Concurso de não-paradoxos


Scott Aaronson lista diversos não-paradoxos e pede por mais. Veja alguns exemplos abaixo, e em inglês, confira os comentários da página, o resultado é humor nerd concentrado:

Não-paradoxo de Banach-Tarski: Se você cortar uma laranja em cinco pedaços com uma faca comum, e então juntá-los novamente, o resultado terá exatamente o mesmo volume que a laranja original.
Não-paradoxo de Hempel: Se você observar vários corvos e descobrir que são todos pretos, isto aumentará as chances de que declare “Todos os corvos são pretos”.
Não-paradoxo de Russell: “O conjunto de todos os conjuntos que contém a si mesmos como membro, pode ou não conter a si mesmo como membro (de qualquer maneira é coerente)”.
Não-paradoxo do hotel de Hilbert: se um número finito de hóspedes aparecer em um hotel infinito, eles podem ser acomodados.
Não-paradoxo dos gêmeos: duas pessoas nascidas no mesmo dia irão, muitos anos depois, ter a mesma idade.
Não-paradoxo de Zenão: Somar um número finito de frações dará um resultado finito.
Não-paradoxo de Epimênides: “Um cretano mente, “Todos os Cretanos são mentirosos””.
Não-paradoxo do barbeiro: Um barbeiro que barbeia todos que barbeiam ele mesmo.
Penso, logo penso que existo.

Relógio de sol digital


Não, não é um relógio solar digital, com células solares e telas de cristal líquido, o que não é de longe tão curioso. O relógio acima não possui componentes eletrônicos ou mecânicos, e exibe as horas em números apenas com a luz do sol. Impossível?
A idéia surgiu no fim dos anos 80, e em 1991 foi divulgada como um desafio em uma edição da revista Scientific American. Poucos anos depois, em 1994, três alemães patentearam o modelo que você vê acima. Confira a patente, disponível online. O sistema é simples e engenhoso.
Os raios solares, nas diferentes horas do dia, incidem a ângulos diferentes, que é o que gera a sombra móvel dos gnômons comuns. No relógio de sol digital, pequenas diferenças no ângulo do raio solar iluminam diferentes frestras gravadas com grande precisão no vidro. Nossa visão faz o resto, e enxerga geralmente um número mais claramente que o outro, embora este relógio “digital” realmente acabe exibindo números mesclados — as fotos de exibição foram presumivelmente tomadas em momentos em que os números apareciam mais claramente.
A tecnologia para criar um relógio assim já existia pelo menos desde o século 19, e embora com menos precisão, um relógio de sol “digital” capaz de exibir pelo menos as horas do dia em seu mostrador poderia ter sido criado muito antes. Mas ainda que haja inúmeras obras antigas com alinhamentos celestes de grande precisão, não há nada como esse relógio patenteado no ano da graça de 1994. É por isso que histórias como a do chocalho mecanoluminescente levantam dúvidas — não é que não sejam possíveis, é apenas algo extraordinário.

A invasão das baratas zumbis

“Eu diria, sem muito medo de errar, que poucas ocasiões são capazes de levar as pessoas a sentirem pena de uma barata. Afinal, nada traz mais deleite ao ouvido masculino humano (e horror ao ouvido feminino humano) do que escutar aquele barulhinho de barata sendo esmagada por chinelo de dedo. Mas sou capaz de apostar que você sentiria ao menos um pouco de compaixão ao saber do que acontece com certas baratas. Com uma ferroada certeira, elas são transformadas em zumbi e devoradas vivas. Bem devagar”.

Continue lendo: A invasão das baratas zumbis
[dica de indbra no Orkut]

A tribo iluminada por cristais

Navegando pela Wikipedia, encontrei a curiosa história de que uma tribo pré-colombiana, os Utes, que hoje contam com apenas 10.000 membros, possuía uma tecnologia extraordinária.
O objeto que você vê ao lado seria uma espécie de chocalho feito de couro, mas o surpreendente é que seria preenchido com cristais de quartzo — e quando tudo era chacoalhado, um brilho tênue seria produzido. O fenômeno em si é real, a mecanoluminescência, e cristais de quartzo realmente são propícios ao efeito. E é plausível que algo assim tenha sido criado por tribos antigas, talvez há séculos.
Mas a única fonte a respeito que pude encontrar na internet é a própria Wikipedia, que infelizmente não fornece nenhuma referência segura sobre algo tão curioso, além da imagem do chocalho. Longe de querer promover qualquer preconceito — os maias foram os primeiros a inventar o zero e possuíam um calendário tão ou mais preciso do que o que usamos hoje ver os comentários do Ricardo abaixo — mas a idéia de tribos antigas com chocalhos de quartzo luminescente é algo extraordinário o suficiente para requerir algo além de uma menção na Wikipedia. Alguém?

Siga a linha vermelha


Sensacional sistema que projeta uma linha vermelha virtual à frente do carro, em três dimensões. Bem mais simples e intuitivo que navegar por GPS olhando para uma tela minúscula e confusa no painel do carro, os vídeos são concepções artisticas, mas a descrição da tecnologia é bem plausível.

O Futuro do Pretérito no Espaço

Logo após a Segunda Guerra, as nações reconhecem o potencial do espaço e a corrida começa logo depois. Em 1956 um foguete reutilizável é criado, em 1960, uma estação espacial circular é estabelecida. O homem pisa na Lua em 1962, e em 1968, em Marte. Colônias na Lua e outros corpos fornecem materiais, e estações orbitais fornecem energia solar abundante ao planeta. Em 2007, há 6,5 bilhões de pessoas — 420.000 delas vivendo fora da Terra.
Essa história alternativa do que poderia ter sido é ainda contada com as muitas concepções de veículos espaciais de Wernher von Braun nos anos 1950: é o filme Man Conquers Space, que tem tudo para ser obrigatório. O próprio título é uma referência à série de artigos publicada por von Braun na revista popular Colliers: “Man Will Conquer Space Soon!“.
Confira o trailer, imagens e a história. [via BAblog]

Pela proteção das cadeiras

O professor Kinouchi, do excelente Semciência, tenta demonstrar algo do momento angular. Nenhuma cadeira foi ferida durante a filmagem desse vídeo.
(O mestre se justifica: “OK, OK, deixa eu explicar. Karla estava tendo um ataque de riso, eu sabia que ela estava bem… OK, acho que não tem desculpa (…) Reconheço que foi uma grande marcada não ter ajudado a Karla a se levantar. Pedi desculpas a ela em público (nos comentários do YouTube), algo que não sei se outros professores “sérios” fariam. Aqueles que nunca pecaram, que atirem a primeira pedra…”).

Todo Mundo em Pânico – Parte 1


Há dois mil anos, todo tipo de inconveniência feminina tem sido atribuído à histeria. Descrita por Platão e mesmo Hipócrates, o termo “histeria” vem do grego hystera, ou útero, que segundo o mito ficaria vagando pelo corpo da mulher até sufocar as frágeis criaturas. Dos antigos gregos também temos a impagável declaração de Aristóteles de que homens teriam mais dentes que mulheres.
É desta forma que enquanto Erastótenes media a circunferência da Terra, outros feitos tão simples como contar dentes de esposas ou investigar se o útero poderia mesmo vagar pelo corpo feminino foram passos muito gigantes para tais culturas. E a ignorância, no caso da histeria, prolongou-se pela cultura européia até o século 17.
Com o avanço da ciência, úteros livres e soltos pelo corpo tornaram-se implausíveis, e a histeria feminina encontrou uma nova origem: o cérebro. Este não ficaria flutuando pelo corpo, mas de forma não tão diferente, a histeria provocada afligiria apenas mulheres. O tratamento? Massagem pélvica para a obtenção do paroxismo histérico. Mais conhecido hoje como orgasmo.
Os primeiros vibradores surgiram assim como ferramentas médicas para tratamento da histeria feminina, esse terrível mal atingindo as delicadas flores de nossa espécie.
Com toda essa história de sexismo e superstição, não impressiona que “histeria” não seja um diagnóstico muito popular hoje em dia. “Histeria coletiva” então, seria um diagnóstico maldito elevado ao quadrado.
Mas como você descobrirá nas próximas colunas, não só a histeria, como a histeria coletiva existem, e são muito mais comuns do se imagina. Ainda que não envolvam orgasmos coletivos. Infelizmente.
Clique aqui para ler o restante de ‘Todo Mundo em Pânico – Parte 1?

Use sua TV como um radar


E nem precisa (ou deve) ser uma TV digital. Usando apenas sua engenhosidade alavancada pela ciência, um inglês foi capaz de usar os “fantasmas” em sua televisão para localizar a origem do sinal atrapalhando sua recepção. É o princípio sofisticado por trás dos radares passivos, e vale contar algo sobre como ele o fez.
Antes de mais nada, é preciso explicar o que é um “fantasma”. Ou melhor, todo sabem o que é um fantasma em um sinal de TV, mas a sua causa é menos conhecida. São grandes objetos que acabam refletindo o sinal original da emissora de TV, e como o sinal refletido percorre um caminho diferente para chegar até sua antena, também leva um tempo diferente, e se sobrepõe sobre o original. O resultado é o “fantasma”, algo como um eco.
Note que um objeto grande refletir um sinal de rádio é exatamente o princípio do radar. E, no radar passivo, o que se tem é um dispositivo capaz de perceber as diferenças entre o sinal original e o sinal refletido. Que pode ser mesmo uma televisão com fantasmas.
Sabendo os dados sobre a freqüência do sinal de TV e como é decodificado pelo aparelho, basta medir a posição do sinal fantasma em relação ao sinal original na TV. Com isso, é possível calcular a diferença de tempo e logo a distância percorrida pelo sinal fantasma. Com a posição de sua casa e a da emissora de TV como focos, traça-se assim uma elipse que define todos os pontos que poderiam conter o grande objeto refletor culpado. Foi o que o inglês fez, e ao traçar a elipse, descobriu que ela cruzava um grande conjunto de prédios. Seria ele o culpado?

Para fechar a questão, ele então direcionou sua antena para o grupo de prédios e… o sinal fantasma ficou mais forte! Sua TV e antena, e principalmente, seu cérebro, funcionaram como um radar.
OK, pode ser algo a empolgar apenas a nerds, já que remover as fontes de sinais fantasmas é quase sempre muito pouco prático — é mais simples comprar uma TV digital. Mas como o autor disse, “é provavelmente a coisa mais interessante que já vi na TV há tempos“. Serve para pensar que todos aqueles fantasmas na sua TV analógica são sinais refletidos de objetos que, se você não tiver nada melhor a fazer, pode tentar localizar com precisão.
Também é uma demonstração bela sobre como a ciência simplesmente funciona. Para fazer algo assim, é necessário conhecer a velocidade da luz, e que ela seja constante. A elegância de aplicar todos estes conhecimentos de forma simples lembra como você pode também medir a própria velocidade da luz com um microondas e marshmallows ou chocolate.

O Enigma da Falha de Amigara


Se você entende inglês e gosta de histórias de terror e mistério, confira “The Enigma of Amigara Fault”. Traduzido do original de Junji Ito, um bônus do primeiro volume de Gyo.
No “Enigma”, um terremoto revela uma parede nas rochas com diversos buracos no formato de silhueta de pessoas. Como se não fosse suficientemente bizarro, algumas pessoas são atraídas ao local e descobrem que há um buraco com seu formato exato. Olhar para elas é ver um convite para entrar e ver o que há além. Mas os que entram não podem mais sair. Uma história curta, com final razoavelmente previsível, mas ainda assim excelente. Me fez querer comprar o livro completo.
[via Neatorama]

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