Divulgando ci√™ncia ‚Äúerrada‚ÄĚ do jeito certo

‚ÄúO Sol √© uma Massa de G√°s Incandescente‚ÄĚ pode soar como mais um daqueles ‚Äúfatos cient√≠ficos‚ÄĚ de um mon√≥tono livro. Mas em sua vers√£o em ingl√™s j√° permite perceber a rima que pode formar mesmo um refr√£o: ‚ÄúThe Sun is a Mass of Incandescent Gas‚ÄĚ ‚Äď repita tr√™s vezes, ou assista ao fant√°stico clipe da m√ļsica acima cantada pelos They Might Be Giants, todo legendado para voc√™s.

J√° hav√≠amos destacado as excelentes can√ß√Ķes de divulga√ß√£o cient√≠fica da banda TMBG no ano passado, mas um detalhe passou despercebido. A m√ļsica acima √© a nona faixa do CD e DVD, intitulada ‚ÄúPor que o Sol Brilha?‚ÄĚ. Ela √© seguida pela √ļltima faixa, ‚ÄúPor que Realmente o Sol Brilha?‚ÄĚ. Porque, muito simplesmente, a divertida m√ļsica original de divulga√ß√£o cient√≠fica estava errada.

Confira a pr√≥xima faixa, tamb√©m legendada, ‚ÄúPor que Realmente o Sol Brilha?‚ÄĚ:

O refr√£o √© agora ‚ÄúO Sol √© um Miasma de Plasma Incandescente‚ÄĚ, ou na rima em ingl√™s, ‚ÄúThe Sun is a Miasma of Incandescent Plasma‚ÄĚ. N√£o √© realmente feito de g√°s, e sim de plasma, ‚Äúnem g√°s, nem l√≠quido, nem s√≥lido‚ÄĚ, o quarto estado da mat√©ria.

√Č sensacional apresentar duas m√ļsicas bacanas, uma ap√≥s a outra, em que a segunda contraria a primeira. Alguns estranhariam, mas esta √© a pr√≥pria natureza do processo cient√≠fico, e pode ser bem entendida porque a m√ļsica original ensinando que o Sol √© uma massa de g√°s foi originalmente escrita da d√©cada de 1950, baseada em um livro de divulga√ß√£o de 1951.

A s√©rie original de discos de vinil de onde a banda TMBG tirou a m√ļsica sobre o Sol foi produzida h√° mais de meio s√©culo por Hy Zaret e Lou Singer, e algo fortuitamente curioso √© que Zaret tamb√©m escreveu a letra de ‚ÄúUnchained Melody‚ÄĚ, uma das mais tocadas m√ļsicas de todos os tempos, conhecida mesmo das gera√ß√Ķes atuais como ‚Äúa m√ļsica do filme Ghost‚ÄĚ. Da pr√≥xima vez que escutar o refr√£o ‚Äúoooohhhh my love‚ÄĚ, voc√™ pode se lembrar que o mesmo compositor ensinava que ‚Äúthe sun is a mass of incandescent gas‚ÄĚ. e tantas outras li√ß√Ķes que ao contr√°rio desta continuam v√°lidas ‚Äď mas podem se mostrar n√£o t√£o v√°lidas em mais alguns anos.

Em tempos de Internet, Jef Poskanzer converteu todos os discos da s√©rie original ‚ÄúBaladas para a Era da Ci√™ncia‚ÄĚ ao formato digital e disponibiliza as m√ļsicas para download, s√£o imperd√≠veis. Clique para conferir:

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Imperd√≠veis, ainda que algumas contenham conhecimento datado, e que de fato, j√° era datado na d√©cada de 1950. A divulga√ß√£o cient√≠fica n√£o raro caminho com um pouco de atraso em rela√ß√£o aos avan√ßos da ci√™ncia, e antigamente isso era ainda mais verdade. Mais importante que uma cole√ß√£o de ‚Äúfatos‚ÄĚ, seja o sol g√°s ou plasma, √© entender que a ci√™ncia envolve o m√©todo cient√≠fico atrav√©s do qual o conhecimento √© constantemente atualizado.

O caso das m√ļsicas lembra outro epis√≥dio de letras de m√ļsica com refer√™ncia √† ci√™ncia sendo corrigidas, como ‚ÄúNine Million Bicycles‚ÄĚ de Katie Melua, que j√° foi blogado por aqui em 2008. Voc√™ tamb√©m pode conferir Michael Shermer comentando o caso no final de sua apresenta√ß√£o TED em 2006 (pouco depois dos 11 minutos), clique em ‚Äúview subtitles‚ÄĚ para legendas.

Cientistas ou mesmo divulgadores de ci√™ncia n√£o s√£o seres perfeitos. Al√©m dos erros, h√° fraudes e h√° mau car√°ter como em todo empreendimento onde houver seres humanos. Mas em nenhum outro empreendimento humano a busca, exposi√ß√£o e reconhecimento de erros e enganos √© um dos mecanismos centrais e essenciais como √© na ci√™ncia, e √© fabuloso que esta capacidade de reconhecer e lidar com erros se transmita mesmo na forma como divulgadores de ci√™ncia possam lidar com suas pr√≥prias trapalhadas. Quem dera outras institui√ß√Ķes e figuras tratassem suas pr√≥prias limita√ß√Ķes com tanta naturalidade.

Como bem resumiu Shermer, ‚Äúqu√£o sensacional n√£o √© isto?‚ÄĚ.

[Dica inestim√°vel do @uoleo, scibling do 42]

O Fiasco da Inteligência

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rb2_large_gray1 Em um futuro distante, a humanidade finalmente descobre sinais de uma civiliza√ß√£o alien√≠gena no planeta ‚ÄúQuinta‚ÄĚ pr√≥ximo de Beta Harpiae, e uma ambiciosa miss√£o √© enviada para estabelecer contato. Mas este √© um romance de Stanislaw Lem, ‚ÄúFiasco‚ÄĚ (1987), e a hist√≥ria √© muito diferente dos lugares comuns da fic√ß√£o cient√≠fica.

Depois de vencer as enormes dist√Ęncias, a miss√£o se depara com um pequeno problema: os alien√≠genas n√£o est√£o minimamente interessados em estabelecer contato. Descobre-se que, de certa forma, pior do que encontrar uma civiliza√ß√£o alien√≠gena hostil √© encontrar uma civiliza√ß√£o alien√≠gena completamente indiferente √† exist√™ncia da humanidade. O oposto do amor n√£o √© o √≥dio, √© a indiferen√ßa.

Com o orgulho mais do que ferido, os humanos da miss√£o n√£o se contentar√£o at√© cumprir o objetivo t√£o simples de estabelecer ‚Äúcontato‚ÄĚ. Tomar√£o medidas cada vez mais dr√°sticas para chamar a aten√ß√£o dos Quintanos, completamente alheios ao fato de que os Quintanos, como alien√≠genas, simplesmente pensam de forma alien√≠gena.

O final do romance √© o fiasco do t√≠tulo, enquanto o protagonista finalmente descobre por que os ETs n√£o receberam os humanos de bra√ßos abertos, no t√£o almejado e presumivelmente simples ‚Äúcontato‚ÄĚ.

Provocador como possa ser, e leitura mais do que recomendada, não é preciso viajar até Beta Harpiae para encontrar inteligências diferentes da nossa.

 

Cérebros de Passarinho

Incrivelmente, uma destas inteligências superiores é a dos pombos. Em um trabalho publicado recentemente, Walter Hebranson e Julia Schroder demonstraram como pombas comuns (Columba livia) podem aprender a melhor tática para o problema de Monty Hall muito mais rapidamente que os tais orgulhosos seres humanos, que de fato podem jamais adotar a melhor estratégia.

Isso ocorre porque o problema de Monty Hall √© literalmente uma ‚Äúpegadinha‚ÄĚ com um resultado contra-intuitivo. J√° escrevi sobre o tema em um texto anterior, mas basicamente envolve tr√™s portas, uma das quais tem um pr√™mio. Voc√™ escolhe uma porta, e ent√£o uma das outras duas portas, que n√£o cont√©m o pr√™mio, √© aberta. Finalmente vem a pergunta que testar√° se sua intelig√™ncia √© superior √† de um pombo: √© vantajoso trocar a porta que voc√™ escolheu inicialmente pela porta que restou?

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A maioria das pessoas utilizar√° parte de seus 100 bilh√Ķes de neur√īnios e concluir√° que, restando duas portas, apenas uma das quais tem o pr√™mio, as chances de que qualquer uma delas seja a premiada √© de 50%. N√£o faria diferen√ßa trocar ou n√£o de porta.

E é aqui que pombos, com seus cérebros menores que uma noz, o humilharão. Treinados no experimento de Hebranson e Schroder, onde o prêmio era algo tão simples como alpiste, eles ajustaram sua estratégia para a melhor resposta, que é… trocar. Porque no problema de Monty Hall, ao trocar você terá o dobro de chances de levar o prêmio. Se permanecer com a escolha inicial, terá apenas 1/3 de chances de ganhar. Se isto lhe parece absurdo, confira o texto, ou experimente simular o problema milhares de vezes aqui, aqui ou aqui, porque este é um resultado tão matematicamente certo quanto 1+1=2.

Pombos n√£o s√£o, claro, realmente mais inteligentes que eu ou voc√™, esta foi apenas uma provoca√ß√£o. Por√©m neste caso espec√≠fico, apesar ou exatamente por causa de sua intelig√™ncia limitada, foram capazes de perceber ap√≥s muitas e muitas tentativas que trocar √© a melhor estrat√©gia. Um ser humano √© capaz de dar uma resposta ‚Äď errada ‚Äď antes mesmo de qualquer tentativa, simplesmente porque √© capaz de modelar o problema mentalmente e aplicar racioc√≠nios l√≥gicos. Ainda que incorretos.

A lição fabulosa está neste trecho do sumário do trabalho:

‚ÄúA replica√ß√£o do procedimento com participantes humanos mostrou que os humanos falharam em adotar estrat√©gia √≥timas, mesmo com extenso treinamento‚ÄĚ.

Isto √©, presos √† modelagem mental de que somos capazes com nosso fabuloso c√©rebro mesmo antes de uma √ļnica tentativa, podemos deixar de perceber que ela est√° incorreta mesmo ap√≥s in√ļmeras tentativas reais que deveriam deixar isto claro. A pesquisa ainda indicou algo fascinante: ‚Äúparticipantes humanos‚ÄĚ mais jovens se sa√≠ram melhor que os mais velhos, talvez mais propensos a observar os resultados do experimento do que confiar em seu julgamento pr√©vio.

Alguns poderiam dizer que jovens t√™m um c√©rebro mais parecido com o de um ‚Äúpassarinho‚ÄĚ, ao que um jovem poderia responder que na mesma medida em que um ‚Äúpassarinho‚ÄĚ pode ser mais inteligente que um ser humano.

Antes de louvar as pombas, ou mesmo esta abordagem simplista centrada unicamente na observa√ß√£o de resultados, contudo, vale lembrar que pombas tamb√©m podem desenvolver comportamentos ‚Äúsupersticiosos‚ÄĚ, sem ao que sabemos jamais refletir sobre o que est√£o realmente fazendo. O equil√≠brio da dedu√ß√£o, observa√ß√£o e indu√ß√£o em busca dos melhores resultados pode ser visto justamente como o objetivo do m√©todo cient√≠fico aplicado.

 

O Dilema dos Camundongos

Em outro trabalho recente atingindo diretamente nosso orgulho humano, pesquisadores portugueses demonstraram que ratos de laborat√≥rio tamb√©m conseguem ‚Äúresolver‚ÄĚ o famoso dilema do prisioneiro, adotando estrat√©gias √≥timas de acordo com a estrat√©gia de seus pares. A descri√ß√£o cl√°ssica do dilema:

‚ÄúDois suspeitos, A e B, s√£o presos pela pol√≠cia. A pol√≠cia n√£o tem provas suficientes para conden√°-los, mas, mantendo os prisioneiros separados, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em sil√™ncio, o que delatou sai livre enquanto o c√ļmplice silencioso cumpre 10 anos de senten√ßa. Se ambos ficarem em sil√™ncio, a pol√≠cia s√≥ pode conden√°-los a 6 meses de cadeia cada um. Se ambos tra√≠rem o comparsa, cada um passar√° 5 anos na cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decis√£o sem saber que decis√£o o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decis√£o do outro‚ÄĚ.

A solu√ß√£o ao dilema simples n√£o √© muito ‚Äúbonita‚ÄĚ: trair √© a resposta, porque na melhor das hip√≥teses se sai livre, na pior cumprem-se cinco anos. Silencie e na melhor das hip√≥teses cumprem-se seis meses, e na pior, dez anos. Trair √© a resposta.

Se isto n√£o parece ‚Äúbonito‚ÄĚ, isto curiosamente pode se dever ao fato de que o dilema do prisioneiro, como apresentado acima, raramente ocorre dessa forma. Ou melhor, dilemas muito similares podem sim se apresentar, com a pequena diferen√ßa de que se podem se apresentar diversas vezes, de forma imprevis√≠vel. Seria o dilema do prisioneiro iterado, e nele, a melhor estrat√©gia‚Ķ √© a ‚Äúbonita‚ÄĚ coopera√ß√£o.

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E foi isto que os ratos de laborat√≥rio no experimento portugu√™s aprenderam. O estudo demonstra que ‚Äúos ratos possuem as capacidades cognitivas necess√°rias para a coopera√ß√£o baseada em reciprocidade emergir no contexto do dilema do prisioneiro‚ÄĚ.

Uma demonstra√ß√£o de implica√ß√Ķes fant√°sticas. Um detalhe, no entanto, me pareceu outra li√ß√£o fabulosa, que tamb√©m pin√ßamos do sum√°rio:

‚ÄúMostramos que o comportamento dos ratos √© dependente de seu estado motivacional (faminto versus saciado)‚ÄĚ.

Isto é, os pesquisadores notaram que em experimentos anteriores ratos haviam falhado em desenvolver estratégias mais sofisticadas, incluindo a cooperação, e sugerem que isso pode ter se devido ao fato de que em tais estudos os ratos estavam famintos. Em seus testes, os ratos portugueses estavam devidamente saciados e puderam assim se dar ao luxo de experimentar e desenvolver diferentes estratégias.

O detalhe de desenvolver o experimento levando em conta a saciedade dos ratinhos é genial, óbvio em retrospecto, e lembra um discurso de Richard Feynman sobre o esmero necessário no desenvolvimento da ciência.

 

Obrigado pelos Peixes

Depois de ci√™ncia fascinante, do tipo que parece se relacionar diretamente com quest√Ķes das mais relevantes a n√≥s, n√£o poderia deixar de retornar √† fic√ß√£o cient√≠fica da melhor qualidade e lembrar de Douglas Adams e como em seu fabuloso Universo <SPOILER!>ratos de laborat√≥rio s√£o as protrus√Ķes f√≠sicas em nossa dimens√£o de uma ra√ßa de seres pandimensionais hiper-inteligentes que constru√≠ram a Terra, sendo assim os seres mais inteligentes no planeta. Pensamos que os usamos como cobaias em experimentos, mas em verdade s√£o eles que nos usam em seu grande experimento para a Quest√£o da Vida, o Universo e Tudo Mais.</SPOILER!>

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Com√©dia, evidente, mas que ratos sejam capazes de desenvolver estrat√©gias de coopera√ß√£o at√© ent√£o vistas em orgulhosos seres humanos deve provocar questionamentos sobre se o que consideramos ‚Äúbonito‚ÄĚ, a coopera√ß√£o, √© algo que adv√©m de uma moral contida em um manuscrito religioso de quase dois mil anos, ou se pode ser melhor explicada por processos evolutivos muito mais antigos. Processo que nossos parentes camundongos, n√£o t√£o distantes de n√≥s, tamb√©m partilham e podem exibir, mesmo sem ter contato com qualquer Messias roedor.

Podem ser, como os pombos, t√£o ou at√© mais ‚Äúinteligentes‚ÄĚ que n√≥s, embora de formas diferentes. Ao menos quando n√£o est√£o famintos. [via Not Exactly Rocket Science e The Scientist, imagem do Jumping Brain de Emilio Garcia]

– – –

  • Herbranson, W., & Schroeder, J. (2010). Are birds smarter than mathematicians? Pigeons (Columba livia) perform optimally on a version of the Monty Hall Dilemma. Journal of Comparative Psychology, 124 (1), 1-13 DOI: 10.1037/a0017703
  • Viana DS, Gordo I, Sucena E, & Moita MA (2010). Cognitive and motivational requirements for the emergence of cooperation in a rat social game. PloS one, 5 (1) PMID: 20084113

Prêmio Bê Neviani

Porque n√£o basta divulgar, tem que dispersar!

Depois do recente an√ļncio feito pela vetusta Biblioteca do Congresso (Library of Congress), comunicando que arquivar√° todas as mensagens p√ļblicas postadas no Twitter desde o in√≠cio do servi√ßo de microblog, n√£o restam d√ļvidas de que esta m√≠dia social veio para ficar.

Segundo os cofundadores Bizz Stone e Evan Williams, hoje o Twitter tem 105 milh√Ķes de usu√°rios registrados, e 300 mil novos usu√°rios ingressam no servi√ßo a cada dia. Seu crescimento m√©dio foi de 1.500% por ano, desde a funda√ß√£o da "Twitter Inc" em mar√ßo de 2006. O servi√ßo atende a 19 bilh√Ķes de buscas por m√™s. Apenas comparando, o Google atende a 90 bilh√Ķes no mesmo per√≠odo.

N√£o se pode negar – o Twitter √© uma ferramenta 2.0 por excel√™ncia: seu conte√ļdo √© gerado e compartilhado pelos pr√≥prios usu√°rios. A din√Ęmica do microblog funda-se primordialmente na atua√ß√£o dos tuiteiros, que seguindo e sendo seguidos, dispersam conte√ļdos virtuais.

A a√ß√£o de tuiteiros que dispersam conte√ļdos relevantes no universo tuitiano merece destaque e deve ser aplaudida. Foi essa premissa que inspirou a cria√ß√£o do Pr√™mio B√™ Neviani, reconhecendo a incr√≠vel capacidade de dispers√£o de tu√≠tes com conte√ļdo diversificado, como cultura, ci√™ncia, tecnologia, not√≠cias e muito mais, do perfil @Be_neviani.


Hoje, dia 22 de abril de 2010, estamos lançando o Prêmio Bê Neviani: porque não basta divulgar, tem que dispersar

Regulamento:

– O Pr√™mio B√™ Neviani √© aberto a todos os tuiteiros que tenham blogues de conte√ļdo informativo: ci√™ncias, cultura (literatura, cinema, artes, fotografia, m√ļsica, etc), filosofia, not√≠cias, dicas e assemelhados.

РOs blogues participantes da campanha tuitarão, no período de 23 de abril de 2010 a 23 de maio de 2010 links para seus posts, publicados em qualquer data e com qualquer temática, obrigatoriamente usando a hashtag #PremioBeNeviani e o encurtador de links Bit.ly.

РNo período de vigência da campanha, os retuítes (RTs) que os links desses posts receberem serão computados para a apuração de dois ganhadores, um em cada uma das duas seguintes categorias:

Categoria 1: blogueiros Рo vencedor será o blogueiro cujo post recebeu mais RTs. O prêmio dessa categoria será o livro "Criação Imperfeita", de Marcelo Gleiser.

Categoria 2: tuiteiros Рo vencedor será o tuiteiro que deu RTs em qualquer dos tuítes postados durante a vigência da campanha. Essa categoria terá sua apuração por sorteio. O prêmio para essa categoria será o livro "Além de Darwin", de Reinaldo José Lopes.

O an√ļncio do pr√™mio ser√° em 30 de maio de 2010, pelo Twitter.

Para participar, envie um tuíte para as administradoras @sibelefausto ou @dra_luluzita, ou então comente aqui, que entraremos em contato.

Abaixo, segue a relação dos blogues e tuiteiros participantes. À medida que mais blogueiros aderirem a essa campanha, essa listagem será atualizada.

Blog – Blogueiro-tuiteiro

100nexos @kenmori

Amiga Jane @lacybarca

Bala M√°gica @balamagica

Blog Bastos @bastoslab

CeticismoAberto @kenmori

Chapéu, Chicote e Carbono 14 @reinaldojlopes

Ciência ao Natural @CienAoNatural

Ciência na Mídia @ciencianamidia

Di√°rio de um Gordo @Edgard_

Discutindo Ecologia @brenoalves e @luizbento

Dicas Caseiras para quem mora só @uoleo

Ecce Medicus @Karl_Ecce_Med

Efeito Azaron @efeitoazaron

Ideias de Fora @IdeiasdeFora

Joey Salgado… mas bem temperado @joeysalgado

Karapan√£ @alesscar

Maquiagem Baratinha @aninhaarantes

Meio de Cultura @samir_elian

Minha Literatura Agora @jamespenido

O Amigo de Wigner @LFelipeB

O div√£ de Einsten @aninhaarantes

O que todo mundo quer @desireelaa

Psiquiatria e Sociedade @danielmbarros

Química Viva @quiprona

Quiprona @quiprona

Rabiscos @skrol

Tage des Gl√ľcks @nataliadorr

Tateando Amarras @eltonvalente

Terreno Baldio @lacybarca

The Strange Loop @josegallucci

Toda Cultura à Nossa Volta @fabiocequinel

Tuka Scaletti @TukaScaletti

Twiterrorismo @aninhaarantes

Uma Malla pelo Mundo @luciamalla

U√īleo @uoleo

XisXis @isisrnd

Majestosa Imperfeição

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A primeira religi√£o monote√≠sta da hist√≥ria humana, h√° mais de 3.000 anos, louvava o Sol ‚Äď Aton ‚Äď reconhecido como poder supremo e fonte √ļltima que alimentava a vida. N√£o √© descabido imaginar que mesmo antes disto, as primeiras rever√™ncias de nossos ancestrais proto-humanos j√° reconhecessem a import√Ęncia do astro-rei, e mais do que sua import√Ęncia: a sua perfei√ß√£o.

Dia ap√≥s dia, no que por quase toda nossa hist√≥ria foi a pr√≥pria defini√ß√£o de ‚Äúdia‚ÄĚ, l√° surgia pontualmente o disco solar trazendo luz e calor t√£o essenciais para que sobreviv√™ssemos. F√°cil compreender assim que os raros eventos de eclipses, estas aparentes anomalias na perfei√ß√£o solar, fossem vistos como maus press√°gios por culturas isoladas em quase todo o planeta.

Com o tempo, e principalmente, em nossa cultura ocidental, o Sol visto como deus foi deixado um pouco de lado. Heresia, inclusive. Curiosamente, seria ent√£o o renascimento da ci√™ncia, com observa√ß√Ķes e argumenta√ß√Ķes racionais, que viria a ressaltar novamente o que mesmo nossos ancestrais j√° percebiam como √≥bvio.

Continue lendo mais uma coluna D√ļvida Razo√°vel no blog Sedent√°rio&Hiperativo.

A Evolução do Homem Рe da Mulher

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Em uma das varia√ß√Ķes do √≠cone ‚ÄúMarcha do Progresso‚ÄĚ, original que todos conhecem mas n√£o pelo nome, o artista Tom Rhodes criou ‚ÄúA Evolu√ß√£o do Homem e da Mulher‚ÄĚ, explorando com uma boa licen√ßa art√≠stica o g√™nero Homo, do habilis at√© o neanderthalensis e o sapiens, vulgo ‚Äú√© n√≥is‚ÄĚ. Clique na imagem para a vers√£o completa e sem censura.

Como explica no processo de cria√ß√£o, Rhodes pentelhou um tanto os antrop√≥logos da Universidade de Calgary, com v√°rias contribui√ß√Ķes da dra. Anne Katezenberg, que sugeriu o detalhe mais interessante na arte: retratar tamb√©m uma mulher. Por incr√≠vel que pare√ßa em retrospecto, todas as representa√ß√Ķes derivadas da Marcha do Progresso s√£o da evolu√ß√£o do g√™nero masculino. √Č ainda mais incr√≠vel dado que a evolu√ß√£o n√£o aconteceria se homem e mulher n√£o fizessem o que homens e mulheres podem fazer.

Como Tim Dean nota, contudo, a ilustra√ß√£o tamb√©m tem seus problemas, como o que parece uma tend√™ncia √† cor da pele ir clareando, algo que de forma alguma √© sugerido pela evid√™ncia, que indica em verdade o contr√°rio. Os primeiros indiv√≠duos de nossa esp√©cie deviam ser negros. Mesmo outras tend√™ncias aparentes, como o aumento de estatura, n√£o s√£o t√£o claras assim ‚Äď at√© porque, ao contr√°rio do que a imagem parece indicar, at√© onde se sabe Neandertais n√£o foram nossos antepassados.

‚ÄúMas, ei, n√£o √© uma ilustra√ß√£o cient√≠fica, √© uma ilustra√ß√£o de algo cient√≠fico‚ÄĚ, perdoa Dean. √Č mesmo uma divertida ilustra√ß√£o dos √ļltimos milh√Ķes de anos.

O Guia Mangá de Física

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‚ÄúA F√≠sica tira voc√™ do s√©rio?‚ÄĚ

J√° no pr√≥logo o Guia Mang√° de F√≠sica Mec√Ęnica Cl√°ssica (Novatec, 2010) faz a pergunta que a maioria dos estudantes nem precisaria responder: bastaria uma olhada em sua express√£o talvez id√™ntica ao desenho acima. √Č uma das mat√©rias mais odiadas por alunos em todo o planeta, do Jap√£o ao Brasil. Poderia bem ser uma lei da natureza considerar a F√≠sica simplesmente ‚Äúdif√≠cil‚ÄĚ, mas essa dificuldade √© em grande parte devida √† falta de contato com os conceitos e ferramentas usados.

capa_ampliada9788575221969 Aqui entra o Guia Mang√° de F√≠sica, que pode familiarizar o p√ļblico com os principais conceitos de F√≠sica Mec√Ęnica, das Leis de Newton √† Conserva√ß√£o de Energia, seguindo o modelo popular no Jap√£o de usar quadrinhos para explicar de tudo. J√° resenhamos aqui o Guia Mang√° de Eletricidade, e o guia de f√≠sica √© ainda melhor.

Talvez mais condizente com o currículo escolar brasileiro, e também por abordar apenas uma das áreas da física, os conceitos são explorados com mais calma. São quatro capítulos: Lei da Ação e Reação; Força e Movimento; Momento Linear e então Energia, abordados enquanto Megumi aprende a matéria com seu colega Ryota. No melhor estilo Mangá, eles logo se tornam mais do que amigos, tudo começando com uma partida de tênis. Afinal é física!

Como nos outros livros da s√©rie Guia Mang√°, a hist√≥ria √© o fio que une uma grande densidade de informa√ß√£o em cada p√°gina, com exemplos pr√°ticos e ilustra√ß√Ķes sensacionais, complementados por textos mais t√©cnicos expondo por exemplo as temidas f√≥rmulas entre cada cap√≠tulo. As principais equa√ß√Ķes, no entanto, como F=ma, s√£o abordadas nos pr√≥prios quadrinhos. E, se voc√™ reparar bem, a presilha que Megumi usa no cabelo √© um sinal de igual, ‚Äú=‚ÄĚ.

S√£o detalhes assim que tornam este guia mang√° algo que me pareceu que crian√ßas podem realmente acabar gostando. N√£o √© um livro m√°gico: se o pimpolho n√£o gostar de ler, se j√° tiver avers√£o por f√≠sica, talvez acabe odiando ainda mais a mat√©ria. Mas para crian√ßas que possam apreciar primeiro a hist√≥ria do mang√° enquanto t√™m um contato com id√©ias fundamentais na f√≠sica apresentadas de forma divertida ‚Äď com conceitos mais complexos separados nos textos que elas poder√£o pular e conferir depois ‚Äď talvez‚Ķ acabem at√© gostando de f√≠sica?

Veja como o guia mangá ilustra o conceito da conservação da energia:

mangaenergia

√Č ou n√£o sensacional? O autor e o desenhista n√£o perdem a oportunidade de brincar depois com a id√©ia da energia como um sujeito todo musculoso de sunga. H√° v√°rias outras ilustra√ß√Ķes cheias de imagina√ß√£o e humor para conceitos f√≠sicos que em livros did√°ticos comuns s√£o apenas palavras ou quando muito fotos.

O Guia Mang√° de F√≠sica Mec√Ęnica Cl√°ssica n√£o ir√°, contudo, substituir um livro did√°tico da mat√©ria com centenas de p√°ginas e exerc√≠cios n√£o t√£o divertidos, mas necess√°rios, para fixa√ß√£o. No entanto, aborda sim todos os principais conceitos da f√≠sica mec√Ęnica que um estudante ver√° at√© o final do ensino m√©dio, em uma linguagem realmente divertida e acess√≠vel para todos. Mesmo para adultos que tenham esquecido do que viram no gin√°sio, √© uma leitura r√°pida e divertida com novos exemplos para as id√©ias. Altamente recomendado.

Você pode conferir o sumário e baixar um trecho (incluindo os homens-energia acima) no site da editora, que enviou um exemplar para resenha por este que escreve aqui. E eu irei sortear esse exemplar para vocês! Acompanhe o 100nexos para mais detalhes em breve.

Sem depender de sorte, o desconto de 20% no site da editora Novatec continua valendo at√© o dia 30/04/2010! Basta utilizar o c√≥digo promocional ‚Äú100NEXO‚ÄĚ no carrinho de compras.

Lan√ßamento da Apollo 11 em c√Ęmera lenta

Os primeiros instantes de uma viagem histórica de 400.000 km, registrados a 500 quadros por segundo, agora em alta definição. Incomensuravelmente imperdível (clique no vídeo para a versão em HD no Youtube).

A narração também é muito boa, explicando em detalhes o que estamos vendo:

  • Logo no in√≠cio vemos as chamas subindo, que s√£o ent√£o sugadas para baixo. √Č porque a queima de querosene e oxig√™nio l√≠quido logo alcan√ßa a pot√™ncia total e √© tanto material sendo ejetado para baixo, com tanta for√ßa – mais de 3.000 toneladas de empuxo -, que o ar circundante tamb√©m √© sugado.
  • Tamb√©m podemos ver muitas part√≠culas brancas caindo. √Č o gelo que havia se formado ao redor dos tanques de oxig√™nio l√≠quido, a -184 graus Celsius, caindo com as trepida√ß√Ķes.
  • Outro detalhe curioso: logo na sa√≠da dos foguetes, vemos um g√°s escuro, que s√≥ depois fica brilhante. O g√°s escuro vem direto das turbinas, e √© escuro porque √© realmente mais frio. Sendo mais frio, √© direcionado como um envolt√≥rio na parte exterior da queima, servindo como uma esp√©cie de isolante t√©rmico protegendo em parte o bocal de sa√≠da.
  • Mais adiante, todo o quadro fica branco, e quando voltamos a enxergar podemos ver algo queimando. Mesmo isto foi projetado, com uma esp√©cie de tinta desenvolvida para n√£o s√≥ queimar como, ao faz√™-lo, tamb√©m proteger o material abaixo, para que a plataforma possa ser reutilizada mais vezes. O material fica ao final completamente negro, carbonizado.
  • Um detalhe √© que a esta altura tudo queima… em meio a jatos de √°gua, que j√° est√£o sendo despejados para resfriar a plataforma. Boa parte da √°gua sublima evapora instantaneamente, da√≠ todo o vapor dominando a cena. A √°gua s√≥ se torna mais reconhec√≠vel momentos depois, e fica mais clara nos instantes finais do v√≠deo, quando atinge a c√Ęmera.

J√° escrevi por aqui sobre como as dist√Ęncias das miss√Ķes Apollo, traduzidas em pixels, poderiam fornecer uma no√ß√£o do qu√£o espetacular foi a fa√ßanha. O v√≠deo e a explica√ß√£o dos fen√īmenos, indicando a extens√£o em que os m√≠nimos detalhes de algo descomunal foram planejados, √© mais uma forma de apreciar o feito.

“N√£o se pode enfatizar o quanto de mais valoroso o sucesso do projeto Apollo representa, as conquistas s√£o intermin√°veis”, come√ßou a s√©rie “A Humanidade n√£o merece ir √† Lua“, que seguiu com as partes II, III, IV, V e… a parte final, que ainda deve ser publicada levando em conta as reviravoltas recentes na pol√≠tica espacial americana.

As miss√Ķes Apollo foram e s√£o motivo de orgulho e inspira√ß√£o, registrados em vastas dist√Ęncias ou mesmo a 500 quadros por segundo, com tantos eventos, fen√īmenos e detalhes que poderiam se estender por ainda mais tempo. [via Nerdcore]

Um bug no código de barras

ladybug_ups_crop-560

Uma ladybug, para ser mais específico. Quando vi a imagem, levei alguns segundos para entender que não era algum líquido marrom que havia pingado sobre o código, e sim uma joaninha.

Suas pintas t√™m quase exatamente o mesmo tamanho e espa√ßamento que os pontos hexagonais do ‚Äúmaxicode‚ÄĚ, que n√£o √© exatamente um ‚Äúc√≥digo de barras‚ÄĚ, mas um c√≥digo bidimensional.

O c√≥digo deve ter redund√Ęncia ent√£o √© poss√≠vel que mesmo com a joaninha ele possa ser lido corretamente, mas deve causar certa confus√£o. [via Cute Overload]

Cartocacoete: as Américas são um Pato

america_eh_um_pato

J√° vimos que a Am√©rica do Sul em um combo com a √Āfrica produz um T-Rex.

Agora vem a revelação de que as Américas como um todo formam um pato.

E o mais perturbador é que parece um certo pato argentino comentado pelo Reinaldo.

pato_argentino Cartocacoete. [via Eu Podia T√° matando]

A barra de progresso de download é uma ilusão

Olhar uma barra de progresso avançando lentamente não é um dos momentos mais emocionantes ao mexer em um computador, mas já inclui uma ilusão de percepção. Um estudo de Chris Harrison, Zhiquan Yeo e Scott Hudson, da Universidade de Carnegie Mellon, mostra que barras de progresso animadas, que hoje são onipresentes em sistemas operacionais, aparentam ser até 11% mais rápidas do que realmente são.

No v√≠deo acima, cortesia da New Scientist, todas as barras com anima√ß√Ķes variadas avan√ßam com a mesma velocidade, mas √© poss√≠vel perceber que algumas parecem andar mais r√°pido que outras. Posteriormente vemos como uma barra em que a varia√ß√£o de cor se torna mais r√°pida √† medida que a barra se aproxima do final parece acelerar ‚Äď quando a velocidade √©, em verdade constante. Finalmente, vemos como uma anima√ß√£o com ‚Äúondas‚ÄĚ movendo-se na mesma dire√ß√£o do progresso da barra parece faz√™-la andar mais devagar. Ondas no sentido contr√°rio, ao inv√©s, aceleram a percep√ß√£o de avan√ßo.

Tudo ilus√£o, e uma baseada em estudos anteriores que j√° haviam mostrados como est√≠mulos r√≠tmicos ‚Äď como ondas piscando ‚Äď podem alterar a percep√ß√£o de tempo, e tamb√©m como nossa percep√ß√£o de movimento depende do contexto. O primeiro efeito explicaria a ilus√£o de movimento acelerado com piscadas gradualmente acelerando, o segundo responderia pela acelera√ß√£o aparente √† medida em que as ondas viajam no sentido contr√°rio parecem destacar o movimento da barra de progresso.

056 

F√£s de produtos Apple ficar√£o animados com o fato de que barras de progresso com anima√ß√Ķes similares alcan√ßaram os computadores da empresa de Steve Jobs j√° h√° mais de uma d√©cada, mas usu√°rios Windows v√™m apreciando barras de progresso mais animadas em vers√Ķes recentes do sistema. Tais melhorias visuais n√£o parecem ter levado em conta tais efeitos de percep√ß√£o: as anima√ß√Ķes foram originalmente inseridas provavelmente como um simples indicador de que o sistema n√£o travou e ent√£o tamb√©m como atrativos visuais.

ProgressBar-Highlight

Curiosamente, talvez por isso mesmo nenhum desses sistemas aplica as ilus√Ķes da forma mais efetiva indicada agora pelo trabalho de Harrison. A dire√ß√£o em que as ‚Äúondas‚ÄĚ de movimento na barra viajam deveria ser invertida, e as mudan√ßas pulsantes de cor poderiam, ao inv√©s de ser constantes, acelerar √† medida em que a tarefa chegasse perto do fim.

S√£o apenas ilus√Ķes de progresso: a velocidade das barras continuar√° exatamente a mesma, mas este √© um caso em que o usu√°rio poder√° gostar de ser enganado, vendo o tempo passar mais r√°pido.

S√≥ tor√ßamos para que operadores de telemarketing n√£o passem a explorar tamb√©m ilus√Ķes auditivas. [via Gizmodo BR]

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Harrison, C., Yeo, Z., and Hudson, S. E. 2010. Faster Progress Bars: Manipulating Perceived Duration with Visual Augmentations. In Proceedings of the 28th Annual SIGCHI Conference on Human Factors in Computing Systems (Atlanta, Georgia, April 10 – 15, 2010). CHI ’10. ACM, New York, NY. (22% acceptance rate, Best Paper Nomination)

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