Brasil Ameaçado – Crax blumenbachii

Caçado até a beira da extinção: mutum do sudeste. (Imagem: xeno-canto.org/Ciro Albano)

O mutum do sudeste é uma ave de grande porte, podendo passar dos 3 kg. O porte e sua docilidade, ou falta de agilidade, o tornam um alvo fácil para caçadores. O problema só tende a se agravar porque o animal só habita extensas áreas de mata atlântica baixa, coisa que praticamente já não existe especialmente devido à ocupação imobiliária. Hoje a espécie está restrita a alguns poucos avistamentos como em Linhares-ES e no sul da Bahia. Denunciar caçadores é uma ação simples que pode ajudar a salvar essa ave da extinção.

Etologia de Alcova – brinquedos sexuais

O que causa esse sorriso? Imagem: livejournal.com

 

Quem olha o catálogo de um sex-shop pode ficar surpreso com a diversidade de brinquedinhos para adultos disponíveis, mas saiba que o uso de ferramentas para obter prazer não é exclusividade nossa. Já há algumas décadas que descobrimos que outros primatas são eficientes produtores de ferramentas, mas seu uso para o sexo é mais raramente documentado, mas vamos a alguns exemplos.

Orangotangos selvagens ganharam de um pesquisador um pedaço de pau e logo começaram a usá-lo para friccionar seus genitais. Um orangotango passou a ferramenta para outro pedindo ajuda para usá-la. Até o pesquisador recebeu o bastão de um dos primatas que lhe mostrava onde deveria colocá-lo.

Bonobos eram tidos como péssimos fazedores de ferramentas, mas trabalhos mais recentes com animais de cativeiro mostraram que as ferramentas são mais comumente usadas pelas fêmeas e frequentemente servem a funções sexuais. Um grupo de pesquisadores descreveu a maneira criativa como vagens foram usadas pelos animais para se aliviar. Outros casos incluem chimpanzés machos adolescentes fazendo sexo com uma goiaba bem madura.

Mas não são apenas os primatas. Um vídeo no youtube tornou-se viral ao mostrar um boto num aquário público penetrando  um peixe decaptado. O peixe, que estava ali como alimento, ganhou funções muito mais interessantes. Queria ver como os pais presentes no momento explicaram a cena aos seus filhos.

É difícil julgar, mas o fato é que o uso de ferramentas é bem mais comum do que se pensava, incluindo o uso de ferramentas sexuais.

Brasil Ameaçado – Columbina cyanopis

Lindos e tristes olhos azuis os dessa vizinha ameaçada. Ilustração: John Gerrard Keulemans/Wikipedia.org

O brasileiro ameaçado dessa semana é uma rolinha mato-grossense. A Columbina cyanopsis é uma espécie muito rara, calcula-se que existam menos de 300 exemplares vivos, a maioria deles numa região muito visitada pelos estudantes da UNEMAT e da UFMT, a Estação Ecológica da Serra das Araras. Para chegar nesse nível de ameaça, essa rolinha sofreu muito com a perda e a fragmentação do habitat decorrente da expansão agrícola no cerrado. Mas se você quiser ajudar essa espécie e muitas outras desse bioma pode agir evitando as queimadas no cerrado. Não jogue cigarros acesos pela janela do carro e não queime lixo ou use o fogo para limpar terrenos.

Brasil Ameaçado-Gritador (Cichlocolaptes mazarbarnetti)

Gritador do Nordeste, calado para sempre. (Imagem: R. Grantsau/http://chc.cienciahoje.uol.com.br)

Na semana passada escrevi sobre um animal com apenas 15 anos de descrito e já nas listas como ameaçado. Pois essa semana a coisa é ainda mais triste, esse pássaro descrito em 2014 com base em animais coletados na década de oitenta provavelmente já está extinto. O Gritador do nordeste viveu numa região conhecida como Centro Pernambuco de Endemismo, uma faixa de mata atlântica entre Alagoas e o Rio Grande do Norte com muitas espécies endêmicas de aves. O problema é que a ocupação histórica dessa região com agricultura no Brasil colonial e mais recentemente levou ao desaparecimento da floresta. Mesmo os poucos fragmentos existentes ou são muito atingidos pelo efeito de borda (interferência de fatores externos no interior do fragmento florestal) ou são na verdade uma vegetação secundária: reflorestada, mas incapaz de receber de volta a fauna que desapareceu dali. O pássaro, se é que está mesmo extinto, alimentava-se de insetos que vivem entre as folhas de bromélias nas matas de topo de serra. Epífitas como as bromélias são plantas exigentes, só ocorrem em florestas antigas e bem preservadas. Sem bromélias, nada de gritador. Preservar é sempre mais fácil e barato que reflorestar. Para que novas espécies não tenham o mesmo futuro do gritador, respeite as áreas verdes e reservas legais previstas na legislação.

Brasil Ameaçado- Peixe canivete (Characidium vestigipinne)

Characidium vestigipinne, tão raro que a única foto que encontrei foi de um exemplar de museu (imagem: B. Callegari/projeto-saci.com)

Este peixe canivete é outra dessas espécies recentemente descritas (2000, apenas 15 anos atrás) e que já constam de listas de espécies ameaçadas. O problema é novamente a distribuição muito restrita da espécie a um arroio na Bacia do Alto Rio Uruguai. Esses arroios cortam propriedades rurais pecuaristas e acabam sendo represados para servir de bebedouro para o gado ou são pisoteados pelos animais, o que resulta em mudança do leito e da transparência da água. Canivetes são peixes de fundo que dependem muito das características do leito do rio e capturam itens alimentares que enxergam descendo o rio com a correnteza. Tanto o pisoteio quanto o represamento tornam esses arroios inabitáveis para os peixes canivete. Uma dúvida comum diz respeito à condição verdadeira desses animais como uma espécie. Entre o gênero Characidium existem várias espécies pertencentes a um complexo afim a Characidium zebra. Se considerássemos todos esses animais como pertencentes apenas à espécie C. zebra, não haveria ameaça nenhuma de extinção, já que muitas dessas espécies são bastante numerosas. No entanto, considerar cada espécie separadamente deixa algumas delas em maus lençóis. No caso de C. vestigipinne o que a diferencia das demais espécies é a segunda nadadeira dorsal vestigial e a presença de alguns caracteres dimórficos, diferentes entre machos e fêmeas. Seria isso suficiente para considerá-la uma espécie à parte? Os especialistas consideram que sim. Na dúvida, não custa proteger essa população isolada no Rio Grande do Sul. Uma forma de fazê-lo é impedir que o gado se aproximasse de rios.

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