Os lugares mais seguros em um avião. Seriam em um carro?


Mencionando o acidente do vôo JJ-3054, a revista americana Popular Mechanics revisou os dados de todos acidentes com vítimas fatais ocorridos nos EUA desde 1971 para checar o mito de que seria mais seguro viajar nos lugares da parte traseira do avião. Ao contrário do que especialistas afirmam — indo da Boeing até oficiais da FAA e do Conselho Nacional de Segurança de Transporte — a Popular Mechanics descobriu que os dados de fato apóiam o mito:

A cabine traseira (assentos localizados atrás da asa) tiveram a maior taxa de sobrevivência, com 69%. A seção sobre a asa teve uma taxa de sobrevivência de 56%, assim como a seção à frente da asa. As seções de primeira-classe e classe executiva tiveram uma chance de sobrevivência de apenas 49%.

Mas antes que você passe a exigir voar apenas no último assento ao lado do banheiro e junto com os oficiais de bordo, é melhor entender um pouco melhor o que foi descoberto aqui. A revista analisou os dados de acidentes fatais nos EUA, já que dados de outros países costumam ser ainda mais escassos. E resulta que houve apenas vinte (20) acidentes fatais nos EUA desde 1971. É um número muito pequeno, e provavelmente pouco representativo de acidentes fatais em geral pelo mundo. A diferença entre as porcentagens — de 49% a 69% — também não é gigantesca, e sublinha novamente como os resultados não devem ser tomados com tanta confiança. Estudos analisando mais acidentes podem muito bem inverter a situação, ou mesmo endossar a opinião de peritos e especialistas, de que de forma geral realmente não há lugares mais seguros que outros em um avião.
E então, como se comentou em um fórum de discussão, “em termos das chances de realmente morrer em um avião, é talvez uma diferença entre 0,000007% e 0,000008%”. Voar seguramente é a forma mais segura de transporte no mundo.
Mas ainda seria a forma mais segura de transporte no Brasil? No ano de 2006, segundo esta tabela, houve em torno de 200 vítimas (mais da metade no acidente GOL 1907). No mesmo ano, o número de passageiros de avião teria sido de 102 milhões. Em torno de uma morte a cada 510.000 passageiros.
No mesmo ano, o número de vítimas nas estradas girou em torno de 160.000. Se a segurança nas estradas brasileiras fosse equivalente a dos vôos, mais de 81 bilhões de viajantes deveriam ter sido transportados nas estradas apenas no ano de 2006. Astronômico, mas nem tanto: cada brasileiro vivo deveria ter viajado nas estradas mais de 450 vezes ao ano. Não tão irrazoável, considerando que muitos viajam mais de duas vezes. Considere-se também que a grande maioria das vítimas inclui feridos, o número de vítimas fatais seria de 24.000, mais de seis vezes menor. O detalhe ignorado aqui é, claro, a distância percorrida: não deve ser preciso apresentar dados para convencê-lo de que o passageiro comum de avião costuma percorrer distâncias muitas vezes maior do que o viajante de estradas comum. Levando em conta as chances de sobrevivência pela distância percorrida — que é o que importa se você quer ir de um local a outro –, mesmo o ano de 2006, com uma tragédia aérea até então sem precedentes, foi um ano mais seguro para aqueles cruzando distâncias em aviões.
O ano de 2007 já contabiliza mais de 200 vítimas, mas a menos que ocorra um outro acidente de grandes proporções — e outro, e mais outro… — ainda será mais seguro voar. E estes são anos extraordinariamente perigosos nos ares: em toda a década de 1990, houve menos de 400 vítimas em acidentes aéreos (incluindo o acidente do Fokker 100 em 1996).
Ao escrever este post, dois dados me impressionaram. O primeiro é o de que, considerando o número de vezes em que você entra em seu carro ou em um ônibus e o número de vezes em que você entra em um avião, pelo menos no ano de 2006 e agora, 2007, as chances de sair vivo no Brasil são comparáveis talvez na mesma ordem de grandeza. Ir de carro até a padaria seguramente não é o mesmo que fazer uma ponte aérea, e considerar distâncias percorridas é necessário, mas não deixa de ser curioso. O outro dado que me impressionou é o de que segundo esta nota, a frota de aviões no país não só caiu (embora o tráfego tenha aumentado), como é relativamente ínfima comparada com a de carros ou mesmo ônibus. Ela caiu de 350 aviões em 2001 para 265 hoje. A frota de aviões civis no país é composta por duzentos e sessenta e cinco aeronaves regulares.
PS.: Devo ter cometido vários erros neste post, e corrigirei feliz qualquer um deles!
Atualização: Esta matéria do Terra tenta ser mais otimista, mas pelos números usados (47 milhões de passageiros nos 10 meses desde o acidente GOL, que somado com o da TAM resulta em 341 vítimas fatais) a situação parece muito pior: em torno de 1 morte a cada 140.000 viajantes aéreos. Isso porque consideraram exatamente o período com as duas maiores tragédias da aviação brasileira. Nesse período, aliás, é possível que tenha sido mais provável entrar em um carro e sair vivo do que de pousar a salvo de um avião — embora, como vimos acima, considerando as distâncias aviões ainda sejam mais seguros.
O Rodrigo Leme comenta em seu blog como esta deve ser a época mais segura para voar, devido ao aumento de atenção e medidas de segurança. Mas considerando a reação de autoridades, é provável que isso se aplique agora de forma significativa apenas aos responsáveis pela manutenção mecânica das naves e à TAM em particular.

Por que a galinha atravessou a fita de Moebius?


Para chegar no mesmo lado
Saiba mais sobre a tira de Moebius. [via Neatorama]

A marcha do progresso em uma esteira elétrica

Os ancestrais do homem se transformaram em bípedes para economizar energia, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira pela revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”. Numa pesquisa para demonstrar a sua teoria, antropólogos de três universidades dos Estados Unidos mediram a despesa de energia no deslocamento dos seres humanos, chimpanzés adultos e quadrúpedes em geral. Os participantes caminharam sobre duas pernas ou se movimentaram de quatro sobre o solo. O estudo determinou que, no que se refere à despesa de energia e calorias, os seres humanos economizam 75% quando caminham, segundo os cientistas da Universidade de Washington em Saint Louis, da Universidade da Califórnia e da Universidade do Arizona. – EFE

Os estudiosos sugerem que os chimpanzés costumam andar com as quatro patas para maior segurança em seu ambiente, como em árvores, e que o ganho de eficiência no andar ereto dos humanos (e seus ancestrais) pode ter sido importante para novos hábitos como a caça. Uma das táticas de caça de nossos ancestrais consistia em ferir um animal e então segui-lo, por longas distâncias, até que finalmente sucumbisse aos ferimentos — abater um grande animal instantaneamente é muito difícil.
O estudo é importante por seus achados, mas ainda mais interessante pela forma como realizado: fazendo chimpanzés andar e correr sobre uma esteira elétrica, devidamente usando máscaras que mediram seu consumo de oxigênio. O equipamento é exatamente o mesmo utilizado por atletas e também em alguns exames médicos. Você pode conferir o vídeo dos macacos andando na esteira aqui. Como um pesquisador comentou, “esses chimpanzés são tão espertos que apertam o botão para parar a esteira quando acabam. Quando não queriam andar na esteira, apenas apertavam o botão para parar ou pulavam pata fora”.
Mais adorável ainda é a imagem usada nos materiais de divulgação do estudo. A fotografia acima, uma montagem de Cary Wolinsky, é uma referência à “icônica, ainda que ultrapassada” imagem sobre a evolução humana: “Marcha do Progresso” [“March of Progress“], originalmente criada por Rudy Zallinger em 1970, e parodiada desde então.

(Essa é apenas uma versão diferente, curiosamente não há na internet uma reprodução do original de Zallinger — que é reproduzido, por exemplo, em uma capa da edição brasileiro de “Os Dragões do Éden” de Carl Sagan)

Nezareth Casti Rey: menino pastor prega sobre o criacionismo

Lembra-se da menina pastora? Conheça Nezareth Casti Rey, garoto de onze anos que prega em Porto Rico. Aqui, o pequeno Nezareth ensina sobre a origem do Homem (“e da mulher também, já que o homem representa uma mulher assim como um presidente representa seu país”), desfilando velhos argumentos criacionistas, bradando não ser parente de macacos, mas “filho de deus!!!”.
Da próxima vez que encontrar algum criacionista, lembre-se como seus argumentos ficam realmente perfeitos quando gritados a todo pulmão por um garoto de onze anos: “Não sou parente de macacos!”, “Macacos e macacas têm macaquinhos!”, e, claro, “sabe-tudos mentirosos da evolução!!!”.

Nunca traia uma geneticista

Ann Chamberlain-Gordon, legista do estado de Michigan, EUA, afirmou na audiência de seu divórcio que analisou a cueca de Charles Gordon Jr., seu marido, em busca de traços de DNA. Perguntada sobre o que descobriu, ela respondeu: “Outra mulher. Não era eu”. A polícia do estado está investigando se tomará alguma ação disciplinar contra a legista, que usou os laboratórios da instituição, mas diz ter feito os testes em seu tempo livre e com produtos que iriam ser jogados fora. Mas a história não termina aí.
Gordon, o marido, era jogador da liga de futebol americano canadense. Já Ann Chamberlain-Gordon recebeu um prêmio por sua contribuição aos serviços policiais de Michigan em 2006, através de sua pesquisa e desenvolvimento de métodos para a recuperação de DNA embriônico/fetal. O caso veio a público depois que Gordon negou ter reconhecido um caso depois que sua mulher encontrou DNA feminino em sua cueca.

O final de Harry Potter

“E este é nosso paciente residente há mais tempo”, disse o doutor Hagrid. Ele deslizou a cobertura do olho mágico e Snape olhou para dentro da cela. Um homem careca grotescamente gordo em um traje hospitalar manchado estava sentado e se balançando.
“Harold Potter, 43 anos”, continuou Hagrid. “História de abuso psicológico por sua família adotiva. Abuso em uma escola pública. Colapso esquizofrênico com 20 anos. Assassinou uma enfermeira chamada Hermione Granger antes de ser internado aqui aos 24 anos. Fantasias paranóides de grandiosidade. Episódios ocasionais de auto-mutilação”.
Snape estava chocado. “Por certo você poderia fazer mais do que isso por ele?”.
“Você descobrirá, doutor Snape, que resultados felizes são por vezes impossíveis”.
O homem na cela olhou para cima, e sua expressão inerte se converteu em suspeita intensa. “Alohamora!” ele gritou.
Hagrid balançou sua cabeça entristecido. “Não temos idéia do que isso significa”. Ele fechou o olho mágico.
Dentro da cela, Potter vasculhou a parede acolchoada, alcançando um buraco onde havia escondido um pedaço de espelho quebrado. Agarrando-o com seus dedos desajeitados, ele o levantou para sua testa e começou a rir enloquecidamente enquanto reabria o mais antigo machucado que possuía, uma cicatriz em forma de zigue-zague.

Terrível fim para a saga de Harry Potter, escrita por Ray Girvan. “É difícil acreditar que alguém criado por uma família adotiva que o mantinha em um armário seria tão normal depois de um abuso psicológico dessa natureza (e talvez outros abusos que não foram mencionados). Sob esse ponto de vista, o cenário de descobrir poderes especiais e um papel crucial em grandes eventos poderiam bem ser interpretados como uma invenção de Potter, uma fantasia realizando desejos como a fantasia de Frederick Rofled de ser elevado ao papado em Hadrian the Seventh“. Ou Calvin no Frango Robô.

As fotos de Tasso Fragoso: alienígena abatido

“Recentemente, logramos êxito em abater um artefato em situação de pouso. Ficamos monitorando a atividade de uma pequena cápsula durante nove dias, onde ela fez exatamente o mesmo trajeto, nas mesmas horas e minutos. Fomos enviados para uma operação de cerco lento. (…) Finalmente conseguimos inutilizar o artefato, impedindo que o objeto decolasse na noite de 15/03/2007. A ação ocorreu num pasto não muito distante da cidade de Tasso Fragoso, no Maranhão. Nas proximidades da BR330. Duas criaturas saíram do objeto e resistiram ao cerco, recorrendo à violência e tentando evadir-se. Ambas foram abatidas a tiros. Levamos o artefato num caminhão e as duas criaturas foram embaladas e enviadas para um depósito provisório onde armazenamos em gelo até que o encarregado de transportar o material para o centro de triagem chegasse.
Durante o tempo em que nós descarregamos os seres no galpão, eu fiquei sozinho com elas e fiz algumas fotos usando meu celular. Eu não tive muito tempo e não pude fazer muitas fotos em função de estar com o celular com pouca bateria e devido ao nervoso de fotografar a criatura em segredo”.

Do “relato de um MIB” no Mundo Gump, do artista Philipe Kling David. Note como uma das tags para o post é “conto“. Bom trabalho nas imagens, melhores que boa parte das fotos de extraterrestres famosas no mundo dos discos voadores. Lembra muito a autópsia 20/20, realizada por especialistas em efeitos especiais com bonecos. As imagens de Philipe são provavelmente 100% digitais.
Atualização: Philipe esclarece ter criado mesmo as imagens, são digitais, mas com um detalhe “real”: as imagens 3D foram fotografadas com a câmera de um celular em um monitor! Ele conta:

“AS FOTOS DO ALIEN SÃO REAIS! Fotos reais não significam que seja um alien real. … Eu sei que é triste desejar que aliens sejam capturados no mole assim e do nada descobrir que são falsos, … mas o fato é que isso é mesmo 100% criação minha. Tanto o texto quanto as imagens. Na verdade, tudo aconteceu meio que por acidentte, eu estava brincando no zbrush e acabei fazendo um alien. resolvi levar o alien para o 3dsmax onde criei iluminação e texturas para ele. Em seguida fiz algumas renderizações e fotografei a tela do computador com meu celular. Olhando no celular, é impressionante como a imagem pareceu bem mais real. E então a minha cabeça começou a elocubrar toda uma história a la X files, que desencadeou neste email fictício aí. Reexportei as imagens do celular para o PC e sem tratamento algum postei ilustrando o suposto email do MIB.
Tasso Fragoso foi uma cidade escolhida aleatóriamente no Google Earth.
O objetivo aqui era arrumar um suporte ficcional para as imagens, e não fraudar nada em ufologia. Eu mesmo como gosto de ufologia e acho um assunto instigante, uma fronteira do desconhecido – e um fato real – jamais faria isso. Por isso mesmo que o post está categorizado como CONTO… Eu realmente acredito em ETs e acho que em breve teremos mais novidades em relação a isso. No mais, obrigado por lerem e gostarem do texto dos Aliens de Tasso Fragoso”.

Diagrama em corte de um tanque


Sensacional: clique na figura para ver como um livro infantil russo representou uma visão “explodida” de um tanque de guerra.

Sol pode causar queda de ligações celulares

Um novo estudo mostra que durante picos de atividade solar, o astro-rei pode causar a queda de ligações de telefones celulares. O problema ocorre quando ondas de rádio associadas com os picos atingem as torres, que ao mirarem o horizonte aberto podem ser atingidas diretamente. Tais picos de interferência ocorreriam até uma vez a cada 3,5 dias em anos de atividade solar intensa.
A pesquisa, liderada por David Thomson da Queens University no Canadá, partiu do curioso fato de que as quedas de ligações são mais freqüentes no verão do que no inverno. As influências de tempestades solares sobre nossos pobres equipamentos elétricos, tanto em terra como, claro, no espaço, são conhecidas já há muito — e auroras solares são espetáculos naturais quase tão antigos quanto o planeta.
Mas é especialmente interessante que uma tecnologia hoje tão comum quanto telefones celulares possa ser uma nova forma de nos lembrar de nossa ligação direta com o Sol. Principalmente quando a ligação cair.

O americano mais rico da história


Foi John Rockefeller, que fez sua fortuna principalmente com o petróleo ao fim do século 19. Corrigida como uma porcentagem da economia do país, a fortuna de Rockefeller equivaleria hoje a 192 bilhões de dólares, mais que o dobro da riqueza do criador da MIcrosoft, Bill Gates. Mas, em quinto lugar, Gates já assegura seu lugar na história como um dos gigantes da economia.
Pelas maravilhas da globalização, o mexicano Carlos Slim Helu é ainda mais rico que Gates. Corrija agora a porcentagem da economia mexicana com relação à americana para dados interessantes.
Quem é o brasileiro mais rico do mundo? O empresário Joseph Safra, do Banco Safra, com seis bilhões de dólares, embora tenha origem libanesa. Nascido no Brasil, Jorge Paulo Lemann com cinco bilhões de dólares, é o segundo brasileiro mais rico da lista de bilionários. Antônio Ermírio de Moraes deve ser o bilionário brasileiro mais simpático — engenheiro, não hesita em ficar levantando as calças folgadas durante palestras. Isso é um elogio.
[via Neatorama]

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM