Evitando virar almoço 4 – Contra-sombreamento

Você já viu algum peixe escuro na barriga e claro nas costas? Eu nunca vi, mas meu ex-professor Mário Katsuragawa me ensinou a duvidar de nada, especialmente em se tratando de peixes, que são tão diversos. Então se você tiver um exemplo mande nos comentários. Enfim, pelo menos a maioria dos peixes é escuro nas costas e claro na barriga. E não são só os peixes, pinguins são assim, tartarugas marinhas também, até baleias são assim. Bom, se existe um padrão, deve ter um bom motivo para isso.

Não que alguém esteja pensando em predá-la, claro. Fonte: wikipedia.org

Não que alguém esteja pensando em predá-la, claro. Fonte: wikipedia.org

Como a luz vem de cima, um peixe todo branco teria as costas claras e o ventre escuro. Tendo as costas escuras e o ventre claro um peixe iluminado de cima fica mais ou menos todo da mesma claridade do ambiente, por isso fica mais difícil de enxergar.

Escuro no dorso, claro no ventre. Um padrão em animais aquáticos. Fonte: wikipedia.org

Pensamento de Segunda

Deixarei uma some em dinheiro para que meu corpo seja levado ao Brasil. Ali ele será depositado protegido dos urubus e gambás […] para ser sepultado pelos besouros necrófagos. […] Então eu serei muitos, zumbirei como uma gangue de motoqueiros através da selva brasileira sob as estrelas.

Testamento (não atendido) de Bill Hamilton

Evitando virar almoço 3 – Transparência

Semana passada falamos sobre a camuflagem e animais que mudam de cor. Acreditem, mesmo isso pode custar energeticamente ao animal. Ele gasta energia mudando de cor e fica restrito a um local se for camuflado, mas não mudar de cor. Outra saída seria ser transparente.

O colega Jansen Zuanon descobriu alguns peixes bastante transparentes, como o dessa foto. Ele os denominou, a liga quase invisível. Fonte: Neotropical Ichthyology.

O colega Jansen Zuanon descobriu alguns peixes bastante transparentes, como o dessa foto. Ele os denominou, a liga quase invisível. Fonte: Neotropical Ichthyology.

Um animal transparente pode passar despercebido em qualquer tipo de ambiente. Alguns são mais, outros menos transparentes. Os cientistas nunca viram nenhum animal completamente transparente… por motivos óbvios. Mas isso não importa muito, porque nenhum predador tem a visão completamente perfeita também. Então ser um pouco transparente pode te ajudar a sobreviver um pouco. E sobreviver um pouco, em termos evolutivos, costuma ser o suficiente.

Pensamento de Segunda

Suspeito que o universo não só é mais estranho do que supomos, mas seja mais estranho do que jamais poderemos supor.

JBS Haldane

 

BioTest

O ensino de Biologia ganhou um aliado moderninho: o BioTest. O BioTest é um jogo sobre conceitos de Biologia em nível superior no estilo de uma forca. Perguntas sobre diversos temas são apresentadas e você precisa descobrir a resposta antes que o tempo se esgote e sem errar as letras. As perguntas são divididas em grau de complexidade e várias são ricamente ilustradas. Também são divididas por área: Biologia Celular, Fisiologia, Bioquímica e Botânica. À medida que você vai marcando pontos pode usá-los para destravar perguntas de outras áreas, para montar a cadeia trófica de um bioma ou para conquistar novos biomas. Você recebe um ranking pessoal e pode ainda integrar uma rede de pontuações comparativas com outros jogadores via internet.

BioTest, o app para ensino de Biologia do LTE Unicamp

BioTest, o app para ensino de Biologia do LTE Unicamp

Achei o jogo bastante intuitivo, inteligente e  com uma interface gráfica bem legal para um aplicativo para tablets e celulares. Algumas vezes fiquei frustrado porque perguntas com texto longo e respostas longas de digitar não geravam uma pontuação alta, já que sua pontuação é proporcional ao tempo gasto para responder a pergunta. É divertido e desafiador responder as perguntas, competir com os outros e tentar se superar (ok, ok, minha pontuação na Biologia Celular foi vergonhosa). Até uma área de avaliação de questões os autores disponibilizaram para os jogadores apontarem textos ou conceitos errados. 

Você precisa responder a pergunta dentro do tempo e sem errar muitas letras.

Você precisa responder a pergunta dentro do tempo e sem errar muitas letras.

Os autores, aliás, são do Laboratório de Tecnologia da Educação do Instituto de Biologia da Unicamp. Juro que fiquei morrendo de inveja do aplicativo e com dor de cotovelo porque não tem questões de Zoologia. Para baixar o aplicativo para sistema iOS (iPad, iPhone e congêneres) por R$ 4,00 basta clicar aqui. Para baixar por R$ 2,00 em aparelhos que rodam Android clique aqui. Talvez esse seja um dos primeiros de muitos apps que vão tomar conta do ensino nessa tendência da gamificação.

Evitando virar almoço 2 – Camuflagem

A técnica dessa semana de evitar virar comida talvez seja a mais conhecida delas. Entendo aqui camuflar-se estritamente como ter uma cor que se confunde com o meio. Essa é uma técnica mista, porque envolve a forma passiva, simplesmente ter a cor do ambiente que você ocupa, e uma forma ativa, nas espécies que mudam de cor ou que viram seu lado menos colorido quando se sentem ameaçados (pense numa borboleta que tem um lado da asa azul royal iridescente e o outro acinzentado como uma casca de árvore).

Alguns animais são mestres do disfarce e se camuflam absurdamente bem. Mas pense que uma leve capacidade de se camuflar já pode reverter em sobrevivência e ser valorizada em termos evolutivos. Esses exemplos de camuflagem perfeitos demais me preocupam um pouco porque parecem que foram desenhados por alguém com um propósito. Não foram! Parecer 10% com uma folha seca pode significar 10% mais sobrevida, 10% mais filhotes e, voi là, está fixada a característica.

Num banco de algas esse parente dos cavalos marinhos fica absolutamente oculto. Fonte:  wikicommmons

Num banco de algas esse parente dos cavalos marinhos fica absolutamente oculto. Fonte: wikicommmons

Um problema da camuflagem é que em geral ela limita os ambientes em que um animal pode viver. Imagine um dragão do mar como o da foto acima num costão rochoso, ou uma aranha como essa numa flor vermelha. A solução para isso apareceu em animais que mudam de cor e, com isso, conseguem se esconder em vários ambientes. O exemplo clássico são os camaleões, mas pessoalmente invejo muito mais os linguados e as sibas. Especialmente em vésperas de prova quando todos os alunos estão procurando você para tirar dúvidas e tudo o que queremos é sumir.

Linguados mudam de cor muito mais eficientemente que camaleões. Fonte: webecoist.momtastic.com

Linguados mudam de cor muito mais eficientemente que camaleões. Fonte: webecoist.momtastic.com

Pensamento de Segunda

Se você quer ir depressa, vá sozinho. Se você quer ir longe, vá acompanhado.

Provérbio africano

Evitando virar almoço 1 – Coloração disruptiva

Os animais têm um monte de técnicas para evitar virar comida dos outros animais. Algumas são técnicas ativas, comportamentos que o animal realiza. Outras são formas passivas, características que o animal sempre tem, que servem de proteção. Nas próximas semanas veremos algumas dessas técnicas a começar por hoje.

Quantas zebras você vê? Um leão também!

Quantas zebras você vê? Um leão também!
Fonte: deolhono-lance.blogspot.com

Predadores frequentemente precisam escolher uma presa e atacá-la individualmente. Já reparou como uma alcateia de lobos isola um búfalo? E se for difícil saber onde começa um animal e onde termina o outro? Experimente contar quantas zebras tem na figura acima. Espero as respostas nos comentários. Agora imagine esse monte de listrinhas correndo e se embaralhando. Espero que você não tenha labirintite.

Pensamento de Segunda

Quando a natureza ganha voz ela conta segredos tão profundos que só em sonhos somos capazes de compreender.

Gustav Mahler

O futuro da água

Uma vez assisti uma palestra falando sobre o que se procura no espaço para justificar uma busca mais aprofundada por vida naquela direção. Me chamou a atenção que um dos fatores é a existência de água como condição sine qua non da vida. Pois bem, acho que estamos colocando a nossa em risco.

Sendo a água o solvente universal que dá sustentação à vida na Terra, parece que não estamos nos preocupando muito com isso. Meu doutorado demonstra como até atividades tidas como preocupadas com a preservação (o ecoturismo) podem ter um forte impacto se não forem gerenciadas com cuidado. Lá mesmo onde curso o doutorado, na UNESP de São José do Rio Preto, a professora Lilian Casatti tem se preocupado com a influência da complexidade do habitat, dentro e fora dos rios, nos ecossistemas, especialmente sobre os peixes. Ela falou sobre isso nessa matéria recentemente publllicada na Epoch Times.

Cabeceiras preservadas assim são raras, mas são também a base para a água do planeta todo.

Cabeceiras preservadas assim são raras, mas são também a base para a água do planeta todo.

O fato é que ainda não nos damos conta da conexão que existe entre tudo em termos ecológicos. Temos uma visão microecológica dos impactos, achando que um desmatamento pequeno só afetará aquele local. Não é verdade! Uma só atmosfera, fluxos de massas de ar, rios extensos, correntes marinhas e espécies migratórias garantem que um impacto local se torne um problema global.

Para isso também serve a ciência: gerar informação capaz de subsidiar políticas públicas conservacionistas. O problema está na falta de disposição de muitos tomadores de decisão de escutar o que o cientista tem a dizer. Enquanto mantivermos esse diálogo de surdos as perspectivas não são nada boas.

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