Enquete sobre evolução

 

A enquete sobre a compreensão pública da evolução só fica mais esta semana no ar, daí irei tabular os dados para minha palestra e para um post futuro. Quem ainda não respondeu, não deixe de participar. Não desligue, dentro de instantes iremos atendê-los, a sua participação é muito importante para nós!

 

Para acessar a enquete clique aqui.

Pensamento de segunda

“Platão é meu amigo, Aristóteles também, mas minha melhor amiga é a realidade.” (Isaac Newton)

O show acabou, mas a Ciência continua

Ontem encerramos a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia aqui em Cuiabá. Foi muito legal, um saguão forrado de brinquedos com princípios físicos como um simulador de gravidade zero, um gerador Van der Graaff, brinquedos usando o conceito de inércia, de momento, onda, três planetários, um cinema 3D que levava a passear por dentro do corpo humano.

cienciaemshow

Entre as atrações que foram trazidas aqui tivemos a presença dos meninos do Ciência em Show, quadro apresentado no programa da Eliana no SBT em uma versão de palco. Fiquei pasmo! Nem em meus sonhos mais alucinantes imaginava ver uma multidão tão grande bradando coisas como “Viva a Ciência”, “A Ciência continua” ou aplaudindo entusiasticamente ao pedido de “Palmas para a Ciência”. Os caras são divertidos, fazem o público grudar os olhos neles e têm uma projeção muito bacana na mídia. Mais interessante de tudo, tiveram no palco da SNCT a medida certa entre entretenimento e informação para a faixa etária que estava diante deles. Aproveitei a oportunidade para conversar com eles, mas dessa vez não consegui fazer no formato de uma entrevista graças a um tilt tecnológico que deu cabo do arquivo da filmagem.

O Ciência em show surgiu de uma adaptação do projeto Show de Física da USP para uma versão televisiva, quem coordena este projeto hoje é o Prof. Fuad Daher Saad. Segundo o Wilson, o cabeludinho com camiseta de interrogação, o Ciência em Show não visa necessariamente ensinar física, mas instigar a curiosidade e o interesse pela Ciência. O Daniel, aquele de óculos e casaca de detetive azul, reafirmou como é fácil se despir da terminologia técnica das Ciências para passar conceitos científicos e lembrou que mentes inquietas e interessadas procuram as explicações nos livros e na internet, não é necessário esgotar uma explicação complicada na TV para se divulgar a Ciência. Pouco antes e logo depois de todos os shows os três saiam dos camarins acompanhados de sua equipe técnica para tirar fotos, distribuir autógrafos e conversar com o público. E era um belo público, viu. Assisti a dois shows e estimo que cada um deveria ter umas 300 pessoas, acho que no total foram 10 apresentações. O Gerson, o de óculos engraçados e camiseta com um desenho dele mesmo, era o mais assediado e contou sobre o valor que as pessoas passam a dar aos cientistas com o sucesso que alguns deles levam à televisão. Ainda assim não deixaram de interagir com a platéia, sendo sempre muito atenciosos com todos.

Fiquei feliz de saber que o Mato Grosso teve a oportunidade de receber tantas atrações na SNCT e de ter visto em ação esses cientistas malucos da televisão, me dá uma pontinha de esperança que naquelas 600 pessoas que vi em êstase com o show deles, alguma venha a se tornar um cientista. E não é isso que a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia significa? Uma coisa é certa, se o Bessa de 20 anos atrás tivesse conhecido esses caras seria um fã de carteirinha!

Pensamento de segunda

“Nós descobrimos o segredo da vida.” (Francis Crick)

Bessa na SNCT

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Fui convidado pela Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso a dar uma série de palestras sobre a vida de Charles Darwin durante a Semana Nacional de C&T em Cuiabá. Este evento que se repete todo ano e do qual sou fã e participante desde sua criação pretende em 2009 falar sobre a Ciência no Brasil, mas a SECITEC ganhou do consulado britânico esta exposição sobre Darwin em comemorção aos 150 anos da publicação da “Origem das espécies” e de seus 200 anos de nascimento para incrementar suas atividades. Eu terei a honra de acompanhar a exposição introduzindo-a nas escolas que a visitarão com a palestra: “Quem foi Charles Darwin?”
Para quem quiser assistir alguma das apresentações é só ir à cerimônia de abertura da SNCT no Centro de Eventos Pantanal ou visitar a exposição que estará ali durante toda esta semana. Adorarei conhecer algum leitor do Blog. Meu agradecimento especial à Lectícia Figueiredo pela oportunidade e atenção.

Eduardo Bessa entrevista Wrana Panizzi, Vice-presidente do CNPq:

Durante um evento em Cáceres na semana passada tive a oportunidade de assistir a uma palestra da Prof. Wrana Panizzi sobre o progresso das pesquisas no Brasil e o papel do CNPq nisso tudo. Logo depois fomos a um agradável almoço num restaurante flutuante no Rio Paraguai onde a Professora me concedeu esta entrevista. Agradecimentos especiais à minha câmera-woman da vez, a colega Prof. Alessandra Butnariu. Como foi tudo ocasional, não estava de todo preparado e o vídeo foi feito com a câmera do meu celular. Viva a tecnologia! No entanto o som ficou bem comprometido por causa das conversas e do barulho ao redor, por isso transcrevi abaixo a entrevista.

Eduardo Bessa – Hoje o Ciência à Bessa está aqui em companhia da Prof. Wrana Panizzi, vice-presidente do CNPq. Professora, é notável que as mulheres cientistas vêm assumindo papéis cada vez mais centrais na Ciência e na Tecnologia nacionais. Desde a Prof. Mayana Zatz com o prêmio L’Oreal, a senhora recebeu também uma comenda da presidência. Como a senhora vê o papel da mulher na C&T no Brasil?

Wrana Panizzi – Eu acho que a participação das mulheres veio no melhor momento como um reconhecimento do papel social da mulher. Eu acho que é significativo, nós temos pessoas como a Mayana, como outras tantas, a Prof. Glaci Zancan, do Paraná que foi presidente da SBPC. Nós temos sim mulheres envolvidas na gestão. Sem falar nas mulheres implicadas na gestão das universidades, eu fui reitora no Rio Grande do Sul e presidente da ANDIFES. Então eu acho que há um reconhecimento do papel da mulher nessas atividades. No CNPq tem um grupo de pessoas que vêm estudando a questão de gênero vendo as condições das mulheres nas universidades, é um trabalho interessante que traz resultados neste sentido. Se bem que as mulheres ainda batalham nas universidades, por exemplo, a vida acadêmica das pessoas tem um ponto de produtividade máxima, no momento em que as mulheres estão em período de maternidade. Elas culpam a maternidade por uma interrupção na produção acadêmica ou protelam o momento de serem mães porque há toda uma questão do papel da mulher na família, cuidando da família, dos filhos e assim por diante. Então essa é uma questão que desponta como diferencial. Outra coisa que se pode perceber é que as mulheres atingem vários cargos, mas na senioridade de suas carreiras. Nós temos visto até pela Secretaria das mulheres, lá no CNPq. Por exemplo, temos um prêmio para as pessoas que trabalham questão de gênero, homens e mulheres que trabalham questão de gênero. Então eu acho que há um crescente, mas ainda há um pequeno não reconhecimento da sociedade, a mulher ainda recebe menor quantidade de bolsas.

EB – Você mencionou a questão de gênero, assuntos voltados à sociologia e as ciências humanas em geral. Historicamente existe uma discussão muito grande de que o CNPq tem muito interesse nas ciências físicas e biológicas, áreas ditas de ciência mais dura, e muito menos interesse nas ciências humanas. Você, como vice-presidente do CNPq e cientista social, diria que existe uma dificuldade do pessoal de ciências humanas em desenvolver pesquisa mesmo ou preferência pelas outras áreas dentro do CNPq?

WP – Há um pouco de preferência, mas não tão grande quanto aparenta ser. Eu recentemente participei de um encontro durante a reunião da SBPC em Manaus esse ano para o qual eu fui convidada. Nós reunimos os presidentes das Sociedades de Ciências Humanas e lá nós apresentamos a eles, ou melhor, ELES nos apresentaram suas propostas. Nós nos colocamos à disposição para ouvir o que a área das ciências humanas tinha a reivindicar. Trocamos muitas idéias. Uma das coisas que eu disse também é que as ciências humanas tratam muito da política, ciências políticas, não é? Elas, no entanto, fazem pouca política. Então eu até ouso dizer aqui de forma muito franca que estas áreas enfocam movimentos sociais, entidades políticas, mas evitam a política no sentido de se posicionar. No entanto, nós produzimos um documento muito rico desta reunião ponderando os investimentos. Uma outra análise feita pelo CNPq com os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, que são os maiores investimentos do MCT e do CNPq em C&T no país, demonstrou que a área das ciências humanas não ficou proporcionalmente tão aquém. Tivemos bons projetos, tivemos grandes montantes de investimento. Então isso não é pouco, hoje são desenvolvidos pelas ciências humanas temáticas tão importantes quanto a questão da Amazônia e meio-ambiente, o genoma. Então eu acho que há uma presença um pouco maior do que supostamente se vê. Por outro lado nós temos agora um edital especialmente voltado para as ciências humanas, eu acho que nós poderíamos fazer uma maior divulgação disso.

EB – Pode deixar que a parte do Ciência à Bessa para divulgar este edital vai ser feita. Você falava há pouco sobre postura política dos cientistas. Cientistas assumindo suas posturas políticas e assumindo até cargos relacionados à política. O que eu vejo, inclusive em mim mesmo, é que essa resistência é fruto de um gosto tão grande por estar dentro do laboratório ou em campo, por aquela ciência nossa, feita em casa. Por que o cientista deveria abrir mão de seu trabalho diário? O que é que o cientista está perdendo ao não se envolver com política?

WP – Eu acho que esse envolvimento urge muito. Nós precisamos recuperar o papel das universidades brasileiras. As universidades, como outras entidades brasileiras como a ABI, a OAB, o IAP, são algumas entidades que tiveram um papel importante na política na época da ditadura. Eu acho que esse papel permanece importante, não existe mais ditadura, mas este engajamento político é importante e me parece que vem sendo esquecido pelas universidades. Independente das nossas filiações políticas partidárias, é apresentar nossas posições políticas que certamente devem ser evidenciadas. E isso vem muito atrelado a um dos papéis mais importantes da universidade que é ser um espaço para o pensamento. Nós temos a demanda da sociedade de suprir uma demanda por profissionais, por novas técnicas ou artes, enfim, várias facetas hoje da sociedade. Mas há uma importante que é a de expressar o que se pensa. A sociedade ainda olha para a universidade em busca do que está sendo pensado, além das competências fundamentais do trabalho e da cultura. Agora, penso que a gente não pode deixar de lado essa demanda que é fundamental como referência do lugar que é capaz de contrapor, expressar o contraditório. Isso desenvolve a consciência, isso desenvolve o espírito crítico, e afinal o que é a universidade senão o lugar da polêmica. A cultura científica vai muito além da nossa produção acadêmica que a gente preza tanto, nossos papers fundamentais, nossos artigos fundamentais, na troca que a gente faz com as universidades. Claro, não se pode viver disso, mas nós também não podemos fugir a uma cultura científica que nos exige um posicionamento e faz com que as nossas instituições abram janelas, abram espaços para veicular o contraditório.

Resultado do sorteio: De cabeça aberta

cabeca aberta

Sorteei noite passada o livro “De cabeça aberta” conforme combinado. Os comentários foram excelentes, muito criativos e apaixonados! Não deixem de conferi-los. O sorteado foi o Mardônio Sarmento, cujo endereço já pequei e logo deverá receber o livro. Continuem acompanhando o blog que em breve teremos outros sorteios.

Pensamento de segunda

Feliz dia das crianças

 

“Um cientista em seu laboratório é como uma criança numa loja de brinquedos.” (Marie Curie)

Pela compreensão pública da evolução

Fui convidado a dar uma palestra no XXVII Encontro Anual de Etologia relacionada ao ensino de evolução. Para isso gostaria de saber a opinião dos meus leitores sobre por que tanta gente ainda tem dificuldade em aceitar a teoria evolutiva por seleção natural, conforme proposta por Darwin há 150 anos (e obviamente amplamente revisada desde então). Para isto peço-lhes que respondam às duas perguntas abaixo, na primeira escolham a que melhor se aplica ao que vocês pensam, mesmo que não cubra tudo. Se o texto não aparecer inteiro na sua tela clique sobre a frase que o texto completo se abrirá. Ajudem também a divulgar a enquete, quanto mais gente responder melhor será minha amostragem para encaminhar a palestra. Desde já obrigado a todos.

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Memórias do cárcere

A restrição da liberdade é uma das formas de punição mais distribuídas nas sociedades humanas, mas também a aplicamos constantemente a animais nos jardins zoológicos. Entre os humanos a reclusão é um estímulo aversivo que pretende inibir determinados comportamentos inaceitáveis, mesmo assim os presos têm seus direitos e até sabem se organizar para fazer exigências, como mostra o filme “Salve Geral” que assisti este final de semana. Já os animais de zoológico, que nada fizeram contra a sociedade, são mantidos em cativeiro com pelo menos três funções:

  1. Preservação ex situ de animais silvestres, ou seja, a manutenção de alguns exemplares protegidos, mesmo que fora de seu ambiente natural.
  2. Possibilidade de pesquisar animais raros ou pouco afeitos ao contato humano.
  3. Ferramenta de educação ambiental para a sociedade aprender a cuidar dos que permanecem em liberdade.

 

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Onças do zoo da UFMT tomando um delicioso picolé de sangue e vísceras nos fundos do seu recinto

 

Assim, é fundamental que os animais ali mantidos tenham a oportunidade de viver da forma mais salutar que a perda da liberdade pode oferecer-lhes. Estas condições de vida ideais são básicas para assegurar os três objetivos mencionados acima, muito embora apenas bem recentemente tenha-se começado a pesquisar formas de proporcionar bem-estar em cativeiro. A principal linha de esforços neste sentido é o enriquecimento ambiental, um tipo de terapia ocupacional para animais cativos. Estas técnicas procuram atiçar os sentidos, entreter cognitiva ou socialmente, desafiar espacialmente ou variar a alimentação dos animais e tem sido utilizada amplamente por zoológicos, mas também em aquários públicos (siiiim, enriquecimento ambiental para polvos e raias!) e a cobaias de laboratório.

 

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Chimpanzé em Curitiba “lê” para afastar o estresse

Fonte: www.uol.com.br/sciam

 

Duas instituições estão em momentos diferentes deste processo por aqui. A Scientific American Brasil publicou recentemente um artigo sobre os trabalhos já bem estabelecidos no Zoológico de Curitiba para enriquecer o cativeiro de répteis, onças e lobos-guará. Segundo o artigo esta iniciativa já atinge 1400 animais ali expostos e reduziu sobremaneira as ocorrências veterinárias entre os animais. A outra face da moeda está no zoológico da UFMT, em Cuiabá, onde meus alunos e eu acabamos de publicar um artigo pela Shape of Enrichment, a maior organização de enriquecimento ambiental de que tenho notícia, sugerindo técnicas de enriquecimento para onças pintadas em um clima muito quente. Por aqui ainda temos muito o que caminhar, mas a interação com os bichos tão íntima como é nos trabalhos de enriquecimento ambiental e o interesse do pessoal da UFMT tornam o caminho muito prazeroso.

 

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Esta pauta foi gentilmente sugerida pela Scientific American Brasil.

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