Sereno’s Crocodilos

Mais uma excelente monografia sobre a vida na Terra.
Do passado dos Crocodylia, mais concretamente sobre o registo fóssil do Cretácico do Saara.
Kaprosuchus saharicus (Large).jpgDesta vez Paul Sereno é acompanhado por Hans Larsson na escrita de uma obra que vai ser uma referência futura.
Na imagem o novo género e espécie Kaprosuchus saharicus revela uma morfologia craniana e mandibular muito particulares.
A cereja em cima do bolo é que a monografia é grátis e está repleta de excelentes ilustrações e fotografias.
Aqui o PDF.
Abstract
Cretaceous Crocodyliforms from the Sahara
Paul C. Sereno, Hans C. E. Larsson
“Diverse crocodyliforms have been discovered in recent years in Cretaceous rocks on southern landmasses formerly composing Gondwana. We report here on six species from the Sahara with an array of trophic adaptations that significantly deepen our current understanding of African crocodyliform diversity during the Cretaceous period. We describe two of these species (Anatosuchus minor, Araripesuchus wegeneri) from nearly complete skulls and partial articulated skeletons from the Lower Cretaceous Elrhaz Formation (Aptian-Albian) of Niger. The remaining four species (Araripesuchus rattoides sp. n., Kaprosuchus saharicus gen. n. sp. n., Laganosuchus thaumastos gen. n. sp. n., Laganosuchus maghrebensis gen. n. sp. n.) come from contemporaneous Upper Cretaceous formations (Cenomanian) in Niger and Morocco.”
Referência:
Paul C. Sereno, Hans C.E. Larsson. ZooKeys 28: 1-143 (2009) doi: 10.3897/zookeys.28.325
Imagem:
da referência

Grandes

Já há tempos que estas imagens me regressavam constantemente à cabeça.
O post que o Carlos Hotta apresentou uma aplicação que nos dá uma ideia dos tamanhos reduzidos que muitos seres ou estruturas biológicas podem atingir.
Isto foi o suficiente para me decidir a publicar imagens opostas: as da vastidão de escalas que a Natureza pode abarcar.
Dois exemplos:
birds (Large).jpg
1 – a primeira imagem ilustra a disparidade de tamanhos que o grupo Aves pode ter – um exemplar adulto de um beija-flor (género Trochiliformes) é comparado com o fémur de uma ave-elefante (género Aepyornis), já extinta;
human_brachiosaurus (Large).jpg
2 Рneste caso um ser humano ̩ comparado com o ̼mero do dinossauro Brachiosaurus.
Imagens:
1- Thomas A. McMahon and John Tyler Bonner. 1983. On Size and Life. New York,
W.H. Freeman and Company. p. 118.
2- Luís Azevedo Rodrigues, 2006.

(Outro) Sorriso do Flamingo

FLAMINGO1.jpgUma imagem de que gosto particularmente, de artigo de investigação.
Voltarei a eles (julgo) mais tarde.
Evidente a alusão a Gould, e a um dos seus livros de divulgação.
Referência:
Holliday, C.M., Ridgely, R.C., Balanoff, A.M. and L.M. Witmer. 2006. Cephalic vascular anatomy in flamingos (Phoenicopterus ruber) based on novel vascular injection and computed tomographic imaging analyses. Anatomical Record 288A:1031-1041.
Imagem:
da referência.

Asas Velhas

Megatypus schucherti_wing (Small).jpg

De um tempo em que não eram aves ou mamíferos os voadores.
Outros cavalgavam os ventos, em florestas cerradas.
Com alas imensas.
Ventos passados, outras asas.
“The largest insect to have ever lived was Meganeuropsis permiana, from the Early Permian of Elmo, Kansas, and Midco, Oklahoma (…). This magnificent griffenfly attained wingspans of approximately 710 mm, which dwarfs the largest odonates found today. Protodonatans were almost certainly predaceous, as all nymphal and adult odonates are today.
Most fossils of these insects consist only of wings, but among the few preserved body parts are large, toothed mandibles, enormous compound eyes, and stout legs with spines, thrust forward in a similar manner to Odonata – all indicative of their being aerial predators.”

Evolution of Insects, pp. 175-176

Referrências:
David Grimaldi and Michael S. Engel. Evolution of the Insects. Cambridge University Press 2005

Imagem:
Megatypus schucherti (Meganeuridae: Protodonata), Evolution of the Insects.

Don’t Cry For Me Phrynosoma

As lágrimas de crocodilo são o mais famoso destilar emotivo que a mitologia zoológica oferece.
Conhecidas e utilizadas por humanos, a biologia não pode atestar que as lágrimas dos dito sáurios sejam manifestação das suas penas.
Lágrimas, estas concretas, são derramadas por diferentes répteis.

Em caso de perigo, algumas espécies do género Phrynosoma desenvolveram uma reacção…sangrenta.
Ameaçadas, seis variedades daquele grupo (2) lançam um jorro de sangue oriundo quer da zona ocular, quer de áreas adjacentes.

As lágrimas sanguinolentas são reflexo de auto-socorro embora não haja um consenso nesta análise.
Melhor que muitas palavras, as imagens – não recomendáveis a mentes mais sensíveis ou a vampiros em abstinência…

Relativamente à dieta fórmica:

“(…) all species of horned lizards in the North American iguanian genus Phrynosoma are ant specialists, suggesting that ant specialization evolved early in the evolutionary history of this clade and was carried through to all present day descendants.”
(1, p. 204)

Referências:

1 – Grizmek, H, Klemmer, H., Khun, D., Werminth, W., eds., Encyclopedia. Reptiles. Vol. 6, English Edition, 363pp., New York, V.N.R. Company, New York.

2 – Wade C. Sherbrooke and George A. Middendorf III. Blood-Squirting Variability in Horned Lizards (Phrynosoma). Copeia 2001(4):1114-1122. 2001 doi: 10.1643/0045-8511(2001)001[1114:BSVIHL]2.0.CO;2

Imagem:
daqui

Papoilas

As doses de botânica que tomei não me permitiram afastar uma ideia de infância: as papoilas são todas vermelhas.

Passei por estas, de carro, e nunca parei.
Eram roxas ou lilases, que a minha miopia masculina não me concede maior precisão.
Certo é que não eram vermelhas.
E conviviam à beira alcatrão com as ortodoxas da minha infância.
Ei-las, as papoilas dormideiras (Papaver somniferum).

“the seed of Papaver somniferum, poppy seed, is a common ingredient in many pastries and breads.”1, p. 1249

Referências:
1 – Klassen, C. D. (ed.) (2001) Casarett and Doull’s Toxicology: The Basic Science of Poisons, 6th ed. New York: McGraw-Hill.

Imagem:
Luís Azevedo Rodrigues

BIOFORMAS

Imagens – daqui; daqui; daqui; daqui. (de cima para baixo e da esquerda para a direita, respectivamente)

Noblella pygmaea

Noblella pygmaea – 11,4 milímetros de vida…

Referência:
A New Species of Minute Noblella (Anura:Strabomantidae) from Southern Peru: The Smallest Frog of the Andes. Copeia, Volume 2009, Issue 1 (February 2009), pp. 148-156.

Imagem
daqui

Pseudópode

Palavras de que gosto.
Pseudópode.

Imagem:” This colored scanning electron micrograph (SEM) shows a macrophage white blood cell (brown) attacking a group of Borrelia bacteria (blue, lower left). The macrophage extends a long pseudopod toward the bacteria prior to engulfing and destroying them. Several diseases are caused by various types of Borrelia bacteria, including Lyme disease and relapsing fever.”

Referência:
p. 422 Brenda Wilmoth Lerner & K. Lee Lerner, (editors). 2008. Infectious diseases : in context


Ela por ele

Já me aconteceu várias vezes, em especial no oriente.
Antecipando um colega ele, surpreender-me quando me deparava com uma ela.
A técnica redentora deste engano passa por inúmeros contorcionismos comportamentais, que não vou descrever a fim de não reviver o embaraço.
Coisas que acontecem quando não se domina o género dos nomes e num ambiente que não nos é familiar.
Nada de especial.

Acontece também em jornalismo de ciência.
Recentemente, um artigo importante relaciona o aumento da acidez dos oceanos com a uma maior fragilização da carapaça microrganismos que são um elo muito importante das cadeias alimentares oceânicas.
Num artigo, hoje publicado no DN, Filomena Naves apelida os “foraminíferos” de “foraminíferas”, por mais do que uma vez.
Bem sei que, neste tempos alucinantes, os ininterruptos comunicados das agências noticiosas não nos dão sossego, mas traduzir “foraminifera” para “foraminíferas” é, como dizê-lo, nominalmente errado.
O importante é que a notícia foi divulgada.
Ainda que no género errado.

Referência
Andrew D. Moy, William R. Howard, Stephen G. Bray, Thomas W. Trull. Reduced calcification in modern Southern Ocean planktonic foraminifera. Nature Geoscience (08 Mar 2009), doi: 10.1038/ngeo460, Letters.

Imagem daqui