Do Museu ao Convento – passeio comentado

芦Do Museu ao Convento禄 | Passeio comentado

Venha fazer uma visita ao Patrim贸nio Hist贸rico de Tavira, (re)visto pelos olhos de uma Historiadora de Arte e de um Paleont贸logo |聽 21 de Janeiro, 15h

Cartaz do passeio comentado "Do Museu Ao Convento" uma parceria entre o Centro Ci锚ncia Viva de Tavira e o Museu Municipal de Tavira.

Fim Ciclo VII

Cafe Ambrosia – o local habitual para repor os n铆veis de cafe铆na t铆picos de um portugu锚s; muito perto da Universidade do Michigan – Ann Arbor, Michigan, 2005

 

 

 

 

 

 

Mam铆fero e Doutora Vanda Santos… 2003

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mam铆fero e Doutora Vanda Santos, Vale de Meios, 2004

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

University of Michigan, Ann Arbor, Michigan, 2005

 

 

 

 

 

 

Imagens:

De Lu铆s Azevedo Rodrigues excepto a terceira, de Lu铆s Quinta

FOTOS DE TRABALHO

Mus茅um national d’Histoire naturelle, Paris, 2005.

Imagens – Luis聽Azevedo聽Rodrigues

Saudades

N茫o tenho tempo para comentar esta not铆cia.
Apenas para a recorda莽茫o emotiva do primeiro dinoss谩urio que estudei – o Tenontosaurus – no American Museum of Natural History, em Nova Iorque.
Mais do que um Museu, uma casa de Ci锚ncia.
脌s vezes d谩-me para isto…

Refer锚ncia: Lee, A.H. and Werning, S. 2008. Sexual maturity in growing dinosaurs does not fit reptilian growth models. PNAS. January 15, vol. 105 | no. 2, 582-587.

Na China – I

A “hist贸ria” chinesa foi bastante complicada – ver post com outra das hist贸rias.

O contacto inicial foi feito com Xu Xing do IVPP. Ele 茅 respons谩vel por mais 20 esp茅cies novas de dinoss谩urios e publicou mais de 10 artigos na Nature.
Para al茅m de me receber, prop么s-me tamb茅m iniciar trabalho de an谩lise morfol贸gica 3D de cr芒neos de Psittacosaurus, em conjunto com um aluno seu de doutoramento (foto).

Durante a primeira semana de estadia em Pequim, Dong Zhi-ming, um dos “pais” da Paleontologia de dinoss谩urios na China, encontrava-se em Pequim de visita. Falei com ele, contei-lhe o meu projecto e ele convidou-me para, passados 4 dias, nos encontrarmos no sul da China, em Lufeng. Comecei logo a tratar das coisas (arranjar avi茫o pois Lufeng, na prov铆ncia de Yunnan, fica pr贸ximo da fronteira com o Vietname e do Laos) e a improvisar os meus planos iniciais.
Passados esses dias aterrava em Kunming onde tinha colaboradores de Dong Zhi-ming 脿 minha espera, para uma viagem de carro de cerca de duas horas at茅 Lufeng.
Estive cerca de uma semana trabalhando sobretudo em prossaur贸podes, o mais famoso dos quais 茅 o Lufengosaurus (do nome da cidade), mas tamb茅m em diversos saur贸podes, alguns dos quais ainda n茫o descritos.
Fiz tamb茅m prospec莽茫o no campo em conjunto com Dong Zhi-ming nas famosas jazidas do Tri谩sico desta regi茫o.
Este investigador ficou t茫o impressionado com o meu trabalho que me prop么s que regressasse para descrever novos materiais (provavelmente novas esp茅cies, das centenas de ossos que eles t锚m em prepara莽茫o), mas essa hist贸ria fica para mais tarde…

Em Lufeng fui brindado com os manjares entomol贸gicos que os meus colegas me tinham reservado – sou extremamente al茅rgico 脿 picada de abelhas e vespas e quando me puseram 脿 frente um prato de larvas e vespas adultas ia caindo para o lado!
Neste jantar, para al茅m de Dong Zhi-ming e colaboradores, estavam tamb茅m quatro colegas da Mong贸lia Interior, conhecidos, entre outras atributos, por serem resistentes aos efeitos do 谩lcool. Para os chineses, quem aguenta bem a bebida 茅 porque 茅 bom l铆der, disseram-me.
Para al茅m de convidado, era estrangeiro, e nisso os chineses s茫o muito formais, de maneira que de 5 em 5 minutos levantava-se um chin锚s, fazia-me um brinde e beb铆amos ambos um trago de aguardente de arroz. Como eles eram dez e eu o 煤nico convidado, tive que efectuar v谩rios brindes com aguardente…
Dong Zhi-ming contou-me, no dia seguinte, que os colegas mong贸is tinham ficado impressionados comigo porque nunca abandonei as boas maneiras nem alterei o tom de voz, e isso para eles 茅 sinal de for莽a interior. N茫o sei se 茅 ou n茫o, o certo 茅 que nesse dia tinha uma certa dor de cabe莽a!

Lufeng 茅 uma cidade muito pequena, mesmo para os standards chineses, semi-rural e onde quase nunca v茫o estrangeiros – 茅 impressionante como estavam sempre a olhar para mim quando andava na rua…!
Recordo-me de sair um dia 脿 noite e num restaurante (o mais pr贸ximo que se pode dizer daquele espa莽o…) onde entrei para me aventurar nas surpresas gastron贸micas, estar vazio. Passada meia-hora, j谩 quase n茫o haviam mesas para chineses que apenas tinham dois objectivos: beber ch谩 e mirar o ocidental que pensava em dinoss谩urios saur贸podes, enquanto tentava adivinhar o que lhe tinham colocado no prato!

Foi tamb茅m em Lufeng que ao sair de um riquex贸 motorizado (basicamente uma moto com uma cobertura atr谩s – foto) me deixaram 脿 porta de uma pens茫o que n茫o era a minha. Era de noite, n茫o tinha o nome do s铆tio onde estava nem t茫o pouco sabia minimamente onde me encontrava. Para al茅m de n茫o esperar que algu茅m soubesse falar ingl锚s, e o meu ultra-b谩sico mandarim n茫o dar para me safar daquela situa莽茫o, foram uns minutos de completa impot锚ncia. Senti-me ao mesmo tempo como uma crian莽a perdida no supermercado e como um adulto imbecil. Depois de ter recuperado a calma abordei o condutor do riquex贸 com as palavras “Kong long, kong long!” que significam “dinoss谩urio, dinoss谩urio”, uma das poucas que sei em mandarim.
Ap贸s o ter repetido v谩rias vezes e o chin锚s ter recuperado das gargalhadas iniciais, l谩 deduziu que eu queria que ele me conduzisse ao Museu dos Dinoss谩urios.
脡 que a partir do Museu sabia eu o caminho!
Terminei a noite, com a cabe莽a de fora da caixa motorizada a gesticular “esquerdas e direitas” at茅 ao meu hotel no sul da China.
J谩 andei por grande parte do mundo e nunca me tinha sentido t茫o “perdido” como naqueles cinco minutos…