Fotos Picantes da Minha Namorada

Depois de muito hesitar, resolvi, mostrar minha “mina” para vocês. Fiz isso porque ela é muuuiiito gata e acho que a beleza deve ser compartilhada. As fotos foram feitas por mim com a supervisão de J.R. Duran e por isso, ficaram um pouco picantes. Por favor, sejam moderados nos comentários. Obrigado.

Continue lendo…

RDC n. 44 – Um Marco na Saúde Do Brasil

FINALMENTE! Reproduzo abaixo o texto integral do sítio da ANVISA sobre a resolução de diretoria colegiada” de número 44/2010. Sem autorização. Mas acho que isso merece!

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Venda de antibióticos só poderá ocorrer com retenção da receita na farmácia
27 de outubro de 2010

Os antibióticos vendidos nas farmácias e drogarias do país só poderão ser entregues ao consumidor mediante receita de controle especial em duas vias. A primeira via ficará retida no estabelecimento farmacêutico e a segunda deverá ser devolvida ao paciente com carimbo para comprovar o atendimento. A determinação da Anvisa será publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (28/10).

A retenção das receitas dos antibióticos será obrigatória a partir de 28 de novembro de 2010. A partir deste dia, os prescritores devem atentar para a necessidade de entregar, de forma legível e sem rasuras, duas vias do receituário aos pacientes.

As embalagens e bulas também terão que mudar e incluir a seguinte frase: “VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA – SÓ PODE SER VENDIDO COM RETENÇÃO DA RECEITA”. As empresas terão 180 dias para fazer as adequações de rotulagem.

A nova norma definiu, também, novo prazo de validade para as receitas, que passa a ser de 10 dias, devido às especificidades dos mecanismos de ação dos antimicrobianos.  Todas as prescrições deverão, ainda, ser escrituradas, ou seja, ter suas movimentações registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). O prazo para que as farmácias iniciem esse registro e concluam a adesão ao sistema é de 180 dias.
 
As medidas valem para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos os antibióticos com registro no país, com exceção dos que tem uso exclusivo no ambiente hospitalar. O objetivo da Anvisa, ao ampliar o controle sobre esses produtos, é contribuir para a redução da resistência bacteriana na comunidade.

Confira a íntegra da resolução 

Dados

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 50% das prescrições de antibióticos no mundo são inadequadas. Só no Brasil, o comércio de antibióticos movimentou, em 2009, cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo relatório do instituto IMS Health.

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Essa é uma grande luta dos médicos e farmacêuticos. Não é possível ter um controle adequado da epidemiologia de determinadas infecções sem o controle dos antibióticos. Parabéns à ANVISA e a todos que se envolveram nessa cruzada.

KPC, Sabonetes e as Bactérias Irresistíveis

Chegando atrasado de novo… Levei cravada dos leitores, dos colegas do Scienceblogs, da minha mãe… Vamos tentar dar uma organizada na confusão que se instalou no Twitter, na mídia e na minha casa. Vai ser meio longo, então vamos direto ao assunto.

Bom, em primeiro lugar vamos falar de antibióticos ou, mais precisamente, agentes antimicrobianos (vamos usar antibiótico, mesmo). Um antibiótico é uma substância produzida por algumas espécies de microorganismos (bactérias, fungos e actinomicetos) que suprimem o crescimento de outros microorganismos. Normalmente, estendemos a terminologia para antimicrobianos sintéticos como sulfas e quinolonas. Existem trocentos tipos de antibióticos e várias classificações já foram propostas para organizar a confusão. Todas têm imprecisões. A mais utilizada é a que leva em consideração a estrutura química e o mecanismo de ação, e isso nos interessará mais pra frente.

1. Agentes que inibem a síntese da parede celular de bactérias. Aqui podemos incluir as penicilinas (Benzetacil), cefalosporinas (cefalexina, Keflex, etc), a vancomicina (um antibiótico ruim mas extremamente útil) e os antifúngicos chamados azólicos muito utilizados como o fluconazol.

2. Agentes que agem diretamente na membrana celular do microorganismo. (Você pode estar achando que membrana e parede são a mesma coisa, né? Mas, não são. A figura abaixo [clique para aumentar], mostra diferenças entre as bactérias Gram positivas e Gram negativas, uma classificação de microorganismos muito utilizada na clínica. Ela se baseia na coloração que as bactérias assumem com determinado corante [Gram]. Isso ocorre porque as bactérias têm uma composição da parede diferente como pode ser visto na figura. As gram positivas têm uma parede celular grossa e uma membrana celular. As gram negativas têm uma membrana celular dupla com uma parede celular fininha no meio, como um sanduíche.) Esses agentes possibilitam uma lesão osmótica no microorganismo. Como exemplo, temos  polimixina, nistatina.

3. Agentes que causam inibição da síntese proteica (ligação às subunidades ribossômicas 30S e 50S). Por exemplo, o velho cloranfenicol, clindamicina.

4. Agentes que modificam a síntese proteica (ligação à subunidade 30S). Exemplo: aminoglicosídeos (a famosa gentamicina).

5. Agentes que afetam o metabolismos dos ácidos nucleicos. Rifampicinas e as quinolonas (exemplo, o Cipro e a norfloxacina).

6. Antimetabólitos que bloqueiam enzimas essenciais do metabolismo do folato, por exemplo, o Bactrin.

7. São os agentes antivirais. Não vou falar deles neste post.

Perdemos bastante tempo para mostrar que os antibióticos agem de maneiras muito diferentes. As bactérias espertamente, desenvolvem vários mecanismos para combater essas ameaças. São, também, mecanismos bastante específicos e há muita gente estudando isso pelo seríssimo problema que bactérias multirresistentes têm causado.

Recentemente houve uma enxurrada notícias, um pouco alarmantes até, sobre uma superbactéria “chamada” KPC. Em primeiro lugar KPC não é uma bactéria. É uma sigla que deu nome a uma enzima inativadora de antibióticos: Klebsiella pneumoniae carbapenemase. Médico não é muito bom para dar nome, mas esse saiu porque a tal enzima foi encontrada nessa bactéria (a klebsiella) e acabou ficando. O quadro abaixo mostra as enzimas inativadoras de um tipo de antibiótico chamado beta-lactâmico. A última coluna mostra as bactérias onde podem ser encontradas. Os beta-lactâmicos incluem todas as penicilinas, sintéticas e semi-sintéticas bem como os carbapenêmicos. Estes últimos, têm sido considerados antimicrobianos de última linha, pois têm espectro bastante amplo e são reservadas para casos graves e/ou que necessitam de intervenções rápidas.

Como podemos notar, a KPC (ver a seta vermelha) é um tipo de carbapenemase que inativa TODOS os beta-lactâmicos, o que é bem preocupante. Mas, ela não está sozinha. Temos a GES, a SME, as carbapenemases classe D (OXA-48, -23, -24, -58) e as Metaloproteinases (classe B). Estamos vivendo um surto de KPCs no HCFMUSP desde o início de 2010. Há possibilidades terapêuticas, mas são exíguas, de antibióticos mais tóxicos que os carbapenêmicos e de difícil administração em pacientes graves; ou seja, estamos longe de uma condição confortável, mas não estamos em PÂNICO. Temos lidado com resistências bacterianas desde a invenção descoberta dos antibióticos. Confesso que os tempos de hoje não estão fáceis. Medidas cada vez mais restritivas têm sido tomadas pelas comissões de infecção hospitalar no sentido de controlar os surtos.

É muito importante dizer que as bactérias portadoras dessas enzimas não são “mais fortes” que as bactérias sensíveis a antibióticos comuns. Muito pelo contrário! Bactérias “da rua”, em geral, são mais agressivas e suplantam suas amigas hospitalares. As bactérias resistentes aos antibióticos só conseguem viver no meio hospitalar, onde os antibióticos são utilizados e matam as bobinhas permitindo apenas às resistentes sobreviver. Por isso, nossa flora bacteriana normal é eficaz em nos proteger de infecções patogênicas, em especial, as multirresistentes.

Posto isso, um cara, talvez pegando carona na paranóia generalizada da mídia, resolveu escrever que alguns sabonetes têm antibiótico e que por isso, poderiam induzir resistência bacteriana. Ops, wrong way! Eu não conheço NENHUM sabonete com antibiótico. Os sabonetes contém antissépticos. Antissépticos são substâncias que geralmente não podem ser administradas aos seres humanos por serem extremamente tóxicas. Por isso, também são excelentes em matar qualquer ser vivo, bactérias incluso. São, por essa razão, chamados mais modernamente de biocidas. Os biocidas tornam o meio em que a bactéria vive inapropriado para sua reprodução e diminuem drasticamente o número de bactérias. Há alguns anos atrás, uma polêmica envolveu os biocidas: será que eles não poderiam também causar resistência bacteriana? Quem mais publicou isso foi um autor chamado Russell (ver abaixo). No artigo citado, ele escreve que uma cultura pode ser considerada resistente a um biocida quando não é inativada pela concentração em uso da substância ou pela concentração que normalmente inativa outras cepas. O conceito de “resistência bacteriana” não pode ser aplicado aos biocidas por isso, usa-se o termo “insuscetibilidade” ou “tolerância”, o primeiro sendo preferível. A figura ao lado mostra aspectos envolvidos na ação dos biocidas.

É possível “treinar” bactérias a serem insuscetíveis a biocidas cultivando-as em meios com pequenas concentrações de droga que podem ser aumentadas progressivamente. Em 2002, Levy (J Antimicrob Chemother 2002;49: 25-30) levantou a possibilidade de que o uso indiscriminado dos biocidas pudesse induzir insuscetibilidade e também resistência bacteriana, o que foi parece ter sido uma das teses do texto sobre os “sabonetes antibióticos”. Não há evidência de que isso possa ocorrer. Russell conclui seu artigo com essa frase: “Resistant bacteria were not seen in greater numbers in areas where biocides had been employed than in areas where they had not been used. When used correctly, biocides have had and will continue to have an important role in controlling infectious diseases.” (grifos meus).

Conclusões

1. KPC não é bactéria. É uma enzima que inativa potentes antibióticos. Estamos vivendo um surto de bactérias com essa enzima e isso não é bom. Ela não é a única enzima e outras notícias ruins poderão vir. Medidas severas estão sendo tomadas por orgãos competentes.
2. Eu não conheço sabonete com antibiótico. Se alguém descobrir algum, me avise que eu vou denunciar na ANVISA. Os sabonetes e liquidos desinfetantes têm antissépticos (biocidas).
3. Resistência aos biocidas é chamada de insuscetibilidade. Não há, até o momento, descrição de fenômenos de resistência bacteriana induzida por biocidas.

Bibliografia

1. Chambers, HF. Antimicrobial Agents. Goodman & Gilman’s – The Pharmacological Basis of Therapeutics. 5th ed. pag 1143.

ResearchBlogging.org2. Pfeifer, Y., Cullik, A., & Witte, W. (2010). Resistance to cephalosporins and carbapenems in Gram-negative bacterial pathogens International Journal of Medical Microbiology, 300 (6), 371-379 DOI: 10.1016/j.ijmm.2010.04.005
3.ResearchBlogging.orgRussell AD (2003). Biocide use and antibiotic resistance: the relevance of laboratory findings to clinical and environmental situations. The Lancet infectious diseases, 3 (12), 794-803 PMID: 14652205

Atualização

Ver também excelente post do Takata no Gene Reporter.

 

A Máquina de Escolher

ResearchBlogging.orgInteressante artigo cujo título é “Nascido para Escolher”. Publicado no “Tendências em Ciências Cognitivas”, os autores defendem a ideia de que a escolha e a decisão sobre algo são biologicamente determinados e não aprendidos, como se pensava. Escolher dá sensação de controle e auto-confiança. Reforça crenças e a auto-eficiência. Parece que o desejo por controle está presente em animais e em crianças mesmo antes de valores sociais e culturais serem aprendidos. A grande pergunta é se houve uma adaptação para que essa sensação de controle que a escolha propicia fosse percebida como recompensa. Sua ausência parece ser mesmo aversiva e o exercimento do controle está relacionado a uma diminuição do estresse ambiental sofrido pelo “bicho”. O artigo cita até possíveis vias neurais responsáveis por isso (veja figura abaixo).

Se a necessidade básica de controle pode ser biologicamente motivada, é possível que a percepção de controle e a preferência em exercê-lo pode ser modificada como resultado da experiência pessoal e também aprendida, via recompensas, em um meio social favorável. Como os autores escrevem na conclusão “ (…) but what is important cross-culturally is that the exercise of choice acts to energize and reinforce an individual’s sense of agency. Anything that undermines this perception of control might be harmful to an individual’s wellbeing.” Eu acho difícil traduzir agency (quem quiser, pode ajudar), mas a conclusão se refere ao fato de que escolher/decidir reforça o sentimento do indivíduo ser o agente de sua própria realidade e não um mero coadjuvante, o que, convenhamos, faz bastante sentido.

Fiquei conhecendo esse artigo por meio de um grupo de médicos do qual participo e me chamou a atenção o fato de que o colega que o enviou estava bastante frustrado quando “transpôs” as conclusões do artigo para a prática médica da Terapia Intensiva. Como ele “publicou” esse email no grupo, fico à vontade de reproduzi-lo aqui (obviamente preservando-lhe a identidade):

“Transportando a análise dos autores para a UTI fico me perguntando o quanto nós, intensivistas, conseguimos racionalizar que muitos resultados de nossas intervenções são frutos do acaso… como lidar com isso? o nosso cérebro é suficientemente adaptado para “individualizar/isolar” o resultado de nossas decisões? ou ele só enxerga decisões -> intervenções -> desfechos? não é nada fácil lidar com o acaso, não é? Parece que precisamos sempre de “maior n” ou “mais estudos para elucidar a questão”!”

A falta de controle de fato é aversiva. Veja só:

“Entender que não temos controle estrito do doente e sobre o mundo pode ser frustrante para quem não se acostuma com essa idéia… Quantas vezes por dia nos indagamos que, se estivéssemos esperado um pouco, o desfecho/resultado seria igual? O hábito do fazer mais, supranormalizar, etc., tem se mostrado infrutífero… e os estudos randomizados?… ao invés de aceitarmos que nos adaptamos para decidir (e aprender com isso) tentamos justificar a falta de resultados positivos com editoriais do tipo “estudos randomizados não respondem tudo” ou “metanálises caíram em descrédito pois muitas são reuniões de trabalhos antigos e malfeitos” ou “desfecho mortalidade é muito duro para o ambiente de UTI” (…) Desculpem se me prolongo, mas ser intensivista é dureza e temos que lutar até com a estrutura do nosso raciocínio…. O que vocês acham, amigos? Será que o “problema” está no método? ou no processo adaptivo?”

Convenhamos, é um apelo dramático, não? Aqui, novamente a (neuro)ciência se junta com a filosofia (eu adoro quando isso acontece para desbancar positivistas utópicos que substituem Deus pela Ciência): o Fazer é mais fácil que o Não-Fazer. O Fazer, principalmente quando embasado em alguma diretriz ou mesmo quando “decidido” pelo agente, provoca alívio e sensação de bem-estar. O artigo em questão diz que isso é porque exercemos um controle sobre o meio ambiente que nos envolve. No caso do médico, sobre o paciente. Colocando de lado a insatisfação pelo efeito do acaso na prática médica, os médicos parecem estar entendendo que são diferentes dos cientistas. Antes tarde do que nunca. Parece que a “máquina de escolher” está dentro de outra máquina: a de desejar.

Leotti LA, Iyengar SS, & Ochsner KN (2010). Born to choose: the origins and value of the need for control. Trends in cognitive sciences, 14 (10), 457-63 PMID: 20817592

Visita de Médico

Tati Nahas sempre alerta, publicou um resumé (e outras cositas) do prof. Bernardo Beiguelman, falecido recentemente. Estudei pelo livro dele algumas coisas de genética, em especial a questão das impressões digitais. É bem interessante.

Engraçadíssimos os vinte melhores segundos do ano do Igor S (ver abaixo):  Obama’s Elf.

Triste suicídio de um blogueiro. Os últimos posts são uma aula de psiquiatria que me lembrou o menino blogueiro do filme “As melhores coisas do mundo” de Laís Bodansky (muito bom, aliás).

Achei um sítio de revisões sobre filmes considerados filosóficos (em inglês). Pá-pum, sem enrolação; vale uma visita. Serve para em os filmes que você assistiu e quer assistir de novo, mas também para os que você não assistiu e quer ver uma resenha, digamos, diferente.

O Cérebro (e as Orelhas) do Médico

Que tal? Lindo, não?

PS. Ressonância não é mole, não!! (Copiando Suzana Houzel, cujo endereço está no blogroll ao lado).
PS1. Ainda aguardando respostas ao post anterior.

Perguntinha Pragmática

Makoto

Quando podemos considerar que uma pessoa é sincera? Quando diz aquilo que acha que pode “justificar”? Ou quando diz o que crê ser “verdadeiro”?

Onde está a sinceridade?

Clique na figura para ver os créditos.
Makoto = Sinceridade no bushido

Mineiros do Chile, Tebas e o Mito

http://www.utexas.edu/courses/mythologein/images/72907dragonteeth.jpgEu vi as imagens do resgate dos mineiros do Chile aliás, quem não viu, né? Prestei uma especial atenção ao nacionalismo que elas despertaram. Bandeiras, gritos de guerra (Chi-chi-chi, le-le-le, Chile, Chile…), presidentes. Por que tudo isso? Parece que homens brotando do chão costumam despertar esse tipo de sentimento desde que a espécie humana começou a lavrar a terra em busca de seu próprio sustento. A alegoria de se ter nascido do chão de determinado lugar foi inevitável para quem se estabeleceu no local e necessitava de uma legitimação da posse.

Isso lembra o mito da fundação de Tebas, a arcaica cidade grega. JP Vernant em seu fantástico livro “O Universo, os Deuses e os Homens”, narra esse mito no capítulo referente a Dioniso e me permito resumi-lo (perigosamente).

Cadmo era filho de Teléfassa e Agenor, o casal real de Tiro. Tinha uma irmã chamada Europa (que deu nome ao continente) beeem gata. Zeus, que era taradaço e não podia ver uma ninfetinha, a viu tomando banho de mar, meio nua (sempre melhor que totalmente nua!), e tomou a forma de um touro branco magnífico para seduzi-la (magina!). Raptou a menina e a levou para Creta onde teve dois filhos  – Radamanto e Minos – com ela. Agenor mobilizou toda a família para procurar sua filha. Cadmo foi com a mãe, Teléfassa, para a planície da Trácia, onde ela morre. Após uma passagem rápida pelo oráculo de Delfos, Cadmo chega a conclusão que precisa seguir uma vaca (predomínio de vacuns na história!) até onde ela se deitar para fundar uma cidade. Ao chegar ao local indicado pelo animal, ele solicita a seus soldados água de uma fonte para fazer um sacrifício à deusa Atena. A fonte de água, entretanto, era guardada por um dragão que mata todos os soldados. Cadmo vai até lá e mata o dragão. Atena então, aparece a ele pedindo que termine o sacrifício e que semeie os dentes da besta num terreno plano, como para um colheita (ver figura – clique para ampliar e ver a origem). Mal ele termina o serviço, surgem da terra guerreiros plenamente vestidos para batalha. Cadmo temeroso de ser atacado, os ilude e faz com que eles comecem a brigar entre si. Matam-se uns aos outros sobrando apenas cinco. Estes são os chamados Spartói, que significa, os Semeados, mesma raiz de sperma, semente. São guerreiros autóctones. Um deles, Equíon, casa com uma filha de Cadmo chamada Ágave, com quem terá um filho chamado Penteu e que será rei de Tebas.

O início do reino de Tebas representa o equilíbrio tenso entre duas estirpes. De um lado Cadmo, o estrangeiro, feito rei por vontade e obra divina e, de outro, os spartói, nascidos da terra, autóctones. As tragédias se sucedem e essa linhagem ainda dará origem a Édipo, veja só. O conflito entre o estrangeiro e o autóctone está enraizado em nossas entranhas e é fonte inesgotável de conflitos. Olgária Matos descreve a fisiopatologia do estranhamento: “A crítica à identidade significa dissolver todo o essencialismo filosófico, teológico-político ou ético-religioso. (…) Todas as formas de dogmatismo – que inviabilizam a tolerância e a hospitalidade – provém da adesão a uma origem identitária factícia que produz uma patologia da comunicação uma ruptura na compreensão recíproca que a perturba, resultando em desconfiança universal.”

O salvamento dos mineiros do Chile foi um alívio geral. A vida de 33 pessoas tragicamente aprisionadas a centenas de metros de profundidade foi acompanhada por pessoas ao redor de todo mundo. Era de se esperar reações efusivas e a extensa cobertura por parte da mídia. Mas, meu ponto é que uma parte da força dessas imagens vem de um mito: o “brotamento” de homens do seio da terra.

Abortamento e o Debate Político no Brasil

O Brontossauros publicou um post com a maioria das ideias que compartilho e recomendo fortemente sua leitura antes de prosseguir aqui.

Aprendi na faculdade que “aborto” é o produto de um “abortamento”, que consiste no ato de abortar. O Conselho Regional de Medicina escreve:

“Artigo 42 – É vedado ao médico: “Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação do país”.
Artigo 43 – É vedado ao médico: “Descumprir legislação específica nos casos de transplantes de órgãos ou tecidos, esterilização, fecundação artificial e abortamento”.

Assim, fica evidente que o médico deve respeitar a legislação em vigor. Para isso é preciso conhecê-la, até porque “a ninguém é dado o direito de descumprir a lei sob o argumento de desconhecê-la”. E o artigo 128 do Código Penal, que trata de crimes contra pessoas, diz que “não se pune o aborto praticado por médico se:

I – não há outro meio de salvar a vida da gestante (Aborto necessário);
II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando menor ou incapaz, de seu representante legal. (Aborto no caso de gravidez resultante de estupro)”.

Entretanto, conheço alguns colegas que praticam curetagens — procedimento cirúrgico, relativamente simples, mas que requer certa habilidade e experiência, que consiste, grosso modo, na raspagem do interior do útero — com fins abortivos, seja para retirada de fragmentos fetais e/ou placentários do útero de mulheres que fizeram uso do misoprostol (CytotecⓇ), seja como procedimento primário, em geral, antes do primeiro trimestre de gravidez. Mesmo com toda essa legislação ética e penal! A discussão entre os ginecologistas é simples: a enorme maioria não faz, mas acha extremamente necessário que alguém o faça e indicam tais médicos, sem criticá-los ou julgá-los moralmente. A necessidade de alguém que faça o procedimento é gigantesca. De preferência com segurança, boa técnica e discrição.

Estou falando, entretanto, de pessoas que pertencem a classes sociais mais favorecidas e podem pagar por isso. Mesmo nessa faixa da população a incidência é maior do que deveria e os números são bastante camuflados por razões óbvias. A coisa complica muito nas classes mais pobres da população porque alternativa não há. É aqui que o problema toma proporções de saúde pública. A hipocrisia de nossa sociedade se faz sentir em outras instâncias. No Brasil, mesmo o abortamento legal é bastante difícil de ser conseguido o que, em geral, provoca traumas difíceis de serem superados.

Não acredito no abortamento como método contraceptivo. Ele deve, como foi comentado, ser “seguro, acessível e extremamente raro”. Deve haver uma saída para mulheres que não se julgam capazes de manter uma criança, o que, convenhamos, é comum no Brasil. A saída passa, necessariamente, por educação, assistência médica e psicológica, programas de adoção e, sim, a possibilidade do abortamento, até para que ele não se repita! Fechar os olhos para esse  problema é jogar uma grande parte de nossa miséria social para debaixo do tapete.

DEK – E

Esôfago. do grego oisophagos “garganta”; literalmente “o que leva e come”. Vem de oisein, infinitivo futuro de pherein “levar” (como em fóros = o que transporta) + –phagos, de phagein “comer” (como em antropófago = o que come o anthropos [homem]).

Estômago. do grego stomachos “garganta, esôfago” literalmente “boca, abertura”. Vem de stoma “boca”. Utilizamos ainda bastante o termo stoma para descrever aberturas de orgãos internos para o exterior, como em gastrostoma (cujo procedimento cirúrgico chama-se gastrostomia), traqueostoma (cujo procedimento cirúrgico chama-se traqueostomia), etc. Há também uma especialidade em enfermagem chamada estomatologia, que é quem cuida e trata as complicações deste tipo de ferida. O termo gastro é grego também (gaster, como em melanogaster – literalmente, “barriga preta”) e mais específico sobre a região do abdome corresponde ao epigástrio (“boca do estômago”). Olhando assim, dá a impressão que stomachos estava mais relacionado à função da deglutição, satisfação e, por correlação, orgulho. Gaster é mais anatômico e, portanto, mais específico para adjetivar coisas relacionadas ao orgão, como em gastroenterologia.

Interessante também, o fato de que há uma porção no estômago chamada cardia (número 6 na figura). Segundo o dicionário de termos médicos de RS Simões, MCP Baracat e R Lima, disponível para download gratuito, este nome é proveniente da proximidade com o coração. Entretanto, acho que neste caso, há mais uma confusão entre forma e função dos antigos. De qualquer maneira, isso acabou por passar para algumas expressões de uso corrente como “saber uma coisa de cór”, que é saber de memória, como se fizesse parte de nós, como se tivéssemos deglutido tal conhecimento; e também “misericórdia“. Tumores da cárdia são difícieis de tratar por serem transicionais, na fronteira entre os dois orgãos.

Consultei:Dicionário de Etimologia On-line (inglês).
Clique na figura para ver os créditos.

Mais DEK: A, B, C e D.

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