FOTOS DE TRABALHO

Neuquensaurus australis e humanos
Museo de Historia Natural de La Plata, Argentina, 2005.

(auto)Imagem РLuís Azevedo Rodrigues

GRAVIDEZ VEGETAL

(gravidez vezes dois, em fundo e em primeiro plano)
Palo borracho Рárvore do género Chorisia (agora Ceiba speciosa).

Escultura de autor desconhecido.

Imagem РLuís Azevedo Rodrigues, Córdoba, Argentina, 2006.

Na Patagónia РVIII (CONCLUSÃO)

Hoje vai ser o nosso √ļltimo jantar no campo. Fizemos uma refei√ß√£o especial, com vinho e uma aguardente t√≠pica da regi√£o. Comemos num misto de alegria triste j√° que sabemos que vamos deixar o campo mas que tamb√©m nos fazem falta a fam√≠lia e um banho decente!

O caminho foi feito de forma lenta já que os dois todo-o-terreno e o Unimog iam muito carregados com o material da escavação. Ao fim de duas horas de caminho parámos onde dois trilhos se cruzavam. A gente de Zapala tinha que se separar. Antes disso, a habitual foto de família. Foram feitas as despedidas, da maneira típica patagónica unicamente com beijos, não muito triste porque nos íamos todos reunir dentro de duas semanas em Plaza Huincul, nas Jornadas Argentinas de Paleontologia.
Ainda assim em cada escavação há sempre um desconforto na despedida que é gerado pelas muitas horas de convívio e trabalho conjuntos.
Quando entr√°mos novamente no asfalto, tudo me parecia novo. Olhava para as placas de tr√Ęnsito como se nunca as houvesse visto. A cidade que me havia parecido t√£o simples e deserta transbordava de coisas novas, recentemente esquecidas. E tantas pessoas!
S√≥ uma coisa permanecia igual…
O céu era enorme!

Na Patagónia РVII (continua)

Começo a sentir-me isolado. Não pelo carácter desértico e estéril da paisagem patagónica Рa vastidão da paisagem desenvolve em mim um distender da imaginação onde a solidão não teme espaço -, mas pelo hábito de estar sempre contactável pelo telemóvel, aqui sem a mínima cobertura.
No entanto, nestas enormes extens√Ķes de ch√£o, um outro produto da tecnologia √© absolutamente necess√°rio – o GPS. As grandes dist√Ęncias e o car√°cter mon√≥tono da paisagem exigem que se utilize este instrumento tecnol√≥gico para se referenciarem e localizarem zonas foss√≠liferas.
Era isto que pensávamos Alberto, Xavier e eu quando nos dirigíamos onde, no dia anterior, Xavier havia descoberto vestígios de saurópodes. Não tendo tido tempo para proceder a uma avaliação cuidada e necessitando de uma opinião mais especializada, Xavier pediu-nos que regressássemos ao local.
Uma tarefa pouco f√°cil. Embora a √°rea de prospec√ß√£o se encontre numa das raras eleva√ß√Ķes, continua a ser muito dif√≠cil reconhecer e localizar o mesmo s√≠tio de um dia para o outro. Refer√™ncias visuais facilmente identific√°veis aqui s√£o escassas. Apesar do sentido de orienta√ß√£o apurado dos paleont√≥logos, o GPS √© indispens√°vel. Mas hoje o aparelho parecia n√£o dar com o s√≠tio. O resultado foi uma tarde a subir e a descer barrancos muito id√™nticos, variando somente as cores das rochas. Cansados e quase desistindo, Xavier fez mais um esfor√ßo para defender a sua “honra”. Eu fiquei a fumar um cigarro na base de mais um barranco desfrutando da paisagem. Do alto de mais de 60m, chamavam-me “Es aqui portugues!!“. Esque√ßo a refer√™ncia patri√≥tica e o poss√≠vel novo engano e come√ßo a subir. Fazia calor e o cansa√ßo acumulado pesava. Quando cheguei n√£o visualizei imediatamente o que Xavier me queria mostrar. Recuperei o f√īlego e ent√£o sim, pude observar melhor. A princ√≠pio s√≥ se via uma pequena por√ß√£o a aparecer mas depois de uma pequena limpeza pude verificar que, sim eram ossos fossilizados. “Que le parece a vos?”.
Xavier est√°s perdoado!.
“S√£o de saur√≥pode“, respondi. E prometem, pensei.
Essa tarde passámo-la escavando, quase junto ao topo do cerro, aquilo que já foram os ossos que permitiram a algum saurópode ter caminhado.

P.S. – segunda foto: Marina aponta para a base do cerro que temos que descer!

Na Patagónia РVI (continua)

Hoje escavei com Rafael Cocca, do Museo de Zapala e Marina Alegria, do Museo Carmen Funes. √Č a √ļnica mulher preparadora num ambiente quase exclusivamente masculino e foi ela que preparou os embri√Ķes de saur√≥podes descobertos em Auca Mahuida (informalmente chamada a partir da√≠ Auca Mahuevo). Desenvolveu uma rela√ß√£o t√£o forte, ao longo das centenas de horas de trabalho, com os seus pequenos s√°urios que inclusivamente os baptizou – Filipe, Pepe, etc. Baixa e de uma energia inesgot√°vel fala dos seus pequenos “beb√©s” com um carinho enorme, como se fossem os seus animais de estima√ß√£o. Apercebo-me que aqueles animais desaparecidos, pelo prazer e curiosidade cient√≠fica aliados a uma imensa sensibilidade, podem ser “ressuscitados”.
Enquanto proced√≠amos √† prospec√ß√£o e escava√ß√£o de alguns f√≥sseis, contaram-me um pouco da hist√≥ria desta regi√£o e da funda√ß√£o de Plaza Huincul. No final do s√©c. XIX esta era uma √°rea que se encontrava sob forte coloniza√ß√£o. Inicialmente eram estabelecidos fortes militares que serviam de guarda-avan√ßada aos colonos que posteriormente se instalavam. A pr√©via insta√ß√£o militar justifica-se pela exist√™ncia de ind√≠genas Mapuche. Carmen Funes era uma mulher que acompanhava algumas dessas expedi√ß√Ķes de conquista do territ√≥rio patag√≥nico. Numa delas decidiu estabelecer-se aqui e come√ßar uma vida tendo casado com um dos militares.
O casal estabeleceu uma hospedaria e, diz a lenda, que o seu marido foi morto pelos Mapuche numa das constantes refregas.
No início do séc. XX, e devido ao desenvolvimento da extracção petrolífera, Plaza Huincul ter-se-à desenvolvido só adquirindo o carácter de Município nos anos 60 após ter expirado a concessão, pela companhia petrolífera YPF, da exploração das terras onde a cidade crescia.

(Continua)

Na Patagónia РV (continua)

N√£o houve um √ļnico dia que n√£o tivesse acordado gelado. A amplitude t√©rmica varia entre os 28¬ļ-30¬ļ C durante o dia e os cerca de -8¬ļC √† noite. Estas varia√ß√Ķes contribuem igualmente para o car√°cter in√≥spito da regi√£o e para aumentar o cansa√ßo da expedi√ß√£o.
Rodolfo Coria incitava o grupo dizendo que hoje lhe parecia um dia prometedor – para n√≥s portugueses esta campanha j√° havia superado as expectativas. O referencial √© completamente distinto entre os dois lados do atl√Ęntico – deixarmos no campo alguns f√≥sseis em Portugal seria um pecado paleontol√≥gico.
N√£o sei se foi o sexto sentido paleontol√≥gico ou uma informa√ß√£o de campanha anterior o certo √© que neste dia Coria “trouxe” √† luz do dia tr√™s dentes de ter√≥pode (dinoss√°urio carn√≠voro) e uma mand√≠bula de crocodilo.

Nesta √°rea (a cerca de 100 km de Plaza Huincul) foram encontrados diversos ovos de saur√≥podes e os primeiros com embri√Ķes preservados, alguns deles com fragmentos de pele preservada. A primeira vez que os vi e estudei n√£o pude deixar de me sentir arrepiado com o grau de preserva√ß√£o dos tecidos – pareciam que tinham acabado de ser postos e a qualquer momento iriam eclodir!
Com todas estas descobertas compreende-se o grau cada vez maior de exig√™ncia nas descobertas para que mantenham estes investigadores com √Ęnimo.
Ao fim da tarde e animados com as descobertas do dia permitimo-nos parar no topo do Cerro e admirar a vista deslumbrante que tínhamos a nossos pés. Quilómetros e quilómetros de planície de vegetação rasteira, apenas sulcados com caminhos rectilíneos abertos pelos trabalhadores das companhias petrolíferas.
(Continua)

Na Patagónia РIV (continua)

Inici√°mos hoje a prospec√ß√£o na vertente norte. √ćamos a caminho quando fomos chamados via r√°dio. ” Los portugueses est√°n por all√≠?”, algu√©m do Museo de Zapala tinha encontrado aquilo que pareciam ser pegadas de dinoss√°urio e pediam ajuda √† √ļnica especialista presente – Vanda Santos.
Dirigimo-nos para o local, a cerca de 30 minutos de caminho. Chegados ao ponto indicado pens√°mos: “Mas como √© que eles l√° foram parar?”. Cem metros abaixo, numa vertente com uma inclina√ß√£o enorme v√≠amos os nossos companheiros que nos acenavam. Inici√°mos a longa descida, fazendo lentos e demorados ziguezagues para evitarmos a queda certa. Vanda s√≥ me lembrava que nem quando esteve suspensa por cabos a estudar as pegadas do Cabo Espichel teve tanto medo …
Fomos recebidos com mate – “Nem √† beira do precip√≠cio deixam de beber mate?”, na verdade serviu para nos acalmar. Inici√°mos a avalia√ß√£o da laje em condi√ß√Ķes novas – ambos suspensos e preocupados mais com a necessidade b√°sica de sobreviv√™ncia do que com a import√Ęncia cient√≠fica da laje.
Apesar de tudo a apreciação das marcas permitiu dizer que, apesar de promissora, não valia a pena procedermos à sua deslocação até ao acampamento, dado não apresentar marcas inequívocas de grandes sáurios.
Neste dia foram descobertos mais alguns fragmentos de ossos de membros de saurópodes.
(Continua)

Na Patagónia РIII (continua)

A rotina matinal, após o pequeno-almoço, consistia em efectuarmos o trajecto que nos separava da base do Serro Portezuelo no Unimog- os cerca de 5km moía-nos o corpo logo pela manhã.
Chegados, separ√°vamo-nos em grupos de tr√™s ou quatro e proced√≠amos √† selec√ß√£o das √°reas a serem “batidas”. Cada grupo ficava com um r√°dio walkie-talkie, que nos permitia comunicar achados importantes ou criar uma esp√©cie de banda-da-amizade paleontol√≥gica.
Inici√°vamos a caminhada di√°ria (cerca de 10 kms) subindo e descendo imenso, sempre a olhar e a ver. Dirig√≠amo-nos aos afloramentos rochosos potencialmente fossil√≠feros e a√≠ chegados apur√°vamos os “sentidos” paleontol√≥gicos.
Tal como a hist√≥ria das migalhas deixadas pelos meninos para n√£o se perderem na floresta, assim foi a minha primeira descoberta. Seguindo fragmentos de osso por uma encosta acima “dei” com o meu primeiro vest√≠gio de vida mesoz√≥ica na Patag√≥nia – uma t√≠bia (osso da perna) de saur√≥pode. Uma mescla de emo√ß√Ķes √† mistura com todo o peso de racionalidade cient√≠fica invade-me.
Iniciei os trabalhos de limpeza, escava√ß√£o e consolida√ß√£o do material, sem “provocar” as hostes pelo r√°dio. Tinha encontrado o meu primeiro osso na Patag√≥nia e logo de saur√≥pode!
Para almo√ßar reun√≠amo-nos, normalmente, em depress√Ķes do terreno ou ribeiros secos, procurando abrigo do sol abrasador. Partilh√°vamos sandu√≠ches, fruta e √°gua e trocavam-se hist√≥rias de escava√ß√Ķes passadas. Pude conhecer melhor Alberto Garrido, ge√≥logo do Museo Carmen Funes. Conhecia-o de v√°rias publica√ß√Ķes, entre as quais algumas relativas a Auca Mahuida – jazida de ovos e embri√Ķes de saur√≥podes descobertas em meados dos anos 90. Tem a mesma idade que eu e j√° percorreu bastantes pontos do globo, fazendo cartografia geol√≥gica. Impressionou-me o relato da sua primeira sa√≠da como ge√≥logo profissional. Em 1996 foi-lhe atribu√≠do, e a mais dez ge√≥logos, o trabalho de cartografar a geologia de parte da Serra de Aconc√°gua – a maior eleva√ß√£o da Am√©rica do Sul. Durante a viagem para a base da serra, um dos ve√≠culos despistou-se tendo falecido metade dos ge√≥logos. Contava-me Alberto que, de uma forma aparentemente natural, comunicaram aos familiares o sucedido, procederam √†s ex√©quias dos mortos e alguns dias depois retomaram o trabalho geol√≥gico (com metade dos especialistas). Aquela hist√≥ria pareceu-me absolutamente reveladora de um esp√≠rito duro e capaz de grandes sacrif√≠cios. Trabalhar na Aconc√°gua √© uma tarefa fisicamente desgastante (a mais de 5000 m de altitude) mas faz√™-lo ap√≥s a morte de v√°rios companheiros parece-me quase humanamente insuport√°vel. Fizeram-no, conta Alberto Garrido, como uma homenagem aos mortos e para espantar os seus medos e fantasmas. Tinha sido a primeira das suas tr√™s expedi√ß√Ķes a Aconc√°gua.
Pelas 17h30 cheg√°vamos ao local onde t√≠nhamos deixado o Unimog e enquanto esper√°vamos pelos mais atrasados dava-se in√≠cio a “cerim√≥nia” do Mate.
Neste dia o meu grupo encontrou mais fragmentos de ossos de dinoss√°urio e de tartarugas.

P.S. 3ª foto РVista do Serro Portezuelo; 4ª foto РXavier e Alberto Garrido tomando Mate.

(Continua)

Na Patagónia РII (continua)

Acordei pelas 6h30, tinha passado uma noite gelada e demorei a perceber que estava no meio da Patagónia. Saí da tenda mal os primeiros raios de luz iluminavam a paisagem, que ainda não havia visto. Dei por mim primeiro embasbacado, depois um pouco receoso Рa enormidade do espaço poderia provocar agorafobia a qualquer um.
Dirigi-me ao local onde havíamos jantado. Rodolfo Coria chegou pouco tempo depois e começámos a aquecer água para o café e mate matinais. Este paleontólogo, com mais de 20 anos de experiência, contribuiu com importantes achados paleontológicos na região que estávamos prestes a explorar. Em meados dos anos 90 descobriu vértebras e alguns ossos das patas do que é considerado o maior dinossáurio alguma vez descoberto Рo Argentinosaurus.
Este dinoss√°urio saur√≥pode (herb√≠voro e quadr√ļpede), e com base nas propor√ß√Ķes dos restos √≥sseos descobertos, mediria cerca de 40 metros de comprimento e pesaria mais de 100 toneladas.
Descobriu ainda restos fossilizados do maior dinossáurio carnívoro, Giganotosaurus (maior do que o famoso T-rex), em conjunto com Phillipe Currie do Tyrrel Museum do Canadá, e em parceria com Alberto Garrido e Luis Chiappe, revelou ao mundo as riquezas paleontológicas da jazida de Auca Mahuida. Pouco a pouco todos os elementos da expedição saíam das suas tendas.
Esta manh√£ parte da equipa tinha que ir desatascar o ve√≠culo que na noite anterior nos havia transportado. Para tal foi preciso recorrer aos “servi√ßos” do Mercedes Unimog. Como iria perceber nos dias seguintes, sem esta verdadeira “mula” dos tempos modernos, a maioria das desloca√ß√Ķes at√© √† base do Serro teriam sido talvez imposs√≠veis.

Nota: como quem já esteve na Argentina sabe o que é o Mate, convém explicar para quem não esteve. O mate é uma planta a partir da qual se faz a infusão de nome idêntico. Bebe-se a partir de um recipiente Рcalabaza Рfeito de uma pequeno abóbora, e sorvido por um tubo de metal chamado bombilla. Para além de funcionar como refescante e estimulante, é parte de um ritual de partilha e socialização. Os argentinos tomam-no a toda a hora, andando, por todo o lado, com um termo de água quente. Agradecer, indica que já não desejamos beber mais.
(Continua)

Na Patagónia РI (continua)

(Num momento de enorme trabalho na tese, e em que me encontro num vai-não-vai para suspender o Ciência Ao Natural, publico, em várias partes, um resumo do trabalho de campo efectuado na Patagónia argentina, em 2005. Recordei-me deste diário devido à estreia Рnos EUA Рdo documentário Dinosaurs 3D: Giants of Patagonia. Este trabalho foi efectuado na província de Neuquén. em 2004 já havíamos estado na províncias de Chubut e Rio Negro)

Sur o no Sur” (Sul ou n√£o Sul) Kevin Johansen

Chegámos a Plaza Huincul depois de mais de 24 horas de viagem. A cidade, num sábado à tarde de calor, parecia deserta. Lembrava as cidades de um México cinematográfico Рparadas à espera de algo que nunca acontece.
A equipa tinha-se instalado na base do Serro Portezuelo havia dois dias e enquanto esperávamos que nos viessem buscar procurámos um sítio onde comer. As horas não eram as mais adequadas Рestava calor e tudo fechado.
Quando a noite já tinha caído apareceu um dos membros da equipa num Chevrolet antigo. Era Sérgio Cocca, do Museo Carmen Funes.
Part√≠mos e ap√≥s v√°rios quil√≥metros de asfalto entr√°mos numa picada de terra onde as √ļltimas luzes deram lugar √† enormidade do c√©u patag√≥nico. Procurava uma refer√™ncia familiar nalguma constela√ß√£o, mas tinhamos cruzado o equador!
O caminho ia-se complicando at√© que, num acesso apertado e cortado num dos lados por uma escarpa com cerca de 3m de altura, o ve√≠culo inclinou de tal forma que nos encolhemos uns contra os outros. N√£o subia. S√©rgio, circunspecto at√© √† exaust√£o (uma maneira muito pr√≥pria de ser patag√≥nico, como viemos depois a perceber) permanecia silencioso. Vanda e eu igualmente – o medo d√°-nos por vezes para o sil√™ncio, para n√£o perturbar. Tent√°mos de novo mas n√£o avan√ß√°vamos. Parecia que escorregava. S√©rgio finalmente disse algo: “Se queda!“. Pens√°mos: “mas fica o qu√™?”. No dia seguinte vir√≠amos resgat√°-lo.
Descarreg√°mos as mochilas e come√ß√°mos a caminhar. Apareceram depois, no meio da escurid√£o, parte do resto da equipa que pensaram ter havido um problema. Entre eles estava Rodolfo Coria, que nos convidou para esta “aventura”.
Caminh√°mos alguns quil√≥metros at√© que vislumbr√°mos luzes e o resto da equipa. Estavam numa depress√£o do terreno √† volta de uma fogueira ainda sem jantar, √† nossa espera. Levaram-nos depois √†s nossas “carpas” (tendas). Iria partilhar a minha com um jovem investigador do Museo de Cinco Saltos (cerca de 150 km de Plaza Huincul), Ignacio Cerda ou Nacho.
Deitei-me sem ainda ter intu√≠do verdadeiramente onde estava…
Cerca das tr√™s da manh√£, por motivos fisiol√≥gicos tive que deixar a tenda. Mal sa√≠ fui de novo “assaltado” pela enormidade do c√©u. Senti-me de uma pequenez extrema… S√≥ pela vista deste c√©u a terr√≠vel viagem j√° havia valido a pena.
Agora havia que trabalhar…

(continua)