Geologia e Paleontologia Urbana – livros

CAPA GUIA LAGOS (Large)Ao fim de alguns anos são agora publicados três livros bilingues, português e inglês, que escrevi em parceria relativos à Geologia e Paleontologia Urbana de três cidades portuguesas, mais concretamente do Algarve РFaro, Lagos e Tavira.

Como sou o autor, parece-me mais adequado transcrever o que foi escrito sobre estes livros em dois jornais.
Entrevista na r√°dio nacional Antena1 pode ser escutada aqui.

“Um¬†projeto pioneiro, inovador e original¬Ľ √© como Lu√≠s Rodrigues, diretor do Centro de Ci√™ncia Viva de Lagos (CCVL), define os novos Guias de Geologia e Paleontologia Urbana que, no conjunto, prop√Ķem mais de uma centena de descobertas em tr√™s cidades algarvias. O primeiro, dedicado a Lagos, vai ser lan√ßado sexta-feira, 29 de janeiro.

Ci√™ncia, hist√≥ria e patrim√≥nio juntam-se para uma proposta simples ‚Äď descobrir diferentes tipos de rocha em Geologia e ambiente urbano, admirando o seu enquadramento e contexto espec√≠ficos. ¬ęA geologia e paleontologia urbana explicam a hist√≥ria das rochas que constroem os nossos equipamentos. A ideia √© visitar locais nas cidades, olhando para aquilo que os constr√≥i, os materiais com diferentes origens, percursos e idades. Muitas destas rochas t√™m vest√≠gios vis√≠veis de seres vivos com milh√Ķes de anos¬Ľ, explica Lu√≠s Rodrigues, mentor dos novos guias.

A ideia surgiu em 2013, quando coordenava em simult√Ęneo os Centros de Ci√™ncia Viva de Faro, Tavira e Lagos. O objetivo era criar um produto (guias) e atividade (visitas), que pudessem de alguma forma unir os tr√™s centros algarvios.

GUIA AMOSTRA 1 (Large)¬ęTodas as semanas fazia algo que me dava imenso prazer. Circulava pelas cidades √† procura de diferentes rochas. √Č uma maneira diferente de olhar para as coisas. Isso √© tamb√©m um dos principais objetivos destes guias, ou seja, desafiar as pessoas a modificar um pouco a maneira como olham para as rochas e verem tudo o que normalmente lhes passa despercebido¬Ľ, explica.
Os três primeiros Guias de Geologia e Paleontologia Urbana são dedicados às cidades de Lagos, Faro e Tavira. Os percursos sugerem pontos de interesse variados, desde cafés, muralhas, igrejas, praças, monumentos e conventos, até cemitérios, entre outros.

GUIA AMOSTRA 3 (Large) (2)¬ęEmbora existam publica√ß√Ķes de car√°ter cient√≠fico, este √© um projeto pioneiro a n√≠vel nacional em termos de livros destinados ao grande p√ļblico¬Ľ. √Č uma forma de despertar o interesse e aproximar os residentes, escolas e o turismo da geologia e paleontologia.

Al√©m disso, ¬ęprovam que o Algarve tem muito mais do que sol e praia para oferecer. Enriquecem ainda mais a oferta tur√≠stica e cultural no Algarve¬Ľ, sublinha.”

¬ęA nossa miss√£o nos Centros de Ci√™ncia Viva √© promover a ci√™ncia e tecnologia, mas estas n√£o est√£o isoladas de tudo o resto. A arte, a hist√≥ria, o patrim√≥nio est√£o tamb√©m aqui presentes.
Desenvolvemos uma estrat√©gia que permitiu integrar v√°rias √°reas do conhecimento¬Ľ.

GUIA AMOSTRA 5Participaram ainda na concepção dos Guias Rita Manteigas, historiadora e autora responsável pelos textos de complemento histórico, e Margarida Agostinho, professora de Biologia e Geologia e Ciências naturais, em Lagos.

O cemit√©rio da Igreja do Carmo, em Tavira, √© um dos pontos de paragem que mais encantou Rodrigues. ¬ęGosto muito desta hist√≥ria. Neste cemit√©rio existe a campa de um soldado. Com o tempo, a eros√£o fez aparecer amonites. Aos meus olhos, acabam por ser dois seres vivos que l√° est√£o sepultados. Um humano e um outro ser com mais de 100 milh√Ķes de anos. H√° ali uma partilha entre seres de diferentes esp√©cies e diferentes tempos, e tem, para mim, um simbolismo quase po√©tico¬Ľ, revela.

GUIA AMOSTRA 6Outro exemplo √© o tampo do balc√£o de um caf√©. ¬ęEntrei apenas para pedir um caf√©. No entanto, comecei a olhar para esta rocha incr√≠vel que era o tampo do balc√£o, com mega cristais e aur√©olas verdes enormes. Vim a descobrir que √© um impressionante granito finland√™s. A rocha mais antiga do nosso percurso em Tavira. Os donos n√£o tinham no√ß√£o. Disseram-me que achavam-no bonito e o tinham aproveitado de um outro caf√©¬Ľ.

Excerto do Jornal Barlavento

Margarida-Agostinho-e-Luis-Azevedo-Rodrigues_Centro-Ciencia-Viva-de-Lagos-1-1250x596Quem entra numa igreja para a visitar, olha para as pedras dos arcos, p√≥rticos e colunas, mas apenas para apreciar o estilo e a mestria de quem as esculpiu. Mas agora h√° um guia que quer p√īr os visitantes a olhar de outra forma para as pedras, que at√© contam hist√≥rias bem mais antigas que o pr√≥prio monumento.

Se j√° teve a sorte de apanhar aberta e visitar a Igreja de S√£o Sebasti√£o, em Lagos, certamente nunca reparou nos f√≥sseis com 150 milh√Ķes de anos que existem na rocha em que √© feita a pia batismal. E quem fotografa o D. Sebasti√£o, na baixa da cidade, talvez nunca tenha olhado bem para as quatro diferentes rochas que foram usadas pelo escultor Jo√£o Cutileiro para fazer a est√°tua do rei menino.

GUIA AMOSTRA 4 (Large)Amanh√£ , no √Ęmbito dos festejos do feriado municipal de Lagos e do s√©timo anivers√°rio do Centro Ci√™ncia Viva da cidade, este CCV vai lan√ßar o ¬ęGuia de Geologia e Paleontologia Urbana de Lagos¬Ľ, da autoria de Lu√≠s Azevedo Rodrigues e Margarida Agostinho, que pretende, precisamente, dar a conhecer as rochas e os f√≥sseis que fazem parte de igrejas, monumentos e outros edif√≠cios e equipamentos urbanos.

Este √© o primeiro de uma s√©rie de tr√™s guias a ser editados em 2016, sobre as tr√™s cidades algarvias com Centros Ci√™ncia Viva ‚Äď Faro, Lagos e Tavira. Os de Faro e Tavira, segundo revelou Lu√≠s Azevedo Rodrigues ao Sul Informa√ß√£o, dever√£o ser lan√ßados durante o pr√≥ximo m√™s de Fevereiro.

Luis-Azevedo-Rodrigues_Centro-Ciencia-Viva-de-Lagos-1-1250x596 (1)O diretor do CCV de Lagos, ele pr√≥prio doutorado em Paleontologia, conta que a ideia de fazer estes guias surgiu quando era coordenador dos tr√™s Centros Ci√™ncia Viva existentes no Algarve, numa ¬ętentativa de coordenar a sua interven√ß√£o e de os unir num projeto comum¬Ľ. A ideia, explica em entrevista ao nosso jornal, ¬ęfoi criar um roteiro usado pelos CCV para divulgar a cidade, mas sob o ponto de vista geol√≥gico e paleontol√≥gico¬Ľ.

GUIA AMOSTRA 2 (Large)¬ęO que quer√≠amos √© que as pessoas fossem, por exemplo, visitar uma igreja ou as muralhas e olhassem tamb√©m para os materiais geol√≥gicos que constroem esses monumentos. Essas rochas t√™m uma hist√≥ria, uma cronologia, por vezes t√™m f√≥sseis, outras vezes vieram de muito longe para serem usadas neste ou naquele edif√≠cio, fizeram um longo caminho para c√° chegar¬Ľ.”

Excerto do jornal Sul Informação

 

Imagens: do jornal Barlavento e dos Guias de Geologia e Paleontologia Urbana de Lagos, de Faro e de Tavira.

GUIA AMOSTRA 7GUIA AMOSTRA 8Referências:
Rodrigues, L.A. and Agostinho, M. (2016) Tavira ‚Äď Guia de Geologia e Paleontologia Urbana – Urban Geology and Paleontology Guide. Lagos Ci√™ncia Viva Science Centre Editions, 120pp. ISBN 978-989-99519-0-7.
Rodrigues, L.A. and Agostinho, M. (2016) Lagos ‚Äď Guia de Geologia e Paleontologia Urbana – Urban Geology and Paleontology Guide. Lagos Ci√™ncia Viva Science Centre Editions, 124pp. ISBN 978-989-99519-2-1.
Rodrigues, L.A. and Agostinho, M. (2016) Faro ‚Äď Guia de Geologia e Paleontologia Urbana Urban Geology and Paleontology Guide. Lagos Ci√™ncia Viva Science Centre Editions, 114pp. ISBN 978-989-99519-1-4.

Estrelas Android num T√°xi

il_570xN.263641096Numa era digital de pós-especialistas (ou pós-sábios), a comunicação de Ciência deve assentar mais num modelo de troca de conversa do que propriamente de homilia de registo científico, ou pelo menos algo assim diz parte do artigo abaixo que agora cito:

¬ęThe biggest challenge of the digital age for science communication is the shift from the ‚Äúbroadcast‚ÄĚ model, where a network or magazine broadcasts information, to a ‚Äúconversation‚ÄĚ model, whereby someone generates information and others comment, share, and add to it. Because anyone can comment, blog, or tweet, the online conversation dilutes expert voices.¬Ľ

A título de parábola, conto parte do meu dia de hoje.

Atrasado e stressado para o comboio, relembrei as horas ao taxista com a seguinte provocação:
‚ÄúSabe que est√° melhor tempo c√° por Lisboa do que no Algarve, para onde vou √†s seis e meia?‚ÄĚ

Despertado pela recorda√ß√£o das terras do meu filho, o condutor come√ßou por enumerar as praias algarvias onde j√° tinha estado; depois as maravilhas de um ‚ÄúAlgarve que fiquei a gostar desde a primeira vez que l√° por l√° parei e de que n√£o gostava, mesmo sem nunca antes l√° ter estado!‚ÄĚ

Conversa puxa conversa e praia, pelos vistos, puxa praia, acabámos por chegar às pegadas de dinossauro da Salema. Nunca vi, nem sabia que existiam, não os dinos, as pegadas, disse-me o motorista.
Que sim, que o Ciência Viva faz por lá bastantes visitas guiadas, e não se atrase, veja lá o caminho que tenho comboio, e as pegadas são de fácil acesso, publicitava e avisava eu.
Cala-se o homem.
J√° fui chato mais uma vez. J√° n√£o bastava o m√©dico de onde tinha sa√≠do ter-me dito ‚ÄúVoc√™ √© dif√≠cil de aturar‚Ķ mas pelo menos faz-me rir!‚ÄĚ, pensei eu para o sil√™ncio do tipo que agarra o volante.

‚ÄúIsso da Ci√™ncia Viva fez-me lembrar uma coisa‚ÄĚ, apontando para o GPS.
Ok, satélites, já sei o que me vais contar.
‚ÄúDesde que descarreguei a aplica√ß√£o X para o telem√≥vel, n√£o passo sem ver o c√©u; farto-me de ver estrelas‚Ķ‚ÄĚ, assim e assado, que as estrelas duplas n√£o sei o qu√™, que quer um telesc√≥pio e mais n√£o sei o qu√™ das gal√°xias.
‚ÄúVenha este s√°bado ao Centro de Lagos, que vai haver uma observa√ß√£o astron√≥mica‚ÄĚ, disse-lhe e o homem content√≠ssimo s√≥ me perguntava:
‚ÄúMas posso levar o telem√≥vel?‚ÄĚ
Traga, que depois explica-nos como é que isso funciona e temos lá gente para lhe mostrar o céu até mesmo com os seus olhos, piquei-o eu em jeito de despedida.
A promessa ficou feita ‚Äď que iria l√° estar, pois tinha que ir buscar a filha a Lagos.
Gostava que fosse.
Se vai ou não, essa é outra história de que não sei o final.

il_570xN.263621813O que sei √© que h√° motoristas de t√°xi, que com aplica√ß√Ķes de telem√≥vel v√™m o c√©u sozinhos mas que est√£o mortinhos com quem falar, seja de estrelas duplas, ou n√£o sei o qu√™ de J√ļpiter, de modelos de telesc√≥pio, e muito mais, se houvesse tempo e a CP esperasse por mim.
O telemóvel com aplicação prejudica a comunicação/divulgação de Ciência? Não, antes pelo contrário.
Imprescindível é que não se deixe o motorista a falar para o boneco…ou para o telemóvel, neste caso.

Porque vivo melhor quando um taxista vê e me fala de estrelas,  mesmo sendo com a ajuda de um telemóvel.
Ou n√£o?

P.S.- tudo isto se passou, com maior ou menor verosimilhança, no dia 18 de Junho de 2014, em Lisboa, à espera de uma consulta médica e onde li o artigo que acima cito e abaixo refiro.

Referência:

Amy Luers and David Kroodsma (2014), Science Communication in the Post-Expert Digital Age,¬†Eos, Transactions, American Geophysical Union Volume 95, Number 24, 17 June 2014. Eos, 95: 201‚Äď208. doi: 10.1002/2014EO24
PDF gratuito aqui

Imagens:
daqui e daqui

Admir√°vel Mundo Velho

brown,rain,robots,city,ruins,illustrationO futuro não somos nós. São eles.
Eles quem?
Os rob√īs, n√£o percebes.
Não avariam, não chateiam, enfim, não nada do que impede o desenvolvimento e o avanço.
Avanço e mais avanço, que ficar quieto é tudo menos bom e ser menos que bom é pior do que ser mau.
E isso não é bom.
Ser rob√ī ent√£o √© o futuro e o futuro ser√° deles e feito por eles.
Nisso é que os japoneses são bons.
Em serem futuro.
Ou isso era no passado, que agora o futuro é dos chineses.
Ou dos rob√īs?
Bem, o que interessa √© que eles, os rob√īs, fariam tudo, melhor e mais r√°pido e assim √© que era.
M√°quinas. Carros.
Isso, a fazerem carros é que eles maquinam bem.
Mas a m√°quina n√£o p√°ra, pelo menos a humana. E pensa.
E maquinou tanto e tão bem que chegou à conclusão de que se calhar era bom não ser só bom.
Como os rob√īs.
E devolveu esses primatas com pernas, com defeitos e pensamentos, ao lugar na f√°brica.
Que defeitos e pensar é bom, melhor do que ser bom sem pensar, penso eu.
E os rob√īs?
Bem, esses ficam para outras coisas.
Antes é que era bom.
O depois é que o confirmou.
Apenas isto.

 

P.S. del√≠rio sugerido pela not√≠cia de que a Toyota vai substituir os rob√īs

Imagem: daqui

“Toyota j√° come√ßou a substituir robots por humanos

Publicado em 20 de Abril de 2014.

Os fabricantes de automóveis há muito que abraçaram a automação e substituíram os humanos por robots. Contudo, a Toyota está a dar um passo atrás e a substituir as máquinas por pessoas em algumas fábricas no Japão.

A decis√£o da Toyota √© uma escolha n√£o convencional para uma empresa japonesa. O Jap√£o tem, de longe, o maior n√ļmero de robots industriais de qualquer pa√≠s. Apenas √© ultrapassado pela Coreia do Sul no que toca ao r√°cio de robots para humanos.

Esta nova estrat√©gia da fabricante japonesa assenta em dois aspectos. Primeiramente, a Toyota quer certificar-se de que os seus trabalhadores percebem o trabalho que est√£o a fazer em vez de apenas fazerem chegar as pe√ßas √†s m√°quinas e n√£o terem utilidade quando estas se avariam. Em segundo, a marca quer desenvolver maneiras de aumentar a qualidade do processo de montagem e torn√°-lo mais eficiente a longo prazo. A automa√ß√£o pressup√Ķe que a empresa tenha muitos trabalhadores medianos e poucos artes√£os e mestres.

Desde que a Toyota implementou esta estratégia em 100 fábricas, o desperdício de material na linha de produção diminuiu 10% e o processo de montagem tornou-se mais curto. Foram também registadas melhorias no processo de corte das partes e a redução dos custos relativos à montagem dos chassis.

‚ÄúN√£o podemos simplesmente depender de m√°quinas que repetem a mesma tarefa vezes sem conta‚ÄĚ, afirmou o director de projectos Mitsuru Kawai, citado pelo¬†Quartz. ‚ÄúPara se ser mestre das m√°quinas √© necess√°rio ter o conhecimento e ferramentas para ensinar as m√°quinas‚ÄĚ, assevera.”

Documentário: A História de Um Erro

A Comunicação de Ciência faz-se também pelo cinema e outras formas de expressão audiovisual.
Joana Barros, “estudou Gen√©tica Molecular no¬†Kings College London¬†e fez o doutoramento em Biologia Celular no¬†Institute of Cancer Research¬†no Reino Unido”, foi a realizadora deste document√°rio que aborda uma doen√ßa a partir de quem por ele √© afectado. Mostra tamb√©m que a express√£o e divulga√ß√£o de temas cient√≠ficos, mas n√£o s√≥, pode ser assumida por quem faz Ci√™ncia.

Joana Barros esteve na organização de (A)Mostra | Filmes e Ciência, no congresso de Comunicação de Ciência SciCom 2013.

O comunicado de Imprensa da Associação Viver a Ciência sobre o documentário que espero ver, tão breve quanto possível:

SlideshowEstreia1_siteDocumentário português sobre a Paramiloidose estreia nas Curtas de Vila do Conde

A Paramiloidose, ou “doen√ßa dos pezinhos”, como √© apelidada, √© uma doen√ßa gen√©tica fatal particularmente prevalente em Portugal. Os sintomas aparecem normalmente por volta dos 30 anos de idade e conduzem r√°pida e progressivamente ao colapso motor e sensitivo do organismo e em poucos anos √† morte.
A histoIŐÄ ria de um erro (1)Cada filho de um portador de Paramiloidose tem 50% de probabilidade de herdar o erro gen√©tico do seu progenitor, e como os sintomas s√≥ aparecem na idade adulta muitos portadores j√° t√™m filhos quando ficam doentes. Encontramos hoje fam√≠lias marcadas h√° muitas gera√ß√Ķes pela morte precoce dos seus familiares, mas tamb√©m pacientes que, por caprichos da biologia, desconheciam a exist√™ncia da doen√ßa nas suas fam√≠lias. Em qualquer um dos casos as consequ√™ncias individuais e familiares de um diagn√≥stico positivo s√£o avassaladoras.

A doença foi descrita pela primeira vez por Corino de Andrade, em 1952, desencadeando uma série de estudos que vieram mudar para sempre a vida dos portadores de Paramiloidose. Este documentário é um testemunho desse percurso, focado nas histórias de quem convive diariamente com a doença, não só portadores e familiares, mas também os médicos, cientistas, assistentes sociais e dirigentes associativos que dedicam as suas vidas a estes doentes.
O filme é também um veículo de conhecimento sobre a doença e sobre as importantes descobertas que permitem hoje aos seus portadores terem uma vida muito diferente da dos seus antepassados.

O filme ‚ÄúA hist√≥ria de um erro‚ÄĚ, realizado por Joana Barros, da Associa√ß√£o Viver a Ci√™ncia, vai estrear no dia 7 de Julho, no Festival Curtas em Vila do Conde.
A longa metragem documental ‚ÄúA hist√≥ria de um erro‚ÄĚ, realizada com o apoio da Funda√ß√£o Calouste Gulbenkian e da Funda√ß√£o para a Ci√™ncia e Tecnologia, vai ser apresentada pela primeira vez no dia 7 de Julho pelas 17h no Teatro Municipal de Vila do Conde, no √Ęmbito do 21.¬ļ Festival de Curtas de Vila do Conde.”

Document√°rio “A hist√≥ria de um erro” (Teaser) from Associa√ß√£o Viver a Ci√™ncia on Vimeo.

Document√°rio “A hist√≥ria de um erro” (Teaser 2) from Associa√ß√£o Viver a Ci√™ncia on Vimeo.

SciCom PT 2013: algumas ideias sobre comunicação de ciência

Aqui ficam algumas notas do Congresso de Comunicação de Ciência em Portugal (SciCom PT 2013), que decorreu nos dias 27 e 28 de Maio no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa Рem modo telegráfico.

Roberto Keller-Perez

1) Conheci diversas pessoas com quem interagia h√° muito mas que nunca havia contactado pessoalmente. A frase que mais utilizei no SciCom foi ‚ÄúFinalmente conhecemo-nos em pessoa, fora do Facebook/Twitter/mail!‚ÄĚ.
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Parecendo que não, e parafraseando o José Vítor Malheiros, nada como o contacto pessoal para a comunicação ser melhor. E isto é importante em Comunicação de Ciência.

603058_532781540118721_78180035_n2) A Comunicação de Ciência deve servir para que os cientistas divulguem o seu trabalho. Mas também para que parem, pensem e meditem sobre o que andam a fazer profissionalmente. De outra forma: a divulgação de Ciência pode ser para o cientista um momento zen (ou de horror) perante o seu trabalho e as perguntas científicas que lhe estão na base. Baudouin Jurdant disse-o e concordo, embora ele não precise da minha opinião para nada.

3) A generalidade dos cientistas e comunicadores de Ciência não sabe comunicar visualmente.
Esta foi uma das ideias da sess√£o que moderei, Comunica√ß√£o Visual na Comunica√ß√£o de Ci√™ncia. Vendo a generalidade dos posters e apresenta√ß√Ķes do SciCom PT verifiquei que os comunicadores de Ci√™ncia necessitam investir mais na sua literacia visual. Esta necessidade pode ser respondida por colabora√ß√Ķes interdisciplinares, com ilustradores de Ci√™ncia e designers de comunica√ß√£o.

419994_532779290118946_971022329_nSe √© verdade que nos √ļltimos anos tem sido feito um esfor√ßo grande na forma√ß√£o dos comunicadores de Ci√™ncia, sobretudo fornecida por jornalistas, tamb√©m √© certo que a forma√ß√£o na componente visual tem sido minorada ou apenas negligenciada.

4) O p√ļblico, em particular as crian√ßas e os jovens, pode colaborar em projectos de divulga√ß√£o atrav√©s da formula√ß√£o de perguntas directas aos cientistas.

378133_532780246785517_2035098939_nColocar perguntas objectivas, como se de hip√≥teses a testar se tratassem. Pedro Russo* disse-o e complementou que, apesar de dif√≠cil, esta abordagem √© muito interessante ao n√≠vel da participa√ß√£o do p√ļblico na Ci√™ncia.

Esta perspectiva pode gerar alguma resist√™ncia pelas dificuldades formais na sua implementa√ß√£o pr√°tica. Reconhe√ßo que sim mas √© um dos pontos fundamentais no envolvimento do p√ļblico na Ci√™ncia: permitir que fa√ßam quest√Ķes cient√≠ficas, por mais banais que sejam.

3928_532326933497515_547621968_n5) Apesar de estar rodeado de comunicadores de ci√™ncias, tarimbados no contacto pessoal e capacidade de resumir e comunicar, verifiquei que uma frase e um objecto conseguem intimidar a generalidade. A frase √© ‚ÄúTens 45 segundos para mim?‚ÄĚ e o objecto um gravador. Compreendo que o tempo est√° caro, que a minha figura pode ser intimidante, especialmente quando o tento evitar, mas sempre esperei que o gravador os acalmasse. A verdade √© que muitos dos colegas comunicadores de Ci√™ncia se assustam com um gravador, pelo menos ao in√≠cio.

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As breves respostas de alguns dos comunicadores de Ciência que estiveram no SciCom poderão ser ouvidos no programa Ciência Viva À Conversa especial Рabaixo.

Livro de resumos do SciCom PT (PDF).

Até ao SciCom PT 2014 no Porto!

Os depoimentos de alguns participantes ficaram registados em mais um programa Ciência Viva À Conversa.

*Pedro Russo apresenta neste texto “Porque √© que o P√ļblico se h√°-de Interessar (em Ci√™ncia)?“a sua comunica√ß√£o convidada e √© um excelente texto sobre a Comunica√ß√£o de Ci√™ncia – podem tamb√©m descarregar a sua apresenta√ß√£o.

Imagens: Estas e outras fotos de Roberto Keller-Perez do congresso poder√£o ser vistas aqui.

Congresso SciCom 2013

Apenas algumas linhas antes de rumar a Lisboa para participar no Congresso SciCom 2013.
A minha participa√ß√£o passou pelo (honroso) convite para fazer parte da Comiss√£o Cient√≠fica, ter avaliado bastantes abstracts, dois p√≥sters (“Das Igrejas √Äs Cal√ßadas: Geologia e Paleontologia Urbanas no Algarve” e “Um Gravador e Pessoas: divulgar a Ci√™ncia na r√°dio”).

No √ļltimo dia irei moderar as apresenta√ß√Ķes e debate “A comunica√ß√£o visual na comunica√ß√£o de ci√™ncia

O livro de resumos e programa poderão ser descarregados aqui.

At√© l√°…

scicom-blogue2Congresso de Comunicação de Ciência

SciCom PT 2013

:: Envolver o p√ļblico
:: Envolver os cientistas
:: Envolver os media

27 e 28 de Maio de 2013 | Pavilh√£o do Conhecimento, Lisboa

O Congresso de Comunicação de Ciência 2013 pretende ser um ponto de encontro e discussão para todos os que trabalham e se interessam pela comunicação e divulgação da Ciência.
A comunidade de profissionais que se dedicam √† investiga√ß√£o, promo√ß√£o, comunica√ß√£o e dissemina√ß√£o de ci√™ncia em Portugal tem-se desenvolvido consideravelmente nos √ļltimos anos, com o correspondente aumento na quantidade e qualidade do trabalho realizado nestas √°reas. Paralelamente a este crescimento, o interesse pelas quest√Ķes cient√≠ficas e tecnol√≥gicas e a procura de informa√ß√£o cient√≠fica aumentou de forma sens√≠vel nos diferentes sectores do p√ļblico.

Com esta evolu√ß√£o, tamb√©m amplificaram as oportunidades e a necessidade de actualiza√ß√£o, de debate e de interac√ß√£o na comunidade de profissionais de comunica√ß√£o de ci√™ncia. O Congresso de Comunica√ß√£o de Ci√™ncia ‚Äď SciCom PT 2013 pretende ser uma plataforma ao servi√ßo desses objectivos.”


A partir já de amanhã, e antecedendo os dois dias de congresso, começa a (A)Mostra | Filmes e Ciência.

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“Organizada pela Associa√ß√£o Viver a Ci√™ncia (VAC) no √Ęmbito do Congresso de Comunica√ß√£o de Ci√™ncia SciCom 2013, apresentar√° um panorama de trabalhos produzidos nesta √°rea em Portugal nos √ļltimos 10 anos, desde longas-metragens documentais a v√≠deos educativos e epis√≥dios de s√©ries televisivas.

Os Paquidermes do Rei D. Manuel I

360_rectInforma√ß√£o recebida da Funda√ß√£o Calouste Gulbenkian¬†relativa √†¬†exposi√ß√£o¬†360¬ļ Ci√™ncia Descoberta

Os Paquidermes do Rei D. Manuel I. Elefantes E Outra Exótica na Menagerie da Corte Portuguesa

13 março | Annemarie Jordan, Centro de História de Além-Mar, Lisboa

Os encontros com novos mundos na √Āsia, √Āfrica e nas Am√©ricas proporcionaram √† Corte portuguesa uma oportunidade √ļnica para obter animais selvagens desconhecidos. O com√©rcio e as rela√ß√Ķes comerciais trouxeram essas novidades para a Europa, abrindo mercados globais que os colecionadores reais portugueses exploraram com o apoio de comerciantes e agentes. Quanto mais ex√≥tico fosse o animal mais era valorizado. Os animais dom√©sticos ex√≥ticos davam cor √† vida quotidiana, √†s festas e entretenimentos, desempenhando um papel essencial na cria√ß√£o de cole√ß√Ķes reais ao longo do s√©culo dezasseis. As cole√ß√Ķes de animais ferozes em jaulas tornaram-se no prolongamento ao ar-livre das Kunstkammer (Gabinetes de Curiosidades) e o colecionar animais europeus, africanos e asi√°ticos refletia, de forma microc√≥smica, as cole√ß√Ķes de raridades no interior, exibidos em jardins sumptuosos, tamb√©m eles plantados com √°rvores e flores ornamentais importadas. Os colecionadores reais na Renascen√ßa dedicavam-se a uma cultura de cole√ß√Ķes de animais ferozes em jaulas e de jardins, de acordo com a qual animais e plantas, s√≠mbolos do poder e prest√≠gio de um propriet√°rio, eram reunidos e plantados para deslumbrar e assombrar.

ANNEMARIE JORDAN GSCHWEND

A Research Scholar with the Centro de História de Além-Mar (CHAM) in Lisbon and Switzerland since 2010, she obtained her Ph.D in 1994 from Brown University, writing a dissertation on the court, household and collection of Catherine of Austria, queen of Portugal (1507-1578). Her areas of specialization include patronage, collecting, menageries and Kunstkammmers at the Renaissance courts in Austria, the Netherlands, Spain and Portugal. In recent years, this research has focused on the court culture, patronage and collections of Habsburg women: in particular the sisters, wives and aunts of the rulers: Philip II of Spain, and the Emperors Charles V and Maximilian II. A further specialization of hers focuses on the cultural and artistic transfer between Africa, Asia, Brazil and the Renaissance Habsburg courts.

She is author of numerous publications (articles, exhibition catalogue essays and contributions in books), including her own books: Retrato de Corte em Portugal. O legado de Ant√≥nio Moro (1552-1572), (Lisbon, 1994), The Story of S√ľleyman. Celebrity Elephants and other Exotica in Renaissance Portugal (Zurich, 2012), and a recent biography on the Portuguese queen, Catherine of Austria: Catarina de √Āustria. A rainha colecionadora, (Lisbon, 2012). She wrote several entries on Portuguese royal patrons and patronage for the Macmillan Dictionary of Art (London, 1996), and contributed two lengthy essays on the queens Leonor and Catherine of Austria for the Getty Foundation project: The Emperor Charles V and the Inventories of the Imperial Family, directed by Fernando Checa Cremades, published in 3 volumes (Madrid, 2010).

Dr Jordan was recently decorated by the Portuguese government with the Order of Henry the Navigator for guest curating the international exhibition:  Ivories of Ceylon. Luxury Goods of the Renaissance, which venued in 2011 at the Museum Rietberg in Zurich. This was the first exhibit ever on Portugal during the Age of Discovery to be shown in Switzerland.

Since 2008, she has been Project Director and Coordinator of a 5 year research project funded by the J. Paul Getty Foundation in Los Angeles on the life and career of the Austrian Imperial Ambassador in Spain, Hans Khevenh√ľller. The publication of Statesman, Art Agent and Connoisseur: Hans Khevenh√ľller, Imperial Ambassador at the Court of Philip II of Spain is expected in 2013-2014.”

 

Calvin das Neves

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Depois de ter lido estas declara√ß√Ķes do Catedr√°tico Jo√£o C√©sar das Neves¬†recordei-me do pensamento de um seu colega, Calvin.

O Calvin faz-me sorrir; o João César nem por isso.

 

Referências:Revista Visão e Calvin and Hobbes.

 

MATH ATHEIST (Medium)

Carneiros, pardais e Copérnico

Sistema solar JoePlockiPelo Natal, um salto de pardal.
Em Janeiro, salto de carneiro.

A minha avó Rosa, mulher rija do Douro e de quem herdei a cor dos olhos e algum mau-feitio, contava-me este provérbio.
De memória, que de outro registo não sabia.
Sempre me socorri desta frase para explicar os dias tristes de Inverno, com longas noites e curtos dias, na esperança de que o tempo das tardes grandes finalmente chegasse.
De há uns anos para cá, o mantra da avó Rosa começou a intrigar-me: porque é que do Natal para Janeiro o crescimento dos dias é tão notório?

A avó Rosa, tenho a certeza, sabia muito da vida e de contar histórias (motivo pelo qual eu gostava de ficar em casa doente …mas isso é outro rosário), mas desconhecia a forma da órbita da Terra, bem como a inclinação do eixo do nosso planeta.

Os dias crescem e decrescem, todos n√≥s observamos o fen√≥meno ao longo do ano. Mas ser√£o essas varia√ß√Ķes uniformes, at√© que ponto est√° o prov√©rbio da dura√ß√£o dos dias est√° correcto?

A dura√ß√£o dos dias est√° dependente sobretudo da inclina√ß√£o do eixo da Terra relativamente ao seu plano de √≥rbita. O nosso planeta n√£o est√° perfeitamente verticalizado relativamente √† sua √≥rbita em torno do Sol, sendo a inclina√ß√£o de aproximadamente 23.5¬ļ.
Se a avó Rosa fosse viva, dir-lhe-ia que a Terra era como um carrossel a girar em redor do Sol mas que os animais e os bancos de madeira estavam inclinados. A avó Rosa responderia apenas que o carrossel estava mal feito. Eu refilava: para além de inclinado, o girar do carrossel também não era perfeito.
crochetNesse momento agarrava-a pelo avental, porque a avó Rosa estaria já farta da minha história, e completava que a torre que costuma estar no centro do carrossel também não estaria bem no centro. Assim, as crianças que andam neste carrossel ora passam mais próximo da torre, ora se afastam dela, a cada volta que dão.
Mas que raio de carrossel mais estranho pensaria a Rosa Correia de Galafura.

E que tem isto que ver com os dias e os carneiros de Janeiro?
Esta história, que gostaria ter contado à minha avó, ilustra as duas condicionantes da variação da duração dos dias e das noites ao longo do ano.
A soma destes dois efeitos Рefeito da órbita elíptica da Terra (ou ligeiramente elíptica) e a inclinação do seu eixo relativamente ao plano de órbita, são os motivos dos dias crescerem e decrescerem ao longo do ano.
Dirão os mais atentos que até agora nada de novo, tirando a avó Rosa que desconheciam.

Pois foi ela mesmo, e o dia de Copérnico, que me fizeram acabar este simples texto que perdurava na gaveta digital de textos inacabados.
A Rosa de Galafura sabia de histórias e muitas me contou.
Copérnico sabia apenas o seu lugar no Universo, o que não é nada mau.

(texto publicado no P3)

Imagens:
JOE PLOCKI/FLICKR
e
Daqui

Podcast Ciência Viva À Conversa | 24 Jan Р14 Fev

Os quatro mais recentes podcasts do Ciência Viva À Conversa Рduas conversas; uma sobre a alfarroba e a produção de energia; a outra, sobre a Ciência e a Instrução no Algarve dos séculos XVIII e XIX.

maria emília costaMaria Emília Costa, professora da Universidade do Algarve e líder do projecto Alfaetílico, no laboratório onde a sua equipa investiga.

patricia de jesus palmaPatrícia de Jesus Palma, investigadora da Universidade Nova de Lisboa, na palestra que deu no Centro Ciência Viva de Lagos.

Fotos: Luís Azevedo Rodrigues