Tema de Doctor Who com Bobinas de Tesla

A banda ArcAttack em uma performance com a m√ļsica tema do seriado ingl√™s Doctor Who, ‚Äútocada‚ÄĚ atrav√©s de descargas el√©tricas liberadas por bobinas de Tesla, atingindo o artista usando um traje de Faraday. Dr. Who, Tesla e Faraday? √Č uma concentra√ß√£o absurda de poder enerd√©tico por cent√≠metro c√ļbico.

Rapidamente, alguns nexos: o tema de Dr. Who foi uma das primeiras m√ļsicas sintetizadas de sucesso, √© m√ļsica eletr√īnica composta por Ron Grainer e concretizada por Delia Derbyshire na BBC, recortando e colando peda√ßos de fita magn√©tica, em 1963!

Bobinas de Tesla foram inventadas, claro, por Nikola Tesla, ningu√©m menos que o g√™nio vision√°rios que concebeu e concretizou sozinho todo o sistema moderno de gera√ß√£o e transmiss√£o de energia el√©trica por corrente alternada. Suas bobinas foram e s√£o tamb√©m importantes nas primeiras transmiss√Ķes de r√°dio (que, a rigor, ele tamb√©m inventou), e na apresenta√ß√£o geram descargas el√©tricas que aquecem o ar e provocam o zumbido, que pode ser modulado para produzir os diferentes tons da m√ļsica.

Finalmente, o traje de Faraday é uma referência à gaiola de Michael Faraday, outra figura fantástica da história da ciência. Em uma tempestade, você pode se abrigar no interior de um carro seguro porque a eletricidade passará no exterior do metal. Da mesma forma, o traje metálico protege o artista de ArcAttack.

O próprio Tesla chegou a brincar com descargas elétricas sem usar nenhum traje, mas Tesla era um ser sobre-humano, ele não conta*. [via Geeks Are Sexy]

Nikola Tesla

*O que é uma brincadeira, claro. Nem mesmo Tesla resistiria às descargas que podem ser vistas no vídeo. Podemos sim suportar descargas elétricas porque em alta voltagem elas tendem a percorrer a superfície da pele, mas há um limite fisiológico, relacionado principalmente à intensidade da corrente.

‚ÄúMy name is Darwin, not Darlose!‚ÄĚ

Dana Carvey is "DARWIN"

‚ÄúDARWIN: Primeiro veio o Sherlock Holmes cheio de a√ß√£o, agora temos Darwin cheio de a√ß√£o. Do novo show ‚ÄėSpoof‚Äô de Dana Carvey e Spike Ferestein‚ÄĚ.

Somos uma pequena assimetria

vazio

Por que h√° algo ao inv√©s de nada? √Č uma quest√£o filos√≥fica imemorial que a ci√™ncia n√£o responde e pode nunca responder, justamente porque a pergunta √© em si mesma pass√≠vel de um sem n√ļmero de interpreta√ß√Ķes, e em ci√™ncia (e no melhor da fic√ß√£o), por vezes formular a pergunta corretamente pode ser t√£o ou mais importante que obter a resposta.

Ontem mesmo, no entanto, cientistas chegaram um pouco mais perto de responder à questão em sua formulação relacionada à física de partículas. Pois físicos de partículas vêm há décadas acelerando e colidindo átomos e seus componentes a energias cada vez maiores, observando um caleidoscópio de matéria e energia se reorganizando e produzindo uma grande variedade de produtos.

O detalhe √© que se reorganizam comumente na forma de pares de part√≠culas e anti-part√≠culas, respeitando uma simetria, uma paridade. H√° uma grande beleza nisso, em que toda part√≠cula de mat√©ria possui uma anti-part√≠cula, e se uma colidir com a outra, ambas transformam-se novamente em ‚Äúenergia pura‚ÄĚ, em f√≥tons sem massa. Voc√™ n√£o gostaria de apertar as m√£os de um anti-voc√™, a explos√£o resultante provavelmente poderia ser vista de outras gal√°xias.

N√£o √© preciso se preocupar, porque n√£o s√≥ n√£o h√° anti-voc√™s andando por a√≠, n√£o h√° qualquer evid√™ncia de que existam grandes aglomera√ß√Ķes de anti-mat√©ria em qualquer lugar no Universo. Se houvesse, sua eventual colis√£o com mat√©ria, ou as fronteiras entre mat√©ria e anti-mat√©ria emitiriam enormes quantidades de energia sob a forma de radia√ß√£o. Por algum motivo, praticamente toda a mat√©ria que conhecemos √©‚Ķ mat√©ria. A anti-mat√©ria se forma ou √© vista apenas em pequenas quantidades fugazes que costumam logo se aniquilar com mat√©ria. N√≥s sequer sab√≠amos que existia at√© que fosse prevista teoricamente e ent√£o finalmente detectada no s√©culo passado. O que nos leva √† quest√£o mais espec√≠fica:

Por que há matéria ao invés de anti-matéria? Ou pelo menos, por que não haveria iguais quantidades de cada tipo de matéria, em diferentes partes do Universo?

ponto

Um bilh√£o e um

Bem, temos algumas pistas. Para cada pr√≥ton que vemos h√° cerca de dois bilh√Ķes de f√≥tons em nosso Universo, isto √©, vivemos em um mundo dominado por f√≥tons, radia√ß√£o eletromagn√©tica viajando √† velocidade da luz por todo o canto, em uma propor√ß√£o esmagadora em rela√ß√£o √† mat√©ria. Lembra-se de que quando um pr√≥ton colide com um anti-pr√≥ton, o resultado s√£o dois f√≥tons de luz?

A cosmologia sugere assim que ap√≥s o Big Bang, formaram-se grandes quantidades de mat√©ria e anti-mat√©ria, mas elas logo se aniquilaram, produzindo o Universo dominado por radia√ß√£o em que vivemos. Imagine a cena: um bilh√£o de pr√≥tons aniquilaram um bilh√£o de anti-pr√≥tons produzindo dois bilh√Ķes de f√≥tons‚Ķ para cada um dos pr√≥ton de cada √°tomo que voc√™ v√™, e que constitui nossa pr√≥pria massa. E toda essa a√ß√£o se daria depois do evento ainda mais fant√°stico que seria o Big Bang e seus primeiros momentos em si mesmos. Vemos ecos destes eventos sob a forma de radia√ß√£o.

Se toda a mat√©ria tivesse sido aniquilada por toda a anti-mat√©ria, contudo, s√≥ restariam f√≥tons, haveria apenas radia√ß√£o. N√£o √© o que vivemos, e como vimos, h√° dois bilh√Ķes de f√≥tons para cada pr√≥ton, contudo ainda temos pr√≥tons. Isso sugere que para cada um bilh√£o de anti-pr√≥tons produzidos nos primeiros instantes do Universo, teriam sido produzidos um bilh√£o e um pr√≥tons. Um pr√≥ton a mais. Uma pequena, √≠nfima assimetria, respons√°vel por nossa exist√™ncia. Assim, a resposta mais simples da cosmologia para ‚Äúpor que h√° mat√©ria ao inv√©s de anti-mat√©ria‚ÄĚ √© simplesmente a de que ‚Äúhavia uma √≠nfima parcela a mais mat√©ria do que anti-mat√©ria‚ÄĚ.

Uma esp√©cie de porque sim, √© bem verdade. Modelos de f√≠sica de part√≠culas v√™m buscando explicar esta assimetria, mas h√° diversos modelos em considera√ß√£o, enquanto ainda estamos longe de uma ‚ÄúTeoria de Tudo‚ÄĚ (1994, ed. Zahar), que √© ali√°s, o t√≠tulo do livro do f√≠sico John Barrow que usei como refer√™ncia aqui.

Se a física teórica ainda não responde a contento à pergunta, a física de partículas, através desses cientistas e seus aceleradores, ao menos parece ter constatado algo muito importante.

Analisando oito anos e centenas de experimentos realizados no acelerador Tevatron norte-americano, descobriram uma diferen√ßa de 1% entre os pares de m√ļons e anti-m√ļons gerados a partir do decaimento de part√≠culas conhecidas como B-m√©sons.

Isto √©, ainda que n√£o saibamos explicar a assimetria que responderia pelo Universo de mat√©ria em que vivemos, sim foi demonstrado que as teorias cosmol√≥gicas n√£o s√≥ parecem v√°lidas como, por algum motivo, at√© hoje, mais de 13 bilh√Ķes de anos depois, ainda parece haver uma assimetria que garante a forma√ß√£o de mat√©ria em uma propor√ß√£o levemente maior do que a de anti-mat√©ria.

Ainda n√£o se respondeu √† pergunta de por que h√° algo ao inv√©s de nada, mas o fascinante √© descobrir que h√° muito, muito pouco de mat√©ria ao inv√©s de nada. Nosso Universo possui sim uma sutil assimetria, e toda a massa das centenas de bilh√Ķes de estrelas que vemos brilhando, e todos os planetas que devem orbit√°-las, incluindo o nosso, √© o que restou desta √≠nfima diferen√ßa de um para um bilh√£o.

Majestosa imperfeição. [via Eternos Aprendizes: Por que existimos? A supremacia da Matéria sobre a Antimatéria foi finalmente medida e comprovada]

A Busca pela Longitude, a uma década do GPS civil

1-Navigation

Somos cercados por tecnologias fabulosas, que podem por vezes combinar em uma pequena bugiganga tantos avanços e conhecimentos científicos que não surpreende que sejam consideradas mágicas. E podem ser tanto mais mágicas quanto mais simples seja sua função. Vide o caso do GPS.

Por algo ao redor de um sal√°rio m√≠nimo √© poss√≠vel adquirir um aparelho que informar√° sua posi√ß√£o em praticamente qualquer ponto da superf√≠cie do planeta, atualizada a cada intervalo de segundos. Simples assim, o GPS diz onde voc√™ est√°. Mas m√°gico, porque esta simples tarefa envolve n√£o apenas a aplica√ß√£o de in√ļmeras √°reas da ci√™ncia em um feito surpreendente de engenharia, como tamb√©m reflete as complexidades da hist√≥ria humana.

N√£o iremos nos estender aqui sobre as complexidades cient√≠ficas que tornam a maquininha capaz de localiz√°-lo com uma precis√£o em torno de 15 metros em um planeta com superf√≠cie de 510 milh√Ķes de quil√īmetros quadrados. O Carlos Orsi publicou h√° pouco um texto fant√°stico indo da Teoria da Relatividade de Einstein √† poeira c√≥smica a 1 bilh√£o de anos-luz, que j√° deve fornecer uma boa id√©ia do qu√£o incr√≠vel √© a fa√ßanha: Relatividade, buracos negros e o GPS.

Nosso interesse maior aqui são as complexidades da história dos macacos que inventaram essa bugiganga, a pretexto de uma misteriosa mensagem recebida do professor José Ildefonso.

 

Vire à direita 100 metros à frente. Ou atrás.

‚ÄúNeste m√™s de maio comemora-se o 10¬ļ anivers√°rio do fim do SA (Selective Availability)‚ÄĚ, ele me avisava. Muito bem, antes de seguir o link, n√£o fazia a menor id√©ia do que ele estava falando. Selective Availability? Depois de visitar o link, caiu a ficha. Faz dez anos que o sistema GPS deixou de ter erros deliberados inseridos em seu sinal.

Erros deliberados? Um fabuloso sistema de navegação global derivado de testes da precisão da teoria da relatividade com relógios e medidas ultra-precisas… e temos erros deliberados?

Somos muito afortunados porque para n√≥s, uma pequena m√°quina capaz de dizer com uma precis√£o de 15 metros ou menos aonde estamos nos parece algo √ļtil para saber em que rua pegar o retorno, ou avisar todos no Twitter que acabamos de chegar √† pizzaria, incluindo suas coordenadas no planeta. Para outras pessoas em diferentes confins do mundo uma m√°quina com esta capacidade √© atraente ao inv√©s para coordenar melhor ataques de guerrilha ou direcionar m√≠sseis. N√£o h√° tantas ruas asfaltadas para se perder em, nem muitas pizzarias em tais lugares.

H√° guerras neste momento, e em uma guerra, um GPS √© extremamente √ļtil. Este choque entre nossas confort√°veis vidas de classe m√©dia no mundo ocidental e a realidade em outros cantos do planeta tamb√©m ocorre com outras tecnologias incluindo imagens de sat√©lite e mapeamento a√©reo dispon√≠veis pelo Google, por exemplo.

Pequeno detalhe, o sistema GPS foi criado pelo Departamento de Defesa americano e ainda √© administrado pela For√ßa A√©rea gringa. Foi e √© um sistema militar. Sua disponibilidade p√ļblica, civil, o que significa que poderia ser usada mesmo pelo inimigo, foi oferecida inicialmente ent√£o com uma ressalva, que era a ‚ÄúSelective Availability‚ÄĚ.

Qualquer um poderia utilizar o sinal do GPS para localizar-se pelo globo, mas o sinal continha erros propositais variantes de at√© 100 metros. Isto tornaria seu GPS muito pouco √ļtil pela navegar pela cidade, com erros do tamanho de um quarteir√£o. Tamb√©m seriam menos √ļteis para combatentes inimigos. Receptores seletos, dispon√≠veis apenas aos militares americanos, eram capazes de compensar o erro no sinal, que era em verdade pr√©-definido de acordo com chaves reservadas, podendo assim contar com a melhor precis√£o dispon√≠vel pelo sistema.

Precis√£o esta que, no entanto, todos n√≥s podemos usufruir desde 1 de Maio de 2000, quando Bill Clinton ordenou que a ‚ÄúSelective Availability‚ÄĚ fosse efetivamente encerrada, com o erro introduzido sendo reduzido a zero. Por esta √©poca, j√° fazia mais de uma d√©cada que a Uni√£o Sovi√©tica havia se esfacelado, o GPS j√° estava sendo usado mesmo pela avi√£o civil americana, e, outro pequeno detalhe, os militares americanos haviam desenvolvido t√©cnicas para impedir que o sinal GPS seja usado em √°reas seletas pelo globo, tornando efetivamente desnecess√°rio tornar o sinal globalmente impreciso. Eles podem ‚Äúdeslig√°-lo‚ÄĚ nas em √°reas determinadas quando desejarem.

Se Orsi o lembrou de sinais a um bilh√£o de anos-luz de certa forma determinando a posi√ß√£o precisa da sua seta no GPS, 100nexos quer lembr√°-lo tamb√©m de como macacos pelados sempre podem encontrar usos terr√≠veis para algo √† primeira vista t√£o singelo quanto dizer ‚Äúvire √† direita para chegar ao seu destino‚ÄĚ. Complicados, esses humanos.

 

Pombos e Longitude

Antes do advento da tecnologia espacial ‚Äď e tantas outras tecnologias ‚Äď que permitiram o desenvolvimento do sistema GPS, localizar-se pelo planeta n√£o era mesmo tarefa f√°cil. Volte apenas algumas d√©cadas, e temos uma fant√°stica ilustra√ß√£o de como m√≠sseis inteligentes se guiavam antes do GPS, antes da miniaturiza√ß√£o de componentes eletr√īnicos: o famoso psic√≥logo behaviorista B.F. Skinner, famoso por treinar e experimentar com pombos, chegou a treinar e desenvolver pombos capazes de guiar m√≠sseis na Segunda Guerra.

Na imagem abaixo, um prot√≥tipo, os tr√™s recept√°culos s√£o espa√ßo reservado para tr√™s pombos sa√≠rem bicando o caminho do m√≠ssil em dire√ß√£o ao alvo atrav√©s de pequenas telas. Usariam tr√™s pombos para que, combinados, o erro fosse menor. Era o ‚ÄúProjeto Pomba‚ÄĚ. E n√£o, esta n√£o √© uma piada.

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Mísseis guiados por pombos. Só não seriam algo pior do que mísseis guiados por seres humanos, como os Kamikazes japoneses. Um sistema GPS fez muita falta.

Voltemos mais alguns s√©culos, e o problema de localizar-se pelo mar durante a era das Grandes Navega√ß√Ķes, da expans√£o mercantil, era ainda mais vital. N√£o apenas em guerras, mas simplesmente para cruzar os oceanos pacificamente, incont√°veis vidas foram perdidas em navios deparando-se inesperadamente com terra, ou andando em c√≠rculos no mar.

Pois bem, com seus primitivos instrumentos, a bordo de navios sacolejando, marinheiros podiam determinar com alguma precisão a sua latitude, isto é, quanto ao norte ou sul estavam. Bastava uma olhada na elevação das estrelas, do Sol. Grosso modo, no equador o Sol estaria a pino, próximo dos pólos, estará baixo no horizonte.

grid

O problema maior, muito maior, er
a descobrir a longitude. Um problema que levou s√©culos para ser solucionado, e pode ser considerado sem exagero um dos mais importantes problemas cient√≠ficos do s√©culo XVIII. √Č simples entender a dificuldade: a Terra est√° girando. N√£o bastam observa√ß√Ķes astron√īmicas simples como as da latitude. A longitude n√£o √© medida como a dist√Ęncia ao equador ou aos p√≥los, e sim como a dist√Ęncia ao meridiano zero que passa pelo Observat√≥rio de Greenwich, Inglaterra. Algo um tanto arbitr√°rio, mas h√° um motivo para isso.

Quem finalmente solucionou o problema da longitude foi um ingl√™s, foi John Harrison. Um relojoeiro auto-didata que dedicou praticamente toda sua vida a solucionar o problema da longitude, ao qual o Parlamento Brit√Ęnico ofereceu um pr√™mio de milh√Ķes ‚Äď e que Harrison, apesar de t√™-lo solucionado, acabou nunca ganhando oficialmente. √Č uma biografia das mais incr√≠veis na hist√≥ria da tecnologia, incluindo Isaac Newton declarando que a id√©ia de Harrison jamais teria frutos, e momentos de grande tens√£o e expectativa enquanto as tentativas de Harrison eram testadas.

A leitura imperd√≠vel sobre a hist√≥ria do problema da longitude e os percal√ßos e a vit√≥ria de John Harrison √© o livro ‚ÄúLongitude‚ÄĚ, de Dava Sobel, que dramatiza levemente as aventuras, que s√£o contudo em sua ess√™ncia completamente reais. A hist√≥ria de Harrison tamb√©m foi dramatizada em um seriado hom√īnimo, ‚ÄúLongitude‚ÄĚ, e em um document√°rio da PBS americana, ‚ÄúLost at Sea: The Search for Longitude‚ÄĚ, todos fascinantes.

Aos interessados pelos feitos t√©cnicos de Harrison, confira suas inven√ß√Ķes como o ‚Äúescape gafanhoto‚ÄĚ ou o simples e engenhoso p√™ndulo Gridiron, combinando metais diferentes para que a dilata√ß√£o por calor n√£o afetasse o comprimento final do conjunto. Harrison tamb√©m utilizou inova√ß√Ķes como rolamentos em seus mecanismos em busca da m√°xima precis√£o na medida do tempo.

Porque Harrison solucionou o problema da longitude com um rel√≥gio. Ou melhor, v√°rios rel√≥gios. V√°rios dos mais precisos rel√≥gios j√° constru√≠dos at√© ent√£o, com uma precis√£o de fra√ß√Ķes de segundo ao dia, mesmo em condi√ß√Ķes adversas a bordo de navios cruzando os tr√≥picos. De posse de um rel√≥gio preciso, bastaria comparar a hora local com aquela de um meridiano conhecido, geralmente Greenwich, para descobrir sua longitude.

Sabemos, por exemplo, que quando aqui é meio-dia, no Japão, nosso antípoda, é meia-noite do dia seguinte. São doze horas de diferença. O inverso também vale: caso não soubéssemos em que longitude estamos, e descobríssemos que nossa hora local difere doze horas daquela no Japão, saberíamos que estamos do outro lado do planeta em relação ao Japão. Saberíamos nossa longitude, saberíamos nossa posição, usando um relógio. A Terra girar se tornava finalmente algo a favor da medida de longitude.

 

Espaço-Tempo

Definir nossa posição no espaço através do registro preciso do tempo. Como o sistema GPS viria a demonstrar de vez, testando e aplicando mesmo a Teoria da Relatividade, estes dois conceitos fundamentais estão intrinsecamente relacionados. Não é um mero recurso adicional pedido pelo cliente que todos aparelhos receptores de GPS também registrem horário. O registro da hora com precisão absurda continua sendo, como era com os relógios de Harrison, algo fundamental para localizá-lo pelo planeta.

A rela√ß√£o intr√≠nseca entre espa√ßo e tempo se traduz na constante fundamental da velocidade da luz, a raz√£o absoluta e imut√°vel da dist√Ęncia percorrida por um f√≥ton em um determinado per√≠odo de tempo. Id√©ias das mais revolucion√°rias e fundamentais √† f√≠sica moderna, aplicadas em uma m√°quina em seu bolso, para uma precis√£o de metros, que foi contudo inicialmente disponibilizada com uma imprecis√£o deliberada para que macacos pelados n√£o a usassem contra os macacos pelados que criaram tal tecnologia.

Finalmente, há dez anos, completados este mês, nós podemos usufruir de toda esta tecnologia, de toda esta ciência, de toda esta história para Twittar nossa latitude… e longitude.

Manadas de Homo Sapiens

wittegigantes

Como seriam homens gigantes? Em ‚ÄúAtaque dos Salgadinhos Gigantes‚ÄĚ citamos o ensaio pioneiro de JBS Haldane sobre o tamanho dos animais, e como um homem simplesmente dez vezes maior, sem nenhuma altera√ß√£o em sua forma, fraturaria os ossos a cada passo. ‚ÄúUma grande mudan√ßa em tamanho inevitavelmente leva a uma mudan√ßa na forma‚ÄĚ, observava o bi√≥logo. Como seria esta mudan√ßa em um homem gigantesco?

O professor de arte e artista gr√°fico Gerson Witte inspirou-se pela ideia e a ilustrou de maneira fabulosa acima. Explica:

“Penso que, para andar, poderiam apenas caso tivessem pernas e braços muito grossos, apoiando-se sobre os nós dos dedos como os gorilas, consequentemente, as pernas teriam que ser menores e adaptadas a receber o peso.

Sua pele teria que ser muito grossa, com uma melanina muito acentuada para receber os raios solares, afinal, teriam poucos lugares para se esconder. Teriam poucos pelos, para poder usar a transpiração para regular o calor, mas isso levaria a este grupo a jamais sair de perto de fontes abundantes de água.

Estes representantes megahomin√≠deos teriam um grande problema de alimenta√ß√£o, porque seriam p√©ssimos ca√ßadores, por serem vistos √† dist√Ęncia, mas mesmo assim, n√£o fiz altera√ß√Ķes de forma para um homem vegetariano somente. Penso que teria uma barriga muito dilatada para poder abrigar um imenso intestino, ou seja, seriam mais parecidos com pandas.

No todo, pensando num humano gigante vivendo em manadas em grandes savanas, nada me tira da cabe√ßa que se pareceriam completamente com elefantes. Mas seria uma cena interessante, manadas de homens-elefantes pastando no entardecer…‚ÄĚ

Estendendo-se nesta explora√ß√£o puramente fict√≠cia do homem gigante como similar a um elefante, √© curioso notar as adapta√ß√Ķes de nossos conhecidos paquidermes gigantes √†s suas dimens√Ķes.

Devido √† rela√ß√£o desfavor√°vel de seu peso e a resist√™ncia dos ossos, mesmo com todas suas adapta√ß√Ķes, elefantes n√£o podem sair saltitando por a√≠. Pode-se pensar que a incapacidade de saltitar n√£o seria afinal um enorme problema, contudo ela leva √† impossibilidade de correr. A defini√ß√£o de corrida para animais terrestres envolve que o animal fique em algum ponto com todos os p√©s no ar, ao contr√°rio da caminhada, em que sempre h√° um p√© em contato com o ch√£o.

Esta definição leva ao peculiar rebolado da marcha atlética, por exemplo.

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Elefantes podem se locomover rapidamente. Mas se mantiverem sempre pelo menos um dos p√©s no ch√£o, seria apenas uma esp√©cie de ‚Äúmarcha atl√©tica‚ÄĚ, e n√£o uma corrida. Incrivelmente, em pleno terceiro mil√™nio, ainda n√£o se formou um consenso claro sobre se elefantes conseguem de fato correr. Os √ļltimos estudos indicam que de fato nunca saem da caminhada, ainda que r√°pida, sempre mantendo um p√© em contato com o ch√£o.

Manadas de homens gigantes, assim, seriam diferentes de nós não apenas na forma, como em tantos outros aspectos, incluindo uma simples corrida. E eu nunca achei a marcha atlética muito elegante, lembra Monty Python.

[Com agradecimentos a Gerson Witte pela colaboração!]

CeticismoAberto hoje no Programa do J√ī

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Hoje mesmo, com previs√£o para ir ao ar a partir das 00h40min na Globo, o respons√°vel por CeticismoAberto, Kentaro Mori, o doido que tamb√©m escreve aqui em 100nexos, √© o entrevistado do programa do J√ī! N√£o percam, foram dois blocos onde conversamos sobre discos voadores, abdu√ß√Ķes, Projeto Filad√©lfia, c√≠rculos ingleses e muito mais!

J√ī comandou os assuntos com muita irrever√™ncia, e embarcamos no estilo do c√©tico Martin Gardner que comenta como ‚Äúuma boa gargalhada vale mais que dez mil silogismos‚ÄĚ com algumas das mais tresloucadas hist√≥rias do ins√≥lito. Mas tamb√©m buscamos alguns coment√°rios mais s√©rios, e quem desejar an√°lises longas, profundas mas talvez n√£o t√£o engra√ßadas, sempre pode acessar o pr√≥prio CeticismoAberto.com, o espa√ßo para a an√°lise cr√≠tica de ufologia e paranormal sem ofender sua intelig√™ncia.

Atualizarei este post com os v√≠deos da participa√ß√£o assim que forem disponibilizados pela Globo.com e no Youtube. Caso goste da entrevista, n√£o deixe de enviar sua manifesta√ß√£o ao pessoal do programa! Caso n√£o goste, n√£o hesite em me enviar suas cr√≠ticas, reclama√ß√Ķes e xinga√ß√Ķes.

Atualiza√ß√£o: Confira abaixo a entrevista dispon√≠vel na Globo.com, seguida de links com maiores informa√ß√Ķes sobre os temas tratados.

A entrevista também está no Youtube, em quatro partes: Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4.

Antes de mais nada, o livro de Carl Sagan indicado √© ‚ÄúO Mundo Assombrado pelos Dem√īnios ‚Äď a ci√™ncia vista como uma vela no escuro‚ÄĚ.

Os assuntos, em ordem:

OVNIs: Antes de serem Extraterrestres, eram Nazistas, e o extenso dossiê de Kevin McClure sobre o tema em O Mito dos UFOs Nazistas.

Eram os Deuses Astronautas? H√° dezenas de artigos com a tag ‚Äúdeuses astronautas‚ÄĚ (clique para conferir). Em particular, como mencionado, confira Uma Assinatura na Grande Pir√Ęmide?

Notas sobre a Vis√£o de Ezequiel, complementado por Era a Bruxa Malvada uma Astronauta?

РDicas sobre como registrar seu avistamento em Investigação OVNI, do pesquisador espanhol Vicente-Juan Ballester Olmos.

РO caso da abdução de Antonio Villas-Boas. O link é uma descrição séria do relato, estamos devendo um texto a respeito em CeticismoAberto. Cláudio Suenaga revisitou o caso recentemente, bem como Martin Kottmeyer, e há vários novos detalhes à história e seu contexto e serem melhor divulgados.

– O livro ‚ÄúA Desconstru√ß√£o de um Mito‚ÄĚ, dos uf√≥logos Ubirajara Rodrigues e Carlos Reis.

– O caso do implante alien√≠gena no p√™nis. Outro caso em que ainda ficamos devendo uma cobertura em portugu√™s em CeticismoAberto, mas o caso √© mencionado rapidamente em ‚ÄúO Mundo Assombrado‚ÄĚ de Sagan aos mais ansiosos por mais detalhes. O suposto abduzido √© Richard Price, e um artigo do mesmo Sagan dispon√≠vel online, em ingl√™s, tamb√©m o cita de passagem. O pr√≥prio Roger Leir, um podiatra dos mais destacados em explorar supostos implantes extraterrestres, diz que o caso de Price √© um dos ‚Äúmais not√°veis‚ÄĚ, sem explicar que a an√°lise sugeria ser composto de fibras de algod√£o.

– A evolu√ß√£o do fen√īmeno OVNI de acordo com aspectos culturais, de moda, √© a pr√≥pria Hip√≥tese Psicossocial. O historiador mencionado √© Rodolpho Gauthier, que desenvolveu sua tese sobre o tema. Parte de seus achados, incluindo o detalhe de ‚Äúdiscos voadores‚ÄĚ serem promovidos inicialmente no pa√≠s como com o tamanho de discos de vitrola foram publicados em artigo recente da revista de Hist√≥ria da Biblioteca Nacional. Kottmeyer tamb√©m discorre sobre a metamorfoso constante do fen√īmeno OVNI em Um Fen√īmeno Pl√°stico.

– Sobre a explora√ß√£o irrespons√°vel que supostos ‚Äúuf√≥logos‚ÄĚ fazem de indiv√≠duos contando fantasias, em nome do sensacionalismo, temos o ensaio de Aaron Sakulich em A Triste Hist√≥ria de Jeff. O caso que ele menciona √© o do pr√≥prio Richard Price, citado anteriormente.

– As sondas anais (ou rectais) s√£o tema comum na literatura ufol√≥gica sobre abdu√ß√Ķes. O pr√≥prio Whitley Strieber, famoso autor de Comunh√£o, diz ter recebido uma sonda e refer√™ncia ao suposto procedimento foi inclu√≠da mesmo na vers√£o em filme de Comunh√£o de 1989.

– Sobre o Caso Varginha, a refer√™ncia √© o livro ‚ÄúO Caso Varginha‚ÄĚ, de Ubirajara Rodrigues. Ao final da obra, Rodrigues deixa claro que embora favore√ßa a hip√≥tese extraterrestre e que eventos inusitados tenham ocorrido, n√£o pode concluir nada uma vez que toda a evid√™ncia dispon√≠vel s√£o testemunhos. O livro inclui todos os principais relatos, bem como ilustra√ß√Ķes feitas pelas testemunhas iniciais, as garotas, do que teriam visto.

Roswell: Avaliando o mito.

– A prop√≥sito da origem do termo ‚Äúdisco voador‚ÄĚ, Redondamente Errados.

– O filme da Aut√≥psia Alien, Santilli confessa: Aut√≥psia Alien foi uma fraude. Posteriormente tamb√©m foi lan√ßada a com√©dia comentada, Aut√≥psia Alien (2006) ‚Äď O Filme.

O Experimento Filadélfia: História e Mito. E também, Codinome Carlos Allende.

C√≠rculos ingleses. Confira a hist√≥ria dos dois velhinhos, esclarecimentos sobre o panfleto medieval do ‚Äúdem√īnio ceifador‚ÄĚ, como se pode criar tais obras, e a cria√ß√£o do maior c√≠rculo em planta√ß√£o j√° registrado.

– A primeira foto indicada, o Caso Barra da Tijuca.

– A segunda foto, o OVNI ‚ÄúNota 10‚ÄĚ.

O que √© a ‚Äú√Ārea 51‚ÄĚ?

E… isso é tudo, pessoal!

Foi uma enorme variedade de assuntos abordados em meia hora, motivo pelo qual os temas podem ter passado muito rapidamente, mas s√≥ temos a agradecer ao Programa do J√ī pelo espa√ßo e todo o apoio que compensou um pouco do nervosismo deste que tentou apresentar um pouco do lado cr√≠tico a tantos temas.

Recebemos j√° v√°rias cr√≠ticas dos que n√£o apreciaram como muitos casos foram motivo de risada, mas como espero que fique claro com a indica√ß√£o das informa√ß√Ķes acima, tais casos n√£o foram de forma alguma at√≠picos, bizarrices selecionadas apenas para chocar. S√£o, pelo contr√°rio, parte destacada da ufologia promovida ‚Äúmuito a s√©rio‚ÄĚ pelos que acreditam em tais temas. Que sejam motivo de riso pelo p√ļblico indica que s√£o mesmo hist√≥rias pouco cr√≠veis.

Ainda assim, buscou-se também lembrar que há muito de inexplicado no mundo, ainda que o inexplicado não seja necessariamente inexplicável.

Ataque dos salgadinhos gigantes

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O que um Cheetos gigante, insetos afogados, cavalos explodindo, cabe√ßas decepadas e JBS Haldane t√™m em comum? √Č f√≠sica, √© matem√°tica, √© biologia em mais uma s√©rie de nexos para nosso blog.

Em mais um lan√ßamento para o mercado americano destinado ao futuro de Wall-E, a Frito-Lay come√ßou a vender o Giant Cheetos, que como o nome diz, √© um salgadinho gigante, do tamanho de uma pequena bola de golfe. ‚ÄúO dobro do tamanho, o dobro do sabor‚ÄĚ. Ou n√£o.

Eis que um blog fabuloso que leio, mas destinado a adultos primariamente do sexo masculino pela exibição de imagens de indivíduos do sexo feminino com poucas ou nenhuma vestimenta, vulgo mulher pelada, Greenshines [link para maiores de 18 anos!], publica um excelente texto lembrando que em uma primeira análise a propaganda da junk food é enganosa.

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Dobre o tamanho de um objeto tridimensional, e o que você dobrará será a rigor apenas o tamanho. A área de superfície do objeto irá quadruplicar, seu volume crescerá oito vezes. Para isso, basta lembrar da geometria: dobre o lado l de um cubo para 2l, e a área de sua superfície aumentará o quadrado desta duplicação, ou quatro vezes, enquanto o volume aumentará ao cubo, oito vezes.

O dobro do tamanho, quatro vezes a superfície, oito vezes o volume. Como isso afeta o sabor?

Uma análise preliminar de um Cheetos, evidenciada tanto pela degustação quanto pelo fato de que costumamos lamber os dedos todos melecados, mostra que o sabor do salgadinho está principalmente no tempero que recobre sua superfície. O interior tem consistência e mesmo sabor de isopor. Nunca comi isopor, e espero que você também, mas podemos imaginar qual seja o gosto de isopor.

Seja como for, conclu√≠mos: Dobre o tamanho, e voc√™ multiplicar√° por quatro vezes a superf√≠cie coberta com o tempero, mas por oito o volume de isopor ins√≠pido. O resultado? A metade do sabor. ‚ÄúGiant Cheetos, o dobro do tamanho com a metade do sabor pelo mesmo pre√ßo!‚ÄĚ n√£o parece um slogan de muito sucesso.

Israel de Greenshines diz ter experimentado a novidade e confirma que o gosto, a textura e tudo o mais seriam terr√≠veis, mas este autor por sua vez cogita que a Frito-Lay deva entender algo de f√≠sica, ou pelo menos, possa ter testado a novidade antes de lan√ß√°-la e talvez tenha compensado a dilui√ß√£o do sabor seja aumentando a concentra√ß√£o do sabor na superf√≠cie ‚Äď h√° alguns relatos de que o salgadinho gigante parece sim mais salgado, e √© vendido tamb√©m na vers√£o picante ‚Äď seja tamb√©m modificando algo da f√≥rmula da massa no interior.

F√≠sica e matem√°tica, ‚Äú√© imposs√≠vel comer um s√≥‚ÄĚ.

 

Insetos afogados, Cavalos explodindo

Não são apenas empresas de salgadinhos que enfrentam problemas para encontrar o tamanho certo de suas guloseimas de isopor condimentado. Estes pequenos detalhes geométricos que sustentam toda a física do mundo em que vivemos não escapam a ninguém, nem mesmo do próprio Universo, da própria natureza.

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Em 1926, o bi√≥logo JBS Haldane, escreveu um ensaio fabuloso e pioneiro lembrando da rela√ß√£o simples da geometria com as implica√ß√Ķes bem mais complexas no mundo da biologia. Em ‚ÄúOn Being the Right Size‚ÄĚ, ou algo como ‚ÄúSobre ter o Tamanho Certo‚ÄĚ, Haldane lamentou como ‚Äúas diferen√ßas mais √≥bvias entre diferentes animais s√£o as diferen√ßas de tamanho, mas por alguma raz√£o os zoologistas prestaram pouca aten√ß√£o a elas. Em um longo livro sobre zoologia √† minha frente n√£o encontro indica√ß√£o de que a √°guia √© maior que o pardal, ou que o hipop√≥tamo √© maior que a lebre, embora alguns coment√°rios de m√° vontade sejam feitos a respeito no caso do rato e da baleia‚ÄĚ. √Č um ensaio imperd√≠vel, algu√©m deveria traduzi-lo ao portugu√™s.

Haldane continua: ‚ÄúNo entanto √© f√°cil mostrar que uma lebre n√£o poderia ser t√£o grande quanto um hipop√≥tamo ou uma baleia t√£o pequena quanto um peixinho. Uma vez que para cada tipo de animal h√° um tamanho mais conveniente, e uma grande mudan√ßa em tamanho inevitavelmente leva a uma mudan√ßa na forma‚ÄĚ.

O bi√≥logo ent√£o lembra da geometria, e como um homem gigante com 18 metros de altura, isto √©, dez vezes o tamanho m√©dio de um homem, teria contudo um peso mil vezes maior ‚Äď dez elevado ao cubo. Uma se√ß√£o transversal de seus ossos, contudo, teria apenas cem vezes a superf√≠cie, o que significa que dever√° suportar dez vezes mais peso por cent√≠metro quadrado. ‚ÄúComo um f√™mur quebra quando submetido a dez vezes o peso humano, [o gigante] quebraria seus ossos toda vez que desse um passo. Esta √© sem d√ļvida a raz√£o pela qual estava sentado na ilustra√ß√£o de que me lembro‚ÄĚ.

Ele vai al√©m nas implica√ß√Ķes das diferen√ßas de tamanho. ‚ÄúA gravidade, mero inc√īmodo [ao homem comum], era um terror [ao gigante]. Ao camundongo e qualquer animal menor, n√£o representa praticamente nenhum perigo. Voc√™ pode jogar um camundongo do topo de uma mina profunda, e quando ele chegar ao fundo ele se sacudir√° e sair√° andando, contanto que o ch√£o seja razoavelmente macio. Uma ratazana √© morta, um homem acaba quebrado, um cavalo explode. Isto ocorre porque a resist√™ncia apresentada pelo movimento do ar √©  proporcional √† superf√≠cie do objeto em movimento‚ÄĚ.

‚ÄúUm inseto, assim, n√£o tem medo da gravidade, ele pode cair sem perigo, e pode escalar ao teto sem qualquer problema. (‚Ķ) Mas h√° uma for√ßa que √© t√£o formid√°vel ao inseto quanto a gravidade √© a um mam√≠fera. Ela √© a tens√£o superficial. Um homem saindo de um banho carrega consigo um fino filme de √°gua com fra√ß√Ķes de mil√≠metro de espessura. Ele pesa ao redor de meio quilograma. Um rato molhado precisa carregar seu pr√≥prio peso em √°gua. Uma mosca molhada precisa levantar v√°rias vezes seu pr√≥prio peso, e como todos sabem, uma mosca uma vez molhada em √°gua ou qualquer outro l√≠quido est√° em uma posi√ß√£o muito s√©ria‚ÄĚ.

 

Democracia e Cabeças Decepadas

O
ensaio segue abordando quest√Ķes de circula√ß√£o sangu√≠nea em animais maiores, absor√ß√£o de oxig√™nio em plantas e ao final, o que o torna ainda mais fabuloso, termina em dois par√°grafos sobre como ‚Äúassim como h√° o melhor tamanho para cada animal, tamb√©m h√° para cada institui√ß√£o humana‚ÄĚ. A democracia grega funcionava para grupos pequenos, e a inven√ß√£o do governo representativo tornou uma grande na√ß√£o democr√°tica poss√≠vel. ‚ÄúCom o desenvolvimento da m√≠dia em massa tornou-se novamente poss√≠vel a cada cidad√£o ouvir as vis√Ķes pol√≠ticas de seus oradores representativos, e o futuro pode ver o retorno do estado nacional da forma grega de democracia‚ÄĚ, especula Haldane. Um ensaio, relembrando, publicado h√° quase um s√©culo.

Dos salgadinhos gigantes com gosto de isopor a humanos gigantes, cavalos explodindo e insetos afogados, há ainda outro nexo que não poderia faltar. Quer ver o próprio Haldane em um filme?

Confira ‚ÄúExperimentos na Ressuscita√ß√£o de Organismos‚ÄĚ. Sim, esse √© o t√≠tulo do filme que trata exatamente do que descreve: experimentos sovi√©ticos para manter vivas cabe√ßas de cachorro decepadas. A apresenta√ß√£o e narra√ß√£o √© do bom e velho JBS Haldane.

Lembre disso no próximo Cheetos.

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