Faucaria e HR Giger

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Com a estreia de Prometheus é divertido descobrir que há uma planta no estilo de HR Giger, criador da bizarra estética de Alien.

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√Č uma Faucaria tigrina, do g√™nero Faucaria, com folhas triangulares com protuber√Ęncias nas extremidades que parecem bocas de animais (fauces em latim). Ou de um Alien.

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Apesar da aparência de bocas, as plantas não são carnívoras, e sim suculentas, retendo água no interior das grossas e bizarras folhas. Não mordem ninguém.

Mais imagens em Kuriositas, e para mais Alien e Prometheus, a resenha de Gabriel Cunha no Ciensinando:

Design Inteligente x Algoritmo Genético

Brincadeira de crian√ßa ‚Äď balan√ßar de p√©, mais r√°pido, mais alto. Nesta vers√£o virtual, no entanto, quem ganha: o boneco com movimentos programados pelo designer muito inteligente, o usu√°rio ‚Äúmunimuni‚ÄĚ, ou aqueles resultado de um algoritmo gen√©tico ap√≥s 22 gera√ß√Ķes?

O algoritmo gen√©tico simula a evolu√ß√£o natural. De in√≠cio, os movimentos s√£o aleat√≥rios, desengon√ßados, em uma convuls√£o descoordenada. O percurso do balan√ßo foi dividido em 32 partes, e para cada uma delas o boneco pode abaixar ou levantar (0 ou 1). Os melhores movimentos de cada gera√ß√£o s√£o transmitidos para a pr√≥xima, com pequenas varia√ß√Ķes, e assim sucessivamente. √Č fascinante ver cada batalh√£o dentro de uma gera√ß√£o e a evolu√ß√£o em pleno curso.

O resultado você vê ao final do vídeo. O boneco verde faz os movimentos programados pelo designer inteligente, muito parecidos com aquele que todos nós fazemos. Já o boneco vermelho, com movimentos determinados pelo algoritmo genético, continua com trejeitos um tanto engraçados. Mas os resultados podem surpreender!

Confira muito mais no canal de 99munimuni no Youtube.

O Relojoeiro do Ferrofluido nas Bolhas de Sab√£o

Kim Pimmel combina ‚Äúbolhas de sab√£o comuns com um ex√≥tico ferrofluido para criar uma instigante hist√≥ria, usando lentes macro e t√©cnicas de lapso de tempo. O corante [vermelho] e o ferrofluido preto deslizam pelas estruturas das bolhas, atra√≠dos pelas for√ßas invis√≠veis da a√ß√£o capilar e magnetismo‚ÄĚ.

O vídeo deve remeter qualquer espectador a estruturas biológicas, e em especial, à complexidade das estruturas biológicas. E isso não é mera coincidência.

Na pr√≥pria origem do termo ‚Äúc√©lula‚ÄĚ nas observa√ß√Ķes de Robert Hooke no s√©culo 17, l√° estavam as bolhas de sab√£o. E mesmo nas revolu√ß√Ķes biol√≥gicas modernas que modelaram a membrana celular com conhecimentos adentrando a f√≠sico-qu√≠mica, tamb√©m l√° estavam as bolhas de sab√£o! H√° trechos fabulosos desta liga√ß√£o entre algo t√£o mundano com um conceito-chave no entendimento de uma unidade b√°sica da vida em Planar Lipid bilayers (BLMs) and their applications.

E bolhas de sab√£o ainda podem ser usadas didaticamente para entender melhor o funcionamento da membrana celular (PDF).

Al√©m das bolhas se sab√£o, o ferrofluido, um l√≠quido suscet√≠vel √† a√ß√£o de campos magn√©ticos, tamb√©m encontra liga√ß√Ķes inusitadas. O que o artista usou aqui √© provavelmente feito usando o toner negro de impressoras. O v√≠deo anterior de Pimmel ilustra essa dan√ßa de part√≠culas de toner em resposta a campos magn√©ticos:

Os nexos da origem das copiadoras fotostáticas mais conhecidas como Xerox é tema para outro post, mas no ferrofluido também está algo da história da ciência, enquanto Michael Faraday utilizava raspas de ferro para ilustrar os então misteriosos e invisíveis campos magnéticos.

Acima, um dos primeiros diagramas representando linhas de força magnéticas, por Faraday em 1832.

O que nos leva ao nexo que une todos estes: a complexidade. Estamos acostumados a associar complexidade a dispositivos artificiais intrincados, ou alternativamente à própria vida, que ao longo de quase toda nossa história só poderíamos presumir também ser algo projetado, por mãos e mentes superiores às nossas.

E, no entanto, a complexidade nos cerca. Bolhas de sabão e principalmente pó de toner de uma impressora são elementos manufaturados, sim, mas quem esperaria ver tanta complexidade neles?

De fato, a complexidade nos cerca e fen√īmenos intrincados ocorrem √† nossa volta, passando ao largo de nossos artif√≠cios bem como daquilo que consideramos vivo. Ela √© apenas largamente invis√≠vel aos nossos olhos, que do contr√°rio estariam saturados de um universo de fen√īmenos.

Mesmo quando a complexidade √© vis√≠vel, √© comumente¬† tomada como algo banal. Porque se p√≥ de toner em meio a bolhas de sab√£o em uma bacia de √°gua com um eletro√≠m√£ ao centro fossem algo que ocorresse naturalmente, provavelmente nos pareceria t√£o ‚Äúsimples‚ÄĚ e banal quanto as cores iridescentes de uma pel√≠cula de √≥leo sobre a √°gua, dos cristais de gelo sobre uma nuvem.

Há, finalmente, a complexidade visível que é atribuída ao divino, como as cores refratadas do arco-íris. O que não deixa de ser curioso ao constatarmos que em um dia de Sol podemos criar nossos arco-íris simplesmente criando um jato de água com um a mangueira, mas ver algo como o que o artista Kim Pimmel criou requer um pouco mais de trabalho.

Pelo que poderíamos pensar que o deus do arco-íris é menos poderoso ou mesmo menos criativo que Pimmel.

Darwin e sua Pokebola

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‚ÄúH√° uma grandeza nesta vis√£o da vida, com os seus v√°rios poderes originalmente soprados em algumas formas, ou em apenas uma; e enquanto este planeta foi girando na sua √≥rbita, obedecendo √† lei fixa da gravidade, intermin√°veis formas, belas a admir√°veis, a partir de um come√ßo t√£o simples, evolu√≠ram e continuam a evoluir‚ÄĚ. ‚Äď Charles Darwin

√Č super efetivo! [Design de Santo76, via GamOvr, Agripas]

O navio de Teseu e a impermanência do Carbono-14

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‚ÄúNenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque [j√°] nem o homem nem o rio s√£o os mesmos.‚ÄĚ ‚Äď Her√°clito

‚ÄúO navio com que Teseu e os jovens de Atenas retornaram de Creta tinha trinta remos, e foi preservado pelos atenienses at√© o tempo de Dem√©trio de Falero, porque eles removiam as partes velhas que apodreciam e colocavam partes novas, de forma que o navio se tornou motivo de discuss√£o entre os fil√≥sofos a respeito de coisas que crescem: alguns dizendo que o navio era o mesmo e outros dizendo que n√£o era.‚ÄĚ ‚Äď Plutarco

O paradoxo do barco de Teseu √© ao mesmo tempo uma das doutrinas essenciais do Budismo: a imperman√™ncia, a consci√™ncia de que tudo est√° em fluxo constante. A profundidade deste conceito pode ser apreciada tanto filosoficamente quanto vislumbrada cientificamente, compreendendo melhor a data√ß√£o por radiocarbono, conhecida tamb√©m como teste de Carbono-14. √Č uma longa jornada que vai literalmente de estrelas a muitos anos-luz at√© a ponta de seus p√©s, mas √†queles dispostos a dedicar algum tempo e esfor√ßo a viagem valer√° a pena.

Continue lendo: ‚ÄúO navio de Teseu e a imperman√™ncia do Carbono-14‚ÄĚ

Gagasaurus rex

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Lembro de ter lido quando crian√ßa como nunca saber√≠amos quais seriam as verdadeiras cores dos dinossauros. Como outras declara√ß√Ķes sobre os limites da ci√™ncia, esta n√£o durou muito: cada tipo das principais formas de pigmenta√ß√£o por melanina √© contida em organelas de forma diferente. E elas se fossilizam! Analisando assim estruturas celulares fossilizadas, uma boa indica√ß√£o das cores de pelo menos alguns dinossauros de at√© 125 milh√Ķes de anos j√° foram realizadas. Por sua vez, elas tamb√©m d√£o maior suporte √† tese de que dinossauros possu√≠am penas. Penas coloridas.

Esta √© a ci√™ncia, √© bem verdade, e os m√©todos para estimar as cores e mesmo as penas de dinossauros n√£o s√£o ainda universalmente aceitas, embora j√° sejam hoje amplamente consideradas. √Č uma revolu√ß√£o paleontol√≥gica em pleno andamento. T√£o recentemente quanto em Jurassic Park (1994), os velociraptors eram retratados como terr√≠veis r√©pteis, mas descobertas em anos recentes evidenciam como estes r√©pteis est√£o entre aqueles que tamb√©m deviam possuir penas.

Ainda deviam ser terríveis, mas com penas. Multicoloridas.

Foi brincando com isso que o artista Gerson Witte criou essa nova ilustra√ß√£o (clique para ampli√°-la), onde tamb√©m explora com humor a ideia de que dinossauros teriam p√™los. Que seriam ‚Äúproto-penas‚ÄĚ.

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Cores, penas, pêlos, tudo outra vez segundo novas teorias e evidências paleontológicas, que vêm revisando inclusive a ideia de que seriam criaturas de sangue frio, ou que várias espécies famosas de dinossauros seriam em verdade formas diferentes de uma mesma espécie.

Curiosamente, outras técnicas de microscopia e análise também indicam que esculturas gregas clássicas não eram formas totalmente brancas e sóbrias do mármore puro, como as obras da Renascença as imaginaram. Essa aparência seria em verdade o resultado de mais de um milênio de cores desbotando. Eram originalmente estátuas repletas de cores gritantes, e você confere abaixo, uma reconstrução da estátua de um arqueiro no Templo de Afaia na ilha grega de Aegina, 490 A.C.:

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Apesar do que filmes e livros em preto e branco nos fizeram pensar, a antiguidade, mesmo aquela de milh√Ķes de anos, era inundada de cores.

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[Gerson Witte também havia ilustrada Manadas de Homo Sapiens. O Gagasaurus rex foi criado por estudantes do Instituto de Arte de Pittsburgh]

Vida

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‚ÄúAceitamos que sat√©lites, planetas, s√≥is, o universo, n√£o, sistemas de universos inteiros sejam governados por leis. Mas o menor dos insetos, n√≥s desejamos que tenha sido criado por um ato especial‚ÄĚ ‚Äď Charles Darwin

Ainda sobre a variedade sempre surpreendente da vida, dois outros achados no Reader. Primeiro, um sapo do tamanho de um ervilha, com pouco mais de um centímetro de tamanho.

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√Č o Microhyla nepenthicola, encontrado por cientistas na ilha de Born√©u, e o menor sapo do Velho Mundo. Ele foi achado pelo seu coachar, e voc√™ confere o som desta ervilha anf√≠bia cantante clicando na imagem.

Outro animal inusitado é o peixe-tripé (Bathypterois grallator), que pode ficar literalmente de pé sobre três apêndices longos, de até mais de 30 centímetros, esperando suas presas. Assista no vídeo capturado a 1.443 metros de profundidade:

[via BoingBoing, Neatorama, pya]

Basquete, Yao Ming e a Eugenia

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Com 2 metros e 29 cent√≠metros de altura, Yao Ming √© um gigante, o mais alto jogador de basquete na NBA americana em atividade. Sua altura e seu gosto por basquete n√£o foram mera obra do acaso. Seu pai, Yao Zhiyuan, media mais de dois metros e sua m√£e, Fang Fengdi, 1,90m. Ambos tamb√©m eram jogadores de basquete profissional, e como Razib Khan notou em um post recente em Gene Expression, citando o livro ‚ÄúSuperfusion‚ÄĚ, de Zachary Karabell:

‚Äú[A m√£e de Yao Ming] havia servido da Guarda Vermelha no √°pice da Revolu√ß√£o Cultural, e era uma Mao√≠sta ardorosa. Ela participou entusiasticamente no plano glorioso do governo local de us√°-la e ao seu marido para produzir uma super-estrela dos esportes. As autoridades de Xangai que encorajaram o par investigaram v√°rias gera√ß√Ķes anteriores para se assegurar de que a altura fazia parte da linha de sangue. O resultado foi Yao, um beb√™ gigante que s√≥ continuou a crescer‚ÄĚ.

Yao Ming nasceu com 5kg, e media 1,65m aos dez anos. Come√ßou a praticar basquete pouco antes, n√£o parando desde ent√£o. Sua concep√ß√£o deliberada n√£o √© um evento isolado, uma vez que a China √© efetivamente o √ļnico pa√≠s no mundo a promover oficialmente a eugenia ‚Äď termo cunhado por Francis Galton, que deve, e merece ser mais conhecido pelas suas contribui√ß√Ķes √† ci√™ncia estat√≠stica, entre tentas outras ci√™ncias.

Atrav√©s do controle da reprodu√ß√£o e descend√™ncia dos indiv√≠duos, a eugenia pretendia ‚Äúmelhorar as qualidades gen√©ticas humanas‚ÄĚ, um caminho cheio de boas inten√ß√Ķes que encontrou todavia seu √°pice mais tenebroso nas loucuras promovidas pelo regime nazista. A eugenia foi a pseudoci√™ncia que embasou e levou do racismo ao genoc√≠dio.

Exterminar ou esterilizar indiv√≠duos ‚Äúinferiores‚ÄĚ √© parte do que seria a ‚Äúeugenia negativa‚ÄĚ, que ainda encontra eco hoje no humor macabro do pr√™mio Darwin, ‚Äúhonrando aqueles que melhoram a esp√©cie‚Ķ ao acidentalmente removerem-se dela!‚ÄĚ. Complementando tais medidas para evitar que tra√ßos ‚Äúnegativos‚ÄĚ se perpetuassem, estaria a ‚Äúeugenia positiva‚ÄĚ, justamente o que se v√™ no caso do jogador de basquete chin√™s, com a reprodu√ß√£o deliberada de um casal com a heran√ßa gen√©tica ‚Äúpositiva‚ÄĚ que se deseja.

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A eugenia negativa tamb√©m √© levada a cabo na China: em 1995 foi colocada em pr√°tica a Lei de Sa√ļde Materna e Infantil, que obriga que todos casais se submetam a exames m√©dios para detectar doen√ßas gen√©ticas, infecciosas e mesmo doen√ßas mentais. A crit√©rio de m√©dicos, e de acordo com a lei, o casal pode ser proibido de ter filhos, podendo ser obrigado √† esteriliza√ß√£o. O controle eug√™nico n√£o para a√≠, enquanto exames pr√©-natais tamb√©m podem levar √† decis√£o de terminar a vida de um feto ou beb√™ que apresente problemas mais s√©rios. O seguinte texto (em ingl√™s) cita a lei chinesa e a opini√£o de um diretor de bio√©tica chin√™s bem como a cr√≠tica de um sinologista alem√£o: Is China‚Äôs law eugenic?.

O assunto √© complexo, e um breve post n√£o poderia pretender abordar mesmo um sum√°rio das quest√Ķes mais importantes. Comentamos aqui, ao inv√©s, apenas alguns nexos dispersos, e o principal deles seria a quest√£o moral. N√£o deve ser coincid√™ncia que o √ļnico pa√≠s a promover pol√≠ticas claramente eug√™nicas seja um estado totalit√°rio. √Č historicamente a moral popular corrente que limitou o avan√ßo de pol√≠ticas eug√™nicas ‚Äď e, igualmente, n√£o √© tanto coincid√™ncia que os maiores extremos destas tenham sido cometidos por outro estado totalit√°rio, durante o regime nazista.

Há no entanto algo um tanto chocante sobre a moral impondo limites à eugenia: ela tendeu a impor mais limites à eugenia positiva. Tanto sob Hitler quanto sob Stálin, eugenistas mais entusiasmados propuseram esquemas mirabolantes através dos quais os homens mais bem-dotados teriam incontáveis filhos com os melhores espécimes de mulheres, mas em ambos os regimes a ideia entrou em conflito com a moral vigente.

Mesmo sob o nazismo, o programa de eugenia positiva Lebensborn concebido pelo chefe da SS consistiu principalmente no apoio a m√£es ‚Äúarianas‚ÄĚ e seus beb√™s, evitando medidas como o aborto, e n√£o propriamente incentivando que mo√ßas ‚Äúarianas‚ÄĚ engravidassem indiscriminadamente de membros ‚Äúsuperiores‚ÄĚ da SS, como se chegou a imaginar. O conceito de fam√≠lia era um dos pilares do mesmo nazismo.

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Esta moral que n√£o aceitava crian√ßas concebidas unicamente pelo seu alegado potencial gen√©tico no entanto n√£o levantou grandes barreiras a medidas de eugenia negativa, como esteriliza√ß√Ķes compuls√≥rias at√© os extremos do genoc√≠dio. E a moral √©, ultimamente, tudo que pode impedir a pr√°tica ou n√£o de algo t√£o terr√≠vel.

O editor da ci√™ncia da Folha e scibling Reinaldo Jos√© Lopes, ao mencionar a possibilidade ‚Äúalucinada‚ÄĚ de clonar um Neandertal resumiu a quest√£o comentando como ‚Äúa empolga√ß√£o biotecnol√≥gica √†s vezes borra a fronteira entre o que se pode fazer e o que se deve fazer‚ÄĚ. A empolga√ß√£o biotecnol√≥gica que assistimos hoje lembra muito a empolga√ß√£o eug√™nica no in√≠cio do s√©culo passado.

No final da fenomenal s√©rie ‚ÄúPandora‚Äôs Box‚ÄĚ de Adam Curtis, Joseph G. Morone discute o hist√≥rico desastroso da energia nuclear:

“Na era de ouro da ciência, em uma época quando a sociedade possuía a visão mais otimista da ciência, possuía-se uma visão basicamente errada a respeito. Acreditavam que esta forma da tecnologia era a forma que ela devia tomar de forma inevitável. E que se esta era a forma que ela tomava, então esta devia ser a forma certa.

Quarenta anos depois, temos uma visão similarmente ingênua, que não é mais tingida por esperança e otimismo, e sim por pessimismo e medo. Mas ainda temos esta visão de que a sociedade não pode moldar a tecnologia. De que a forma que a tecnologia toma é a forma que devemos aceitar. E assim como isto não era verdade em 1950, ela não é verdade hoje.

Esta n√£o √© uma hist√≥ria da tecnologia saindo de controle, embora muitos a entendam assim. A hist√≥ria da energia nuclear √© uma hist√≥ria de decis√Ķes pol√≠ticas, econ√īmicas e sociais sendo feitas sobre a tecnologia, e as principais decis√Ķes n√£o foram tomadas por tecn√≥logos. Foram tomadas nas salas de neg√≥cios.

O que a ci√™ncia e tecnologia lhe fornecem √© uma gama de possibilidades. E essas possibilidades podem lev√°-lo a um sem n√ļmero de dire√ß√Ķes. √Č uma for√ßa potencialmente liberadora. Mas para chegar l√°, a sociedade deve acordar e perceber que n√£o √© uma decis√£o cient√≠fica, n√£o √© uma decis√£o de engenharia.

√Č uma decis√£o moral‚ÄĚ.

Destacando a quest√£o moral, relembramos como a moral ‚Äútradicional‚ÄĚ, promovida por institui√ß√Ķes que alegam mesmo serem fontes da moralidade, pode ter impedido que jovens loiros e altos de tra√ßos cl√°ssicos concebessem beb√™s indiscriminadamente, valorizando o conceito de fam√≠lia, mas pouco ou nada fez contra o exterm√≠nio de fam√≠lias inteiras que n√£o possu√≠am tais tra√ßos.

Yao Ming e seus mais de dois metros de altura s√£o um indicador um tanto assustador de que a eugenia, se era e talvez ainda seja largamente uma pseudoci√™ncia, pode sim produzir resultados concretos. Ser√° esta forma aceit√°vel? Aos chineses, por ora, aparentemente √©. A n√≥s, talvez n√£o. Mas como Morone destacou, decis√Ķes morais n√£o significam aceitar ou rejeitar completamente uma possibilidade cient√≠fica, tecnol√≥gica, como se a primeira possibilidade fosse um imperativo definitivo em si mesmo.

Decis√Ķes morais devem moldar como as possibilidades infinitas da ci√™ncia podem ser aplicadas em prol de valores √©ticos. Um gigantesco desafio.

Manadas de Homo Sapiens

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Como seriam homens gigantes? Em ‚ÄúAtaque dos Salgadinhos Gigantes‚ÄĚ citamos o ensaio pioneiro de JBS Haldane sobre o tamanho dos animais, e como um homem simplesmente dez vezes maior, sem nenhuma altera√ß√£o em sua forma, fraturaria os ossos a cada passo. ‚ÄúUma grande mudan√ßa em tamanho inevitavelmente leva a uma mudan√ßa na forma‚ÄĚ, observava o bi√≥logo. Como seria esta mudan√ßa em um homem gigantesco?

O professor de arte e artista gr√°fico Gerson Witte inspirou-se pela ideia e a ilustrou de maneira fabulosa acima. Explica:

“Penso que, para andar, poderiam apenas caso tivessem pernas e braços muito grossos, apoiando-se sobre os nós dos dedos como os gorilas, consequentemente, as pernas teriam que ser menores e adaptadas a receber o peso.

Sua pele teria que ser muito grossa, com uma melanina muito acentuada para receber os raios solares, afinal, teriam poucos lugares para se esconder. Teriam poucos pelos, para poder usar a transpiração para regular o calor, mas isso levaria a este grupo a jamais sair de perto de fontes abundantes de água.

Estes representantes megahomin√≠deos teriam um grande problema de alimenta√ß√£o, porque seriam p√©ssimos ca√ßadores, por serem vistos √† dist√Ęncia, mas mesmo assim, n√£o fiz altera√ß√Ķes de forma para um homem vegetariano somente. Penso que teria uma barriga muito dilatada para poder abrigar um imenso intestino, ou seja, seriam mais parecidos com pandas.

No todo, pensando num humano gigante vivendo em manadas em grandes savanas, nada me tira da cabe√ßa que se pareceriam completamente com elefantes. Mas seria uma cena interessante, manadas de homens-elefantes pastando no entardecer…‚ÄĚ

Estendendo-se nesta explora√ß√£o puramente fict√≠cia do homem gigante como similar a um elefante, √© curioso notar as adapta√ß√Ķes de nossos conhecidos paquidermes gigantes √†s suas dimens√Ķes.

Devido √† rela√ß√£o desfavor√°vel de seu peso e a resist√™ncia dos ossos, mesmo com todas suas adapta√ß√Ķes, elefantes n√£o podem sair saltitando por a√≠. Pode-se pensar que a incapacidade de saltitar n√£o seria afinal um enorme problema, contudo ela leva √† impossibilidade de correr. A defini√ß√£o de corrida para animais terrestres envolve que o animal fique em algum ponto com todos os p√©s no ar, ao contr√°rio da caminhada, em que sempre h√° um p√© em contato com o ch√£o.

Esta definição leva ao peculiar rebolado da marcha atlética, por exemplo.

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Elefantes podem se locomover rapidamente. Mas se mantiverem sempre pelo menos um dos p√©s no ch√£o, seria apenas uma esp√©cie de ‚Äúmarcha atl√©tica‚ÄĚ, e n√£o uma corrida. Incrivelmente, em pleno terceiro mil√™nio, ainda n√£o se formou um consenso claro sobre se elefantes conseguem de fato correr. Os √ļltimos estudos indicam que de fato nunca saem da caminhada, ainda que r√°pida, sempre mantendo um p√© em contato com o ch√£o.

Manadas de homens gigantes, assim, seriam diferentes de nós não apenas na forma, como em tantos outros aspectos, incluindo uma simples corrida. E eu nunca achei a marcha atlética muito elegante, lembra Monty Python.

[Com agradecimentos a Gerson Witte pela colaboração!]

A Luz da Vida

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Para relaxar bem no meio da semana, ao som de “Clair de Lune“, as formas de vida fosforescentes criadas por Daihei Shibata enchem os olhos lentamente do início ao fim. Lembra muito uma mistura dos efeitos da noite brilhante em Avatar e as viagens de fotografia macro em A Fonte da Vida.

Tudo inspirado, claro, em formas bioluminescentes, e Daihei descreve o v√≠deo contando como ‚Äúa vida ilumina a si mesma, e ent√£o come√ßa a iluminar novas formas‚ÄĚ. Al√©m dos vaga-lumes, n√≥s mesmos brilhamos (muito no Corinthians).

O vídeo tem um rápido peitinho gerado por computador ao final, então pode não ser muito seguro no trabalho, mas é tudo com muito bom gosto.

Assista em tela cheia e relaxe por alguns minutos.

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