O objeto branco dentro do pote de formaldeído é um pedaço do cérebro de Albert Einstein. Sim, Einstein. A faca e a tábua usadas são utensílios comuns de cozinha para cortar pão. Sim, pão. Pão de Thomas Harvey, o homem cortando o cérebro de Einstein para dar de souvenir para Kenji Sugimoto, um professor japonês fanático pelo físico alemão, que logo levará a relíquia para um bar de karaokê.

Mas como?

A hist√≥ria inacredit√°vel do “como” √© documentada em “Einstein’s Brain” (1994) de Kevin Hull. Voc√™ pode conferir uma detalhada (e hilariante) resenha em “O C√©rebro de Einstein“, mas caso entenda ingl√™s, pode e deve assistir ao document√°rio completo, com mais alguns coment√°rios nossos sobre o desenrolar da hist√≥ria, a seguir.

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Um transplante de cabeça (ou de corpo) para Stephen Hawking

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H√° alguns anos traduzi e publiquei um artigo contando “Uma Breve Hist√≥ria das Cabe√ßas de Cachorro Decepadas“. Envolvia as experi√™ncias do Dr. S.S. Bryukhonenko no Instituto de Fisiologia e Terapia Experimental na antiga Uni√£o Sovi√©tica, nas primeiras d√©cadas do s√©culo passado. Experi√™ncias com cabe√ßas de cachorro decepadas, cortadas fora, mantidas vivas artificialmente por alguns segundos. Cabe√ßas decepadas vivas. O tema √© intrigante e perturbador.

O filme divulgando as experi√™ncias, com o singelo t√≠tulo de “Experimentos na Ressuscita√ß√£o de Organismos“, inspirou mesmo um videoclipe recente da banda Metallica com nada menos que zumbis. Embora seja provavelmente apenas uma dramatiza√ß√£o (e certo exagero) dos resultados reais, como Ken Freedman bem comenta no artigo, os sovi√©ticos sim alcan√ßaram certo sucesso na √°rea, incluindo a cria√ß√£o dos cachorros de duas cabe√ßas pelo tamb√©m sovi√©tico Vladimir Demikhov. O doutor conectou a cabe√ßa de um cachorro ao corpo de outro, e os dois (ou seria um?) viveram por certo tempo.

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[Cachorros de Demikhov em exibi√ß√£o no Museu de Hist√≥ria M√©dica na Let√īnia. Foto de Andy Gilham]

“Para qu√™ criar cachorros de duas cabe√ßas?”,voc√™ pode perguntar. E ter√° feito a mesma pergunta que um brilhante neurocirurgi√£o americano chamado Robert White. Respons√°vel por inovadoras t√©cnicas de neurocirurgia, White sem d√ļvida explorou os limites mais extremos de sua √°rea com uma id√©ia relativamente simples. Nada de cachorros de duas cabe√ßas, White queria concretizar em seres bem humanos o transplante de cabe√ßa (ou de corpo inteiro, dependendo de seu ponto de vista). E em busca de um modelo animal mais pr√≥ximo de n√≥s, concretizou seu objetivo com macacos.

Continue lendo para conferir um fascinante documentário apresentando uma entrevista recente com White, acompanhada de cenas de seus experimentos. Segundo ele, o transplante de cabeça (ou de corpo inteiro) seria possível hoje, e o físico Stephen Hawking poderia ser o primeiro a se beneficiar de tal técnica.

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Tomografia de brinquedo

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“Esta √© a tomografia computadorizada de um pequeno coelho de pel√ļcia. O coelho chegou √† radiologia com uma hist√≥ria de constipa√ß√£o. Um exame abdominal foi negativo para sons intestinais e muitas massas pequenas foram apalpadas. Na tomografia podemos visualizar muitas esferas menores e densas no abd√īmen inferior consistentes com “bolinhas de coelho” e tamb√©m consistentes com as bolinhas comumente deixadas em pequenos animais de pel√ļcia durante a fabrica√ß√£o”.

Clique na imagem para conferir o v√≠deo tridimensional do bicho estufado, e h√° mais, muito mais (sempre com v√≠deos sensacionais) em Radiologyart, um trabalho do estudante de medicina Satre Stuelke. “Dedicado √† visualiza√ß√£o mais profunda de diversos objetos que possuem uma singular import√Ęncia cultural na sociedade moderna, este projeto pretende plantar uma semente de criatividade cient√≠fica nas mentes de todos aqueles dispostos a participar”, define Stuelke. [via Howtoons]

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