Articles by Latin American Authors in Prestigious Journals Have Fewer Citations

Saiu na Plos o artigo de Rogerio Meneghini, Abel L. Packer e Lilian Nassi-Cal√≤ cujo abstract reproduzo abaixo. Desnecess√°rio dizer qu√£o cara √© essa publica√ß√£o √†s id√©ias defendidas neste blog. Procuro um termo melhor para definir esse fen√īmeno que n√£o seja racismo. O leitor poderia me ajudar.

Abstract

Background

The journal Impact factor (IF) is generally accepted to be a good measurement of the relevance/quality of articles that a journal publishes. In spite of an, apparently, homogenous peer-review process for a given journal, we hypothesize that the country affiliation of authors from developing Latin American (LA) countries affects the IF of a journal detrimentally.

Methodology/Principal Findings

Seven prestigious international journals, one multidisciplinary journal and six serving specific branches of science, were examined in terms of their IF in the Web of Science. Two subsets of each journal were then selected to evaluate the influence of author’s affiliation on the IF. They comprised contributions (i) with authorship from four Latin American (LA) countries (Argentina, Brazil, Chile and Mexico) and (ii) with authorship from five developed countries (England, France, Germany, Japan and USA). Both subsets were further subdivided into two groups: articles with authorship from one country only and collaborative articles with authorship from other countries. Articles from the five developed countries had IF close to the overall IF of the journals and the influence of collaboration on this value was minor. In the case of LA articles the effect of collaboration (virtually all with developed countries) was significant. The IFs for non-collaborative articles averaged 66% of the overall IF of the journals whereas the articles in collaboration raised the IFs to values close to the overall IF.

Conclusion/Significance

The study shows a significantly lower IF in the group of the subsets of non-collaborative LA articles and thus that country affiliation of authors from non-developed LA countries does affect the IF of a journal detrimentally. There are no data to indicate whether the lower IFs of LA articles were due to their inherent inferior quality/relevance or psycho-social trend towards under-citation of articles from these countries. However, further study is required since there are foreseeable consequences of this trend as it may stimulate strategies by editors to turn down articles that tend to be under-cited.
O link original est√° aqui.

Einstein Como √ćcone

Interessante artigo de John Barrow sobre a idolatria da imagem de Einstein, publicado na Nature em 2005. Separo alguns trechos que julgo importantes para fomentar um pouco mais a discuss√£o sobre os meandros das rela√ß√Ķes que governam o pensamento formal, bem como suas interfer√™ncias pela inevit√°vel natureza humana dos cientistas.
“Einstein restored faith in the unintelligibility of science. Everyone knew that Einstein had done something important in 1905 (and again in 1915) but almost nobody could tell you exactly what it was. When Einstein was interviewed for a Dutch¬† newspaper in 1921, he attributed his mass appeal to the mystery of his work for the ordinary person: ‚ÄúDoes it make a silly impression on me, here and yonder, about my theories of which they cannot understand a word? I think it is funny and also interesting to observe. I am sure that it is the mystery of non-understanding that appeals to them‚Ķit impresses them, it has the colour and the appeal of the mysterious.‚ÄĚ
“There are several things about Einstein‚Äôs delayed celebrity that are interesting. First, Einstein‚Äôs image in America contrasts sharply with that of the smart young man from Switzerland who made the acclaimed discoveries. The ubiquity of the older Einstein image meant that the concept of the scientific genius became associated with the image of an old fatherly figure.”
“Most amazing of all is that ‚ÄĒ despite the hullabaloo and the inevitable cynicism about celebrity in our age, especially in response to media-created icons ‚ÄĒ Einstein‚Äôs scientific legacy is greater than ever. His predictions about gravity have steadily been confirmed with just a few remaining beyond the reach of our experiments. His early scientific work was an unqualified success and his personal demeanour and response to fame an object lesson to all. This is why 2005 is the World Year of Physics ‚ÄĒ Einstein‚Äôs Year.”

Resenha РComo os Médicos Pensam

Recebi a incumb√™ncia de resenhar um livro de Jerome Groopman chamado “Como os m√©dicos pensam“. O Igor do 42 tamb√©m. Ele j√° fez sua li√ß√£o e muito bem, o que s√≥ aumenta minha responsabilidade. Vou tentar n√£o cair no √≥bvio e complementar sua excelente resenha, o que n√£o ser√° tarefa f√°cil.
Gostei do livro. √Č um livro escrito por um m√©dico hematologista judeu, formado na Harvard. Isso pode parecer irrelevante, mas √© importante para entender um cap√≠tulo onde uma mulher pertencente a sua sinagoga passa por uma experi√™ncia tenebrosa com sua filha vietnamita adotada. A abordagem religiosa que inevitavelmente permeia uma rela√ß√£o m√©dico-paciente, √© feita de forma elegante, n√£o piegas, diria √ļtil, para m√©dicos com forte vi√©s ate√≠sta como eu. Esse √© um aspecto que n√£o pode ser ignorado.
O t√≠tulo do livro me pareceu ambicioso demais. O assunto prevalente s√£o erros diagn√≥sticos, como se m√©dicos s√≥ pensassem no diagn√≥stico! Como o autor √© um cl√≠nico, pouco sobre cirurgia, bastante mais sobre indica√ß√Ķes cir√ļrgicas.¬†o que teria muito a ver tamb√©m com diagn√≥sticos.
O autor desfia casos pr√≥prios e de m√©dicos que entrevistou, tendo o cuidado de procurar entender onde houve falhas cognitivas para se atingir o diagn√≥stico correto. H√° passagens de uma honestidade desconfort√°vel para um leitor-m√©dico. Esse √© uma das raz√Ķes pelas quais gostei do livro. Outras, em que fica bastante repetitivo.
Outro ponto positivo √© o de colocar o paciente na outra ponta do processo. Ele tamb√©m tem sua parcela de responsabilidade pela dificuldade diagn√≥stica e pode, claro(!), ajudar o m√©dico nessa tarefa. Os exemplos citados s√£o bastante reais e pude me identificar com alguns. Aqui, temos algumas diferen√ßas culturais em rela√ß√£o aos pacientes de Groopman. Quando o m√©dico n√£o acerta na primeira, o paciente volta ao mesmo m√©dico e tenta resolver. Pelo menos √© isso que Groopman prop√Ķe. Diferente da praxe brasileir√≠ssima de ficar pulando de m√©dico em m√©dico para ouvir segundas ou terceiras opini√Ķes e acabar n√£o fazendo nada do que lhe foi dito!
Achei o livro √ļtil. Bem escrito e com boa tradu√ß√£o, torna a leitura e a explica√ß√£o de termos t√©cnicos bastante assimil√°veis. Vou deixar o exemplar no consult√≥rio. Quem sabe ele n√£o me d√° uma m√£ozinha?

O Corpo de Copérnico

Capt. Dariusz Zajdel M.A., Central Forensic Laboratory of the Polish Police / AFP – Getty Images A computerized portrait, released Thursday by Polish police, reconstructs the face of a man whose skull was found buried in a cathedral in the
northern city of Frombork.

Acharam o corpo de Nicolau Cop√©rnico em uma catedral (Frombork) na Pol√īnia. N√£o ia escrever sobre isso, n√£o √© a especialidade do Ecce Medicus, mas n√£o resisti.

A repercuss√£o da not√≠cia chama a aten√ß√£o. Experimente googlar com os termos “copernicus skull”! Se estiver entre aspas mesmo, s√£o 235 entradas com sites em √°rabe, japon√™s (acho, eu), russo, polon√™s.
Agora me digam: Qual √© a real import√Ęncia de acharmos o cr√Ęnio de Cop√©rnico? Convenhamos, parece que achamos a tumba de um ap√≥stolo ou do pr√≥prio JC!! O que as autoridades v√£o fazer com o cr√Ęnio do homem? Um altar? Organizar excurs√Ķes e cobrar ingresso para v√™-lo? Quem gostaria de ver um espet√°culo assim? Cientistas, historiadores da ci√™ncia e quem mais?
Qual a real import√Ęncia de acharmos o cr√Ęnio de Cop√©rnico? O que h√° por tr√°s dessa inc√īmoda pergunta?
PS. Agradeço ao Luiz Bento o envio da notícia.

Ciência e Social II РRacismo Científico

Mad Scientist at DHM

Do rep√≥rter de ci√™ncia da Folha de S√£o Paulo e blogueiro Marcelo Leite, um texto com o sugestivo t√≠tulo de “O Favor Impacto” no Caderno Mais! de 16/08/11 (para assinantes):

“H√° muito se suspeita de que pesquisadores de na√ß√Ķes perif√©ricas sejam prejudicados nesse troca-troca de cita√ß√Ķes. Seus artigos tenderiam a ser menos lidos e, segundo a hip√≥tese, inclu√≠dos de modo menos freq√ľente nas listas de refer√™ncias dos colegas dos pa√≠ses desenvolvidos. Um protecionismo acad√™mico, por assim dizer.”

Se isso fosse aplicado a indiv√≠duos do sexo feminino, negros, gays, √≠ndios, an√Ķes, esp√≠ritas, umbandistas, crentes ou ateus de qualquer esp√©cie seria simplesmente chamado de racismo! Mas s√£o cientistas do terceiro mundo, apenas. Continua:
 
“Meneghini, Packer e Nassi-Cal√≤ tomaram por base um acervo de 1.244 textos publicados em 2004 e 2005 com autores de quatro pa√≠ses latino-americanos (Argentina, Brasil, Chile e M√©xico) em sete peri√≥dicos internacionais de prest√≠gio. E, claro, as cita√ß√Ķes que receberam no ano subseq√ľente (2006). Para compara√ß√£o, montaram outro banco de dados sobre mais de 44 mil
trabalhos com autores de cinco pa√≠ses ricos (Alemanha, Estados Unidos, Fran√ßa, Jap√£o e Reino Unido). Em seguida, separam ambas as amostras em dois subconjuntos menores: um com artigos assinados por autores de um mesmo pa√≠s, sem colabora√ß√£o internacional, e outro com. Resultou o previs√≠vel (mas boa parte da ci√™ncia serve para isso mesmo, confirmar e apoiar em n√ļmeros objetivos aquilo que j√° se sabe). Estatisticamente, tanto faz para autores de pa√≠ses desenvolvidos publicar com ou sem colaboradores estrangeiros -ser√£o citados em propor√ß√£o semelhante e muito pr√≥xima do fator de impacto da publica√ß√£o.  No caso latino-americano, a desvantagem √© enorme. Artigos sem apoio de colegas desenvolvidos t√™m fatores de impacto 34% menores que a m√©dia. Com colabora√ß√£o internacional, se aproximam do usual na publica√ß√£o. Resta estabelecer se os trabalhos de latino-americanos s√£o menos citados s√≥ porque s√£o ruins, o menos prov√°vel, ou se os pesquisadores de pa√≠ses ricos √© que n√£o se d√£o ao trabalho de l√™-los. Muitos latino-americanos j√° conclu√≠ram, bingo, que o caminho das pedras exige o favor de um co-autor bacana.”

Por fim, um artigo da Plos cujo t√≠tulo √© “The Chilling Effect: How Do Researchers React to Controversy?” e cuja pergunta √©, “Can political controversy have a ‚Äúchilling effect‚ÄĚ on the production of new science?” e que tem a seguinte conclus√£o:

These findings provide evidence that political controversies can shape what scientists choose to study. Debates about the politics of science usually focus on the direct suppression, distortion, and manipulation of scientific results. This study suggests that scholars must also examine how scientists may self-censor in response to political events.”

Ia comentar, mas deixo para meus fiéis e críticos leitores.

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Ciência e Social

Qual é a influência de fatores sociais nas descobertas científicas? Há alguma? Ou toda?

Diferenciacionismo


Formalhaut Рfoto do Telescópio Hubble РNASA

Podemos abordar criticamente a ci√™ncia sob seus aspectos cognitivos. A forma como as id√©ias s√£o geradas, a maneira como a realidade √© interpretada e os conte√ļdos decorrentes dessa an√°lise pertencem a esse tipo de interpreta√ß√£o. Convencionou-se cham√°-la de epistemol√≥gica. Podemos, por outro lado, abordar a ci√™ncia do ponto de vista de suas rela√ß√Ķes sociais. Desde a d√©cada de 1990, em especial ap√≥s o caso Sokal, o dom√≠nio sociol√≥gico da cr√≠tica √† ci√™ncia vem sendo polarizado por duas correntes de pensamento: a diferenciacionista e a anti-diferenciacionista.
Este post tem o objetivo de discutir (bastante superficialmente, ali√°s) a perspectiva diferenciacionista da sociologia da ci√™ncia e sua rela√ß√£o com os m√©todos de avalia√ß√£o de cientistas, ora reunidos sob o termo cientometria. Para isso, seguiremos o racioc√≠nio de Terry Shinn e Pascal Ragouet no excelente “Controv√©rsias sobre a Ci√™ncia”.
A perspectiva diferenciacionista se destaca pelo trabalho de Robert Merton. Esse autor, trouxe √† luz o papel das institui√ß√Ķes na produ√ß√£o cient√≠fica. Tanto do ponto de vista de regras institucionais que devem ser obedecidas como tamb√©m, quanto ao sistema de recompensa oferecido ao cientista. Toda essa vis√£o, que recebeu enormes contribui√ß√Ķes de outros soci√≥logos posteriormente, inclusive do pr√≥prio Merton, parte do princ√≠pio de que a ci√™ncia √© um modo de conhecimento epistemologicamente diferente dos outros modos de apreens√£o da realidade. Nas palavras dos autores:
“Por consequ√™ncia, a ci√™ncia n√£o somente √© institucionalmente distinta das outras regi√Ķes do espa√ßo social, mas ela se demarca como superior aos outros modos de cogni√ß√£o. √Č por isso que se pode caracterizar essa perspectiva como diferenciacionista”.

A vis√£o diferenciacionista valoriza as institui√ß√Ķes cient√≠ficas como formatadoras e fomentadoras da ci√™ncia, principal modo de interpretar a realidade. Compostas por cientistas, que por enquanto ainda fazem parte da esp√©cie humana, tais institui√ß√Ķes come√ßaram a apresentar enormes e indesejadas tens√Ķes em suas estruturas devido a busca por reconhecimento entre seus membros. N√£o √© de se surpreender que surgisse nesse √Ęmbito, uma estratifica√ß√£o das ci√™ncias e uma metaci√™ncia chamada de cientometria. O objetivo aqui seria ent√£o, medir notoriedade e produtividade. A cientometria na forma como a conhecemos hoje (Fator impacto, Citation idex, √≠ndice H, ISI, Thomson, etc) portanto, √© um produto do diferenciacionismo. Lembrar que no diferenciacionismo a ci√™ncia se considera uma forma superior de cogni√ß√£o, diferente das formas de entendimento do senso comum.
N√£o bastasse o fato de estarmos confundindo ci√™ncia com publica√ß√£o cient√≠fica, come√ßamos a utilizar dados (que foram produzidos para outros fins) para balizar pol√≠ticas de fomento. Cada vez mais a ci√™ncia deve servir a objetivos econ√īmicos de curto prazo. A ci√™ncia n√£o √© redut√≠vel a um punhado de publica√ß√Ķes cient√≠ficas. Tal comportamento tem gerado distor√ß√Ķes por favorecer o que convencionou-se chamar efeito Mateus. Muito para poucos e pouco para muitos. O que parece fazer um certo sentido.
Mas seria o anti-diferenciacionismo uma solução?

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Minha Guitarra e Você

Segundo alguns, h√° v√°rias formas de capturar verdades quintessenciais de um objeto. A metaf√≠sica, a ci√™ncia, a arte estariam entre elas. √Č interessante ver como uma das formas ao produzir um discurso sobre um objeto normalmente abordado por outra, produz naturalmente uma cr√≠tica. Pelo simples fato de ver diferente. √Č o caso da poesia e da ci√™ncia ao falar do viol√£o de Jorge Drexler.
“La m√°quina la hace el hombre,
y es lo que el hombre hace con ella.”
√Č s√≥ um lembrete para os tecno-m√©dicos de plant√£o.

Continue lendo…

The 20 most productive Brazilian Institutions – Health Sciences

S√£o dados de 2003, mas pouca coisa se alterou desde ent√£o. O artigo original pode ser baixado aqui.

Questionamentos II…

Perguntinha frankfurtiana:
“O que ci√™ncia tem a ver com democracia?”