Faucaria e HR Giger

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Com a estreia de Prometheus é divertido descobrir que há uma planta no estilo de HR Giger, criador da bizarra estética de Alien.

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√Č uma Faucaria tigrina, do g√™nero Faucaria, com folhas triangulares com protuber√Ęncias nas extremidades que parecem bocas de animais (fauces em latim). Ou de um Alien.

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Apesar da aparência de bocas, as plantas não são carnívoras, e sim suculentas, retendo água no interior das grossas e bizarras folhas. Não mordem ninguém.

Mais imagens em Kuriositas, e para mais Alien e Prometheus, a resenha de Gabriel Cunha no Ciensinando:

O Relojoeiro do Ferrofluido nas Bolhas de Sab√£o

Kim Pimmel combina ‚Äúbolhas de sab√£o comuns com um ex√≥tico ferrofluido para criar uma instigante hist√≥ria, usando lentes macro e t√©cnicas de lapso de tempo. O corante [vermelho] e o ferrofluido preto deslizam pelas estruturas das bolhas, atra√≠dos pelas for√ßas invis√≠veis da a√ß√£o capilar e magnetismo‚ÄĚ.

O vídeo deve remeter qualquer espectador a estruturas biológicas, e em especial, à complexidade das estruturas biológicas. E isso não é mera coincidência.

Na pr√≥pria origem do termo ‚Äúc√©lula‚ÄĚ nas observa√ß√Ķes de Robert Hooke no s√©culo 17, l√° estavam as bolhas de sab√£o. E mesmo nas revolu√ß√Ķes biol√≥gicas modernas que modelaram a membrana celular com conhecimentos adentrando a f√≠sico-qu√≠mica, tamb√©m l√° estavam as bolhas de sab√£o! H√° trechos fabulosos desta liga√ß√£o entre algo t√£o mundano com um conceito-chave no entendimento de uma unidade b√°sica da vida em Planar Lipid bilayers (BLMs) and their applications.

E bolhas de sab√£o ainda podem ser usadas didaticamente para entender melhor o funcionamento da membrana celular (PDF).

Al√©m das bolhas se sab√£o, o ferrofluido, um l√≠quido suscet√≠vel √† a√ß√£o de campos magn√©ticos, tamb√©m encontra liga√ß√Ķes inusitadas. O que o artista usou aqui √© provavelmente feito usando o toner negro de impressoras. O v√≠deo anterior de Pimmel ilustra essa dan√ßa de part√≠culas de toner em resposta a campos magn√©ticos:

Os nexos da origem das copiadoras fotostáticas mais conhecidas como Xerox é tema para outro post, mas no ferrofluido também está algo da história da ciência, enquanto Michael Faraday utilizava raspas de ferro para ilustrar os então misteriosos e invisíveis campos magnéticos.

Acima, um dos primeiros diagramas representando linhas de força magnéticas, por Faraday em 1832.

O que nos leva ao nexo que une todos estes: a complexidade. Estamos acostumados a associar complexidade a dispositivos artificiais intrincados, ou alternativamente à própria vida, que ao longo de quase toda nossa história só poderíamos presumir também ser algo projetado, por mãos e mentes superiores às nossas.

E, no entanto, a complexidade nos cerca. Bolhas de sabão e principalmente pó de toner de uma impressora são elementos manufaturados, sim, mas quem esperaria ver tanta complexidade neles?

De fato, a complexidade nos cerca e fen√īmenos intrincados ocorrem √† nossa volta, passando ao largo de nossos artif√≠cios bem como daquilo que consideramos vivo. Ela √© apenas largamente invis√≠vel aos nossos olhos, que do contr√°rio estariam saturados de um universo de fen√īmenos.

Mesmo quando a complexidade √© vis√≠vel, √© comumente¬† tomada como algo banal. Porque se p√≥ de toner em meio a bolhas de sab√£o em uma bacia de √°gua com um eletro√≠m√£ ao centro fossem algo que ocorresse naturalmente, provavelmente nos pareceria t√£o ‚Äúsimples‚ÄĚ e banal quanto as cores iridescentes de uma pel√≠cula de √≥leo sobre a √°gua, dos cristais de gelo sobre uma nuvem.

Há, finalmente, a complexidade visível que é atribuída ao divino, como as cores refratadas do arco-íris. O que não deixa de ser curioso ao constatarmos que em um dia de Sol podemos criar nossos arco-íris simplesmente criando um jato de água com um a mangueira, mas ver algo como o que o artista Kim Pimmel criou requer um pouco mais de trabalho.

Pelo que poderíamos pensar que o deus do arco-íris é menos poderoso ou mesmo menos criativo que Pimmel.

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