Mulheres na Filosofia

Juana Paula Manso 

Juana Paula Manso 

Joanna Paula Manso de Noronha

(1819-1875)

Natalia Zorrilla Sirlin,
McGill University, Ca’ Foscari Università di Venezia, CONICET (Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas) – INEO (Instituto de Filosofía Ezequiel de Olaso)

Orcid

Uma mulher pensadora é um escândalo…. e a senhora escandalizou toda a raça

Carta de Domingo Faustino Sarmiento a Juana Manso, 15 de outubro de 1867.

Juana Paula Manso – PDF

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Informações biográficas 

Juana Paula Manso, ou Joanna Paula Manso de Noronha (Buenos Aires, 26 de junho de 1819 – Buenos Aires, 24 de abril de 1875), nasceu em 26 de junho de 1819 em Buenos Aires, filha de Teodora Cuenca e José María Manso. Desde pequena, demonstrou grande aptidão para as letras e as artes. A jovem Juana, que se tornaria uma intelectual prodigiosa, começou sua carreira como escritora ainda jovem, com a publicação de duas obras: El egoísmo y la amistad o los defectos del orgullo (O egoísmo e a amizade ou os defeitos do orgulho, 1834), apresentada como uma tradução do francês feita por “uma jovem argentina” (embora o texto original não seja esclarecido) e Mavrogenia ó la heroína de Grecia (1836), tradução do francês da obra Mavrogenie, Ou, L’Héroine de la Grèce, de J.F.T. Ginouvier.

A juventude de Manso é marcada pelas diversas viagens que realiza. Em primeiro lugar, ela passa vários anos com sua família de origem no exílio em Montevidéu e no Rio de Janeiro devido à ascensão ao poder de Juan Manuel de Rosas (governador da província de Buenos Aires entre 1829 e 1832 e entre 1835 e 1852, e líder da Confederação Argentina nesse último período). Isso se deveu à afinidade unitária de seu pai (colaborador de Bernardino Rivadavia), opositor de Rosas. Seu compromisso ético com a educação das moças também se manifesta precocemente: em 1841, em Montevidéu, ela anuncia a abertura de uma escola para meninas, o Ateneo de Señoritas, e no ano seguinte, no Rio de Janeiro, o Colégio para Moças Santa Clara.

Em segundo lugar, juntamente com Fernando Sá de Noronha, compositor e violinista com quem se casou em 1845, empreendeu uma série de turnês artísticas e viagens pelo nordeste do Brasil (Bahia e Pernambuco), Estados Unidos (Filadélfia, Nova York, Cape May) e Cuba. Naquela época, ela já era uma escritora versátil que havia publicado poemas no jornal El Nacional de Montevidéu e manuais educacionais (Manual para a educação de meninas, Montevidéu, 1844). Durante esse período de viagens contínuas, ela amplia ainda mais seus horizontes dedicando-se à dramaturgia, adaptando e escrevendo peças de teatro para o público carioca, como O reinado das mulheres ou O mundo às avessas (1844), adaptação de Le Royaume des femmes, ou le monde à l’envers (1833) de Charles Desnoyer e Théodore e Hippolyte Cogniard. 

Ela também compôs o oratório Cristóbal Colón (1847), o drama em verso intitulado El huérfano (O órfão, 1848) e, ao retornar ao Brasil, A família Morel (1850), inspirada em Os mistérios de Paris, de Eugène Sue, Esmeralda (1851), A saloia (1852) e, em 1853, ano da queda de Rosas, O ditador Rosas e a Mazorca e Às Manias do Século. Em 1849, ela já havia terminado seu romance Os mistérios do Prata e começado a redigir A família do comendador, que mais tarde seriam publicados em capítulos em diferentes jornais: o primeiro em O Jornal das Senhoras (a partir de 1852); o segundo em A Imprensa (1853) e em El Álbum de Señoritas (1854). A criação de muitas dessas peças por Manso ocorre em um momento crucial de sua vida familiar; em 1846 nasce sua filha Eulália (Manso escreve o Manuscrito da mãe em 1847 relatando algumas dessas experiências) e, em 1848, nasce sua filha Herminia. 

Em 1852, já instalada no Rio de Janeiro, Manso publica O Jornal das Senhoras: Modas, Literatura, Belas-artes, Teatros e Crítica, um jornal por assinatura dedicado às mulheres que promove sua emancipação por meio da educação, incluindo diversos artigos sobre áreas de interesse das leitoras refletidas no subtítulo. Esse empreendimento editorial e intelectual, no qual Manso se permite expressar suas ideias feministas, tem grande repercussão na sociedade carioca. Embora ela se retire do jornal após seis meses, ele continua sendo editado por Violante Atabalipa Ximenes de Bivar e Velasco e Gervásia Numésia Píres até 1855. Com efeito, quando seu marido retorna a Portugal em 1853, deixando Manso responsável pela criação e sustento de suas duas filhas, ela decide voltar para Buenos Aires, motivada pela derrota de Rosas. Ela colabora com alguns jornais, como La Ilustración Argentina, e decide tentar reproduzir o projeto de ilustração e emancipação das mulheres do Jornal das Senhoras, criando o jornal Álbum de señoritas (1854). Apesar de este ter sido descontinuado após o oitavo número, Manso conseguiu plasmar em seus ensaios várias das ideias que havia desenvolvido anteriormente no Jornal das Senhoras, acrescentando também outras reflexões morais e políticas motivadas pelo novo contexto sociopolítico em que se encontra. A família do comendador é publicada em formato de romance em 1854, ano em que Manso decide retornar ao Brasil. Entre 1855 e 1858, ela atua com sucesso como atriz e intérprete, ao mesmo tempo em que continua denunciando os excessos tirânicos do rosismo por meio de sua literatura (em 1857, publica “Um episódio da tirania de Rosas. Camilla O’Gorman” e, em 1858, “Páginas da mocidade: memórias das guerras civis do Rio da Prata de 1838 a 1841” no Diário do Rio de Janeiro). Em 1856, ela publica As Consolações, obra que dedica à sua amiga Gabriela da Cunha de Vecchy. Também nesse ano, ela se reconcilia com o marido, embora o casal se separe definitivamente em 1858.

Em 1859, começa uma nova etapa na vida de Manso, que, de volta a Buenos Aires, conhece Domingo Faustino Sarmiento (que seria presidente da Argentina entre 1868 e 1874) por meio de José Mármol e Bartolomé Mitre. A aliança intelectual e política entre Manso e Sarmiento se consolida com o passar do tempo, baseada no projeto comum de promover a educação no território argentino, condição básica para o avanço da civilização e a harmonia social. Nesse mesmo ano, Manso torna-se diretora da primeira Escola Mista (Nº 1) de Buenos Aires e inicia o que será um trabalho dedicado e extenso no jornal Anales de la Educación Común, primeiro como colaboradora e, posteriormente, como editora, de 1865 a 1875, ano de sua morte. Lá, nossa autora publicou vários ensaios e adaptações para o espanhol de diversos textos pedagógicos, que seriam úteis para o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem na Argentina. Manso entendia que seu papel como educadora implicava, acima de tudo, um compromisso ético-político com o projeto de proporcionar à nação emergente fundamentos culturais e históricos que definissem sua identidade. Como resultado, ela publica em 1862 o Compendio de la Historia de las Provincias Unidas del Río de la Plata (Compêndio da História das Províncias Unidas do Rio da Prata), material didático para ser usado nas escolas. 

Ela persiste ao longo dos anos em seu objetivo de oferecer às mulheres latino-americanas leituras que contribuam para cultivar seu espírito e promover o gosto pelas artes e pelas letras. Outros jornais para mulheres em que participa são La Flor del Aire (1864), dirigido por Lope del Río, onde escreve alguns artigos sob o pseudônimo “Dolores” (o mesmo faz Eduarda Mansilla sob o pseudônimo “Daniel”). Nesse mesmo ano, publica La Siempre Viva (1864). Manso contribui para o gênero do drama histórico com sua obra La Revolución de Mayo de 1810 (1864) e continua colaborando com outros jornais nos anos seguintes.

Em 1865, ela se converte ao protestantismo anglicano, adesão que suscita rejeição e ameaças em um contexto de forte hegemonia do catolicismo. Nesses anos, Manso se consolida como palestrante pública e suas apresentações, admiradas por alguns e impedidas por outros por meio de violência verbal e física, são ocasião para importantes marcos culturais para a região, como, por exemplo, a fundação da primeira Biblioteca Pública da Província de Buenos Aires em Chivilcoy (1866). Ela desenvolve uma correspondência amigável com Mary (Tyler Peabody) Mann, educadora de vanguarda e autora de várias obras neste campo. Ela continua seu trabalho pedagógico, em 1868 revigorado pela eleição de Sarmiento como presidente. Ela produz traduções de várias obras, como Lecturas sobre la educación (Leituras sobre a educação), de Horace Mann, e Sobre la libertad civil y el propio gobierno (Sobre a liberdade civil e o próprio governo), de Francis Lieber.

Em 1871, Manso se torna a primeira mulher a integrar o Conselho de Instrução Pública e também é nomeada vice-diretora interina da Escola Graduada Nº 1 (onde avança na secularização dos conteúdos de ensino). Em Buenos Aires, ocorre uma epidemia de febre amarela que devasta a população, epidemia que Manso relata nos Anales (ela sempre defendeu a higiene como princípio básico que deve reger tanto as instituições educacionais quanto os grandes centros populacionais). 

Nos últimos anos de sua vida, Manso continua seu trabalho como editora da revista Anales – tendo que enfrentar (com sucesso) uma suspensão temporária de cinco meses do jornal, retirado de circulação – e como correspondente e colaboradora de diferentes jornais (por exemplo: La América Ilustrada, publicado em Nova York). Falece em 24 de abril de 1875, devido a complicações de saúde causadas por hidropisia. Firme em suas convicções, recusa a extrema-unção em seus últimos dias. Nesse mesmo ano, meses após sua morte, foi promulgada a Lei de Educação Comum da província de Buenos Aires de 1875 — antecedente da Lei Nacional 1420 de 1884 —, que estabelece o caráter obrigatório e gratuito do ensino fundamental. Seu legado como pioneira da educação e da ilustração do povo e, particularmente, das mulheres e das crianças, transcendeu os obstáculos mesquinhos com os quais teve de lidar durante a vida.

Obra filosófica

Altamente prolífica e talentosa, Manso se caracteriza por ter desenvolvido uma produção intelectual muito extensa; alguns desses itens abordamos neste verbete (muitos outros certamente ficarão por abordar). Ao longo de sua carreira multifacetada, ela criou progressivamente uma filosofia social orientada principalmente para a defesa da Ilustração, entendida como um projeto educacional de emancipação e formação cívica. Existem pelo menos três proclamações que definem o projeto educacional de nossa pensadora, a saber: educação mista, laica e popular (comum). Cada uma dessas proclamações está intimamente ligada a três eixos conceituais de seu legado intelectual: feminismo, liberdade de culto, autogoverno e republicanismo, cada um deles baseado na defesa de Manso da secularização, transversal a todos eles. 

1. Educação mista; ilustração e emancipação das mulheres

Manso se destaca como pensadora e escritora por sua defesa vanguardista da educação das mulheres em um contexto sul-americano adverso, no qual, confinadas principalmente ao âmbito doméstico, sua “educação” genderizada as orientava para os cuidados do lar, a estética e, em alguns casos, a caridade religiosa. 

Para nossa autora, o acesso ao conhecimento de diferentes disciplinas humanísticas e científicas é benéfico para a aquisição de autonomia intelectual e deliberativa das mulheres e o reconhecimento de si mesmas como pessoas e cidadãs. Por isso, ela escolhe desenvolver seu projeto intelectual e editorial feminista e ilustrado, destinado a um público feminino incipiente, principalmente por meio da publicação de jornais: O Jornal das Senhoras (1852), Álbum de Señoritas (1854), La Flor del Aire (1864) e La Siempre Viva (1864). Neles, Manso não apenas expressa suas ideias filosóficas sobre a emancipação da mulher, mas também oferece um caldeirão diversificado de seções dedicadas a outras áreas artísticas, como teatro, moda, música, incluindo trechos de romances, crônicas de viagem, críticas, “fofocas”, partituras, figurinos e muito mais, que lhe permitem entrar no universo social e cultural de suas leitoras. 

Como Manso articula suas ideias sobre a igualdade entre homens e mulheres? Para ela, a diferença entre a mulher e o homem reside principalmente na constituição de seus corpos; no que diz respeito à alma e à mente, ela não observa nenhuma diferença. Ela se insere assim em uma certa linha teórica de defesa da igualdade ancorada em Poulain de la Barre, definida sob o lema: “a alma (a mente) não tem sexo”, assim como outras autoras, como Nísia Floresta, elogiada por Manso.

Daí se deduz que o sexo não é um fator relevante para determinar diferenças significativas, nem em termos de capacidades intelectuais, nem em termos de capacidades deliberativas. De acordo com a pensadora, as mulheres são portadoras de uma alma individual com livre arbítrio da mesma hierarquia espiritual e metafísica que a dos homens: “Posso assegurar-vos que ela tem alma. Tem inteligência. Tem direitos que Deus e a natureza lhe concederam. É suscetível do bem e do mal” (O Jornal das Senhoras, 1852, n°1, p. 6).

Manso defende a autonomia intelectual e moral de cada mulher como ser pensante e sensível, autonomia que provém de Deus. Assim o afirma em resposta a um correspondente anônimo que a ameaçou por seu trabalho feminista no Jornal das Senhoras: “Revoltae-vos contra Deus, senhor, e perguntae-lhe por que deu alma à mulher, por que lhe deu pensamento, por que a fez igual ao homem, por que a fez sua companheira” (O Jornal das Senhoras, 1852, n°6, p. 43).

A que se deve, então, a desigualdade entre uns e outros em relação ao seu desenvolvimento intelectual? Para Manso, não se trata de uma desigualdade por natureza, mas de um fenômeno social e cultural, baseado nas diferentes formas de educação que homens e mulheres recebem. Às mulheres é negada a possibilidade de cultivar suas faculdades intelectuais e seu espírito. Elas são doutrinadas para que estejam sempre sob a tutela de algum homem. Partindo da premissa hegemônica de que a função social das mulheres é a reprodução da família e o cuidado da casa, elas são relegadas ao âmbito doméstico, anulando assim sua autonomia até se tornarem mais um utensílio do lar (La Ilustración Argentina, 1853, n°2, p. 17). As mulheres tornam-se um instrumento a serviço de interesses androcêntricos, propriedade literal do homem, ao lado de “suas botas” ou “seu cavalo” (O Jornal das Senhoras, 1852, n°2, p. 13). Manso considera intoleravelmente injusta e errada a naturalização da inferioridade das mulheres, pedra angular do subterfúgio com que se pretende justificar a negligência com que são tratadas socialmente; essa naturalização provém do preconceito que está na base da estagnação social a que são submetidas.

Manso defende a identificação da mulher como um ser racional, capaz de pensar, sentir e tomar decisões como qualquer homem, buscando assim estabelecer a personalidade metafísica, moral e cívica das mulheres. Seu feminismo se volta tanto para aquelas que vêm de famílias de alta hierarquia socioeconômica, cujo destino social será se tornar uma “autômata de salão”, quanto para aquelas de menos recursos, destinadas a se transformar — se não forem jogadas na prostituição pela miséria (Álbum de señoritas, 1854, n°8, p. 59) — em “máquinas vivas de costura” (La Siempre Viva, 1864, n°3, p. 26). 

Apesar de sua própria biografia revelar a história de uma mulher singular, que vive fora do ideal normativo da família heterossexual, Manso não é uma inimiga ferrenha dos papéis femininos tradicionais per se, representados na figura do que Virginia Woolf [1931] (2008) denomina o “anjo do lar”: “Não entendo por emancipação moral da mulher, que ela abandone o lar doméstico e marche para a campanha enquanto o marido em casa trata da cozinha” (O Jornal das Senhoras, 1852, n° 4, p. 27).  O casamento, quando concebido como uma relação contratual entre iguais e não como uma relação de submissão extrema da mulher ao homem, é exaltado pela autora. A maternidade, por sua vez, constitui para ela uma via legítima de autorrealização da mulher, mas não esgota tudo o que ela é. Nesse sentido, se a letra do texto de Manso subscreve o ideal da “maternidade republicana”, isso não invalida sua luta pela autonomia das mulheres, por sua dignidade como pessoas, noção conceitualmente anterior à da realização da mulher como mãe. Na verdade, trata-se de uma das tarefas que mais responsabilidade ética e política acarreta; Manso defende uma maternidade consciente e crítica, que não seja uma mera repetição cega e mecânica dos ensinamentos passados, mas que se baseie em princípios morais ilustrados obtidos a partir da reflexão racional. Nossa autora destaca a utilidade social e política daquelas que exercem a maternidade, pois são elas que se encarregam da educação das futuras cidadãs e cidadãos (Anales de la Educación Común, 1867, vol. IV, n°48, p. 332). Manso considera essencial instruir e dotar de ferramentas intelectuais e filosóficas as mulheres, que são as que mais desenvolvem essa tarefa, e enfatiza a contradição que existe entre reduzir a mulher a um autômato e, ao mesmo tempo, atribuir-lhe uma função social tão significativa. Assim, a mulher “tal como a sociedade a faz, é um ser impossível” (La Siempre Viva, Ibidem).

Por isso, a forma como as mulheres são educadas e socializadas deve mudar radicalmente; devemos abandonar “os hábitos consuetudinários fatais que nos petrificam na adoração do passado” (Carta a Sarmiento, 5 de fevereiro de 1868). Manso observa que, desde o nascimento, o único incentivo da sociedade para as jovens é a vaidade, que as incita a competir entre si e a invejar-se. Como estratégia contrária, nossa autora propõe construir genealogias feministas de mulheres ilustres. Essa exaltação de mulheres excepcionais, que era frequente durante a querelle des femmes, é retomada por Manso em sua prosa e adaptada ao seu público e ao contexto histórico e político em que escreve: em vez de reproduzir catálogos anteriores de figuras admiradas ou importar modelos estrangeiros de virtude, ela opta por destacar o valor das mulheres da região sul-americana e da República Argentina. 

Embora reconheça o talento de mulheres intelectuais da Europa, particularmente da França, como Mme de Sévigné, Mme Cottin, Mme de Staël, Mme de Genlis e Mme Roland (La Flor del Aire, 1864, n°2, p. 15), entre outras, ela protesta porque na América do Sul não teriam existido condições para o cultivo da mente feminina. Isso não significa que não existam figuras femininas exemplares cuja história mereça ser recuperada. Manso concentra-se em destacar virtudes como a audácia e a resiliência e dá como exemplo Luisa Díaz-Veles de La Madrid, esposa do general La Madrid, elogiada por sua coragem e força durante sua viagem por diferentes territórios sul-americanos com seus filhos pequenos.

Consciente de que um aspecto importante da vida social de seu público feminino girava em torno da moda e da estética, Manso inclui várias seções em seus jornais sobre esses temas. Para ela, não se trata de meras frivolidades; a autora considera que o gosto é um domínio central no qual se manifesta o avanço do processo civilizatório. Consequentemente, Manso não o negligencia, mas o utiliza para trabalhar em prol da configuração de uma nova e distinta estética nacional e regional.

2. Religião: tolerância religiosa, liberdade de culto e educação laica

Manso se considera uma iluminista e identifica o uso da razão e o consequente avanço da ciência e da filosofia como armas eficazes contra os preconceitos e a favor da melhoria da sociedade. Esse progresso deve alcançar o povo em sua totalidade, incluindo as mulheres. 

À primeira vista, poder-se-ia pensar que há na obra de Manso uma tensão entre sua defesa do avanço do processo de secularização e suas convicções religiosas. Ela expressa sua crença em Deus e considera o pensamento religioso como uma possível fonte de ensinamentos morais e espirituais, mas redefine as fronteiras entre o Estado e o culto religioso sob padrões iluministas. 

Para nossa autora, o desenvolvimento do progresso que traz consigo o avanço inexorável da civilização não se torna visível apenas no âmbito intelectual racional, mas também na esfera espiritual. Trata-se, neste último caso, da difusão global da palavra de Cristo por meio da evangelização. Com efeito, Manso defende a centralidade histórica do cristianismo no desenvolvimento do progresso moral da humanidade, baseando-se no fato de que, de acordo com sua interpretação, Jesus defendia os ideais de liberdade, fraternidade e humanidade, ideais que evocam (parcialmente) o lema da Revolução Francesa (O Jornal das Senhoras, 1852, n°6, p. 42). Nossa filósofa tem interesse particular em argumentar que o cristianismo pode ser considerado historicamente como um movimento que prega a justiça social e que, portanto, se sua doutrina tivesse sido consequentemente instaurada, isso teria resultado em uma reabilitação de subjetividades marginalizadas, como as mulheres. Ela reivindica, por sua vez, esses valores como cristãos para poder estabelecer a diferença entre o catolicismo, origem da cruel Inquisição, e o cristianismo em sentido próprio (como dissemos, Manso era de credo protestante): “O catolicismo nada tem de commum com o cristianismo, (…) as fogueiras da Inquisição não podiam ser os intérpretes das três bases da doutrina de Christo — Liberdade — Fraternidade — Humanidade” (Ibidem). Uma interpretação um pouco mais subversiva também seria possível neste caso: Manso estaria tentando disfarçar com roupagens cristãs os ideais morais seculares por excelência para moderar a literalidade da mensagem de suas publicações, assinadas com seu nome e dirigidas a um público para o qual a piedade e a caridade religiosas constituíam virtudes inegociáveis. 

Nesse sentido, Manso não se priva de criticar a Igreja Católica, pois considera que seu predomínio sobre as instituições e relações sociais é pernicioso, um resquício da época colonial que obstrui o avanço do processo civilizatório nas nações sul-americanas incipientes. Ela busca minar sua hegemonia e sua interferência em diferentes aspectos da vida social e cívica que deveriam ser organizados e regulados pelo Estado, uma vez que observa que sua influência se estende não apenas ao credo e à profissão da religião, mas também ao casamento, à família e à educação. 

Quanto ao credo, a posição de nossa filósofa sobre a interferência institucional da religião católica no Estado e a coexistência ordenada de diversos cultos religiosos parece ter se radicalizado com o passar dos anos. É possível que, de acordo com o público a que se dirige, Manso se permita sugerir ideias mais ou menos heterodoxas a esse respeito e que matize suas reivindicações, indo de menor a maior ao longo do tempo, ou seja, apoiando novas propostas ou avanços com base em conquistas cívicas e políticas anteriores. 

No Álbum de Señoritas, Manso defende a liberdade de consciência e a tolerância religiosa e afirma que: “O judeu, assim como o católico, o cristão, assim como o muçulmano, todos são filhos de Deus” (Álbum de Señoritas, 1854, n°7, p. 56). Em uma sociedade civilizada, todas as crenças devem poder coexistir de forma harmoniosa e pacífica. Como correspondente da Revista Literária, responsável pela seção “Cartas Porteñas”, ela se pergunta: “Até quando teremos que encarnar a religião na batina? Até quando teremos que tremer diante de uma sombra, e a liberdade de consciência e a liberdade de pensamento serão um crime?” (La Revista Literaria, 1865, n°9, p. 144).

Assim, se em 1854 e em 1865 Manso destacava a importância da liberdade de consciência como um caminho possível para a coexistência pacífica de diversos cultos religiosos dentro da sociedade, em 1872 ela se permite criticar veladamente a obrigatoriedade do culto católico apostólico romano expressa na Constituição Nacional Argentina. Esta estipula que o governo federal sustenta tal culto — economicamente, esclarece Manso, e às custas dos crentes de outras religiões, que também devem financiá-lo “em flagrante violação de suas crenças” (La América Ilustrada, 1872, vol. I, n°2, p. 22). Aqui, a tolerância religiosa entendida como liberdade de consciência já não é suficiente, justa ou politicamente adequada, segundo nossa autora. 

Ela também é defensora do casamento civil; considera que as uniões matrimoniais, enquanto contratos entre particulares, devem ser sancionadas e regulamentadas pelo Estado (o casamento religioso não pode ser a única opção para formalizar a união de um casal). Manso critica os conservadores que defendem a interferência da Igreja nas liberdades civis: 

Temos que secularizar tudo (…) até nos tornarmos um Estado laico. (…) O ensino, para que as crianças que continuarão como homens na república não sejam supersticiosas e estúpidas. O casamento, porque deve ser dada a essa instituição a mesma expansão que hoje lhe dá todo o mundo civilizado (…) Para conservar a soberania popular, base do sistema representativo, temos que desobedecer à Igreja porque o catolicismo é incompatível com esses princípios, e é incompatível porque (…) o catolicismo é uma monarquia absoluta, infalível e estacionária, que pretende subordinar à sua lei Reis e Povos (El Inválido Argentino, 1867, n° 47, p. 372).

Manso defende insistentemente a educação laica. Em relação ao ensino da religião, esta educadora considera que há boas razões para não a impor nas fases iniciais da infância. As verdades da religião e os artigos de fé são assuntos tão abstratos que se tornam incompreensíveis para uma criança; se lhes for imposta sem mais a “doutrina” religiosa, sua ligação com Deus se transforma em um mero culto exterior.

A filósofa critica veementemente práticas pedagógicas herdadas de instituições religiosas, como castigos físicos ou o aprendizado puramente memorístico, e propõe inovações pedagógicas, tais como: educação mista, o método enciclopédico e a promoção do ensino de todos os tipos de conhecimentos, incluindo ciências naturais e exatas, educação física, a incorporação do jogo como parte do processo de ensino e aprendizagem, práticas de higiene, a adaptação dos conteúdos do ensino de acordo com as diferentes idades e capacidades, promovendo também a criação de “Escolas Jardim” (o que atualmente conhecemos como jardim de infância), a profissionalização dos professores, a divisão do tempo em atividades e recreios, o registro documental das escolas, a coleta de dados por meio de censos e o processamento dessas informações por meio de estatísticas para dar suporte e orientação às políticas públicas educativas, o funcionamento ordenado das escolas, regido por um regulamento, entre muitos outros. De fato, Manso é uma das figuras que mais contribuiu para criar um marco estatal e institucional, formal e burocrático, para o ensino nos territórios argentinos.

3. Educação do povo e para o povo: igualdade cívica

O segundo número do Álbum de señoritas abre com esta ideia: a missão política mais importante é “a organização das escolas, a educação do povo” (Álbum de señoritas, 1854, n°2, p. 9). A educação popular, assim como a criação de bibliotecas públicas, é fundamental para o projeto político de consolidar uma nova nação. Como vimos na seção anterior, essa formação baseia-se no uso da razão e da reflexão filosófica, aplicadas a uma educação moral, cívica e política; nos antípodas encontram-se o autoritarismo e o fanatismo, tanto de cunho político quanto religioso (ambos estão intimamente relacionados para nossa autora). Manso descreve este último como uma exploração política da “ignorância que idiotiza as raças, rebaixando-as ao nível dos brutos” (La América Ilustrada, Ibidem). No Álbum de Señoritas, ela afirma que: “Existe uma aliança sagrada dos povos contra os tiranos vestidos de púrpura ou de preto, com coroa ou tiara” (Álbum de señoritas, 1854, n°7, p. 55). Em suma, um povo educado tem as ferramentas para se levantar contra o tirano que diz “eu sou a lei, eu sou o soberano” e pode, por sua vez, rejeitar relações interpessoais tirânicas, como no caso do homem e da mulher — ambos devem ser educados no respeito pelo outro e a escola é o espaço ideal para incutir ou “inocular desde a infância”, nas palavras de Manso, “hábitos de urbanidade, decência e respeito” (Anales de la educación común, 1860, vol. II, n°15, p. 464). Outros exemplos importantes desse tipo de relação que ela denuncia são as formas de escravidão baseadas na exploração do ser humano pelo ser humano, como acontecia entre conquistadores e indígenas. 

De fato, seu Compendio de la Historia de las Provincias Unidas del Río de la Plata [Compêndio da História das Províncias Unidas do Rio da Prata, 1862] relata o papel transcendental que tiveram os povos querandíes, guaranis, charrúas, payaguaes, agaces, caracarás, chanés, minúas e araucanos, entre outros, no desenvolvimento da história da região. Longe de serem os vilões, sob a pena de Manso alguns, como os querandíes, são representados como uma poderosa força guerreira de choque no longo processo histórico da conquista, outros, como os caracarás, com um caráter mais pacífico. Manso critica a crueldade dos conquistadores espanhóis que escravizavam e oprimiam os indígenas, violando a lei natural ao fazer de outros homens sua própria propriedade (p. 15), embora não deixe de apontar as condições inóspitas enfrentadas pelos exploradores que buscavam se estabelecer nos diferentes territórios. Ela denuncia particularmente “a tirania e a crueldade dos encomenderos” (p. 29), instituição (sancionada pela Coroa e pela Igreja) que, sob o conceito de tutela espiritual, impunha a exploração e a vassalagem aos indígenas. Essas figuras tirânicas também aparecem em suas ficções, como La familia del comendador, onde nossa autora narra as atrocidades racistas sofridas pelas escravas e escravos. Manso resume brilhantemente a cena em que o jovem Don Juan se recusa a administrar os negócios da sua família, baseados na mão de obra escrava: “Ele falou de humanidade, eles responderam que os negros eram animais” (Álbum de señoritas, n°2, p. 16).

Ela rejeita a ação militar contra os indígenas, em um contexto histórico em que a iminência do malón pairava no imaginário. Em vez das campanhas de extermínio, ela era a favor da evangelização como método de integração social das comunidades indígenas: “Esta pátria é deles como nossa” (Álbum de señoritas, n°5, p. 39). Manso entende que, através da difusão da palavra de Jesus (sem fanatismo ou intimidação com tormentos eternos, mas promovendo a caridade, a fé e a misericórdia), é possível alcançar a integração das comunidades autóctones à nascente sociedade argentina. Tal integração, no entanto, tem como objetivo principal a incorporação dos indígenas à força de trabalho e ao cultivo da terra, ou seja, implica descartar como ilegítima sua reivindicação do território. Trata-se de um processo de “civilização” dessas “tribos hoje errantes” (Ibidem), que Manso propõe como um plano de governo, reconhecendo que “nós, após a independência, não fizemos mais do que continuar a obra iniciada pela conquista” (Ibidem).

Ela escolhe acompanhar, por meio de suas intervenções autorais na esfera pública, os incipientes processos de consolidação nacional. Isso é notório sobretudo em seus primeiros jornais feministas (O Jornal das Senhoras, 1852; Álbum de Señoritas, 1854). Consciente dos danos causados pelas lutas internas anteriores, tendo vivido na pele a perseguição de sua família por parte de Rosas, tendo denunciado com sua pena a barbárie da Mazorca, Manso não hesita em adotar uma posição que busca, acima de tudo, reforçar a ideia de estabilidade política, necessária para o desenvolvimento pacífico da sociedade. Por isso, evita acima de tudo apresentar-se como uma revolucionária: “Não se trata de levantar a bandeira da rebelião” (O Jornal das Senhoras, 1852, n°2, p. 12). Pelo contrário, o que ela pretende com seu projeto intelectual é concluir esse processo de civilização por meio de um ataque simbólico contra as antigas e inadequadas tradições da época colonial. Manso elogia o exemplo dos Estados Unidos, modelo a ser seguido, segundo ela, tanto no que diz respeito à emancipação política republicana e democrática quanto no que se refere à prosperidade cultural e didática.

Em seu esforço para contribuir para a criação e consolidação de sociedades modernas nas nações emergentes da América do Sul, nossa autora propõe promover a coesão do tecido social por meio da integração de diferentes setores da população à vida cívica, defendendo sobretudo os setores relegados e/ou segregados, como mulheres, comunidades indígenas, crianças e pessoas pobres. Para alcançar esse objetivo, a arma mais eficaz é a educação comum, que ela descreve como “o fermento da República”. Manso continua: “Além da fusão das classes desde o berço, é a escola soberana por sua riqueza e proporções, para o povo soberano” (La Tribuna, 1867, n°3927). Sua defesa da educação comum se deve ao fato de que ela se baseia em uma política educacional pública que abrange todos os cidadãos, em oposição à discricionariedade curricular e organizacional das escolas privadas (para meninos), compensada pelas escolas “gratuitas” destinadas à parcela da população com menos recursos. Trata-se aqui da educação planejada e organizada a partir do “soberano” e para o “soberano”, operando como ferramenta de instrução cívica e integração social, que passa a ser, graças aos seus esforços, res publica.

Referências bibliográficas

Dada a amplitude da obra de Manso e a extensa bibliografia secundária existente sobre sua variada obra, não podemos oferecer uma lista exaustiva e agradecemos aos leitores e leitoras sua colaboração para completá-la. Gostaríamos também de destacar o trabalho de María De Giorgio, criadora do site http://juanamanso.org, uma valiosa fonte de recursos documentais e bibliográficos para aqueles que se interessam pela produção intelectual dessa pensadora.

1. Obras da filósofa e traduções disponíveis

Jornais fundados, editados ou coeditados por Manso

(1852). O Jornal das Senhoras. Modas, Litteratura, Bellas-artes, Theatros e Crítica. 

Facsímiles disponibles en la Hemeroteca Digital Brasileira: https://memoria.bn.gov.br/

(1854). Álbum de señoritas. Facsímiles disponibles en https://juanamanso.org

(1864). La Flor del Aire. Facsímiles disponibles en https://juanamanso.org

(1864). La Siempre Viva. 

(1865-1875). Anales de la Educación Común. Facsímiles disponibles en https://juanamanso.org

Colaborações em periódicos

El Nacional (1841), La Ilustración Argentina (1847, 1853, 1854), A Imprensa (1852, 1853), Diário do Rio de Janeiro (1857, 1858), La Tribuna (1865, 1867), El Inválido Argentino (1867, 1868), La Revista Literaria (1865), La América Ilustrada (1872).

Ensaios, romances e outros textos

Manso, J. (1834). El egoísmo y la amistad o los defectos del orgullo. Montevideo: Imprenta de los Amigos.

Manso, J. (1844). Una Armonia. Homenage de Amistad al Sr. Don Juan Bautista Cuneo. Montevideo: Imprenta del Nacional.

Manso, J. (1856). As Consolações.  Rio de Janeiro: Emp. Typ. Dous de Dezembro de Paula Brito, Impressor da Casa Imperial. 

Manso, J. (1862). Compendio De La Historia De Las Provincias Unidas Del Río De La Plata: Desde Su Descubrimiento Hasta La Declaración De Su Independencia El 9 De Julio De 1816. Buenos Aires: Imp. y Lit. á Vapor, de Bernheim y Boneo.

Manso, J. (1864). La Revolución de Mayo de 1810. Buenos Aires: Imprenta de Mayo.

Manso, J. (1869). Curso graduado de instrucción en las escuelas públicas de Chicago para servir de modelo a las de la República Argentina, vertido al castellano por Doña Juana Manso. Buenos Aires: Imprenta Americana.

Manso, J. (1937). “Apéndice 2: Manuscrito de la madre”. En Velasco y Arias, M., Juana Paula Manso. Vida y acción. Buenos Aires: Porter Hermanos.

Manso, J. (2006). La familia del Comendador y otros textos. Prólogo de Lidia F. Lewkowicz.  Buenos Aires: Colihue. Colección Los Raros.

Manso, J. (2014). Los Misterios del Plata, Episodios históricos de la época de Rosas. Buena Vista Editores: Córdoba. Serie Mujeres del Siglo XIX.

Manso, J. (2014). Misterios del Plata: romance histórico contemporâneo. Edição de Zahidé Muzart. Editora Mulheres: Ilha de Santa Catarina.

Manso, J. (2019). Escritos de viaje. Prólogo de Graciela Batticuore. Córdoba: Buena Vista Editora.

Manso, J. (2021). Las Consolaciones. Traducción de Ana Maria Bezerra. Buenos Aires: Edición de la Biblioteca Digital Juana Manso, www.juanamanso.org.

Manso, J. (2022). A família do Comendador. Tradução de Regina Simon da Silva, Miriam Cristine da Costa Souza, Luma Virgínia de Souza Medeiros, Maraysa Araújo Silva. São Paulo: Pinard. 

Traduções

Ginouvier, J. F. T. (1836). Mavrogenia o la heroína de Grecia. Traducción de J. Manso. Buenos Aires: Imprenta Argentina.

Mann, H. (1868). Lecturas sobre la educación por Horacio Mann. Traducción de J. Manso.Buenos Aires: Imprenta Americana.

Lieber, F. (1869). Sobre la libertad civil y el propio gobierno de Francisco Lieber. Traducción de J. Manso. Buenos Aires: Ed. Americana.

2. Literatura secundária 

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Souto, B. (2020). Juana Manso: uma intelectual feminista transnacional (Rio de Janeiro e Buenos Aires, 1852-1855). Dimensões. Universidade Federal do Espírito Santo, 14, pp. 53-83.

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3. Outros materiais

Sarmiento, D. F. (1963). Epistolario íntimo. Selección, prólogo y notas de Bernardo González Arrili, Tomo II. Buenos Aires: Ediciones Culturales Argentina.

Velasco y Arias, M. (1937). Juana Paula Manso. Vida y acción. Buenos Aires: Porter Hermanos. [Contém apêndices com textos e epistolário da autora].

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Tradução de Carolina Araújo