Programa em Vitória – ES: Praça da Ciência

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Vim passar o reveillon em Vitória no Espirito Santo e aproveitei para rever um lugar ao qual tinha ido alguns anos atrás. A Praça da Ciência foi uma iniciativa da Secretaria de Educação de Vitória para divulgar a Ciência ao grande público. Para variar a física é a principal ciência trabalhada, tem um modelo em escala real do sistema solar, um relógio solar (Pena que aqui está sem nadinha de sol. Bom, pelo menos assim conseguimos ir a esta praça, se houvesse sol minha mulher certamente teria preferido praia.), alavancas de comprimentos diferentes com um peso na ponta, um joão-bobo para equilibrarmos com o peso do corpo, um gira-gira com pesinhos que se erguiam à medida que acelera-se. Os outros brinquedos estão abaixo.

 

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Balanços com alturas diferentes demonstram o princípio do pêndulo
tirolesa
Há três tirolesas que saem de alturas diferentes, portanto têm energias potenciais e velocidades diferentes
parabolicas
Há duas parabólicas destas. Quando uma pessoa fala perto de uma, o som é enviado até a outra
elevador
As polias reduzem a força para erguer o peso do próprio corpo neste elevador

 

 

monitores

E se ficar alguma dúvida há uma equipe de monitores disposta a ajudar

 

Para quem ficar interessado a praça fica na orla, na Praia do Canto próximo à ponte para a Ilha do Frade. Oficialmente Av. Américo Buaiz, Enseada do Suá. Funciona das 8 às 18h de 3a a domingo e a entrada é gratúita.

Pensamento de segunda

“Quando um homem senta com uma garota bonita por uma hora, lhe parece um minuto. Mas quando senta numa chapa quente por um minuto, lhe parece uma hora. Isso é relatividade.” (Albert Einstein)

Previsões para 2010

– Serão descritas mais 10 mil espécies de seres vivos até 23 de Dezembro de 2010. Esta estimativa considerada até conservadora foi sugerida tendo em vista a taxa atual de espécies descritas nos últimos anos. Muito mais poderia ser feito caso houvesse comprometimento dos governos em financiar a formação de taxonomistas. Estima-se que apenas 30% da biodiversidade seja conhecida e que só 5% dela tenha informações que vão além de um nome e uma descrição anatômica.

– O futuro da humanidade estará nas mãos de uns poucos chefes de estado cuja visão de longo prazo só alcança as próximas eleições e que são medrosos ou bitolados demais para ver a sinuca de bico na qual estamos metidos. Por isso as decisões acerca da regulação dos impactos causados por (preencha com sua seu impacto ambiental favorito) serão relegadas para amanhã e não receberão a devida atenção.

– O Encontro Anual de Etologia ocorrerá em Novembro em Alfenas-MG com o tema conservação e etologia. Por mais um ano o número de participantes irá aumentar, demonstrando a importância deste evento e desta linha de pesquisa no Brasil. Essa previsão foi a mais fácil.

– Rachel, essa é para você. Fósseis descobertos no Burundi apontarão para o comportamento de autotomia caudal em brantossauros. A autotomia caudal é a ruptura voluntária da cauda quando do ataque de um predador, como é visto atualmente em lagartixas. Cientistas sugerirão que isso poderia elucidar o dilema sobre serem os tiranossauros realmente predadores ou apenas carniceiros: eles eram especializados em comer caudas amputadas de diplodocus e seus congêneres, não pertencendo a nenhuma das categorias de fato.

autotomia caudal

Autotomia caudal em brontossauros?

www.palenews.com

 

– O prêmio Nobel de fisiologia e medicina será dado a um grupo de pesquisadores incluindo norte americanos e europeus por seus avanços em algum assunto molecular cujas pesquisas tenham custado dezenas de milhões de dólares. Os discursos de entrega do prêmio serão interessantes, no entanto.

– Será publicada a edição traduzida do livro-texto “Animal Behavior, na evolutionary approach” de John Alcock, pela ARTMED. Esta fantástica obra será aclamada pelos etólogos lusófonos, embora alguns chatos reclamem que a tradução ficou meia boca por incompetência do coordenador da equipe de tradução.

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Animal Behavior, agora Comportamento animal

www.sinauer.com

 

– Em diversos aquários públicos pelo mundo serão encontrados celulares perdidos por visitantes dentro do recinto dos polvos. A julgar pelas listas de chamada os animais estavam montando uma rede internacional para tentar dominar o mundo usando cascas de coco. Os aquários fecharão 2010 investindo pesado em tecnologia para evitar o uso da telefonia móvel em suas instalações. Estas descobertas ainda lançarão nova luz sobre o comportamento animal e uso de ferramentas e cultura, embora os críticos afirmem que não foram os polvos que inventaram o celular, eles apenas aprenderam a usá-lo.

– Nenhum escândalo de corrupção será descoberto utilizando-se verba destinada à Ciência e Tecnologia mais uma vez. Alguns afirmarão que este tipo de desvio é menos comum porque a verba destinada a C&T é tão merrequinha que vale mais a pena continuar desviando da infra-estrutura e programas sociais.

– Passada a euforia pró-darwinista de 2009, novos ataques sem pé nem cabeça serão feitos à teoria evolutiva. Eles abordarão a falha nos registros fósseis, a complexidade irredutível e a irreplicabilidade da evolução. Criacionistas sim, criativos nem tanto.

just a theory

e então Deus disse: “Faça-se um novo argumento…”

www.pharyngula.org

 

– O Scienceblogs Brasil atingirá patamares nunca antes imaginados para a divulgação científica pela web. Novos prêmios serão recebidos, mais blogueiros de excelente nível passarão a integrar o quadro, a cada mês um Scibling aparecerá na TV, rádio, numa prateleira de livraria ou nos palcos dos congressos científicos e o número e fidelidade dos leitores ascenderá à exosfera e além!

Pensamento de segunda

Ao meu tio Franclim

“O que é um cientista afinal? É um curioso olhando através de uma fechadura.” (Jacques Cousteau)

Ainda em dúvida sobre o presente de natal?

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Presente para zoólogos de todas as idades

Fonte: pandabooks.com.br

 

Vai minha sugestão. Faz tempo que eu queria resenhar esse livro, mas só agora surgiu a oportunidade. "Girafa tem torcicolo?" é um livro de Guilherme Domenichelli muito divertido para a garotada que já sabe ler. O livro é ricamente ilustrado com algumas fotografias e muitos desenhos feitos por Jean-Claude Alphen e conta com uma série de perguntas e respostas que Guilherme colecionou das crianças que o visitavam em seus anos de trabalho junto ao zoo de São Paulo. O texto é fluido, as perguntas são muito bem explicadas e de uma originalidade que só podem mesmo ter sido formuladas pelos pequenos, afinal, todo o mundo nasce cientista. Se a intenção é formar um futuro zoólogo o presente será certeiro.

Pensamento de segunda

“O Dodô nunca teve uma chance. Parece que foi inventado com o único e exclusivo motivo de extinguir-se e isso era a única coisa na qual ele era bom.” (William Cuppy)

Mutirão

Ao Sérgio Floeter, pela dica

e ao Giliard que, mesmo sem saber nadar, vestiu o neoprene e foi mergulhar para observar o comportamento dos curimbas

 

Saiu na Science um desses estudos que a Miriam Marques, do MZUSP, chamaria de elegante. Brad Taylor e seus colaboradores dividiram a calha de um rio da bacia do Orinoco ao meio com uma tela, em uma das bandas retiraram todos os Prochilodus que havia ali, a outra metade permaneceu como controle. Passado um tempo foram medidas variáveis químicas da água relacionadas ao carbono.

prochilodus

O curimba Prochilodus mariae, um exemplo de como pequenos esforços podem fazer um mundo melhor

Fonte: fishbase.org

 

Os Prochilodus brasileiros são popularmente conhecidos como Curimbas, peixes relativamente grandes (30 cm) com uma boca engraçada virada para baixo. Eles passam o dia engolindo punhados de areia do fundo, pegando o que há de matéria orgânica maior entre os grãos e cuspindo fora pelas brânquias o resto do sedimento. Nesse processo, no entanto, os curimbas revolvem o substrato e libertam parte do carbono que se fixaria no fundo, tornando-o disponível para outros organismos rio abaixo. Foi isso que concluiu este trabalho da Science, que a remoção dos Prochilodus afeta a ciclagem do carbono orgânico do rio.

Enquanto lia esse artigo me ocorreu que às vezes nos sentimos tão pequenos e impotentes diante das coisas erradas que acontecem no mundo, seja da emissão de carbono e do sentar-no-proprio-rabo-e-falar-do-rabo-alheio na Dinamarca, seja dos gordos panetones natalinos dos políticos da minha terra, Brasília. Se mesmo os serenos curimbas que vagam nos fundos dos rios têm um papel tão nobre no ecossistema ao realizar simplesmente o “trabalho” que lhes foi ecológica e evolutivamente designado, nós em nossa insignificância cotidiana também podemos fazer algo de produtivo tocando nossas atividades rotimeiras com competência, ética e responsabilidade. Se cada um fizer a sua parte podemos ter um mundo melhor. É clichê sim, mas é fim de ano época de exercitar a esperança e tenho que fazer jus ao subtítulo do blog!

Pensamento de segunda

“O bacana de ser a única espécie capaz de discriminar o certo do errado é que podemos definir as regras para nós mesmos durante o jogo.” (Douglas N. Adams)

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