Modelos

Se o tempo muda e começa a fazer frio, você coloca um casaco. Se o tempo muda de vez, quando entramos em uma era glacial, os animais que não tem casaco… vão se extinguindo até que aparece um com uma pelugem mais encorpada e que consegue sobreviver e deixar descendentes.

Com nosso cérebro podemos decidir em instantes qual a melhor estratégia de adaptação ao ambiente. Em última instância, a seleção natural faz exatamente a mesma coisa. Porém ao longo de tempo geológico.

Parece muito doido? Então você pode ficar meio confuso com esse texto.

Eu não sou o primeiro a sugerir (quanta modéstia) que a seleção natural poderia atuar como uma forma de ‘mente’, tomando decisões da mesma forma que nosso cérebro. Mas foi só pouco tempo atrás que descobri isso, quando li que Maynard-Smith já admitia essa idéia nos anos 60.

Mas por que a seleção natural como uma ‘mente’ seria uma coisa importante? Atualmente, cultura e comportamento social são tidos como muito mais importantes para o sucesso adaptativo do homem ao meio ambiente do que os aspectos biológicos selecionados durante os milhões de anos de existência dos hominídeos. A ‘mente’ do homem é (seria então) mais eficiente que a ‘mente’ da seleção natural. Mas quem foi que disse?

A sociedade moderna é jovem. Na verdade, a humanindade é jovem. Como cultura podemos dizer que temos o que?!? Uns 5.000 anos (considerando já a pré-história – escrita)?!? Tá, mas vamos ampliar ainda mais esse número, porque senão não podemos nem começar uma comparação com tempo evolutivo. Vamos colocar, justamente, que a cultura como a conhecemos nasceu quando o homem começou a falar. Ainda assim ficamos com algo em torno de 100.000 anos, um número irrelevante quando comparado com a origem da vida (3,8 bilhões de anos), a última grande extinção de espécies em massa (65 milhões de anos) ou mesmo o aparecimento dos hominídeos (6 milhões de anos). O tempo que temos vivido sob o comando da mente e da cultura humana não é suficiente para que a seleção natural determine se as estratégias antropogenicas e antropológicas de comportamento ético e cultural são evolutivamente estáveis (ou seja, se elas podem trazer sucesso em longo, longo prazo).

Apesar de sermos algo em torno de 6 bilhões de indivíduos, ainda não houve tempo para determinar se o aparecimento da mente, da capacidade de raciocínio lógico, cultura e tudo mais que eu vou passar a chamar de ‘modelo antropológico’ é realmente mais interessante do que as estratégias do que chamarei a partir de agora de ‘modelo biológico’, caracterizadas pelos comportamentos mais instintivos cravados pelos milhões de anos de evolução em nosso DNA. O modelo biológico foi desenvolvido e vem sendo aperfeiçoado há milhões de anos. Temos os mesmos lipídeos na membrana que as bactérias tinham há 3,5 bilhões de anos. Utilizamos os mesmos açúcares e o mesmo ATP para o metabolismo energético que um ancestral delas inventou antes disso. E o nosso código genético… esse é ainda mais antigo.

Todas as estratégias biológicas e comportamentos que foram selecionados durante esse período estão representadas nos nossos fenótipos: manifestações físicas ou comportamentais dos que está nos nossos genes. Então, quando utilizamos o ‘modelo antropológico’ para explicar o comportamento e a sociedade humana, estamos utilizando um modelo pouco testado. Quando utilizamos o raciocínio, a lógica, a filosofia, a ética, para driblarmos expressão gênica, características morfológicas e instintos, estamos utilizando um modelo sem certificado de garantia. Evolutivamente, a humanidade descobriu a consciência, mas ainda não provou nada.

Não acho que usamos o ‘modelo antropológico’ só porque ele é mais bonitinho. Acho que a maior parte das pessoas é despreparada para compreender o ‘modelo biológico’, ou pior, é despreparada para aceitar a sua inevitabilidade. E como antropocentristas, além de antropológicos, temos muita dificuldade para optar por aquilo que nos tira do centro e da majestade de espécie superior. Nosso cérebro é realmente uma invenção. E temos uma capacidade de adaptação ao ambiente realmente incrível. Mais que isso, temos versatilidade e nos adaptamos à diferentes ambientes da mesma forma. Podemos até mesmo passear por alguns ambientes extremos como o fundo do mar e o espaço (que podemos – e poderemos cada vez mais – explorar por recursos).

Mas nossa espécie superior provavelmente superou a capacidade de suporte do planeta (termo que utilizamos em ecologia para designar o limite de disponibilidade dos recursos naturais do ecossistema). Somos em maior número do que o nosso limitado planeta é capaz de suportar. O cérebro foi confundido!

Confundiu perpetuação dos genes com perpetuação da consciência. Lutamos para aumentar a vida mais do que a qualidade de vida. Longevidade indiscriminadamente. Durante bilhões de anos a seleção natural viu que era complicado construir um corpo indestrutível em um ambiente inóspito e concluiu que era melhor construir organismos frágeis como uma vida útil curta, mas que pudessem passar informação de um para o outro (os genes) e se modificando sempre que o ambiente fizesse o mesmo. Melhorando a ‘maquina’ até, sempre que possível, e garantindo a sobrevivência da informação. Ahhh, mas nós não… o que nós queremos salvar são nossas preciosas consciências. Queremos viver pra sempre! Nós e mais 6 bilhões. Não dá!

Os fatores culturais têm sim importância maior que os biológicos em eventos de curto prazo. Mas, historicamente, lógica, moral e outros fatores antropogênicos serviram (e servem) principalmente aos interesses das minorias dominantes capazes de criar e manipular esses valores. Abrir mão de explicações biológicas para fenômenos que acontecem no dia a dia é desperdiçar experiência, acumulada e prontamente disponível. Se basear em explicações antropológicas para justificar ou explicar nossas escolhas é favorecer um modelo testado por 5 mil ao invés de 5 milhões de anos do ‘modelo biológico’ duramente testado pelo INMETRO do universo: a seleção natural.

O que você faria?

No final do mês de Agosto estarei ministrando juntamente com dois outros colegas um mini-curso sobre “Táticas de sobrevivência na Academia” (não, não é na academia de musculação!). É uma versão atualizada do curso que foi aclamado (nossa… que exagero) no Congresso da FeSBE (Federação das Sociedades de Biologia Experimental) em 2001, e visa discutir com alunos de graduação e pós-graduação os dilemas vividos no meio acadêmico. Para isso, estamos planejando a discussão de casos onde se apresentam dilemas técnicos, morais e éticos para que os alunos se posicionem. Abaixo descrevo uns dos casos, que apesar de fictício, se parece em muito com situações do dia-a-dia em um instituto de pesquisa. Veja as perguntas no final e sinta-se a vontade para dar sua opinião.

“Dr. Arnold é um jovem pesquisador que acaba de ser aprovado em um concurso para um importante instituto de pesquisa. Ele está ansioso para iniciar sua nova linha de pesquisa, mas as opções de financiamento para jovens são limitadas e ele começa a fazer propostas de colaboração com outros pesquisadores que permitam a ele independência de trabalho. Um pesquisador sênior de uma outra instituição, Dr. Farias, se interessa muito pela linha de trabalho de Dr. Arnold e oferece recursos para que ele realize seus experimentos. Mas em troca Dr. Farias pede que esses experimentos preliminares componham a tese de mestrado do jovem Anthony, que está com seu prazo se esgotando e ainda não definiu seu tema. A orientação seria informal, já que Dr. Arnold ainda não preenche os requisitos para orientação formal do aluno, e o crédito seria todo de Dr. Farias.
Animado com a possibilidade de iniciar seus trabalhos com os recursos oferecidos por Dr. Farias e de orientar Anthony, Dr. Arnold aceita a proposta.
No início, Anthony se mostra muito interessado e aplicado. No entanto, com o passar do tempo, Dr. Arnold percebe que Anthony teve uma formação científica deficiente, com muitas lacunas em conceitos fundamentais. Sua base teórica é fraca, muitas de suas iniciativas são equivocadas e o esforço que ele emprega na bancada não se reverte em resultados positivos. Paralelamente, Dr. Farias oferece mais recursos a Dr. Arnold e propõe a co-orientação de um segundo aluno, Brian, que tem mais tempo para planejar seus experimentos e parece ter uma formação mais sólida, com potencial para realizar efetivamente um bom trabalho. Mas quando chega o momento de Anthony escrever a tese, o resultado é pior ainda. A sua dificuldade em colocar em palavras todo o conhecimento adquirido na revisão bibliográfica e em discutir seus resultados, torna a tese de difícil leitura e Dr. Arnold teme pela sua aprovação. Dr. Farias por outro lado acredita que os resultados de Anthony são suficientes para a defesa. Alem disso, Anthony já foi aprovado para o programa de doutoramento em sua instituição.
Dr. Farias então pede a Dr. Arnold que tome parte da banca e monte uma comissão julgadora que minimize as dificuldades de Anthony para que ele possa ser aprovado. Preocupado com o futuro da colaboração que envolve o trabalho de Brian e efeito que a reprovação na tese causaria no prosseguimento da carreira de Anthony, Dr. Arnold, juntamente com outro colega, resolvem aprovar a deficiente tese de Anthony.”

Você acredita que a decisão de Dr. Arnold contribuiu para o futuro científico de Anthony?
Na sua opinião, a decisão de Dr. Arnold envolveu a proteção do futuro e do trabalho de Brian, ou os recursos provenientes de Dr. Farias?
Como você vê a decisão de Dr. Farias de aprovar para o doutorado um aluno com tantas deficiências como Anthony?

Posso tirar uma flor da árvore?

'Fiori di Zucchini', especiaria da cozinha PiemonteseÉ uma pergunta que comporta um simples sim ou não como resposta, mas seria um desperdício, por que há tanto para se falar sobre esse assunto.

Mas eu quero começar introduzindo uma nova pergunta: Pra que tirar a flor da árvore? É pra comer? Não deve ser, já que não são muitas as receitas com flores (mas se vocês passarem pela região do Piemonte na Itália, não deixem de provar “Fiori di zucchine”). Então deve ser pra enfeitar. E é certo arrancar a flor da árvore pra enfeitar, por exemplo, a mesa onde vamos comer as flores de abóbora?

Vou fazer outra pergunta (daqui a pouco eu chego lá no ponto que interessa). Os elefantes podem tirar flores de árvores? Ou melhor, os elefantes podem derrubar árvores inteiras quando em manada correm pela savana (ah… você achava que eles desviavam)? Sendo mais delicado, é certo que abelhas retirem o néctar das flores? É errado que cupins alterem a paisagem dos pastos construindo cupinzeiros?

Uma das questões que se esconde por trás de retirar uma flor da árvore é a existência de certo ou errado na natureza, que como eu já falei antes, não existe. O que existem são estratégias que se mostram viáveis (eficientes) ou não em longo prazo.

O homem não deveria ser nem melhor, nem pior que o elefante, ou a abelha, que não estão nem ai pra natureza. Pra eles não existe certo ou errado. Mas eles puderam, por tentativa e erro, ao longo do tempo, descobrir se uma estratégia era viável ou não. Se pensarmos em TODAS as espécies que já habitaram o planeta terra, 99,9999% já se extinguiram. É um número bastante impressionante e mostra que o homem, por mais que esteja acelerando esse processo, não muda o fato que, assim como a morte é a única certeza da vida para um organismo, a extinção é a única certeza de uma espécie. Independentemente (e inclusive) do homem.

Os eventos que consideramos danosos a natureza (radiação, contaminação, incêndios, competição) sempre foram importantes mecanismos para controlar o tamanho das populações e criar a variabilidade que, eventualmente, gerou a grande biodiversidade que encontramos hoje no planeta.

A inteligência humana ainda não foi capaz de compreender como funciona a sua consciência, mas permitiu o homem desenvolver um ego grande o suficiente para se considerar à parte da natureza. Algo do tipo “bicho é bicho, gente é gente”. O que vem do homem não é natural. Que besteira!

Essa idéia tem levado a noção de que o homem é que está destruindo a natureza. De que somos os “vilões” e que estamos “errados”. Só que julgamos esse “errado” de acordo com a moral judaico-cristã predominante no mundo ocidental. Para reparar esses “erros” criamos parques nacionais, reservas biológicas e áreas intocadas, para compensar a destruição que fazemos em todos os outros locais. No entanto, a moral judaico-cristã não se aplica a natureza! Não é muito diferente do que fazer sacrifícios aos Deuses para que um vulcão não entre em erupção. E o vulcão… insensível ao sacrifício… explode do mesmo jeito!

Ainda que o homem esteja fazendo algum estrago, se considerarmos as mudanças pelas quais o planeta passou nos últimos 3 bilhões de anos, vemos que o potencial do homem para destruir a Terra é bem menor, muito menor, extremamente menor, do que o potencial da Terra para destruir o homem. Toda a humanidade! Se você não acredita em mim, pense nos últimos tornados, ciclones, secas, enchentes, terremotos e tsunamis. Na verdade, as áreas do planeta que apresentam maior diversidade de animais e plantas não são os parques e reservas. São justamente aquelas áreas onde comunidades humanas tradicionais (índios, ribeirinhos…) coexistem com a natureza.

Retirar uma flor da árvore, para qualquer fim que seja, não é errado. E não vai causar um desequilíbrio ecológico. Então enfeite sua mesa, enfeite sua vida!

Institutos de Pesquisa e Fé e a Ética na ciência.

Algumas semanas atrás falei sobre clonagem, na onda da discussão sobre a proibição das pesquisas com embriões humanos. Naquele artigo relutei em falar sobre a ética aplicada a essa questão, por achar que os argumentos técnicos seriam mais importantes para formar a opinião geral.

No entanto, ao ler um livro essa semana que continha o discurso de Galileu Galilei, ao se retratar publicamente frente a inquisição romana, por defender suas idéias e estudos sobre o heliocentrismo (o sol como centro do universo e a terra em movimento ao redor dele), e ao ler no ‘Jornal da Ciência’ o artigo cujos trechos cito a seguir, não resisti a comentar o tema.

O artigo era de Evaristo Eduardo de Miranda, doutor em ecologia, pesquisador da Embrapa e membro da diretoria do Instituto Ciência e Fé. Instituto de Ciência e Fé?!? Já desconfiei. Faço parte do grupo que não concorda que fé e ciência sejam compatíveis. Mas começo a achar que seja uma minoria, devido ao grande número de pessoas, incluindo pesquisadores renomados, que acreditam que isso seja possível. Tanto que pelo visto existe até um Instituto da Ciência e Fé, do qual o autor do cito artigo é presidente, e que pretende ser um “espaço privilegiado para o diálogo entre pessoas de diversos horizontes, perspectivas religiosas e políticas”. O saudoso Dr. Chagas, o maior cientista brasileiro do ultimo século, tinha o cargo, para mim insólito, de “adido científico do vaticano” só pra exemplificar.

O autor do artigo afirma que “nunca os princípios de humanidade estiveram tão ameaçados […] por membros da comunidade científica…”, sendo que ele chama de “cientismo” uma utopia que “resolveria todos problemas da humanidade, satisfazendo todas as necessidades legítimas da inteligência humana”. E continua que “Seus adeptos não admitem limites em suas pesquisas, nem orientação e, muito menos, oposição. Mesmo quando ameaçam princípios fundadores de nossa humanidade”.

Princípios fundadores da nossa humanidade?!? Desconfiei de novo.

O que é a ética, a moral? Uma questão filosófica certamente importante e fora do escopo desse artigo e dessa coluna. Mas vale a pena ressaltar que nossa ética é quase toda baseada nos preceitos cristãos. E que, diga-se de passagem, não são preceitos naturais e estão longe de serem consenso entre a humanidade.

No ambiente científico, as questões éticas estão tendo uma importância cada vez maior. Por exemplo, qualquer pesquisador para obter um financiamento do importante Instituto Nacional de Saúde americano(NIH), tem que apresentar no seu currículo um curso de ética. O próprio instituto oferece seu curso “básico” de ética que tem sido freqüentado por um grande número de pesquisadores. Acredito que a ética na ciência esteja ligada com o fator da exploração da vida e da natureza, assim como em muitas outras questões. Animais não acreditam em Deus, e certamente as cobaias de laboratório não questionam ou procuram explicar seu Karma em função de vidas passadas. Porem, a exploração de um recurso em prol de outro gera encruzilhadas que muitas vezes são de difícil transposição. Por isso acredito mais em estratégias que sejam eficientes e sustentáveis em longo prazo, do que em preceitos morais filosóficos. Sejam eles católicos, cristãos, muçulmanos, budistas etc.

Para isso, precisamos aprender a desenvolver nosso senso crítico, e não nossa capacidade de crença. Esse curso de ética do NIH, apesar de algumas baboseiras típicas de americanos, como ensinar um pesquisador como se comportar com suas alunas para que não possam ser acusados de assédio sexual (tipo, jamais conversar sobre a tese no escritório de portas fechadas); ensinam mais a desenvolver o raciocínio crítico, dentro de um contexto científico atual e histórico. No Brasil uma tentativa pioneira nesse sentido foi aplicada por jovens pesquisadores no congresso da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) de 2001 em Caxambu. Mais de 150 alunos de graduação e pós-graduação estiveram presentes. Esperamos que o curso possa ser repetido na reunião de 2003.

Acredito que o verdadeiro objetivo da ciência seja descobrir a natureza e não resolver todos os problemas e ansiedades da sociedade humana. E ela cumpre seu papel a medida que mostra “como o mundo funciona” ao contrário de “como ele deveria funcionar” (o que é uma função da filosofia e da religião).

Por isso a melhor lição de ética que podemos dar a nossos cientistas é de desenvolver o senso crítico e não procurar verdades absolutas (até mesmo porque poucas existem). E repito que, o problema não é que ciência os cientistas fazem, mas que política os políticos fazem.

Talvez a clonagem seja muito perigosa. Ou não. E talvez seja um grande erro autorizar esses experimentos. Ou talvez seja um erro maior não autorizar. Acredito que quanto maior for essa dúvida, maior a necessidade de estudar e pesquisar o tema a fundo. Sem limites, sem proibições. Só assim poderemos conhecer o verdadeiro benefício e o verdadeiro perigo. E só assim poderemos tomar as decisões corretas do que fazer com eles. É sempre melhor que todos saibam o que pode acontecer, do que não saber nada.

“Eu, Galileu Galilei […] aos setenta anos de idade […] e ajoelhado diante de vós, Eminentíssimos e Reverendíssimos senhores Cardeais […] juro que sempre acreditei, acredito agora e, com a ajuda de Deus, acreditarei futuramente em tudo o que é aceito pregado e ensinado pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana […] Visto que, após me ter sido feita a injunção judicial por esse Santo Ofício […] para que eu abandone por completo a falsa opinião de que o Sol é o centro do mundo e imóvel, e de que a terra não é o centro do mundo e imóvel, e me proibindo de aceitar, defender ou ensinar […] a doutrina […] escrevi e imprimi um livro no qual discuto essa doutrina […] e por essa razão apontou-me o Santo Ofício como veemente suspeito de heresia […] Assim sendo, visando dissipar […] essa forte suspeita […] abjuro, amaldiçôo e abomino os já mencionados erros e heresias, e de um modo geral todo e qualquer erro e seita que de qualquer maneira sejam contrários à Santa Igreja […] Eu […] jurei, prometi e me comprometi acima […]”.

Giordano Bruno morreu queimado na fogueira por heresia 50 anos antes de Galileu proferir seu discurso para evitar a morte pela mesma razão. Eu me sinto horrível de pensar que daqui a 300 anos alguém possa ler sobre a nossa época e pensar que as pessoas que queriam estudar a clonagem tiveram de morrer na fogueira ou negar ridiculamente suas idéias como Galileu (diz a lenda que quando Galileu se levantou da sua posição de joelhos murmurou: “E no entanto ela se move”).

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“Não é função do nosso governo impedir que o cidadão caía em erro. É função do cidadão impedir que o governo cai em erro”. Robert H. Jackson, Juiz da suprema corte, EUA. 1950.

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