Gu-gu, dá-dá!

“Não se deve falar de forma infantil com as crianças!”
Sempre me fez confusão esta afirmação. Se são crianças porque não devemos conversar com elas de uma forma infantil?
Este dilema não parece existir na comunicação dos macacos Macaca mulatta com a sua prole.
Investigadores do Comparative Human Development, da Universidade de Chicago, avaliaram formas de comunicação entre fêmeas e crias daquela espécie, tendo verificado que as fêmeas utilizam tipos particulares de sons para comunicarem e interagirem com os juvenis. Este comportamento é comparável ao dos humanos, quando produzem os famosos “gu-gu dá-dá’s” dirigindo-se aos bebés, vocalizando de forma mais doce e minimalista – por vezes raiando o cómico, diga-se.
No caso dos macacos as mudanças de sonorização visam estimular o contacto com os juvenis, por diferentes fêmeas do grupo.
Este estudo veio também revelar que as progenitoras raramente utilizam as vocalizações “infantis” para a sua própria prole empregando-as antes para outros juvenis do grupo.
Os investigadores interpretam esse facto como sendo resultando da ausência da necessidade de promover o contacto com a sua própria cria – esta já a reconhece – mas necessitando de o fazer com crias de outras fêmeas.

Referências

J. C. Whitham, M. S. Gerald, D. Maestripieri. 2007. Intended receivers and functional significance of grunt and girney vocalizations in free-ranging female rhesus macaques. Ethology, 113: 862-874, 2007

Entrevista com investigador – Vídeo

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