bell hooks

“Uma mulher de língua afiada, sem papas na língua”:  assim Mariléa Almeida conta como era a bisavó de Gloria Jean Watkins, Bell Blair Hooks, a quem homenageou ao adotar o pseudônimo bell hooks. A homenagem faz jus à pensadora nascida em 1952 no estado de Kentucky, no sul dos Estados Unidos, que cresceu “respondendo a perguntas que não eram dirigidas a ela, fazendo perguntas sem-fim, discursando” (HOOKS, 2019a, p. 32). Neste verbete, Mariléa Almeida compartilha conosco estes discursos, as perguntas que guiaram as reflexões dessa pensadora e as respostas que encontrou em sua trajetória.

A autora do verbete apresenta o pensamento de hooks em quatro eixos: a crítica que fez à práxis pedagógica, inspirada por Paulo Freire – sem deixar de apontar críticas ao sexismo presente na obra do pensador brasileiro; a crítica à produção cultural, ensinando que é possível  examinar um trabalho sem destruí-lo; as reflexões sobre espiritualidade, amor e autoestima como práticas políticas em que o cuidado de si não está apartado do cuidado com a coletividade. Por fim, Almeida apresenta as dinâmicas de raça, classe e gênero nos textos de hooks, mostrando  como as dimensões subjetivas estão articuladas às questões estruturais como racismo, capitalismo, imperialismo e patriarcado. 

Almeida nos mostra que hooks denunciou opressões sem resvalar para maniqueísmos e essencialismos e exerceu uma prática narrativa que convida à conversa e aos encontros. Leiam o verbete aqui. E assista aqui à entrevista que nossa editora Halina Leal fez com Mariléa Almeida.

Mariléa Almeida é doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas e autora do prefácio da edição brasileira do livro “Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra”, da feminista estadunidense bell hooks, publicado, em 2019, pela editora Elefante.

   

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *