Ganhador do Ab initio – Roberto Takata

Vocês me deram um trabalhão, viu! Vou colocar os comentários e seus respectivos autores abaixo, mas tive um problema, alguns comentários foram excelentes, mas ultrapassaram bastante a uma frase sugerida. É uma pena porque teve poesia muito boa, alguns sérios candidatos a autores de seus próprios blogs (ou ocasionais autores do tubo de ensaios, não se esqueçam que ele serve para vocês que não têm blogs escreverem textos próprios ocasionalmente, viu!)

De qualquer forma o ganhador do Livro é… rufem os tambores: Roberto Takata com a frase:

 

“Garçom! Tem uma ARN em minha sopa primordial!”

A propósito, o editor da Vieira & Lent responsável por esta promoção anunciou que todos os que concorreram terão direito a 30% de desconto e frete grátis na compra do livro. Os interessados podem entrar em contato comigo pelos comentários abaixo que eu encaminho o canal de contato.

 

João Paulo de Oliveira Freitas

Ciência mata? Não, diria Darwin, SELECIONA! “Desde a origem” o mundo sofreu essa seleção, para assim dar a “Origem da Vida”. Não é questão ética ou religiosa, pois ciência e religião, dão as mãos, pergunte a Descartes e a Galileu!

Joab Santana Santos

Permeando probabilidades insólitas…

Dentro de um universo suficientemente hostil,

A vida desponta em um pixel azul…

Advinda da matéria inanimada.

Complexos e redutíveis…

Seus processos mais fundamentais e unidades funcionais,

Acomplam-se por afinidade sob a égide da aleatoriedade…

Em uma dança mecânica sob o tecido do tempo.

Vertiginosa dança… amoral e intensa,

Onde cada molécula e partícula de matéria segue seus próprios passos,

Sem perder o constante compasso,

Em evoluções, co-evoluções e transferências horizontais.

Diante desse espetáculo sem par,

Extasiado o Homo Sapiens inquieta-se…

E como herdeiro genético dos Símios…

Desce das copas intricadas de sua própria consciência e pergunta-se: Como?

Com ciência e método a vida então descobre-se a si mesma…

Enxerga-se produto de sucessivas seleções naturais…

Postula a Evolução gradual das Espécies…

Então abre o olhos e exclama: Posso Compreender!

 

Pablo Costa

A evolução é conduzida por processos aleatórios, mas nem por isto deixa de ser criativa. Seria a criatividade também o resultado de processos aleatórios produzidos pela nossa mente? Não sei, mas que eu gostaria de ganhar este livro, isto é verdade.

 

Roberto Takata

“Garçom! Tem uma ARN em minha sopa primordial!”

 

Marcus

Falando de origem da vida, a melhor prova de que a teoria da evolução é certa é a fralda de meu afilhado: aquilo pode ser fruto de tudo, menos de um design inteligente.

 

Vinícius Placco

Falando de origem da vida, a melhor prova de que a teoria da evolução é certa é a fralda de meu afilhado: aquilo pode ser fruto de tudo, menos de um design inteligente.

Conversa entre a “ORIGEM DA VIDA” (OV) e a “EVOLUÇÃO” (E):

OV: Por que?

E: Porque eu posso!

 

Weasley

Um pálido ponto azul, suspenso num braço de uma galáxia branca floresce a vida. Disputam pelo espaço em sua volta. Para que brigar, se a tanto espaço no lado de fora desse ponto? Uma espécie daquele pontinho percebeu isso. Não sabe voar ou pular alto, mas seu cérebro evoluiu para ir além: imaginar.

 

Layla Tabosa

A mais de 10 mil anos atrás, a maior porcentagem da população do planeta adotavam o nomadismo da vida de caçadores-coletores (Ou seja, coletavam, caçavam, e quando não tinha mais nada se mandavam). No primeiro momento eu imaginei que quando o homem adotava esse estilo de vida ele vivia em mais equilíbrio com natureza. Mas depois eu pensei que isso é isso não está tão certo assim, porque antes de partir para outros locais os caçadores-coletores exploravam muito o ambiente, chegando a causar a extinção de algumas espécies.

 

Anderson Fernandes

Uma frase que gostei muito de ter ouvido (na verdade uma construção coletiva em uma aula de Evolução Orgânica do Prof. Lúcio Antônio de Oliveira Campos), além de ser impactante e profunda, é, na minha opinião, provocativa:

“- Nem só de Seleção vive a Evolução”.

Gostei muito desta frase pois que Seleção Natural é peça chave na proposta de Evolução de Darwin, é fato conhecido até mesmo por público leigo (com algum grau de instrução). Seleção Natural é uma força extremamente importante para os processos de alteração de Frequências, mas aprendi que a Deriva Genética tem fortíssimas influências nas mesmas frequências se nós pensarmos não mais em populações grandes e sim em populações pequenas. Fortes a ponte de pesquisadores como Motoo Kimura considerá-las a força motriz para a Evolução Molecular (Neutra). Controvérsias a parte, fica claro pra mim que em determinadas condições é ela, Deriva Genética, quem conduz as freqüências e a Evolução, de uma maneira geral.

 

Rodrigo Gonsalves

Assim como um lobo trocou a liberdade por um prato de comida e virou um cachorro, o humano trocou a liberdade da vida pela eternidade.

 

José Renato Leite

A vida terá seus mistérios sempre para que o homem, na sua pequenês, busque compreendê-la indefinidamente.

 

Nelson

42 = Teoria da Evolução

 

Rodrigo

Estudar temas como a origem da vida e o processo evolucionário, e tentar entender como chegamos a ser o que somos hoje, coloca mais peso ainda em expressões corriqueiras que falam sobre a busca da excelência, de aprimoramento, e mesmo sobre o sentido ou propósito da vida. Evoluir é o meio pelo qual nos tornamos aptos a deixar nosso legado, e tornarmo-nos ‘eternos’!

Brincadeiras a parte, de todas os processos seletivos que nos submetemos ao longo da vida, aquele no qual desejamos muito obter sucesso, é sem dúvida a seleção natural, rs.

 

Cleanto Fernandes

EVOLUÇÃO DA VIDA: ONDE ESTÃO AS EVIDÊNCIAS?

Desde que Darwin e Wallace apresentaram sua teoria de modificação e diversificação de todas as formas de vida através do mecanismo de seleção natural, muitas pessoas, incluindo cientistas, não acreditam na evolução dos seres vivos. Dizem não haver evidências suficientes para suportá-la – “é apenas uma teoria…” – e ainda apresentam supostas evidências da criação simultânea e intencional de todos os seres vivos por um designer, por vezes colocando o homem no ápice da perfeição.

Diante desse debate, é oportuna a pergunta: finalmente, onde estão as evidências da evolução tal como Darwin e outros biólogos evolucionistas a entendem? A resposta é surpreendentemente simples. Está em mim, está em você, está em todos nós!

Certa vez li um texto que biólogo Jean Remy Guimarães , professor da UFRJ, publicou na Revista Ciência Hoje On-Line intitulado Aos Trancos e Barrancos. Nele, o professor apresenta como os livros As Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda) e Casa-grande & Senzala (Gilberto Freyre) explicam o nosso país e o nosso povo. O Prof. Jean escreveu que cotidianamente vê em todo lugar atitudes tipicamente brasileiras que são bem exploradas nessas duas obras. “Mas o que posso fazer se o Brasil […] tão bem descrito por Gilberto Freyre explode todo dia na minha cara, na mina cara, o ali na esquina”, diz o professor em resposta àqueles que o questionam.

E eu digo o mesmo da obra de Charles Darwin e todas as obras dos campos da biologia evolutiva e suas extensões, como a psicologia evolucionista. A todo o momento vejo evidências da origem comum de todos os seres vivos, de nossa ancestralidade comum recente com
os macacos, e de organismos cegamente desenhados pela natureza a partir elementos aleatórios existentes. Não preciso ir longe para ver essa evidências, posso encontrá-las em mim mesmo, na pessoa que está ao meu lado, evidências que vão da sua estrutura corporal ao seu comportamento. Onde mais haveria de encontrá-las, senão em nós seres vivos?

Na anatomia do corpo humano, a coluna vertebral é um bom exemplo. O estudo de sua estrutura mostra que ela possui adaptação para uma postura e locomoção quadrúpede. Isso ocorre porque descendemos de deu primata que era quadrúpede. Em determinando contexto de nossa história evolutiva, a postura bípede se tornou vantajosa e quaisquer adaptações que nela surgisse para o bipedalismo teriam que surgir a parti desse projeto já existente. Lembro sempre disso quando vejo uma pessoa com problemas de coluna. Se um engenheiro tivesse que planejar uma coluna para um animal bípede, certamente não planejaria semelhante à nossa, ela tem graves erros de design.

Ao observar o comportamento humano, as evidências da evolução “explodem na minha cara”. Os políticos (brasileiros) são, em minha opinião, ótimos para essa análise evolucionista do comportamento. Não raro, vemos na imprensa casos de nepotismo, um deputado que empregou o filho na Câmara. Ajudando o filho a sobreviver, ele ajuda metade de seus genes a passarem para a geração seguinte, às nossas custas! Nos cargos comissionados dos órgãos do executivo e legislativo brasileiro, é comum um político eleito nomear uma pessoa que o tenha ajudado durante a campanha eleitoral. Este não é parente dele, não compartilham genes, mas a ajuda prestada hoje é retribuída no amanhã, contribuindo para nossa sobrevivência e, é claro, para que nossos genes sigam adiante. Outro evento recorrente em nosso cenário político-eleitoral é o indivíduo, durante as eleições, resolver de uma hora para outra ajudar todo mundo, virar o bonzinho. Gastam milhões, muitas vezes apenas para adquirirem fama de boa gente e, por mais que isso lhes custe caro, esperam que venha uma recompensa futura, de pessoas que eles nem conhecem. Essa recompensa vem sob a forma de votos, e depois em verba pública e esta, por sua vez, dizem, pode ser usada para comprar panetones e distribuir entre os pobres, talvez para reforçar a imagem de bom camarada.

Os três casos citados acima, do nepotismo, da troca de favores e da campanha eleitoral exemplificam três importantes teorias para explicar o altruísmo, que ao a seleção de parentesco, o altruísmo recíproco e o altruísmo indireto. Utilizei exemplos de comportamento que achamos imorais para lembrar que a vida em sociedade não é perfeita.

Então sempre que buscar por evidências da Evolução, se olhe no espelho, olhe para as pessoas, e veja o “Eu, primata” (citando Frans de Waal) que há em cada um de nós.

 

Roberto Takata, entro em contato contigo para pegar seu endereço para enviar o livro.

Programa para quem estiver em Sampa

Filipeta darwin final vetor

 

O Museu de Zoologia da USP comemora o dia 12 de fevereiro, Darwin Day, com ligeiro atraso carnavalisticamente justificável essa semana com o evento “Darwin, evolução para todos”. Haverá atividades todos os dias a partir de hoje no MZUSP, que fica na Av. Nazaré, No. 481, no Ipiranga.

A programação inclui oficinas, debates, apresentações de teatro, uma exposição temática e a apresentação de diversos vídeos relacionados ao tema, tudo gratuito. Para conferi-la pormenorizadamente clique aqui. Quem for pode mandar suas impressões para os comentários abaixo.

Pensamento de Segunda

“Sempre há resistência quando a Ciência avança.”
Mayana Zatz

Hierarquia de dominância e o ex-governador Arruda

Ao Marão, meu comentador assíduo e cronista da política candanga

 

A visão do governador do Distrito Federal atrás das grades me remeteu a pensamentos biológicos esses dias. Um dos processos mais naturais da vida em sociedade em todas as espécies é o escalonamento de membros desta sociedade. Parece injusto, mas é natural que, em havendo um grupo grande, alguns indivíduos sejam superiores a outros. Já até vejo os mais inclinados ao anarquismo se remexendo em frente ao monitor, mas o fato é que um dos efeitos colaterais mais graves da vida em sociedade é que há um monte de gente competindo por recursos semelhantes. Todo o mundo se alimenta mais ou menos das mesmas coisas, habita mais ou menos o mesmo tipo de local e acasala com parceiros da mesma espécie, por isso a competição é tão comum. Competição, em geral, leva a conflito, agora, entrar em conflito direto por um determinado recurso o tempo inteiro não é lá uma forma muito econômica de se viver. É tão dispendiosa que, muitas vezes, o recurso obtido nem vale mais do que o gasto com a disputa por ele. Por isso, espécies sociais frequentemente realizam uma única disputa, muitas vezes ritualizada, da qual se utilizará o ranqueamento para diversas disputas dali em diante. A isto os etólogos dão o nome de hierarquia de dominância.

Uma alcatéia de lobos encontra um coelho velho e doente, facilmente abatem o animal que é muito pequeno para que todos comam à vontade. Quem terá primazia? Os líderes da alcatéia, assim não é preciso haver brigas sangrentas com dentadas nas orelhas ou tensões como a exposição dos dentes e rosnados. Mesmo que você mal tenha chance de lamber o sangue que escorreu da lebre, será mais interessante do que se envolver numa luta direta. Aos mais baixo na hierarquia resta a esperança de ainda se sairem melhor na lanterninha de sua alcatéia do que tentando a sorte solitariamente. A vida em sociedade nem sempre é divertida.

Outra esperança dos lanterninhas da hierarquia de dominância é que um dia o jogo sempre vira e então eles podem tornar-se líderes. Nestes casos, ao ser derrotado, o ex-líder amarga dias de tristeza. É duro acostumar-se com as sobras depois de ter provado doque há de melhor na vida. Jane Goodall, estudiosa dos chimpanzés de Gombe, na Tanzânia, há mais de 40 anos, conta episódios de trazer lágrimas aos olhos quando da derrubada de alguns dos mais temíveis ou carismáticos líderes do grupo: Humphrey e Figan, por exemplo. Os chimpanzés, privados dos prazeres e bajulações do alto status, entravam no mais perto que podemos descrever de um estado depressivo para um não-humano.

É exatamente isto que eu torço para que esteja acontecendo neste momento em uma cela do Estado Maior com o José Roberto Arruda. Ele, que por mais de uma vez recebeu um alto grau na hierarquia de dominância do DF, provavelmente pela nossa falta de crítica política, agora amarga a visão das costas dos que o colocaram lá. Pode ser apenas fantasia minha, mas desejo a Arruda uma longa e triste morte política.

Pensamento de segunda

“Nós não precisamos salvar o mundo. Ele é grandinho o suficiente para cuidar de si próprio. Devemos nos preocupar é se o mundo em que vivemos será capaz de nos sustentar nele.” (Douglas N. Adams)

Quer ganhar um livro? Ab Initio

Ano passado eu fiquei morrendo de inveja aqui de Tangará da Serra daqueles que tiveram a oportunidade de ir ao lançamento do Ab Initio, o livro do Prof. Franklin Rumjanek publicado pela Vieira & Lent. Não pude ir, mas o livro eu li e agora abro um concurso para dar o livro. Mas primeiro deixe-me falar um pouco sobre ele.

 

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Quem vai querer?

Fonte: vieiraelent.com.br

 

Ab Initio tem seu título bem a calhar: “desde o princípio” pomposamente em latim. Mas a pompa fica no título, de nada o conteúdo do livro lembra o discurso hermético dos catedráticos que precederam Franklin. Ele inicia seu livro falando sobre seu ponto de vista na dualidade evolução x religião. Em seguida começa “desde o princípio” mesmo, explorando a origem do universo e como tudo ocorreu até chegar em nosso planeta.

O autor prossegue apresentando as teorias relacionadas ao princípio da vida nos melhores detalhes, trecho do livro onde mais tem propriedade dada sua linha de pesquisa em bioquímica. Mas não é por isso que Franklin tem menos propriedade para os capítulos que se seguem, nos quais explora a evolução biológica em si. Felizmente cada vez mais pessoas têm ganho profundo conhecimento em evolução, a despeito de sua formação, a ponto de ajudar muito a divulgar esta fabulosa idéia.

Nesta parte do livro dois aspectos importantes são explorados embora raramente mesmo biólogos o façam: o papel de Lamarck na evolução e outras formas de evolução que não por seleção natural. Lamarck fica conhecido e estigmatizado por ter sido “o cara que errou”, embora quase ninguém fale, mas todos que leem a Origem das espécies perceba, que o próprio Darwin partilhava das idéias de Lamarck em muitos casos. Por outro lado, Franklin Rumjanek nos lembra que o significado moderno da evolução (variação nas frequências de tipos genéticos numa população) não ocorre unicamente por seleção natural, no final do livro outros mecanismos são explorados, como a epigenética e a deriva. O capítulo de fechamento apresenta uma introdução ao pensamento evolucionista e, por que não dizer, científico.

Num ano com tantos livros sobre evolução devido ao duplo aniversário de 150 anos de publicação da Origem das Espécies e de 200 anos do nascimento de Darwin como foi 2009, Ab Initio certamente sobressai com sua abordagem diferenciada dessas questões.

Tentados? É por isso que lanço aqui o desfio! Envie um comentário criativo sobre os temas EVOLUÇÃO ou ORIGEM DA VIDA até o dia 21 de fevereiro, domingo, eu e o pessoal da Editora Vieira & Lent iremos escolher o melhor e na segunda-feira, dia 22, divulgo todas as frases e o ganhador por aqui mesmo. Não se esqueçam de preencher o e-mail na identificação do comentário para eu poder entrar em contato com o ganhador. Boa sorte a todos!

Pensamento de segunda

“Nunca empreste dinheiro a um geólogo. Ele considera cem mil anos um intervalo curto de tempo.” (Alfred Wegener)

Tudo em um ano II – Nuvens de Poeira

Se você não sabe de que se trata esta série clique aqui

 

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Nebulosa de Eta Carina

Fonte: nasa.gov

 

Mais de um mês galático se passou desde o nosso big bang de 2010. Pela minha regra de três seria aproximadamente no dia 5 de fevereiro que o universo iria atingir seu segundo passo evolutivo, a formação de imensas nuvens de poeira cósmica. Na verdade, um monte de coisas estranhas ocorreram nos primeiros segundos do universo: a formação de partículas subatômicas, das forças que regem nosso universo, mas tudo numa fração de segundo, portanto inconcebível ao nosso calendário cósmico 2010. De lá para cá os átomos se formaram lentamente, primeiro os de menor massa atômica, depois os maiores por fusão nuclear e agregação de outras partículas. Também começou a haver a união dos átomos em moléculas e destas em matéria maior. Podemos dizer que hoje, dia 5 de fevereiro, pela primeira vez na história do universo, a matéria aqui contida se reuniu a ponto de ser visível a olho nu.

O universo era povoado neste momento de pequenos cristais chamados poeira cósmica. Cada grão desta poeira mede cerca de 0,1 mm e se aglomera na imensidão. Na eternidade de tempo que nos separa de 18 de julho esses aglomerados irão se adensar até coalescer dando início à formação de todos os astros gigantescos que vemos no espaço hoje. É uma daquelas reações em espiral auto-alimentadas, quanto mais os grãos de poeira se aproximam mais a gravidade os atrai, e quanto mais grãos se juntam mais gravitacionalmente atraentes eles se tornam. Muitas nuvens de poeira cósmica destas hoje são verdadeiros berçários de estrelas.

No entanto, imagine que esta poeira cósmica ainda estava por se unir e formar mesmo a primeira das estrelas. Nenhuma estrela, nem umazinha que fosse! É por isso que este período da história do universo é conhecido como a idade da escuridão. Ainda não havia estrelas na época, mas e hoje, ainda há poeira cósmica? Certamente, ela está por toda parte e existe de diversas naturezas. Há nuvens de poeira cósmica circumplanetário (anéis como os de Saturno), interplanetário (como no cinturão de asteróides que existe entre Marte e Júpiter), interestelar (como as nebulosas) e intergalática. Destas quatro a intergalática deve ser a que mais se assemelha às nuvens de poeira cósmica originais, as outras podem ser resultado da explosão de estrelas, caudas de cometar e colisões de asteróides. Dentro destas nuvens, pelo menos das nebulosas que são o que podemos observar aqui da Terra melhor mas se assemelham mais às primevas, existe um campo radioativo interestelar. Ali há uma grande quantidade de energia que pode virar calor, luz e movimento, um espetáculo interessante de se observar. Se você tiver uma boa luneta pode ter um ligeiro gostinho disto observando as constelações de Orion ou Câncer. Outro espetáculo são as representações artísticas de nuvens de poeira encontrados nos sites de agências espaciais como a da Eta Carina que eu coloquei aí em cima.

Pensamento de segunda

“Em geral o professor aprende mais que o alunos. Bem, com alunos como os meus seria difícil aprender menos do que eles. Sem passar por uma lobotomia do córtex prá-frontal, digo.” (Douglas N. Adams)

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