O Grande Vazio

Um modelo em escala do sistema solar, em doze volumes de 500 p√°ginas. Na p√°gina 1 est√° o Sol, na p√°gina 6.000 ao final da cole√ß√£o, Plut√£o. A largura de cada p√°gina representa um milh√£o de quil√īmetros, e o v√≠deo nos leva a uma viagem pelo Sol, Merc√ļrio, V√™nus, Terra, Marte e o Cintur√£o de Aster√≥ides.

Sem surpresa, quase todo o livro é composto de um vazio, uma perspectiva muito difícil de apreciar, mas uma que todos deveríamos apreender pelo exercício de humildade que representa frente ao nosso lugar no Universo.

Na tela de um computador, já propomos aqui o exercício de Um pixel, da Terra à Lua, ao infinito e além.

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[via Nerdcore]

Quicksort, em dan√ßa h√ļngara

Se você nunca ouviu falar em quicksort talvez não veja muita graça nesse vídeo. Mas deveria: é um algoritmo de ordenação e entendê-lo é entender alguns dos princípios fundamentais da computação moderna, a começar pela própria ideia de algoritmo.

Ao assistir √† peculiar dan√ßa h√ļngara, voc√™ consegue adivinhar quais s√£o as regras pelas quais o algoritmo quicksort funciona? Depois de tentar, veja a resposta aqui.

Aqui em 100nexos, já apresentamos o fabuloso algoritmo de ordenação Maggie. [via haha.nu]

100 Anos da Revolução de Alfred Wegener

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H√° um s√©culo, em 6 de janeiro de 1912 frente √† Sociedade Geol√≥gica em Frankfurt, um meteorologista alem√£o se atreveu a propor a ideia maluca de que os continentes estariam em movimento. A teoria pisava nos fundamentos de v√°rios campos cient√≠ficos, da geologia √† paleontologia, e os maiores luminares de suas √°reas foram quase un√Ęnimes em desconsiderar o alem√£o como um maluco. Associa√ß√Ķes cient√≠ficas organizaram simp√≥sios contra a ideia absurda, e mais de tr√™s d√©cadas depois um outro alem√£o, um tal de Albert Einstein, tamb√©m manifestou publicamente sua desaprova√ß√£o √†s maluquices do meteorologista.

Hoje a teoria da deriva continental de Alfred Wegener, meteorologista e explorador, √© universalmente aceita como uma das teorias mais importantes do s√©culo passado, afetando fundamentalmente nossa compreens√£o em diversas √°reas da ci√™ncia, da geologia √† paleontologia. Podemos mesmo medir em tempo real a separa√ß√£o dos continentes, que se movimentam como parte das placas tect√īnicas arrastadas pela atividade geot√©rmica do planeta ‚Äď o mecanismo que fundamentaria a teoria de Wegener, componente que levou finalmente √† sua aceita√ß√£o t√£o tarde quanto as d√©cadas de 1960 a 1980.

‚ÄúNo Congresso Internacional em Moscou em 1984, era interessante notar que os russos pareciam ter aceito que o leito dos oceanos se separava, mas n√£o que os continentes estivessem √† deriva‚ÄĚ, lembra Andrew Miall, professor de geologia da Universidade de Toronto. ‚ÄúComo eles conseguiam [conciliar essas duas cren√ßas] eu n√£o fa√ßo ideia!‚ÄĚ, completa, ilustrando o tortuoso caminho da ideia rid√≠cula √† ortodoxia.

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Hoje parece √≥bvio que os continentes devam se mover, como a costa brasileira se encaixa quase perfeitamente √† costa oeste da √Āfrica, e como uma avalanche de outras evid√™ncias demonstram ‚Äď logo acima, uma das ilustra√ß√Ķes publicadas por Wegener destacando que a conex√£o entre a Am√©rica do Sul e a √Āfrica vai al√©m da mera coincid√™ncia das linhas costeiras.

Na √©poca de Wegener, contudo, o que parecia √≥bvio √© algo que hoje pode parecer rid√≠culo. Uma das teorias mais aceitas ent√£o para explicar grandes forma√ß√Ķes montanhosas era a de que o planeta estaria se contraindo devido ao seu resfriamento, e cordilheiras seriam algo como as rugosidades de um maracuj√° secando. Absurdo? Talvez, mas a resposta ainda mais curiosa √© que, apesar de n√£o se aplicar √† Terra, esse processo geof√≠sico sim pode explicar forma√ß√Ķes no planeta Merc√ļrio e mesmo em nossa Lua. Nosso senso comum, mesmo o senso comum de boa parte da comunidade acad√™mica pode ser por vezes um juiz pouco apropriado.

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Neste centenário, a forma como as ideias de Wegener foram rejeitadas é explicada principalmente devido à ausência de um mecanismo que explicasse a deriva dos continentes que ele propunha, o que é bem verdade. Contudo, esta também não é toda a história. Uma das teorias mais revolucionárias do século anterior ao de Wegener foi uma certa Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin, e para ela também não havia de início um mecanismo estabelecido para explicar o conceito fundamental de hereditariedade. Por que a evolução foi ainda assim aceita, enquanto a deriva continental foi rejeitada?

A resposta est√° no aspecto sociol√≥gico da ci√™ncia, enquanto Darwin esteve especialmente bem posicionado no establishment cient√≠fico da √©poca para defender sua teoria, ao passo que Wegener era em grande parte um outsider nas principais ci√™ncias que revolucionaria ‚Äď notadamente, a geologia. Darwin tamb√©m era um escritor fabuloso, e assim como Einstein sua obra seminal √© acess√≠vel mesmo ao leitor leigo. Ainda que Wegener defendesse sua ideia com cautela e prud√™ncia, ainda que tenha dedicado sua vida a coletar mais evid√™ncias e reconhecer as limita√ß√Ķes de suas ideias, Wegener simplesmente n√£o estava t√£o bem posicionado quanto Darwin, tampouco ‚Äď por que n√£o ‚Äď teve tanta sorte para que suas ideias fossem aceitas em seu tempo.

Fato é que tanto Darwin quanto Wegener possuíam fé em suas teorias. Hoje aprendemos sobre as evidências que levaram Darwin e Wegener a propor suas ideias, mas mais raro é aprender que à época tais ideias tinham não só lacunas como uma série de evidências que pareciam contrariá-las, ou ao menos favorecer teorias concorrentes. A ciência praticada no mundo real é complexa e se constrói não apenas pela razão, mas também pela polêmica palavra chamada fé. Respondi sobre o tema no blog Textos para Reflexão.

Em meio ao delicado equil√≠brio entre f√© e raz√£o, √© not√°vel que em ‚Äúapenas‚ÄĚ duas gera√ß√Ķes, e com a acumula√ß√£o de mais e mais evid√™ncias, mesmo a in√©rcia sociol√≥gica da ci√™ncia tenha sido vencida. No mais tardar pela simples troca de gera√ß√Ķes, como notou Max Planck, as novas ideias foram novamente discutidas e ent√£o aceitas.

Wegener jaz hoje na Groenl√Ęndia, no local onde sucumbiu √† exaust√£o em meio √† neve, em uma expedi√ß√£o em busca de mais evid√™ncias em 1930. Como notou o Spiegel, mesmo em seu leito de descanso Wegener se afastou meio metro da Europa desde ent√£o. Para ele, mover-se em seu t√ļmulo √© ser vindicado pela realidade e ser hoje reconhecido como um bravo vision√°rio da ci√™ncia. [veja mais em Amazing.es, Canadensis]

A Beleza da Catedral de Luz, Fritas Acompanham

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Uma das obras arquitet√īnicas mais fabulosas do s√©culo 20 desafiou o pr√≥prio conceito de arquitetura: a Catedral de Luz de Albert Speer, composta de 130 holofotes a intervalos de 12 metros entre si, apontando ao c√©u e circundando a parada de Nuremberg.

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Em conjunto, os fachos criavam a impress√£o de uma gigantesca ab√≥bada de luz ‚Äď ainda que todos os fachos fossem retil√≠neos, aqueles dentro da ‚Äúcatedral‚ÄĚ percebiam as luzes se curvando sobre suas cabe√ßas, pela mesma ilus√£o perceptual que cria a impress√£o da pr√≥pria ab√≥bada celeste.

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A ab√≥bada era imaterial e ef√™mera, mas talvez tenha sido at√© hoje a maior j√° criada por m√£os humanas. Tragicamente, apesar do fasc√≠nio verdadeiro que despertavam, o recurso de catedrais de luzes tem sido desde sua cria√ß√£o alvo de pol√™mica devido ao seu uso original para promo√ß√£o do nazismo. √Č uma ideia genial, mas que sofre de algo como um pecado original. Nuremberg foi palco dos julgamentos hist√≥ricos de criminosos nazistas, mas n√£o sem raz√£o lan√ßar fachos de luz ao c√©u como arquitetura para emocionar multid√Ķes tem sido algo delicado desde a Segunda Guerra Mundial.

Isso tem mudado muito lentamente, e o Tributo em Luz em memória aos ataques de 11/09 foi uma exceção, composto de 88 holofotes:

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Solene e belo, como a catedral de luz original, embora mesmo esta varia√ß√£o n√£o aproveite a ilus√£o perceptual da ab√≥bada de Speer para deslumbrar pessoas dentro dos fachos de luz. Este recurso dificilmente ser√° repetido em grande escala t√£o cedo, por se aproximar demais das paradas nazistas, embora curiosamente vers√Ķes menores tenham sido recriadas em shows de rock ‚Äď boa parte das t√©cnicas fascistas de manipula√ß√£o de multid√Ķes s√£o utilizadas hoje em concertos de rock e pop.

O que nos leva a uma campanha promovida em Chicago no mês passado para uma certa cadeia de fast food:

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Batatas fritas de luz, estendendo-se ao infinito. Talvez seja a prova de que a beleza da Catedral de Luz não é nazista, hoje ao menos não mais do que é uma batata frita de fótons.

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[via pfsk]

A Navalha de Hitchens

Navalha-Hitchens

Popularizada por Christopher Hitchens, do latim:

‚ÄúQuod gratis asseritur, gratis negatur‚ÄĚ.

Proje√ß√Ķes topogr√°ficas de Jim Sanborn (e algo de como o Kinect funciona)

Kilkee-County-Claire

Situado a quase um quil√īmetro de dist√Ęncia, um projetor m√≥vel lan√ßou padr√Ķes geom√©tricos artificiais sobre esta ilha irlandesa, destacando um belo contraste na arte de Jim Sanborn. Clique para mais fotografias da s√©rie em Design Boom.

Proje√ß√Ķes em grande escala est√£o se tornando cada vez mais comuns em espet√°culos ‚Äď basta uma busca por mapped projection ‚Äď mas elas tamb√©m funcionam no sentido inverso, como a s√©rie de Sanborn sugere: pode-se descobrir a geometria de uma cena atrav√©s de uma proje√ß√£o. O acess√≥rio Kinect do Xbox funciona desta forma, projetando um padr√£o de pontos em infravermelho e aplicando computa√ß√£o para extrair a geometria da cena a partir da imagem resultante.

O padr√£o de pontos do Kinect pode parecer aleat√≥rio, mas n√£o √©, de fato ele se repete nove vezes. Sistemas anteriores ao Kinect geralmente projetavam padr√Ķes geom√©tricos mais simples como os de Sanborn. Parte da m√°gica, e talvez a parte principal da m√°gica que torna o brinquedo da Microsoft t√£o mais barato e acurado que vers√Ķes anteriores est√° no uso inteligente e inovador desse padr√£o est√°tico de pontos. Inteligentemente, os segredos industriais por tr√°s desse padr√£o de pontos n√£o s√£o descritos em detalhe nas patentes p√ļblicas do sistema.

A forma como eles parecem aleatórios mas ao mesmo tempo são repetidos lembra a matemática dos ladrilhos de Penrose, por sua vez vistos na natureza nos quasi-cristais que renderem um prêmio Nobel em 2011.

Uma olhada no site de Jim Sanborn revela como todas suas obras misturam ciência e arte, e uma das obras mais conhecidas de Sanborn é Kryptos, que contém textos cifrados e está localizada na própria Agência Central de Inteligência, a CIA dos EUA, em Langley, Virginia.

Microsoft Word - kryptos.doc

Arte e ciência, da CIA à Microsoft.

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