Elisabeth da Bohemia

“Elisabeth da Bohemia abriu uma via de tratamento do projeto cartesiano no domínio prático, epistêmico e psicológico, sem precedentes.”

Katarina Peixoto

A filosofia da Princesa da Bohemia é marcada pelo fato de que ela ter sido uma das principais interlocutoras de René Descartes – mas por que dificilmente ouvimos falar Elisabeth Simmern Van Pallandt quando estudamos Filosofia Moderna?

Como Katarina Peixoto revela no verbete sobre a filósofa, uma hipótese para esta supressão histórica é a de que, desde o Período Moderno, questionamentos filosóficos elaborados por mulheres, em especial quando dirigidos a filósofos ilustres, não costumam ser tomados seriamente, ou pelo menos não sem alguma insistência. O que dizer então de uma produção filosófica que se condensa em uma série de cartas? Mesmo que a correspondência de Elisabeth tenha sido com o mais ilustre dos filósofos do início do Período Moderno, René Descartes, foi somente a partir da tradução de Lisa Shapiro (em 2007), que uma série de estudos mais detalhados sobre o pensamento de Elisabeth se tornou possível. Mas quais são os principais temas de seu interesse?

No verbete, Peixoto oferece uma reconstrução temática do legado filosófico da Princesa, marcado pela questão geral acerca das consequências práticas do cartesianismo, iniciando por uma reflexão acerca dos desafios metodológicos da pesquisa em torno das cartas e da reconstrução do ambiente intelectual da pensadora. O verbete divide a obra da filósofa em três momentos: um primeiro, sobre “O ‘achado’ de Elisabeth da Bohemia”, qual seja, a pergunta sobre a natureza das ações voluntárias nas Meditações metafísicas; um segundo, sobre a ambivalência das paixões da alma (Descartes dedicou à Elisabeth a sua última obra, Paixões da alma) e, por fim, o tema “Liberdade como generosidade”, derivado da fase final da interlocução entre os dois.

Para conhecer os detalhes deste fascinante diálogo, suas nuances retóricas, o temperamento filosófico e as teses de Elisabeth, e os caminhos ainda inexplorados de pesquisa – seja na história da filosofia do Período Moderno, na filosofia do feminismo e no ativismo feminista – leia o verbete Elisabeth da Bohemia (1618-1680).

Assista aqui à entrevista completa realizada por Yara Frateschi com Katarina Peixoto e Carmel Ramos sobre os verbetes “Elisabeth da Bohemia” e “Elisabeth da Bohemia – epistolografia e escrita de mulheres filósofas”.

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