Um animal é um autômato que só responde a seus instintos?

Algumas pessoas têm a impressão de que animais são máquinas cujas linhas de comando são chamados instintos. Ao nascer um pacote de programas já viria instalado no organismo do animal e seria, pouco a pouco, ativado assim que um determinado evento acionasse aquele comportamento. Tenho um cachorro que é só tocar sua barriga e ele imediatamente se põe a sacolejar as pernas trazeiras, ele foi assim desde sempre, não aprendeu a sentir cócegas num dado momento da vida. Pessoas que entendem animais como autômatos agarram-se a exemplos como esses para justificar sua posição.

É claro que existem comportamentos tão simples que mal são modulados e pouco variam, mas esses são exceção dentro da diversidade de possibilidades comportamentais. Em geral os animais precisam (e são capazes de) adequar seus comportamentos a diferentes situações. Nesse cálculo entram o estado interno do animal, os custos do comportamento em questão e os benefícios que ele irá trazer. Falando assim dá a impressão de que a cada atitude o animal executa um instante de reflexão introspectiva para tomar sua decisão. Nem preciso dizer que não é bem assim, na verdade os animais que erraram nessas contas simplesmente foram extirpados pela seleção natural.

Polvo, Octopus vulgaris

Polvos podem ser tímidos ou curiosos em diferentes lugares. Fonte: eol.org

Desde pequeno sempre fui acostumado a mergulhar em costões rochosos, um de meus prêmios nesses mergulhos era encontrar um tímido polvo no fundo de sua toca em Guarapari. Mais velho fiz uma viagem a Fernando de Noronha e qual não foi minha surpresa ao descobrir que ali os polvos eram  bem mais curiosos com a presença de mergulhadores. Ambos os polvos eram certamente capazes de me perceber ali, mas o custo de matar a curiosidade para o que eu encontrava em Guarapari poderia ser a vida (Esses costões rochosos eram frequentados por pescadores que enxergavam no meu trunfo biológico um delicioso fruto do mar), o de Fernando de Noronha estava a salvo por rígidas leis e fiscalizações, por isso para ele o custo era mais baixo.

Mas então quer dizer que instintos não existem? A resposta desse virá no próximo texto da série.

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