Viagens

Contemplativo. Linda essa palavra, não é?! No final de semana em que completei 40 anos, viajei pra serra. Enquanto caminhava pelas trilhas e rios, admirava a paisagem e, de vez em quando, parava em algum lugar mais bonito para observar. Quem me via de longe poderia pensar: “que rapaz contemplativo”

Mas que nada. Minha mente estava agitada. Do mesmo jeito que a bela imagem da queda d’água é construída pelo inexorável fluxo de moléculas de H2O coordenados pelas leis da física e regidos pelas leis do acaso geram a imagem da cachoeira, a passagem de ions de sódio e potássio através da membrana plasmática dos meus neurônios geravam a agitação intelectual que não podia ser percebida por quem me via ali… hipnotizado por uma cachoeira… da mesma forma que ficamos hipnotizados pelo fogo da fogueira.

Inexorável. Outra bela palavra, dessa vez pela sua força.

E o que deveria me acalmar, me angustiou. Simplesmente algumas moléculas de água vão pela direita na bifurcação, empurradas por uma massa de moléculas de água exatamente iguais a ela, sem que haja nenhuma chance dela mudar seu rumo. Outras moléculas… seguem tem o mesmo destino, mas pela esquerda. O destino dessas moléculas foi determinado metros atrás, quando (pelo menos) algumas delas poderiam estar lado a lado uma da outra. Mas para outras moléculas de água, o destino direita/esquerda é determinado apenas após o choque com a rocha. Um choque de uma fração de tempo infinitamente pequena. E que, em última instância, se dá entre átomos de um lado (água) e átomos do outro (rocha). Um número incontável de vezes. Talvez um número inimaginável de vezes.

É por isso que tenho que assistir filmes do Steven Segal para relaxar. A contemplação é algo quase impossível para mim. Uma bela cachoeira me transporta para um mundo quântico onde a paz não existe. Mas que é o mesmo mundo do visível, onde a água inexorável e o rio se bifurca a cada nova rocha que encontra pela frente. Um rio que corre independente do mundo invisível, que somos nós: nossos pensamentos, de nossas angústias e de nossas vontades. E que agora mesmo, meses depois, continua lá: correndo contra o tempo e se chocando nas rochas.

Esses foram 15 minutos na vida do Mauro.

E depois me pergunto porque as pessoas não acreditam quando eu digo que não uso, nem nunca usei, drogas.

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