Pensamento de Segunda

Uma criança chega à beira de um lago profundo com sua mente preparada para maravilhar-se.

Edward Wilson

Por que o Lago Paranoá de repente se enche de plantas?

 

“Nada es más simple

No hay otra norma

Nada se pierde

Todo se tranforma”

(Jorge DrexlerTodo se Transforma)

 

Adoro crianças e suas perguntas. Uma vez escrevi que todo o mundo nasce cientista, somos nós adultos que assassinamos o espírito indagador das crianças reprimindo suas perguntas, assim, encomendei de uma amiga minha uma coletânea das melhores perguntas que o Víctor Gabriel, filho dela, fez e ficaram sem resposta na certeza de ser uma fonte inesgotável de bons posts. Desta forma, dou por inaugurada a série “Víctor Gabriel pergunta e o Tio Bessa se vira para responder”! A pergunta que intitula este post me foi enviada por ele.

Víctor, quando li a sua pergunta logo me lembrei do enunciado de Lavoisier musicado pelo Jorge Drexler no trecho que transcrevi acima. Na verdade o Einstein subverteu um pouco isto, mas para todos os efeitos em nossa realidade mais simples ele ainda vale. Nada vem do nada, matéria não surge do nada, oxigênio não surge do nada e nem plantas aquáticas. Tudo são peças de um grande quebra-cabeças, mesmo que não saibamos que peça está faltando. Veja se eu estou certo: O lago Paranoá é uma represa artificial no meio da cidade de Brasília feita para amenizar a baixa umidade do inverno candango. Há nele algumas plantas, mas vez por outra, especialmente assim que voltam as chuvas, essa população de plantas explode sem uma razão aparente. É isso?

Ok, não deveria ser tão esquisito assim. A grama volta a crescer, as árvores retomam suas folhas, tudo fica mais verde depois que as chuvas voltam. A água deveria explicar isso. O que parece não se encaixar é que são plantas que vivem na água, elas não estavam sofrendo com a seca. Por que então elas crescem mais? Vamos pensar na chuva, ela não leva apenas água. Repare que a chuva carrega consigo, depois que cai no chão, um monte de coisas como folhas, lixo, esgoto. Cientistas, que são pessoas que adoram inventar nomes estranhos dizendo que é para facilitar, chamam isto de lixiviação. Misture cocô de galinha, restos de comida e folhas com terra e deixe passar algum tempo. O que temos? Adubo! E se misturarmos os mesmos ingredientes à água? É adubo igual, mas adubo para plantas aquáticas! Novamente os cientistas inventores de nomes chamaram isso de hipereutrofização, mas no fundo é adubo mesmo. E adubo faz plantas crescerem, até os aguapés do lago Paranoá. O lixo e esgoto viram adubo que viram planta que enchem o lago, tudo se transforma. CQD!

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Búfalos no meio de um camalote, um banco de aguapés no pantanal. A eutrofização pode ser um processo natural!

 

Não se deixe enganar, porém. Aguapés são naturais, chuvas são naturais, transformar-se é natural. O que não é natural é ter tanto lixo e esgoto nas ruas para a chuva levar para o lago. Sei que o governo de Brasília já tentou vários projetos para melhorar as condições do nosso lago, algumas tentativas bem desastradas, outras boas. Mas se as pessoas não colaborarem jogando lixo e seus esgotos do jeito certo, não há governo que dê conta de despoluir o lago. Assim, as plantas que, de uma hora para outra, surgiram no lago podem ser consideradas um termômetro para mostrar quanta poluição existe naquela água.

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