"Bela demais para não ser verdadeira"

Estou lendo novamente ‘O Fim da Ciência’ de John Horgan. Como editor da Scientific American durante muitos anos, Horgan teve de entrevistar algumas das maiores mentes científicas do século XX. E a todas elas fez a pergunta: “Você acha que a ciência já acabou?”

Logo nas primeiras páginas, ele fala que foi entrevistar Roger Penrose. Penrose havia acabado de escrever ‘A mente nova do emperador’ um livro que ele próprio (Horgan) classificou como denso e difícil. Eu confesso que a primeira vez que vi o tijolo que é esse livro, fiquei assustado. Foi durante o mestrado, em Rio Grande, nas mãos do meu amigo André ‘Batata’ Barreto. O Batata, Nerd mais gente boa que já conheci, falou sobre o quão viajante, doido e difícil era o livro. E se o Batata tinha achado difícil… é porque realmente era.

Mas o que Horgan fala é que Penrose, desiludido com o que o panorama da ciência tinha a oferecer naquele momento para explicar o que ele definia como ‘a última fronteira do conhecimento’, a consciência, se permite criar toda uma teoria para explicar o pensamento, sem nenhuma evidência para suas especulações. Claro… ele simplesmente estava propondo uma maneira de realizar a tão sonhada unificação da mecânica quântica com a relatividade geral de Einstein (em cuja interface residiria a consciência).

A base científica dos argumentos é um dos principais critérios quando avalio uma tese ou quando um artigo meu é avaliado por um referee. Sem essa base, tudo vira especulação. Ou imaginação?

É que uma (especulação) tem conotação negativa enquanto a outra (imaginação) tem conotação positiva. Mas será que elas são diferentes? E de quanta especulação precisa a ciência para crescer?

Enquanto escrevo minha mente não para. “Será que na verdade a diferença está em ‘quem’ especula?”

Sim, porque, pensem comigo, quando um cientista desinformado especula por preguiça de ler, a chance dessa especulação ser criativa e trazer nova luz a problemas sem solução é muito pequena. A maior chance é que ele re-invente a roda. Já se um cientista como Penrose esgota as possibilidades de explicação com base nas evidências existentes e começa a especular sem base nas evidências, ai pode ser que algo de produtivo apareça.

Ainda assim, essa nova especulação deve ter algum tipo de critério. “Penrose é um platônico confesso” Diz Horgan, “Os cientistas não inventam a verdade, eles as descobrem. Das verdades genuínas emana uma beleza, uma correção, uma qualidade evidente por si mesma, que lhes dá o poder da revelação.” Para Penrose, a ‘beleza’ é o critério.

A beleza não é um critério totalmente subjetivo: simetria, ordem, padrão, são todos critérios de beleza que podem ser medidos e avaliados. Mas também há novidade e diversidade e esses… são critérios difíceis de serem avaliados, porque dependem de contexto.

Apesar da subjetividade, a beleza está presente no método científico. E de uma maneira muito… bonita. É a beleza (ou como quer que você queira determinar um critério estético) que vai determinar, entre duas perguntas similares, qual é aquela que o pesquisador vai escolher para estudar. Para aplicar o método científico. E a escolha… na minha opinião, é o que diferencia o cientista espetacular do cientista bom, ou muito bom.

“É bela demais para não ser verdadeira” disse Rosalin Franklin ao ver o esquema da estrutura da dupla hélice do DNA proposto por Watson e Crick, enquanto o modelo proposto por ela, responsável pelas imagens de difração de raios X de alta qualidade que os dois outros pesquisadores usaram para fazer sua descoberta, não se sustentava. A beleza não pode ser considerada uma evidência, mas parece que elas andam lado a lado. Uma evidência de qualidade é sempre bonita.

Agora, lendo essas colocações de Horgan e Penrose, penso que existe mais uma brecha no método científico onde a beleza se encaixa: na especulação da discussão. Mas com muito cuidado. A beleza só pode ser utilizada como argumento quando todas as outras evidências tiverem se esgotado. Mas quando podemos considerar que esgotamos todas as evidências e podemos começar a utilizar a beleza como argumento?

Quando você descobrir, vai conseguir diferenciar um cientista ruim de um bom.

Quatro apoios

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“Cada descoberta e cada invenção levam a transferência de poder e a mudança de hábitos, portanto a medo, desconfiança, resistência e atraso.” diz o sociólogo italiano Domenico de Masi.
O artigo Raízes do atraso brasileiro do professor Wanderley de Souza no jornal O Globo de ontem (15/08/2001) procura mostrar os obstáculos para se fazer inovação no Brasil, mas, na minha opinião, deixa de mencionar um problema fundamental, um conflito conhecido na vida de todas as pessoas, mas velado na ciência brasileira: o choque de gerações.
Apesar de velado, esse conflito é antigo.
“O principal papel do instituto (de Biofísica da UFRJ) foi o de mobilizar apoios, governamentais e não-govemamentais, vencer resistências internas e externas dentro do espaço em que deveria legitimar-se e sobretudo, por intermédio de seu fundador, o professor Carlos Chagas Filho, criar categorias que hoje constituem tradições da ciência brasileira, mas que nem sempre estiveram ali.”

Esse depoimento foi dado pelo professor Paulo Góes Filho na abertura da autobiografia do professor Carlos Chagas Filho, fundador do Instituto de Biofísica da UFRJ, a primeira instituição universitária a fazer pesquisa científica. O livro se chama Um aprendiz da ciência.
“(…) tendo sido Raul Leitão da Cunha nomeado ministro da Educação e Saúde, chamou-me ao seu gabinete para me perguntar o que eu achava que deveria ser feito por nossa universidade. Respondi-lhe que a primeira coisa seria o estabelecimento do tempo integral, particularmente para as cátedras fundamentais. A seguir, propus a ele que se organizassem institutos de ensino e pesquisa nas várias disciplinas básicas. Era este um assunto que eu havia discutido com professores da Universidade de São Paulo, sendo que, na ocasião, fui uma minoria esmagada. Leitão da Cunha perguntou-me quais os institutos que deviam ser criados imediatamente. Física, química e matemática seriam os primeiros, com a responsabilidade de neles se ministrar o ensino dessas matérias para todos os cursos da universidade. (…) [e depois] Criar o Instituto de Biofísica, que teria função de implantar a pesquisa na Faculdade de Medicina e trazer para o nosso meio os métodos físicos que despontaram nos centros maiores depois da Segunda Guerra Mundial, e o desenvolvimento dos métodos eletrônicos.Leitão da Cunha aquiesceu imediatamente”
O livro do professor Chagas é uma fonte de sabedoria. E muitas vezes, quando o presente é incerto, muitas vezes é bom voltar a fonte, aos princípios básicos das coisas, porque com passar dos anos, as histórias chegam a nós um pouco distorcidas.
O tempo entre a posse do professor Chagas Filho como catedrático de Física Biológica na faculdade de Medicina da então Universidade do Brasil em 23 de novembro de 1937 e a fundação do Instituto de Biofísica em 17 de dezembro de 1945 (oito anos depois) dão uma idéia da resistência encontrada para as idéias de Chagas Filho. Até mesmo pelo próprio Leitão da Cunha, que era o responsável pelo curso de anatomia patológica e foi o primeiro chefe de Carlos Chagas Filho na universidade, quando este dava aulas de hematologia 3 vezes por semana, em 1934.
“O jovem professor está consciente de que é o único voto contra?” perguntou Leitão da Cunha a Carlos Chagas Filho ao final de uma sessão da congregação quando todos os professores pleiteavam por benefícios. Chagas os intitulava de os “Barões da Faculdade de Medicina”.
“Evandro passou-me vários telegramas para Paris, onde eu me encontrava, só tendo desistido do seu intento de não entregar o meu pedido (de demissão de Manguinhos) depois de uma longa conversa telefônica em que eu lhe expus a minha firme decisão de assumir a cadeira na faculdade. Impeliam-me nesse sentido, entre outros, dois motivos principais: a possibilidade de discutir com alunos a matéria ao meu encargo e, principalmente, a intenção de implantar a pesquisa fundamental na universidade, segundo o modelo de atividade que aprendera no Instituto Oswaldo Cruz.”
Vejam que enquanto encontrava resistência para estabelecer a atividade científica na Faculdade de Medicina, encontrava também resistência para exercer a atividade didática vinda de Manguinhos, principalmente de seu irmão, Evandro Chagas:
“A razão principal dessa oposição é que não se poderia jamais pesquisar na universidade e que eu me esterilizaria no Simples exercício de atividades didáticas.”
Hoje, “Ensino, Pesquisa e extensão” são o tripé que sustenta a universidade como instituição, de forma que é quase inimaginável pensar que um dia já estiveram separadas.
Por isso a minha estranheza quando vejo o professor Wanderley de Souza, titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, onde eu também tenho o privilégio de exercer a atividade de professor e pesquisador, protestar contra a realização da inovação na universidade.
“Em todos os países, a produção de patentes resulta da atividade de pesquisa, desenvolvimento e inovação praticada nas empresas. A título de exemplo, cabe mencionar que apenas 4% das patentes depositadas nos EUA são provenientes de suas universidades. (…) o Sistema Brasileiro de Ciência e Tecnologia foi montado ao longo de vários anos para dar apoio à pesquisa básica, e o fez com sucesso. Este sistema não foi e não se encontra preparado para lidar com o setor empresarial.”
Corretíssimo em suas duas afirmações, Wanderley discorda da política do governo, que através de movimentos como a ‘Lei do Bem’ e ‘Lei da Inovação’, estimulam a universidade a comandar, ou encabeçar, a inovação no país.
A questão,para nós, é que se nos EUA pode ser daquele jeito, aqui não. A política econômica dos últimos 20 anos, assim como a cultura trabalhista brasileira, nunca estimularam o empreendedorismo. Ainda hoje, um aluno de qualquer disciplina tem de procurar um MBA depois de se formar, porque são raríssimos os cursos (fora dos currículos de economia e administração) que ensinem a preparar um plano de negócios. O resultado é que não há como exigir de uma indústria intermediária inexistente que lidere a marcha pela inovação. A ‘inteligenzia‘ brasileira, aquela capaz de interpretar e aplicar o conhecimento científico produzido no Brasil e no mundo está na universidade. Foi criada e é mantida pela sociedade brasileira. E é por esses motivos, entre outros, que ela precisa liderar movimento pela inovação e empreendedorismo no país.
É claro que precisamos rever nossa lei de patentes. Assim como nossa política econômica de juros altos e nossa cultura social de funcionalismo público. Mas também deveríamos rever nosso modelo de ciência e tecnologia, baseado no paradigma da ciência básica e ciência aplicada do pós-guerra, para uma abordagem mais moderna que, curiosamente, remete a atividade de aplicação de ciência de Louis Paster no Séc XIX, onde a busca de soluções para problemas aplicados leva ao desenvolvimento de fundamentos da ciência. Uma história muito bem contada no livro ‘O Quadrante Pasteur‘.
Esta na hora da universidade evoluir e se apoiar em um quadripé de “ensino, pesquisa, extensão e inovação”. Mas não acredito que essa mudança convenha ou interesse aos ‘Barões da Ciência’ do Brasil de hoje.

Terminei de ler… O último teorema de Fermat.

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Muitas vezes precisamos estar maduros para aprender algumas coisas. Ainda que pareçam simples. E ainda que sejam. Sua profundidade nos alcança apenas depois de termos acumulado algum, ou muito, ou um certo tipo de conhecimento. Essa foi minha impressão com “O último teorema de Fermat” do físico e jornalista britânico Simon Singh. Lê-lo anos atrás não teria me causado tamanho espanto e deleite com a beleza da matemática, como me causou agora.
O livro conta histórias da matemática, não só para apresentar ao leitor o contexto em que o teorema extremamente simples foi criado, mas também para familiarizar o leitor com as técnicas matemáticas (e seus inventores) que foram utilizadas nas inúmeras tentativas de resposta e, finalmente, na solução apresentada pelo matemático inglês Andrew Wiles.
Abre parênteses: O teorema de Fermat é uma variação do famoso teorema de Pitágoras que todos aprenderam em trigonometria na escola: a2+b2=c2, e que é muito útil em geometria. Só que substituindo o valor da potência por qualquer outro número maior que 2, o resultado é o ‘monstrengo matemático’ an+bn=cn, que devorou algumas das mentes mais brilhantes da história. Fecha parênteses.
São essas histórias, mais que a epopéia de Wiles em si (já que a matemática que ele usou está além das capacidades de nós, meros mortais, e por isso é pouco discutida e pouco contribui para o enredo), que ilustram e dão a idéia do tamanho do desafio e do brilhantismo da descoberta. E que tornam o livro tão fascinante. Entre elas eu escolhi 3 para dividir com vocês. A primeira é a identificação, por Pitágoras, de que relações numéricas simples são as responsáveis pela harmonia na música:
“[Ele] aplicou sua nova teoria de proporções musicais à Lira, examinando as propriedades de uma única corda. Tocando simplesmente uma corda,temos uma nota padrão, que é produzida pela vibração da corda inteira. Prendendo a corda em determinados pontos de seu comprimento é possível produzir outras vibrações ou notas (…). As notas harmônicas ocorrem somente em pontos muito específicos. Por exemplo, fixando a corda num ponto correspondente à metade do seu comprimento, ela produz, ao ser tocada, uma nota que é uma oitava mais alta e em harmonia com a nota original. De modo semelhante, se prendermos a corda em pontos correspondentes a um terço, um quarto e um quinto do seu comprimento, produziremos outras notas harmônicas. Já se prendermos a corda em outros pontos que não formam uma fração simples do seu comprimento, a nota produzida não se harmoniza com as outras.”
A segunda é como Alan Turing estabeleceu os princípios da computação aplicando a ‘teoria dos jogos’ a ‘quebra de códigos’ durante a segunda guerra:
“Em especial, ele queria saber se havia um meio de definir quais as perguntas que eram ou não decidíveis e tentou desenvolver um meio metódico de responder a esta pergunta. Naquela época os aparelhos de cálculo eram primitivos e efetivamente inúteis para a matemática séria. Assim Turing baseou suas idéias no conceito de uma máquina imaginária capaz de computação infinita. Está máquina hipotética, capaz de consumir quantidades infinitas de fita telegráfica, poderia computar durante toda a eternidade e era tudo de que ele necessitava para explorar suas perguntas abstratas de lógica., O que Turing não percebia era que sua mecanização imaginária de questões hipotéticas iria levar a um avanço fantástico na realização de cálculos reais em máquinas de verdade.”
Mas a terceira foi a mais importante pra mim e a que eu considero que todo cientísta, iniciante ou senior, estudante ou avançado, deve ter em mente: A descoberta por Pitágoras da ‘prova definitiva’, e a diferença entre o conceito de prova científica e prova matemática.
“Em matemática, o conceito de prova é muito mais rigoroso e poderoso do que o que usamos em nosso dia-a-dia e até mesmo mais preciso do que o conceito de prova como entendido pelos físicos e químicos. A diferença entre a prova científica e a prova matemática é ao mesmo tempo sutil e profunda. (…) A idéia da demonstração matemática clássica começa com uma série de axiomas, declarações que julgamos serem verdadeiros ou que são verdades evidentes. Então, através da argumentação lógica, passo a passo, é possível chegar a uma conclusão. Se os axiomas estiverem corretos e a lógica for impecável, então a conclusão será inegável. Esta conclusão é o teorema.
Os teoremas matemáticos dependem deste processo lógico, e uma vez demonstrados eles serão considerados verdade até o final dos tempos. A prova matemática é absoluta. Para apreciar o valor da prova matemática devemos compará-las com sua prima pobre, a prova científica. Na ciência, apresenta=se uma hipótese para explicar um fenômeno físico Se as observações do fenômeno são favoráveis à hipótese, então elas se tornam evidências a favor dela. Além disso, a hipótese não deve meramente descrever um fenômeno conhecido, mas também prever os resultados de outros fenômenos. Experiências podem ser feitas para testar a capacidade da hipótese em prever os resultados, e se o resultado for bem-sucedido teremos mais evidências para apoiar a hipótese. Por fim, a soma das evidências pode ser tão grande que a hipótese passará a ser aceita como teoria científica.
Contudo, uma teoria científica nunca pode ser provada do mesmo modo absoluto quanto um teorema matemático. ela é meramente considerada como altamente provável, com base nas evidências disponíveis. A assim chamada prova científica depende da observação e da percepção, e ambas são falíveis, fornecendo somente aproximações em relação à verdade. Como disse certa vez
Bertrand Russel: “Embora isto possa parecer um paradoxo, toda ciência exata é dominada pela idéia da aproximação.” Até mesmo as ‘provas’ científicas mais aceitas possuem um pequeno elemento de dúvida dentro delas. Às vezes esta dúvida diminui, mas nunca desaparece completamente. E e outras ocasiões descobre-se que a prova estava errada. Esta fraqueza das provas científicas leva às revoluções na ciência, quando uma teoria que se considerava correta é substituída por outra, a qual pode ser meramente um aperfeiçoamento da teoria original, ou pode ser sua completa contradição.”
A história do criador de enigmas Pierre de Fermat e do homem (do Nerd) que solucionou o problema mais famoso da matemática Andrew Wiles é uma história de homens e mulheres em busca da verdade e do conhecimento, mais do que da fama e do reconhecimento. É um exemplo da perseverança do espírito humano. É fascinante e é obrigatória para todo mundo que faz e gosta de ciência.

Diário de um biólogo – Terça, 17/05/2011 – PRIMO's Next

Em Outubro vamos organizar novamente a Escola Internacional de Pós-graduação em Meio Ambiente e Saúde. A expectativa é que esse ano tenhamos uma adesão ainda maior, principalmente depois da apresentação que eu no congresso internacional de efeitos de poluentes em organismos marinhos. Para se inscrever, basta ir na página da escola em www.bioletim.org/primosnext.

Abaixo você pode ver a apresentação da escola no congresso internacional. O vídeo é de baixa qualidade, mas o som está muito bom e você pode acompanhar a apresentação preparada com o PREZI.
Comente e divulgue.

O carro na frente dos bois

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Descobri o que anda me irritando tanto nos congressos e na ecotoxicologia em geral: primeiro, ninguém sabe fazer apresentações de PowerPoint interessantes (colocam mais introdução do que resultado, introduzem o que a platéia já sabe, não treinam e não respeitam o tempo, usam tabelas impossíveis de ler, figuras pequenas demais, e outras coisas que você pode ler aqui). Mas isso é em qualquer área e é o que torna os congressos tão chatos em geral. A segunda coisa é que os trabalhos são pequenos demais. Quer dizer, as vezes são trabalhos grandes, mas com uma pergunta muito específica. Parece que estamos todos olhando para um aspecto muito particular, de um problema mais particular ainda, porque a ‘big picture‘, o problema como um todo, é muito grande, muito complexo, ou muito caro. Mas o que mais me irrita mesmo, é o pessoal que faz um experimento e depois fica ‘brincando com os dados’ pra ver o que pode responder. Encontra uma correlação aqui, uma correlação ali… e acha que pode concluir alguma coisa. Colocar os resultados antes de ter muito claro qual, ou quais são, as perguntas, é colocar o carro na frente dos bois. E desrespeitar um princípio básico do método científico. A pergunta tem que vir ‘antes’ do desenho experimental e da análise dos resultados. A falta de uma pergunta específica no início do experimento, leva a um desenho experimental que responde não só a uma, mas a várias perguntas. Quando se observa um evento a posterióri, podemos justificá-lo ou explicá-lo não com uma, mas com várias teorias. Sem nunca poder determinar qual a verdadeira. (no máximo podemos usar a Navalha de Occam pra escolher qual é a melhor) É sempre possível, com base em uma mesma observação, contar várias histórias plausíveis. É o que diz a lógica dedutiva, e por isso que não podemos usá-la no método científico.

Careca de saber

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Me irrita! Como ciência ruim me irrita!! Como jornalistas que divulgam ciência ruim me irritam!!!
A Revista Época, que eu não assino mas vez ou outra leio em alguma sala de espera, publicou em 07/04/2011 a reportagem ‘O preço da Cabeleira’ sobre os efeitos adversos da Finasterida. Bom, deixa eu me corrigir. Não foi sobre os efeitos da Finasterida, a unica droga que, desde os tempos dos elixires contra calvice vendidos pelos ciganos na idade média, cumpre a promessa de fazer nascer cabelo de novo; mas sim sobre um artigo ‘bombástico’ publicado recentemente por um médico da universidade George Washington: Persistent Sexual Side Effects of Finasteride for Male Pattern Hair Loss de Michael S. Irwig e Swapna Kolukula (algo como ‘Efeitos colaterais permanentes na performance sexual decorrentes do uso de Finasterida para combater queda de cabelo masculina’). Uma reportagem sobre os efeitos da Finasterida mostraria lados bons e ruins, investigarias diversas fontes, faria uma avaliação crítica das evidências, concluiria com base nelas. Mas não, a suposta reportagem é mais uma cópia de press release feita por algum repórter que certamente não tem um mínimo de formação científica (aliás, como o médico autor do artigo, pra gente ver que MD não é PhD*).
Depois não sabem por que os cientistas implicam com jornalistas. É justamente por causa desse tipo de reportagem. Como dá trabalho investigar o assunto de verdade, eles fazem qualquer coisa.
Aliás, é justamente esse o problema do artigo, a razão pela qual ele nunca deveria ter sido publicado, e mesmo nunca ter sido nem concebido, e, finalmente, razão pela qual estou tão indignado escrevendo esse post: algumas pesquisas dão muito trabalho e por isso raramente são feitas. A questão é que isso não serve de justificativa para tentar se abordar o problema de uma forma simplista, que não só não ajuda a resolver a pendenga, como gera informação imprecisa, inacurada, incorreta, sensacionalista e confusa!
A Finasterida foi descoberta acidentalmente, diga-se de passagem, como o Sildenafil, principio ativo do Viagra. Ela are utilizada para tratar pacientes de câncer de próstata, que começaram a reparar no crescimento do cabelo (assim como os pacientes que utilizavam o Sildenafil pra regular a produção de óxido nítrico no coração reportavam a facilidade de ereção).
O mecanismo de ação não é tão elegante quanto o do Sildenafil, mas basicamente a Finasterida bloqueia a ação de uma variante da enzima 5AR que bloqueia a transformação da testosterona em diidrotestosterona. E dai? E dai que a diidrotestosterona é inimiga mortal dos folículos capilares. Destrói eles, levando a queda do fio e a calvice. Existem vários tipos de calvice, mas a causada pelo excesso desse hormônio é um tipo importante: aquele que pode ser revertido!
O problema é que a testosterona é um hormônio importante em toda a fisiologia masculina. Na feminina também, mas principalmente na masculina. Na verdade, é o hormônio que DETERMINA a masculinidade: força, libido, agressividade… tudo está ligado a testosterona. Imagina o que pode acontecer se interferirmos nesse balanço?
Mas para a ciência, o que pode ser imaginado sem poder ser testado não tem muita importância. Antes de lançar o medicamento no mercado, os laboratórios farmacêuticos tiveram de conduzir muitos estudos com pacientes. Esses estudos, reportados na bula de qualquer caixa de Finasterida, mostram que um percentual menor que 2% dos pacientes que tomaram Finasterida manifestaram disfunção na performance sexual (como perda de libido e dificuldade de manter a ereção). O número foi semelhante no grupo controle e no grupo que tomou o placebo. Ou seja, o problema não é da Finasterida!
Abre parênteses: vamos deixar bem claro que eu não sou financiado por nenhum laboratório farmacêutico, e nem defensor desses, cujo financiamento de pesquisas tendenciosas cria um dos maiores problemas de credibilidade nas publicações científicas da atualidade. Fecha parênteses.

Bom, mas por alguma razão, doutor Irwing, ficando careca ele mesmo como vocês podem ver nessa foto, preocupado com essa perda de performance, resolveu investigar o problema. Por preguiça, falta de financiamento, arrogância ou incompetência mesmo, achou que não precisava ter certeza se os sujeitos do seu estudo tomavam a Finasterida mesmo e resolveu só perguntar para eles ‘quanto’ e por ‘quanto tempo’ eles tomavam a droga. Também não achou que era importante dosar os níveis de diidrotestosterona no sangue desses indivíduos, usando o que chamamos de ‘dose nominal’ (aquela proporcional a quantidade ingerida), o que é impensável em um estudo desses, porque sabemos que as enzimas de uma pessoa pode ter atividade maior ou menor que a de outra, afetando o metabolismo da droga que causa o efeito e a enzima que é o alvo da droga. Finalmente, já que não dava pra medir a falta de libido e dificuldade de ereção nos seus sujeitos na ‘hora H’, já que não dava nem mesmo pra ir atrás desses sujeitos todos, ele resolveu que podia apenas fazer entrevistas por telefone; e assim, tentando padronizar e quantificar seus resultados, ligou para as pessoas para aplicar a patética Arizona Sexual Experience Scale (ASEX)
A escala mede, em teoria, a importância do sexo para uma pessoa, com respostas que podem variar de ‘extremamente forte’ a ‘ausente’, e pontos para cada uma das alternativas: 1 – extremamente forte; 2 – muito forte; 3 – forte; 4 – fraco; 5 – Muito fraco e 6 – Ausente. As 5 perguntas da escala são:

  • 1 – Quão forte é o seu desejo sexual? (How strong is your sex drive?)
  • 2 – Você se excita sexualmente facilmente? (How easily are you sexually aroused?)
  • 3a – Você consegue ter e manter uma ereção facilmente? (Can you easily get and keep an erection?)
  • 3b – A sua vagina fica umida facilmente? (How easily does your vagina become moist?)
  • 4 – Quão facilmente você alcança o orgasmo? (How easily can you reach orgasme?)
  • 5 – Os seus orgasmos são satisfatórios? (Are your orgasmes satisfying?)

Gente… vocês conseguem imaginar algo mais absurdo que essa escala? Imagino a cena. O telefone toca e o senhor atende. O rapaz ao telefone explica, com sotaque indiano, que trabalha para a universidade George Washington e está fazendo uma pesquisa sobre os efeitos da Finasterida. Diz que o nome dele foi sugerido pelo banco de dados da universidade. Pergunta se ele tomou Finasterida nos últimos 5 anos e também quanto de Finasterida. Depois pergunta se ele tem problemas para manter uma ereção e o quão satisfatórios são os orgasmos dele. E pede a resposta em uma escala de 1-6. Ahhh… fala sério! Isso não é ciência, isso é pegadinha do Pânico!
A verdade é que esse artigo é patético. Um monte de pressuposições que levam a mais pressuposições que levam a conclusões sem nenhuma confiança. O desenho experimental é uma piada: não há controle de placebo, não há nenhuma medida objetiva, não há relato do número de casos de pacientes que NÃO tiveram problemas depois de tomar a Finasterida. Ele não leva em consideração que os pacientes mentem, se esquecem, não entendem a pergunta. A escala, por mais letras e números que tenham, é tão subjetiva quanto um dado obtido pela leitura de cartas do Tarot.
O repórter, que não assina a reportagem, termina dizendo “Mesmo que o problema tenha ocorrido em poucos pacientes, informação nunca é demais.” Errado de novo! Vivemos em um mundo saturado de informação. Informação incorreta é demais sim!
Irwig, M., & Kolukula, S. (2011). Persistent Sexual Side Effects of Finasteride for Male Pattern Hair Loss The Journal of Sexual Medicine DOI: 10.1111/j.1743-6109.2011.02255.x
* MD é a sigla em inglês para Medical Doctor que significa o indivíduo ser ‘doutor’ por ter terminado a faculdade de medicina. PhD é a sigla para Philosophy Doctor e significa que o indivíduo fez um doutorado, que é um treinamento avançado em ciência, indispensável para quem aspira uma carreira científica.

'Chi se ne frega'?

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Não vou mais a congressos na Europa. Quer dizer, pelo menos não na área ambiental. Bom, ao menos que não me convidem e me paguem tudo.
O 27th ESCPB foi uma grande reunião de amigos. E o prazer das pessoas em se encontrarem no país com a melhor comida e bebido do mundo, foi inversamente proporcional a qualidade científica da reunião. Se vocês viram as fotos do jantar social no “Alii Due Buoi Rossi”, então podem imaginar que foi realmente ruim (o congresso, vamos deixar claro. O jantar foi maravilhoso).
O que acontece, na área ambiental, é que ninguém realmente desenvolve trabalhos de base sobre os mecanismos fundamentais de ação de poluentes, ou sobre as vias metabólicas e de biotransformação. Tudo isso vem dos trabalhos biomédicos. Assim, ninguém é realmente ‘autor’ dos mecanismos que está investigando. Todo mundo, pega ’emprestado’ esses mecanismos e tenta explicar ‘efeitos’ que encontram ao expor os organismos, quaisquer que eles sejam, aos poluentes (quaisquer que eles sejam também).
Mas fazer ciência nesse mundo ‘high tech’ e ‘politicamente correto’ está cada vez mais caro. E por isso, também, obter amostras está cada vez mais difícil. E com isso, o número de amostra dos trabalhos, o ‘n’, é muito baixo. E quando o ‘n’ é baixo, a margem de erro das conclusões é muito grande. Tão grande, que as vezes não deveriam nem mesmo concluir nada.
A construção dos mecanismos de ação de uma substância poluente, que poderia fornecer informações gerais do interesse de todos, ao invés de ser o ‘alvo’ das pesquisas, são, ao contrário, tomadas emprestadas de outros autores como pressupostos para apresentar dados que tem um poder de explicação fraco sobre os efeitos de substâncias. Na verdade, dados que podem se adaptar ao modelo ‘pressuposto’ mas provavelmente a outros modelos também, porque o alvo da pesquisa é o efeito e não o modelo.
É como no teste de Rorschach, onde como base na figura que mostram cada um pode ver o que quiser. As conclusões desses trabalhos com ‘n’ baixo e desenho experimental/amostral precário podem ser lindas, mas são pouco, muito pouco úteis. E, também como no teste de Rorschach, informam muito mais sobre o pesquisador, do que sobre a própria pesquisa.
Isso sem contar as qualidade das perguntas, cientificamente conhecidas como ‘hipóteses’. Quando não são simplesmente ruins ou mal feitas, são pouco interessantes (chatas mesmo) ou de interesse muito, muito restrito.
Mas, ‘chi se ne frega’? Mas “quem se importa?”
Passamos duas taças de vinho ensinando essa frase para um dos pesquisadores americanos fodões presentes ao congresso, durante o ‘aperitivo’ que é como chamam os italianos chamam o ‘happy hour’. E a verdade é que ninguém no congresso se importava com a qualidade dos trabalhos apresentados. Tanto visual como científica.O corporativismo está matando a ciência!
Ao final das apresentações, cada perguntava começava sempre com “Fulano, muito obrigado por essa bela/interessante/importante apresentação”, enquanto a pergunta que não queria calar era: “como você tem coragem de apresentar isso em um congresso internacional?”
Porque ninguém procura questionar os modelos utilizados? Questionar os pressupostos? Ou, pelo menos, como fazer ciência está caro demais, não usamos os poucos dados que podemos obter para tentar ‘negar’ os modelos pressupostos? Esse é o princípio da ‘hipótese nula’ de Poper, através do qual a ciência tanto avançou no século XX. A tentativa de demostrar que um modelo não funciona é capaz de fornecer dados mais contundentes sobre a sua veracidade do que as pífias tentativas de confirmá-lo. Isso porque 1 (uma), apenas 1 (uma) observação é suficiente para questionar um modelo, enquanto nem mesmo milhares, milhões de observações, são suficientes para comprová-lo.
Mas então porque ninguém faz?
A reposta é complexa. Um misto de preguiça, dureza, irresponsabilidade e politicagem. O mecanismo de tomada de decisão na agências científicas, pelas ‘cabeças pensantes da ciência’ (ou a ‘inteligenza’ como diz meu tio) é tão complicado quanto a via de sinalização do cálcio dentro da célula.
“O fim da ciência”, como escreveu John Horgan, não está próximo por falta de coisas para descobrir, está próximo por falta de carinho dos cientistas para descobrí-las.

Terminei de ler… As pontes de Madison

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Mais um livro que vocês vão dizer “O que que isso tem a ver com biologia?” pra depois de ler o artigo, descobrir que eu ainda sou mais nerd do que vocês pensavam.
Meu lado que chora em filmes sempre chora quando assiste ‘Grandes Esperanças‘ e ‘As pontes do Madison‘. São ou não são dois filmes lindos?
Por isso, quando alguém puxou o livro “As pontes de Madison” de Robert Waller da estante para ler uma citação (o que já sugere que minha noite de Reveillon foi super tranquila) eu sequestrei o livro. Como o filme, é um livro de grande sensibilidade e muito bonito.
Mas me chamou atenção como Francesca se impressiona legitimamente com Richard por sua grande ‘sensibilidade’ na frase a seguir:

“O motivo não era importante. Não era esse o modo pelo qual abordava a vida.
‘A análise destrói as coisas inteiras. Algumas coisas, coisas mágicas, devem permanecer inteiras. Se você olhar por partes, elas desaparecem.’ Foi isso o que disse.”
Apesar de ser uma frase muito bonita e de grande impacto, eu tenho minhas reservas se ela é realmente util.
Por isso me lembrei de uma coisa que li no livro “A Tripla Hélice“, de Richard Lewontin faz duas colocações que estão relacionadas a isso.
Ele começa assim:
“Para criar sua teoria da evolução, Darwin teve de dar um passo revolucionário nas concepções a respeito dos organismos e do ambiente. Até então não havia uma demarcação clara entre processos internos e externos.(…) Darwin promoveu uma ruptura profunda com essa tradição intelectual ao alienar o interno do externo: ao estabelecer uma separação absoluta entre os processos internos que geram o organismo e os processos externos, o ambiente, em que o organismos deve operar.”
E segue algumas páginas adiante:
“A alienação do externo em relação ao interno elaborada por Darwin foi um passo absolutamente essencial para o desenvolvimento da biologia moderna. Sem ela, ainda estaríamos chafurdando na lama de um holismo obscurantista que misturava orgânico e inorgânico em um todo impossível de ser analisado. Mas as condições necessárias para o progresso em um estágio da história transformam-se em obstáculos para o progresso em outros estágios. Vivemos em um tempo em que a continuação do progresso no entendimento da natureza requer que reconsideremos a relação entre externo e interno, entre organismo e ambiente”.
Como sempre, a esperteza na natureza não estar em escolher ‘uma’ ou ‘outra’ estratégia e aplicá-la com habilidade. Mas na habilidade de optar por uma ou outra a cada dado momento.

Cuidado com o penteado

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“Gosto não se discute” é o que diz a sabedoria popular. Mas não é bem assim, não é mesmo? Pra começar uns dizem que na verdade não se discute, se lamenta. Mas a maioria… essa gosta mesmo é de discutir (e principalmente criticar) o gosto dos outros. Se olharmos pra todos os bares lotados no Rio de Janeiro a partir de 5a (4a?) feira, podemos até dizer que é esse o esporte nacional.
Pô, então eu vou me juntar ao coro dos que não gostaram do texto publicado na coluno Espiral do G1. O estudo de um indiano, publicado numa revista indiana, revela(?) a relação entre o sentido dos redemoinhos no couro cabeludo de homens e as suas preferências sexuais. Eu já escrevi sobre homsexualidade aqui e aqui e sei que é um tema acalorado. Mas é sempre um tema que desperta o interesse das pessoas, então sempre que há uma discussão científica sobre o assunto, vira notícia. O problema é que de ciência o artigo original tem muito pouca. Falta de embasamento teórico, seleção de observação, baixo número amostral, má aplicação de ferramentas estatísticas, conclusões tendenciosas… está tudo lá (vejam os comentários da matéria). Nossa… parecia até o exemplo que meu amigo usava nas aulas de estatística sobre como a eventual existência de correlação entre ‘dias de chuva x número de homens calvos’ em uma cidade não demonstra qualquer relação causal. A relação entre a preferência sexual, a orientação dos redemoinhos de cabelo e o uso de hemisférios do cérebro é tão fraca que eu arrisco a dizer que na verdade a orientação dos redemoinhos é um efeito da força de Coriolis (aquela relacionada com a rotação da Terra e que faz com que a água desça pelo ralo para a esquerda no hemisfério sul e para a direita no hemisfério norte). A impressão que dá é que o autor (do artigo) quis fazer uma brincadeira. E o autor da coluna quis fazer outra. Só que parece, pelos comentários, um monte de cientistas lêem a coluna e não acharam muita graça. Vai gente, foi brincadeira! Logo o Alysson que parece ser um cara preocupado com as mazelas do marketing científico a ponto de escrever um artigo sobre o tema no início do ano. Então acho que foi só uma brincadeira de gosto duvidoso mesmo. Tomara que ele publique logo outra coisa. Mas justamente quando o II EWCLiPo se propões a discutir o papel de cientistas e jornalistas na divulgação científica, não poderia deixar de comentar isso. Dá até pro Leandro usar na palestra dele.

Razão e sensibilidade

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Não costumo a publicar citações, mas essa do Dobzhansky continua atual e tem tudo a ver com a causa dos blogueiros de ciência, o combate ao avanço da pseudociências e a exclusão científica.
“Nos gostaríamos de acreditar que se conseguíssemos adequar com segurança dados em relação a qualquer problema científico, então qualquer pessoa com uma inteligência normal, que se da ao trabalho de tomar conhecimento desses dados, deveria necessariamente chegar a mesma conclusão sobre o problema em questão. Nos gostamos de falar de conclusões demonstradas, estabelecidas, provadas e aprovadas. Parece, no entanto, que nenhuma evidencia cientifica é forte o suficiente para forçar a aceitação de uma conclusão que é emocionalmente não aprazível”
Se não aprendermos a tocar o emocional das pessoas com a ciência, nos servirá de muito pouco a razão.

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