Uma noite estrelada no Brasil

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“Explica√ß√£o: Esta imagem panor√Ęmica tra√ßando constela√ß√Ķes no c√©u austral exibe uma bonita vis√£o em dire√ß√£o ao centro de nossa Gal√°xia Via L√°ctea. Ela foi registrada no m√™s passado perto da cidade de Campos no nordeste do estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Um campo de cana de a√ß√ļcar de uma das fazendas hist√≥ricas da regi√£o pode ser vista no primeiro plano. Da esquerda para a direita, a vista varre atrav√©s do Centro Gal√°ctico em Sagit√°rio (Sagittarius), estrelas brilhantes na cauda de Escorpi√£o (Scorpius), o P√≥lo Sul Celestial (South Celestial Pole) acima e √† direita da lacuna na planta√ß√£o de cana, a escura Nebulosa Saco de Carv√£o (Coalsack Nebula), e o Cruzeiro do Sul (Southern Cross). O sistema estelar mais pr√≥ximo, Alpha Centauri, e o aglomerado de estrelas gigante √Ēmega Centauri tamb√©m cintilam no c√©u estrelado”.

Imagem Astron√īmica do Dia 09/05/09, Cr√©ditos e direitos autorais : Babak Tafreshi (TWAN)

Mais imagens astron√īmicas do iraniano Tafreshi na galeria em TWAN. E astronomia no ScienceBlogs Brasil no Big Bang Blog.

Livros a 10 reais

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O Submarino está com uma promoção com 10.000 livros por apenas R$10,00. A qualidade varia bastante, mas há títulos simpáticos como O Laboratório dos Venenos, A Lição Final ou Em Busca do Mundo Maia. [via Treta]

Pedalternorotandomovens Centroculatus Articulosus

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“O Pedalternorotandomovens Centroculatus Articulosus foi criado (generatiospontanea!) a partir da insatisfa√ß√£o com o fato de que na natureza n√£o h√° criaturas em forma de roda capazes de se mover rolando. A criatura mostrada aqui, conhecida popularmente como ‘Enrolado’ [Wentelteefje] √© uma tentativa de preencher esta necessidade profundamente sentida. Suas caracter√≠sticas biol√≥gicas s√£o incertas: seria um mam√≠fero, um r√©ptil ou um inseto? Ele tem um corpo alongado consistindo de placas articuladas com chifres e tr√™s pares de pernas, que terminam em p√©s similares aos p√©s humanos. No meio da cabe√ßa arredondada e gorda, que tem um bico bem curvado, h√° dois olhos protuberantes, fixos em hastes e estendendo-se de cada lado da cabe√ßa. Quando est√° desenrolada, a criatura √© capaz de se mover em qualquer substrato vagarosa e cuidadosamente, usando suas seis pernas (se necess√°rio, ela pode subir e descer escadas, penetrar mata densa ou escalar rochas). No entanto, assim que precisa viajar qualquer dist√Ęncia em um caminho relativamente livre, ela empurra sua cabe√ßa para baixo, enrola-se t√£o r√°pido quanto um raio, embalando-se com seus p√©s, se estes ainda estiverem tocando o ch√£o. Quando est√° enrolada ela tem a apar√™ncia de um disco, no qual o piv√ī central √© formado pelos olhos nas hastes. Ao impulsionar-se sucessivamente com cada um de seus tr√™s pares de pernas, a criatura pode atingir uma alta velocidade. Enquanto rola, ela pode retrair suas pernas o quanto desejar (por exemplo, ao descer uma ladeira) e assim rolar livremente. Quando necess√°rio, √© capaz de voltar √† posi√ß√£o para andar de duas formas: seja abruptamente ao estender seu corpo de forma repentina, mas ent√£o ela acaba com as pernas para o ar, ou gradualmente ao reduzir sua velocidade (usando suas pernas como freio) e lentamente se desenrolando de volta enquanto para”.

De M.C. Escher, litografia de novembro de 1951

Mal sabia Escher que a natureza j√° havia criado seu Pedalternorotandomovens Centroculatus Articulosus. Sem “generatiospontanea”, como fruto da sempre surpreendente evolu√ß√£o. E v√°rias vezes. Read on para descobrir como a natureza inventou a roda.

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Novo blog: Reblogado.com

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O 100nexos come√ßou no final de 2006 com a id√©ia de uma s√©rie de conex√Ķes inspiradas por James Burke – e a inten√ß√£o era criar uma s√©rie de v√≠deos! -, mas logo se tornou um blog pessoal deste autor, com direito a uma categoria sem fins mais nobres do que publicar fotos de mulheres bonitas para atrair visitantes, as Curvas de Galois.

Com a mudança para o Lablogatórios e então para este ScienceBlogs Brasil, o perfil do blog mudou novamente, e se tornou mais sério Рou menos descomprometido Рembora a idéia seja que ainda permaneça divertido (HA Ha ha).

Tudo isso para contar que criei um novo blog, com “posts que n√£o lidam com ci√™ncia ou o ins√≥lito”. As Curvas de Galois devem continuar por l√°, ent√£o visite:

Reblogado.com

Dos v√°rios blogs e s√≠tios que mantenho, o Reblogado deve ter a menor prioridade… mas ent√£o, ser√° o destino final aos posts simplesmente repassados. Talvez tenha futuro, ainda mais se voc√™ assinar o feed.

Gripe su√≠na: “Vamos todos morrer” (Li√ß√Ķes de 1976)

Atenção: foi confirmado que um recruta do exército americano de apenas 19 anos, David Lewis, faleceu menos de 24 horas depois de sentir-se cansado e fraco. Pior, ele não se sentia gravemente doente Рnão achou necessário procurar os médicos ou deixar de participar de um exercício. A rapidez com que padeceu é assustadora, e a causa da morte foi confirmada como a gripe suína. Outros membros da tropa também foram contaminados e adoeceram.

Detalhe: Isso ocorreu em fevereiro de 1976, h√° mais de trinta anos, quando irrompeu um surto de gripe su√≠na nos EUA. O epis√≥dio √© extremamente relevante nesta imin√™ncia da pandemia de gripe A(H1N1), e o tenebroso comercial que voc√™ confere acima √© bem real, parte de uma das primeiras incurs√Ķes de governos na televis√£o para a conscientiza√ß√£o de um problema urgente de sa√ļde p√ļblica. Hoje vemos claramente, um tanto question√°vel.

Mas propagandas de terror n√£o foram o pior que ocorreu ent√£o. Como √© o tema da pr√≥pria propaganda televisiva, em 1976 o ent√£o presidente americano Gerald Ford determinou a vacina√ß√£o em massa de toda a popula√ß√£o como forma de conter a doen√ßa, temendo que “o v√≠rus de 1918 houvesse retornado”.

√Č uma decis√£o discutida at√© hoje, porque ao final, a √ļnica morte devido √† gripe su√≠na no surto de 1976 foi a do recruta Lewis. Por outro lado, pelo menos 25 pessoas faleceram por complica√ß√Ķes causadas pela pr√≥pria vacina. Apenas 200 pessoas foram infectadas, sendo Lewis a √ļnica v√≠tima fatal, mas dos 40 milh√Ķes de americanos vacinados (o programa foi interrompido), 25 faleceram devido a uma s√≠ndrome provocada pela vacina. Dito simplesmente, a vacina matou mais do que a doen√ßa. Leia mais na Folha: EUA viveram surto de gripe su√≠na em 1976; vacina gerou mortes.

Antes de jurar nunca tomar uma vacina ou evitar todas as recomenda√ß√Ķes do governo, no entanto, tome alguns minutos para conhecer ou lembrar um pouco melhor o que ocorreu h√° trinta anos e como isso √© relevante hoje.

De volta ao futuro

Voltemos a 2009. Nos pr√≥ximos meses, h√° fortes indica√ß√Ķes que a pandemia de gripe su√≠na estar√° estabelecida, e vacinas devem ser disponibilizadas. A OMS far√° recomenda√ß√Ķes e governos discutir√£o quais, se e como aplic√°-las em grande escala em seus pa√≠ses, o que ainda deve depender de qu√£o grave realmente √© o v√≠rus com que nos deparamos. E, com certeza, ouviremos falar muito mais sobre o epis√≥dio de 1976.

Considerando como hoje mesmo vacinas de seguran√ßa e efic√°cia estabelecidas ainda s√£o evitadas por pessoas que acreditam que seriam apenas conspira√ß√Ķes malignas da ind√ļstria farmac√™utica, a pol√™mica atual de usar ou n√£o m√°scaras ou viajar ou n√£o √© apenas um an√ļncio do que est√° por vir. Ou melhor, se repetir. Mesmo em 1976 o programa de vacina√ß√£o americano, at√© ent√£o sem precedentes e at√© hoje um dos maiores j√° promovidos, foi assolado por muitos problemas e discuss√Ķes.

N√£o pretendo me antecipar muito √† discuss√£o que deve vir; ela deve ser muito positiva e contar√° com dados mais completos dos que dispomos agora, bem como ser√° promovida por figuras bem mais qualificadas que o autor que escreve aqui. Mas desde j√° dispomos de alguns dados, e este autor pode oferecer algum coment√°rio que talvez seja √ļtil.

Antes de mais nada, nesta que deve ser uma pandemia mais do que anunciada j√° houve mais de uma morte confirmada. No momento em que escrevo, 3 de maio, segundo a OMS j√° ter√≠amos 17 mortes entre +600 infectados confirmados em todo o mundo. Isto √©, h√° pouca d√ļvida de que a situa√ß√£o hoje √© comprovadamente mais grave e preocupante do que o surto de 1976 nos EUA.

E ent√£o, a quest√£o que pode valer milh√Ķes de vidas (ou n√£o): a decis√£o de vacinar toda a popula√ß√£o americana foi um erro? Em retrospecto, √© evidente que foi, mas aqui est√° o que penso ser a li√ß√£o mais importante de todas. No contexto da situa√ß√£o, pode-se argumentar que apesar de ultimamente errada, a decis√£o fora acertada. Confuso? Bem, acompanhe o pronunciamento feito pelo presidente Ford na √©poca:

“Fui aconselhado de que h√° uma possibilidade muito real de que, a menos que tomemos medidas contr√°rias efetivas, poder√° haver uma epidemia desta perigosa doen√ßa no pr√≥ximo outono e inverno aqui nos Estados Unidos. Deixe-me declarar claramente neste momento: Ningu√©m sabe exatamente qu√£o s√©ria esta amea√ßa pode ser. Ainda assim, n√£o podemos apostar com a sa√ļde de nossa na√ß√£o. Desta forma, anuncio hoje as seguintes a√ß√Ķes … a produ√ß√£o de vacina suficiente para inocular todo homem, mulher e crian√ßa nos Estados Unidos…”

Se o governo iria errar, erraria pelo excesso de precau√ß√£o. Como depois se constatou, de fato a vacina√ß√£o fora desnecess√°ria e a medida um erro, mas foi a “a√ß√£o errada pelos motivos certos“. Trinta anos depois √© f√°cil condenar a decis√£o de Gerald Ford e as ag√™ncias governamentais que o aconselharam, mas apenas porque tendemos a superestimar nossa capacidade de adivinhar algo depois que este algo j√° ocorreu.

Mesmo considerando 25 mortes, fato √© que 40 milh√Ķes de pessoas foram vacinadas na campanha de 1976. √Č mais prov√°vel morrer atingido por um raio, e muito mais prov√°vel morrer por uma gripe comum do que por causa de uma vacina, mesmo uma vacina como a aplicada ent√£o. As vacinas antigripais de hoje s√£o ainda mais seguras.

No momento, nos vemos na mesma situa√ß√£o onde “ningu√©m sabe qu√£o s√©ria esta [nova] amea√ßa pode ser”. E, como em 1976, poucos devem discordar que “n√£o podemos apostar com a sa√ļde de nossa na√ß√£o”. Embora isto n√£o seja motivo para abra√ßar qualquer medida dr√°stica, apenas para “fazer algo” (√†s vezes n√£o fazer algo √© fazer algo), e se decidir movido pelo p√Ęnico nunca deve ser positivo em nenhuma situa√ß√£o, tor√ßamos e tomemos a√ß√Ķes para que daqui a trinta anos possamos olhar para tr√°s e dizer que se erramos, erramos pelo excesso de precau√ß√£o, pela sorte de lidar com um v√≠rus menos perigoso do que o temido.

O outro cen√°rio de erro ao lidar com o surgimento de uma nova pandemia √© um que de certa forma j√° ocorreu. Como William Brandon da Universidade da Carolina do Norte nota (PDF), poucos anos depois do “fiasco” da vacina√ß√£o de 1976 uma nova quest√£o de sa√ļde p√ļblica foi descoberta. Em 1981 o Centro de Controle de Doen√ßas dos EUA publicava o primeiro estudo ligado ao que depois seria conhecido como AIDS. “Se o epis√≥dio da gripe su√≠na [de 1976] foi um caso de exagero face a uma doen√ßa infecciosa, a AIDS tem sido um registro lament√°vel de par√°lise ideol√≥gica e m√°-vontade federal em agir efetivamente”, conclui Brandon.

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Leia mais

O que você precisa saber sobre a gripe suína;

EUA viveram surto de gripe suína em 1976; vacina gerou mortes

Vírus, ciências e homens РResenha que inclui um breve comentário sobre o episódio de 1976;

1976: Fear of a great plague;

In the Age of Bioterrorism, an Affair to Remember: The Silver Anniversary of the Swine Flu Epidemic That Never Was (PDF).

Mantenha-se informado no portal do Minist√©rio da Sa√ļde e acompanhe a cobertura feita pelo ScienceBlogs Brasil.

Theo Jansen em sua casa

As esculturas cin√©ticas do holand√™s Theo Jansen, as “Strandbeest” ou “bestas da praia”, s√£o sua tentativa de criar uma “nova natureza”. Com ci√™ncia! Movidas apenas pelo vento, longe de apenas rolar, elas transformam a for√ßa motriz em uma s√©rie de movimentos complexos, atrav√©s de uma mir√≠ade de juntas e mecanismos. As “bestas” mais recentes de Jansen incluem mesmo sistemas pneum√°ticos, por onde as criaturas artificiais podem acumular um tanto de energia do vento como ar comprimido dentro de garrafas de limonada.

Se seu movimento parecer perturbadoramente biol√≥gico, talvez seja porque as bestas da praia evolu√≠ram como vida artificial. Combinando arte e ci√™ncia, o artista se vale de algoritmos gen√©ticos, deixando que as criaturas evoluam em um ambiente virtual em seu computador. Os projetos mais promissores de seu mundo virtual ganham “vida” real com tubos de conduite na praia. “It’s almost alive!”.

O projeto hipnotizante das criaturas de Jansen pode parecer complexo a princ√≠pio, mas uma olhada cuidadosa mostra que dificilmente poderiam ser mais simples para a tarefa que se prop√Ķem – ele diz ter “reinventado a roda”. Tanto que reprodu√ß√Ķes em menor escala dos mecanismos podem ser feitos como um rob√ī mais tradicional, movido por um motor (clique para o projeto):

O mais fabuloso no entanto foi encontrar este projeto feito de papel:

E uma animação do mecanismo:

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Jansen sonha criar uma s√©rie de criaturas, cada vez mais eficientes em se locomover com o vento, e um dia solt√°-las todas livremente na praia. Elas “viveriam” sozinhas, movimentando-se como gigantes mec√Ęnicos com o vento, armazenando energia quando necess√°rio, evitando ficarem presas na √°gua ou em bancos de areia. Talvez leve mais alguns milh√Ķes de anos, mas se for no tempo virtual de seu computador, isso pode equivaler a apenas mais alguns anos.

Pratique seu lado MacGyver

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“O cliente quer que voc√™ crie um mecanismo simples que colocado no interior desta caixa fa√ßa com que ela caia da mesa depois de algum tempo. A caixa tem 30 cent√≠metros no lado maior, sendo que 13 cent√≠metros ficam pra fora da mesa e 17 sobre a mesa. A caixa tem que cair sozinha, depois de algum tempo deixada l√°, sem a interfer√™ncia externa (direta ou indireta) de ningu√©m. Quer dizer, n√£o vale jogar algo na caixa nem fazer vento, por exemplo.

Todas as solu√ß√Ķes fact√≠veis ser√£o consideradas como acertos, as solu√ß√Ķes mais engenhosas ganhar√£o destaque, mas apenas a(s) mais barata(s) (menor custo total do projeto, estimado por mim) ser√°(√£o) considerada(s) como vitoriosa(s).

Voc√™ consegue bolar alguma coisa? Ent√£o utilize o formul√°rio para responder (ou clique aqui). Pode enviar as respostas quantas vezes quiser, mas apenas a √ļltima ser√° considerada”.

Mais detalhes e d√ļvidas (peso, dimens√Ķes da caixa, tempo…) na p√°gina do desafio. Envie sua id√©ia (consegue com um clipe?), eu ainda estou pensando na minha, dever√° ser divertido conferir as respostas de todos na semana que vem. E exercite seu lado Einstein semanalmente no Logica Mente, do amigo Ricardo Kossatz no Sedent√°rio&Hiperativo.

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