Subprime natural?

Porque não poderia haver o crash e respectivas consequências na Natureza?
Antes de mais seria conveniente explicar genericamente o que gerou esta crise financeira.

Do que a minha mente limitada em termos económicos entendeu, e aconselhado por um amigo economista (obrigado PE), o negócio bancário assenta na confiança que o cliente deposita (literalmente…) no seu banco.
E confiança em quê?
Para que quem recebe o dinheiro (depósitos, PPR, etc.) faça investimentos correctos e seguros de forma a gerar mais dinheiro para o depositante.
O que agora se sabe é que muitos gestores bancários iniciaram e perpetuaram verdadeiros negócios de banha-da-cobra: emprestaram dinheiro a quem não o podia pagar em hipotecas de casas, casas essas que desvalorizaram tremendamente após o “colapso” do mercado imobiliário norte-americano. Esses empréstimos “envenenados” foram vendidos a terceiros contaminando de forma global muitas outras instituições bancárias.
Confuso?
Pois…veja o vídeo no final que pode ser que ajude, enquanto sorri com a comicidade da situação.
À grandeza da festa vem juntar-se a descoberta da alma-do-negócio, o que leva à desconfiança de quem tinha comprado acções dos grandes bancos “chico-espertos”. Os investidores correm a vendê-las massivamente, gerando ainda mais desconfiança no mercado, numa espiral de histeria.

Um dos contra-exemplos naturais que me lembrei e que contraria esta falta de confiança humana foi o da partilha de alimentos.
Os morcegos-vampiro (Desmodus rotundus) partilham, por vezes, o seu quinhão sanguíneo com outros da mesma colónia mas que não se alimentaram durante a noite. Este facto é tanto mais significativo quanto estes mamíferos dificilmente sobrevivem a mais do que duas noites sem alimento.
A partilha de alimento com um membro da colónia não-familiar directo, ou seja, geneticamente afastado, enquadra-se no que os etólogos designam por altruísmo recíproco.
Mas o que ganha o generoso morcego ao partilhar o seu alimento com um companheiro menos afortunado e, ainda por cima, que não é seu parente directo?
Se o receptor do “capital” vermelho for aparentado com o doador o comportamento altruísta pode ser compreendido pelo favorecimento dos próprios genes, uma vez que ambos os morcegos partilham um património genético comum. Assim, esses genes teriam maiores probabilidades de singrar (ou sangrar?) no futuro.
Mas o altruísmo verifica-se mesmo entre morcegos geneticamente afastados, o que invalida aquela hipótese.
Então o que justifica tal altruísmo?

Um estudo de 1990 publicado por Gerald Wilkinson avaliou que o custo-benefício da transacção sanguinolenta entre morcegos-vampiros é mais favorável para o receptor do que prejudicial para o doador.
Na figura está ilustrada a “transacção” entre o doador e o receptor. Quando o doador partilha o seu pecúlio, esta acção implica uma redução no tempo máximo até se alimentar, ou seja, uma redução em 6 horas no período até se alimentar de novo; em contrapartida, o receptor bafejado (será melhor dizer regurgitado) pela sorte ganha 18 horas de tempo de vida.
Desta maneira, todos os membros da colónia que partilham aumentam as suas possibilidades de sobrevivência, uma vez que o dador de hoje poderá ser o receptor de amanhã, ganhando toda a colónia.
Tentando passar este caso para as sociedades humanas e, concretamente, para o que se passa no mercado de capitais… bem… esqueçam!
Melhores tempos virão.
Esperemos.
E não voltem a ficar repugnados quando ouvirem falar de morcegos-vampiros…eu fico enojado com determinados gestores bancários, mas cada um cuida de si…
Excepto
nos morcegos-vampiros.
Aí, todos cuidam e são cuidados por todos.

P.S. – fica aqui uma tabela de outras espécies animais em que a troca de alimentos ocorre frequentemente, bem como as possíveis interpretações biológicas.

Referências

Stevens, J.R. and Gilby, I.C. 2004. A conceptual framework for non-kin food sharing. Animal Behavior 67: 603-614
Wilkinson, G. S. 1984. Reciprocal food sharing in the vampire bat. Nature 308: 183.
Wilkinson, G. S. 1990. Food Sharing in Vampire Bats. Scientific American. February: 76-82.
Imagens
Casa dos Morcegos
Stevens and Gilby (2004)

Bioformas – Peek-A-Boo

De quem é este embrião, na fase “Peek-A-Boo“?

Curioso o nome dado – “The distal extremities of the forelimbs
overlap, obscuring the face completely and giving this stage its name.”
A recordação que tenho é adolescente e de outro “Peek-A-Boo”

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